nho Resistente Existencial: (1773) Ainda os estágios pedagógicos #1

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

quinta-feira, julho 07, 2005

(1773) Ainda os estágios pedagógicos #1


   Assisti muito atentamente à transmissão da reunião da comissão parlamentar da educação, na qual participou a Ministra da Educação e os seus secretários de estado, dedicada em grande parte a este tema. Em primeiro lugar, de uma crítica este ministério não se livra. Perante uma medida com forte impacto (milhares de pré-estagiários, universidades, escolas, orientadores de estágio, etc.), devia ter havido maior cuidado na sua divulgação, com mais e melhores esclarecimentos. Imagino a confusão que deve atravessar todos os envolvidos. Por isso mesmo, é importante referir as novas informações sobre o assunto.

   Segundo o ME, o actual modelo de estágio manter-se-á este ano, com uma importante mudança. Os estagiários deixam de ter contracto com o ME e, portanto, não serão remunerados. Será ainda alvo de negociação o tipo de ajudas de custo de que poderão usufruir, o que é um dado novo importante. No entanto, não fica claro se os professores serão titulares de uma turma. Foi dito que os professores "teriam" uma turma e que os núcleos de estágio seriam mantidos. No entanto, passou na comunicação social a ideia que os estagiários dariam apenas algumas aulas na turma da orientadora, o que é muito diferente de ser titular da mesma. O ME não soube esclarecer este ponto totalmente e ninguém da oposição perguntou.

   Em ambos os casos, a medida não vai ao encontro das fundamentações do ME para agir nesta matéria. Foram apontadas duas razões: a mais importante, que não faz sentido formar milhares de professores que não terão lugar no mercado de trabalho. Segundo, que o vencimento é um incentivo a essa "formação para o desemprego" e que deve terminar. Quanto a este ponto, estará resolvido. Mas veremos quantos estagiários a menos haverá pelo estágio não ser remunerado. Muito poucos, certamente, até porque há cursos que necessitam do estágio para serem concluídos. No ponto central da questão, continuam a entrar para formação inicial milhares de professores que por sua vez irão inundar ainda mais uma bolsa de professores já saturada. Mantendo-se o modelo, o problema estrutural continua.

   De qualquer forma, é necessário reconhecer que há um problema de excesso de professores e que devem ser apertados os limites à formação (nunca extintos!), até para preservar o interesse dos próprios envolvidos. Por outro lado, o estágio era uma formação de reconhecida qualidade, pelo que não deve ser diminuído de qualquer forma. Pelo contrário, a formação deve ser alargada em mais momentos do percurso tanto do estudante como do docente já profissionalizado. Se a solução actual passa por retirar a titularidade de turmas aos estagiários, estamos perante um retrocesso na formação, ainda mais gravosa tendo em conta o actual panorama qualitativo do ensino. Assim, será certamente uma medida de transição, o que foi de certa forma confirmado pela Ministra. Esta acrescentou que o modelo de formação inicial iria ser repensando de acordo com o Tratado de Bolonha, suponho eu que introduzindo o estágio num segundo grau de formação.

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