nho Resistente Existencial: (1738) O Duplo falhanço

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

sábado, junho 18, 2005

(1738) O Duplo falhanço


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Boligan

   A palavra usada por José Sócrates assume contornos eufemísticos. O que aconteceu nestes últimos dias no Conselho Europeu é de tal forma grave que não poderá repetir-se muitas vezes, ou a UE morrerá politicamente. Foi das primeiras vezes em que esteve na balança a vontade de se fazer um forte projecto europeu (independentemente dos vários caminhos possíveis) e, por outro lado, o peso dos cidadãos europeus estarem manifestamente contra o avançar da "Europa". O balanço é claro: perante as pressões do eleitorado, os líderes europeus deixaram a união sem dinheiro e sem rumo estratégico. Cortaram-lhe simultaneamente a cabeça e os braços. Acima de tudo, é uma prova viva de como a constituição do "Estado Europa" é impossível neste momento, se calhar nem tanto por parte dos cidadãos, mas por falta de políticos que realmente acreditem no projecto. Apesar disso, não me apresso a ditar o fim da UE, como faz Vasco Pulido Valente hoje no Público (especialmente infeliz nas últimas crónicas), destilando um indisfarcável saudosismo do nacionalismo aristocrático. É preciso lembrar que o projecto tem 50 anos de relativo sucesso, e os países já se embrenharam demasiado na construção europeia. Resta saber se o rumo é neutralizar-lo ou avançar para um projecto mais ambicioso, democrático e verdadeiramente unificador do melhor que há no continente.


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