nho Resistente Existencial: (1696) "Sim-dadania"

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

domingo, maio 29, 2005

(1696) "Sim-dadania"


Essa chantagem [das Instituições Políticas sobre os cidadãos] existe. Cidadania europeia não é "sim-dadania". Devemos rejeitar todo o tipo de chantagem os europeus devem ter toda a liberdade de discutir e discordar. - Ribeiro e Castro.

   Numa altura em que está tudo "fifty-fifty", importa recordar que o argumento tão bem sintetizado por Ribeiro e Castro é a principal razão desta tempestade europeia que se gerou em França. Mais importante que o conteúdo do Tratado em si (do que conheço, imperfeito, mas com vários aspectos positivos também), surgiu um movimento de contestação à forma como a construção europeia se tem feito na Europa. Trata-se de uma avalanche. A palavra "Constituição" lançou o alerta entre os defensores da "soberania" ou aqueles simplesmente não-federalistas. Os eurocépticos aproveitaram para enunciar os seus medos e receios. A partir daqui a população, sempre distante da Europa, começou a deparar-se com coisas que estão a acontecer há largos anos. Primeiro, que avançámos rapidamente para uns "Estados Unidos da Europa". Segundo, que este é um processo em curso quase inevitável, apesar de não existir nenhuma "identidade europeia". Terceiro, que quase não foram consultados nisto tudo. Naturalmente, muitos ficaram assustados ou até indignados. Quanto mais procuraram saber, mais o efeito aumentou. Terá ainda redobrado quando perceberam que as Instituições e Governos não estão muito dispostos a deixar esta discussão para os cidadãos. A UE foi e quer ser uma construção burocrática e feita no "céu" de Bruxelas. Fica provado que quando a Europa é relevada em toda a sua importância, não só a população adere ao assunto, como quer ser elucidada.

   Percebo porque Paulo Gorjão apelida esta rejeição mais ou menos súbita de "emocional". Não estou é de acordo que não sirva para nada. Primeiro, não é provavel que a construção europeia torne a avançar significativamente sem uma maior discussão e participação pública. Segundo, é uma grande oportunidade para se começar a reflectir no rumo que todos queremos para a Europa, não deixando esse papel apenas para os governantes. Tal terá ainda mais condições para acontecer quando os defensores do "Sim" começarem a dizer que afinal a Europa não acaba com a vitória do "Não", o que já começa a acontecer. Pudera, além de chantagistas e alarmistas, corriam o risco de ser chamados de mentirosos. Mesmo que o "Sim" ainda ganhe, há algo que já terá mudado nesta UE. Será que alastra a outros países?
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