nho Resistente Existencial: (1656) VISTOS

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

sexta-feira, maio 13, 2005

(1656) VISTOS


   1. Mean Creek, de Jacob Aaron Estes - ***1/2 (bastante bom)

   

   Um grupo de adolescentes diversificado mas unido junta-se para uma partida a um "bully", que sentimos destinada a correr mal. Durante a viagem do filme (ao mesmo tempo um percurso emocional), cria-se o cenário perfeito para o aprofundar dos problemas que enfrenta cada um dos personagens e uma revisitação dos lugares comuns (bons e maus) da adolescência. É neste particular que este filme sobressai. Há uma grande dose de realismo na representação dos tiques de linguagem e comportamento nestas idades que produzem nostalgia e até algum incómodo. Isto acontece porque as personagens de "Mean Creek", apesar de problemáticas, são bastante comuns (afastando-se dos auto-destrutivos protagonistas de "Bully" de Larry Clark) e simpáticas aos olhos dos espectadores. A ligação com a natureza (bastante bem filmada, diga-se), aproxima o filme do registo da aventura, ligando-o ainda a outra grande obra de "coming of age", "Stand By Me". Quanto ao resto, é competente e muito agradável, o que só augura boas expectativas para este novo realizador.


   2. In Good Company, de Paul Weitz - *** (bom)

   

   Já em "About a Boy" Weitz demonstrava uma forte capacidade de transformar um filme "domingueiro" num exercício cinematográfico de qualidade assinalável. O mesmo volta a acontecer agora, através de poderosas interpretações (especialmente pelo delicioso - em todos os sentidos - Topher Grace e pelo veterano Quaid) e de diálogos e linhas narrativas que ganham muito no "understatment". Tal como "Mean Creek", pode dizer-se que é um filme ligeiramente conservador (mas nunca moralista, tal como "Mean Creek" não é piroso). A história em si não é nada de brilhante: um jovem "corporate yuppie" (Topher) passa a ser o chefe de um vendedor da velha guarda (Quaid). Durante o resto do filme, prova-se que a linguagem tecnocrática do primeiro não vence o saber de experiência feito do segundo, numa crítica (m bocado primária) à globalização e ao mercado selvagem. No plano emocional joga-se ainda o poder da família funcional versus o desenraizamento da vida pós-moderna. Também aqui vence a tradição. Não será a tese mais credível dos últimos tempos, mas estamos perante um filme muito divertido, e acima de tudo, proporcionador de algumas das mais conseguidas trocas interpretativas do ano.
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