nho Resistente Existencial: (1747) A escola e a greve #4

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

quarta-feira, junho 22, 2005

(1747) A escola e a greve #4


   Num excelente texto (como é costume no Arame. Aliás, ainda me espanto com o facto de podermos pessoas deste calibre de graça) que causou bastante polémica, o Alexandre, numa perspectiva parecida com a minha (docente que já esteve dentro e fora do sistema), escreveu sobre a profissão docente. Em muitas coisas, tem razão. Especialemente quando fala do ambiente de mediocridade que se vive na sala dos professores, onde há grupos de meros funcionários a fazer pela vida, pessoas que detestam dar aulas e abominam os alunos (é um paralelo engraçado com os alunos que gostam da escola, mas não gostam das aulas), e há muita falta de competências básicas que acaba por nivelar tudo por baixo, etc. etc. etc.

   Mas nem tudo do que o Alexandre diz é justo, algo que se torna evidente no seu próprio texto. Não é verdade que dar aulas seja um passeio, mesmo para os mais indiferentes. Os professores não trabalham só 22 horas e muitos adoram dar aulas. Como é dito, "Sei a que ponto de cansaço se pode chegar quando se é cumulativamente Director de Turma, Delegado de Grupo, Membro do Conselho Pedagógico, professor de Ciências do 7º e do 8º, de Biologia do 12º e de Técnicas Laboratoriais de Biologia, com 6 turmas, com 27 a 30 alunos cada." Isto diz respeito à maioria dos casos. Apesar disso, muitos adoram dar aulas e falham estrondosamente na mesma. Tal como Alexandre: "Adorei dar aulas".

   A questão está também num sistema educativo que descura a qualidade dos seus professores. Existem, a meu ver, três grandes campos que conduzem a docência para a mediocridade. Considerando que o Governo não pretende apenas aplicar medidas de redução de depesa, devia pensar neles. Falo da instabilidade do corpo docente, especialmente nos primeiros anos de carreira, da avaliação dos docentes (inexistente), e da formação contínua dos professores (absolutamente ineficaz). Creio que o Alexandre concorda.
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