nho Resistente Existencial: (1758) Os Ayatollahs da economia [corrigido]

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

terça-feira, junho 28, 2005

(1758) Os Ayatollahs da economia [corrigido]


   Fiquei verdadeiramente irritado com o debate que onde a RTP1 promoveu para discutir o nosso problema orçamental. Estranhamente, todos os convidados estavam de acordo e todos eram economistas. Chega-se à conclusão que não é possível haver debate sobre este assunto, e que não se trata de um problema político. Para mim, foram-nos servidas duas falácias que se traduziram em várias horas da mais ultra-liberal propaganda. Ontem, muito foi usada a palavra "verdade". Durante as várias horas do programa, a única altura em que os senadores liberais se mostraram titubeantes foi quando tiveram que traduzir essa verdade, algo que o despudorado José Manuel Fernandes já vai fazendo. A verdade é que estes senhores defendem o fim do sistema de saúde universal, a privatização de parte do sistema educativo, o fim de prestações sociais, o despedimento de dezenas de milhares de pessoas. Pior, tudo duma vez. Os organismos do estado serão, em nome da eficiência, entregues aos privados, onde alguns destes senhores por acaso até têm interesses. Tudo em nome da eficiência, o que é curioso. Sempre pensei que o mercado funcionasse em nome do lucro...

   Estes senhores não duravam um mês a governar o país. Mas ontem foram aplaudidos, porque atacaram os políticos. No entanto, Medina Carreira,o líder do grupo já foi, pasme-se, Ministro das Finanças. Mas agora não tem pejo nenhum em defender a miséria colectiva resultado (também) da sua governação. No entanto, os políticos merecem ser atacados, porque a culpa disto é necessariamente deles. Não queremos economistas a governar, mas políticos que tenham sentido de estado no que diz respeito às finanças. E não temos tido, da esquerda à direita. A solução destes senhores é transformar o país num reino de corporações. Nos seus sonhos, seremos todos empregados da PT, a trabalhar selvaticamente, despedidos sem aviso e a ganhar 300€ por mês. Lamento, mas não.

   O que defendem estes instalados da vida (falam do que não os pode afectar e isso tem de causar desconfiança) é a aceitação de uma pobreza intrínseca, porque "nós somos pobres" e pequenos. É curioso, porque há imensos pequenos países que também são extremamente ricos. Veja-se como falam contra o TGV ou, já agora, todo o desenvolvimento do país. Não era muito melhor um velho Portugal de vilas e aldeias? Lamento, mas não. Estes senhores até fazem um favor ao Governo, mostrando bem que os estragos que o neo-liberalismo poderia causar. À falta de uma alternativa de esquerda, a terceira via de Sócrates tem de merecer uma oportunidade. Mas num sentido mais lato, é todo o modelo económico mundial (o capitalismo global de mercado livre) que não está a funcionar. Não pode estar a funcionar quando o futuro da Europa...é ser como a China. Numa coisa concordo com Medina Carreira. Quando os EUA forem atingidos (também acontecerá), o neo-proteccionismo virá à baila. Até lá, a esquerda que comece a pensar, por favor.

1 Comments:

  • At 30 de junho de 2005 às 08:32, Blogger Amélia said…

    Se bem me lembro...esse Medina Carreira foi um que nos mandou andar de burro, quando Ministro das Finanças.Qual será a pensaõ de reformea dele?

     

Enviar um comentário

<< Home

Site Meter
A minha fotografia
Nome:
Localização: Portugal
  • Livro de Reclamações:

  • nunopinho(AT)vianw.pt

    (Substituir (AT) por @)