nho Resistente Existencial: (1728) VISTO - Sin City

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

domingo, junho 12, 2005

(1728) VISTO - Sin City


   Mesmo com as inúmeras falhas que comporta, esta adaptação da BD de culto de Frank Miller é incontornável no actual panorama das salas portuguesas. Começo pelos pontos fracos. Como já foi repetido, o filme sofre de "excessiva" adaptação. Os planos são pensados como páginas de BD (e brilhantemente executados), mas o suporte não é sustentável. Ler uma página não é o mesmo que ver uma cena, pelo que o ritmo do filme ora se arrasta (quando se quer dar tempo para o espectador "ler" o enquadramento), ora é demasiado rápido, não permitindo a respiração própria da leitura. Segundo, torna-se redundante e excessivo. A leitura tem paragens e a BD é por si um registo leve e curto. No ecrã são-nos apresentadas duas horas de BD "animada" a uma velocidade muito maior que a leitura, sem pausas. Cansa e perde efeito. Decorre daí alguma incoerência narrativa e saturação estilística (uma das razões porque "Animatrix" era bom era porque se desdobrava em curtas histórias com estilos diversos).

   

   Mas também há muita coisa boa. A começar pelos diálogos "witty" de Miller, passando pelo sadismo incrível e quase cómico da acção e por momentos de grande deslumbramento visual (num arrojo francamente original). E por fim temos os actores, que são todos excelentes. Destaque especial para Mickey Rourke, verdadeiramente impressionante no papel da besta humana Marv (não daria um optimo X-Men?). Estes são méritos que não dispensam uma ida à sala escura. Muito escura.

   Sin City, de Robert Rodriguez - *** (Bom)
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