nho Resistente Existencial: (1792) A equação errada [revisto]

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

quarta-feira, julho 13, 2005

(1792) A equação errada [revisto]


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   Creio que existe uma falácia quando se fala do problema específico da matemática em Portugal. Empiricamente, os números demonstram que os resultados a matemática são muito piores que a outras disciplinas. Logo, conclui-se que o nesta matéria o problema particularmente mau. Não acho que este seja o principal problema. Os resultados são piores nesta disciplina porque a avaliação não comporta a subjectividade de outras. Os alunos podem sempre passar de ano, mas perante testes e exames o desastre é necessariamente total. Para além da avaliação não poder ser suavizada, os objectivos também são mais dificilmente diminuidos. Enquanto a Português ou a História frequentemente se colocam "objectivos minímos" (os professores conhecem bem este conceito) para determinada turma, na matemática os objectivos de determinado ano pressupõe conhecimentos sólidos anteriores, pelo que não é fácil levar a cabo a manobra. Curiosamente, algo parecido acontece no inglês ou françês, onde os alunos podem até passar de ano, mas só uma escassa minoria acaba o ensino básico a falar minimamente. As dificuldades que os alunos sentem a matemática são iguais às das outras disciplinas.

   Nesse sentido, as medidas anunciadas pelo Governo são paliativos, embora possam ser importantes para remediar algum do mal. O mais importante passa pelos professores. Aqui, importa não os enxovalhar (quem o faz tem objectivos perversos), mas perceber que têm de ser dotados de condições para ensinar bem. Isso passa por uma formação inicial mais exigente, avaliação contínua e estabilidade na carreira docente (que manifestamente, não existe nos primeiros...10 anos de carreira). Passado dez anos, sem formação e avaliação, temos multidões de professores incapazes de cumprir a sua função. A solução não passa também por moralizar a pedagogia nem colocando os exames num altar. Ao contrário do que é incessantemente dito, não é a pedagogia moderna que causa estes problemas, simplesmente porque ela não é praticada nas nossas escolas! Qualquer aluno universitário aprende em didáctica a lutar contra modelos tradicionais de ensino, esses sim causadores de mediocridade, porque totalmente desfazados de um ensino de massas. Apesar disso, a esmagadora maioria dos professores continua a ter uma formação e actuação clássica (foi o que aprenderam!). Os recém-formados, ou não têm tempo ou oportunidade para solidificar as novas ideias, ou simplesmente não são capazes de fazer melhor. Os exames podem ser um factor de equilíbrio na educação, mas não são um fim. Interessa-nos mais que uma pessoa desenvolva o pensamento abstracto do que saiba receber uma equação de segundo grau aos 30º anos. E isso não se consegue com exames.
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