nho Resistente Existencial: (1798) As encruzilhadas de Sócrates

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

sábado, julho 23, 2005

(1798) As encruzilhadas de Sócrates




   1. A remodelação de Campos e Cunha representa um golpe duro para o governo, talvez apenas comparável à subida dos impostos. No entanto, enquanto essa medida apenas enfureceu as corporações e quem já anda (justificadamente) farto de apertar o cinto e perdeu a fé nos políticos, este acontecimento terá deitado por terra uma boa parte do apoio que Sócrates tinha das elites. Isto aconteceu tanto à esquerda como à direita. Quem viu Campos e Cunha no parlamento percebeu que este estava com dificuldades em lidar com o lado político da governação. É sempre assim, por melhor que seja o técnico ou o empresário. O Estado não é nem uma empresa e não exige apenas competências. Terá ainda havido divergências internas, mas eu duvido que Sócrates tenha vontade de acabar com a política financeira de rigor. Mais que isso, estaria provavelmente a pensar em termos estratégicos, ele que é um pragmático acima de tudo. Ou seja, tentar agradar à população, ao partido, às empresas e às elites ao mesmo tempo. E ganhar eleições e manter o estado de graça. Por este prisma faz todo o sentido a escolha que fez para substituir Campos e Cunha, de alguém mais político, mais alinhado. Sócrates sofreu um golpe duro e mostrou as suas limitações. Por exemplo, que não estava assim tão preparado para governar, especialmente no que diz respeito ao problema do défice. É aquilo a que Vicente Jorge Silva chama de "défice de estratégia". O futuro dirá se Sócrates tem força e competência para impor uma terceira via política ao país e ao seu partido.

   2. Em matéria de presidenciais, percebemos agora que o PS não tem falta de candidatos. Falta é Sócrates decidir qual será o melhor para ele, mesmo que isso implique perder...A entrevista de Freitas veio mostrar que este apenas espera o aval do PM. Rapidamente Manuel Alegre assumiu-se. Certamente que o partido não terá tido problemas em apoiá-lo depois do "never say never". Até Soares veio dizer (quer dizer, entende-se do que disse), que se o partido o quiser e Sócrates quiser mesmo ganhar, ele poderá avançar. Entretando, a direita começa a lembrar-te de uma premissa adormecida. A esquerda ganhou sempre as presidenciais e não será desta vez que terá a vitória no papo, como se verá depois da campanha aquecer.
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