nho Resistente Existencial: (1678) Falta de Educação (sexual)

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

sábado, maio 21, 2005

(1678) Falta de Educação (sexual)


   João Miguel Tavares, um irreverente de direita (sobre esta "estirpe" da moda, ler este fabuloso post do Miguel), diz que a escola não deve, em matéria de educação sexual, ensinar mais que o básico, ou seja, os conceitos fisiológicos. O resto, diz despachadamente, deve ser deixado às famílias e às vivências pessoais de cada um. Tanto disparate num texto tão pequeno é algo prodigioso. Já eu andava no 6º ano (há mais de uma década) e a parte fisiológica era dada na disciplina de ciências humanas. Este método, que é o vigente, resultou tão bem que hoje somos dos países europeus com mais gravidezes adolescentes, abortos clandestinos e penetração das doenças sexualmente transmissíveis. Perante este cenário, assobiar e olhar para o lado é uma atitude irresponsável, que faz lembrar o pior do discurso do Vaticano. Por outro lado, só dá vontade de rir quando se fala do papel educativo das famílias. Como JMT não foi adolescente há muito tempo, duvido que não se lembre como é. Ou tem amnésia ou é hipócrita. Finalmente, não faz sentido falar duma ameaça à descoberta pessoal da sexualidade (nos termos em que, por exemplo, é colocada aqui). Essa far-se-á sempre. O que está aqui em jogo é educar para a vivência social da sexualidade e tudo o que ela implica em termos de direitos, deveres e consequências positivas e nefastas. Longe de agendas políticas e ignorâncias várias.

   Pressente-se no núcleo da contestação à Educação Sexual a mesma força que mantém a criminalização do aborto no nosso país. As correntes ultra-conservadoras, religiosas e reaccionáras não têm pejo em pegar em argumentos deturpados, exagerados e descontextualizados para chocar o cidadão comum. O objectivo é, como sempre, adiar tudo. É por isso que se deve falar da maneira límpida quando se aborda a E.S. O tratamento da sexualidade das escolas não deve ser de carácter meramente naturalista (visto que o sexo também não o é) e deve procurar informar o mais possível, ser um apoio na descoberta da sexualidade e combater nefastas construções sociais acerca dela, através de um discurso descomplexado e despolitizado, o que é válido tanto para a direita como para a esquerda. Mas percebe-se que os primeiros fiquem mais agitados. Afinal de contas, uma E.S. equilibrada seria o fim de uma ideologia que, centrada no obscurantismo e na repressão moralista, vai singrando.
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