nho Resistente Existencial: (1683) Torre de Marfim

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

segunda-feira, maio 23, 2005

(1683) Torre de Marfim


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Martin Rowson

   Uma das mais fortes razões porque estou mais inclinado para votar "Não" num hipotético referendo à Constituição Europeia diz respeito à tentativa de imposição da mesma. Trata-se, aliás, de uma atitude que remonta à génese da construção europeia entre nós. Apresentada sedutoramente como dadora de dinheiro, a europa unida surge como inquestionável e indiscutível. E visto que desde a sua origem encerra pulsões federalistas (e outras que nem tanto), desemboca num projecto artificial (no que diz respeito à identidade) e afastado da opinião pública. É também sobre esta forma de erigir uma nova europa que se deve reflectir. Será que nos podemos dar ao luxo de continuar a construir um projecto europeu de cima para baixo, sem a intervenção e envolvimento dos cidadãos? O projecto da Constituição não parece ter percebido isto: em muitos países não se vão realizar referendos e noutros faz-se descarada chantagem política. Se estamos a referendar um projecto democrático, então não se pode negar o debate ou tentar fazer disto um referendo para inglês ver (trocadilho engraçado). Uma proposta em democracia tem de estar preparada para a recusa e a europa não parece admitir um "Não" (como muito bem nota o Francisco Viegas). Depois há outras coisas que me deixam dúvidas, mas sobre as quais necessito de aprofundar o meu conhecimento do complexo documento.

   Não se pode, por outro lado, negar algo por mera "birra". Se a consituição se revelar um bom projecto, que melhore o espaço europeu, não deve pesar votar sim. Além disso, não defendo de certeza absoluta o regresso ao exlusivo político dos velhos nacionalismos. Goste-se ou não, a abertura à Europa permitiu-nos contacto com sociedades mais desenvolvidas. É um lado que não podemos desprezar. Por isso, a Europa como região de desenvolvimento sustentado, de cidadania alargada, trocas culturais e económicas facilitadas, não se pode deitar para o lixo com ligeireza, independentemente da nossa posição sobre a Constituição.
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