nho Resistente Existencial: Maio 2005

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

terça-feira, maio 31, 2005

(1703) [Novidade] Sob Escuta (corrigido)


X & Y - Coldplay

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Para descobrir: "What If".

Nota: os que não gostam, provavelmente acha-lo-ão o mais irritante de todos. O que queriam risco, vão considerá-lo inferior. Aqueles, que, como eu, têm um "attatchment" emocional e não exageram nem as virtudes, nem os limites da banda, considerar-se-ão satisfeitos. Este álbum estará nas lojas dia 7 de Junho.

(1702) Sermões à esquerda


   Correndo o risco do Miguel se arrepender de me ter dado os seus livros, não resisto a citá-lo mais uma vez como ponto de partida para uma reflexão. Desta vez parto do livro de crónicas homónimo do blog que mantém, esmagador na actualidade e pertinência. Na página 152 está escrito*:

"(...) o principal problema dos partidos de esquerda é este: uma atitude jesuítica, evangelizadora, um tudo nada "padreca". Em que os valores que cada partido específico de esquerda defende são entendidos como Fundamento Moral."

   Note-se que isto foi escrito há mais de 10 anos (precisamente a 10 de Junho de 94), numa altura em que o Bloco de Esquerda não existia. E como considero que actualmente há pouca crítica ao partido, quer interna, quer dos independentes de esquerda que não se revêm no PS, volto a bater na tecla deste defeito particular do BE. Passo a um exemplo concreto. Há dias, Francisco Louçã apelava à criação de um imposto sobre as grandes fortunas. Tudo bem, correcto tecnica e ideologicamente (na minha opinião, claro). O "líder" do Bloco estragou tudo quando disse que a lista dos ricos podia ser encontrada nas páginas de uma revista cor-de-rosa. Está aqui aquele pequeno acrescento moralista e sarcástico a que o BE não consegue resistir. Até poderá terum fundo de razão, mas este tipo de declarações resultam em perda de credibilidade, de seriedade política. De vez em quando, coloco a hipótese de tentar aproximar-se efectivamente do Bloco, mas numa perspectiva mais independente. São estas pequenas coisas que me afastam. Considero aliás, que o próximo passo do partido (ou simplesmente, maturação) passa por ultrapassar este registo do discurso político.

Ps. A referência é, obviamente aos partidos da altura. MVA nomeia apenas o PSR, curiosamente a origem política de Louçã.

(1701) Imperdível x 2


   

   Amanhã às 23:30 Ana Sousa Dias entrevista Paul Auster, um dos meus escritores favoritos, admiração provavelmente partilhada por uma boa parte da blogosfera. E visto que há reencontro marcado com Billy Corgan na Aula Magna, parece que é mesmo dia de momentos fortes. O meu medo é não chegar a tempo de ver o programa. Será que ainda repete?

segunda-feira, maio 30, 2005

(1700) Outras Sondagens

(1699) Telejornais #2


   Tem razão o Gabriel Silva (o que na minha modesta óptica não acontece muitas vezes) sobre o fraco tratamento da questão europeia pelas nossas televisões, nomeadamente no dia do referendo francês. A SIC-N e RTP-N estiveram a um nível satisfatório, mas lá está, não estão acessíveis a todos nem sequer têm como alvo o grosso da população. Há, no entando, que sublinhar o telejornal da :2, em tudo diferente do quadro geral. Não só a maior parte do telejornal das 22:00 foi dedicado à questão do tratado constitucional, com uma entrevista a Teresa de Sousa, especialista na matéria, como apenas falou do futebol breves minutos e quase no final. Já no dia anterior, tinha havido uma longa entrevista a uma defensora do "Não" (cujo nome não me recordo), que apaixonada e elucidativamente falou com os argumentos "certos" daquilo que enferma esta proposta de tratado constitucional. Em suma, bastou apenas uma hora para se ter informação especializada, isenta e detalhada sobre a questão mais importante do momento (sim, talvez ainda mais que o défice).

   Infelizmente, que as coisas se passem assim é demonstrativo de uma situação perigosa. O debate europeu entre nós continua a fazer-se à margem e é exclusivamente dedicado às elites e cidadãos politizados. São os tais "excêntricos", como lhes chamou Vasco Pulido Valente. E olhem que não é só em França que a casa vem abaixo quando a população descobre o que se "esconde" atrás do papel de parede...

(1698) Telejornais #1


   Quando às vezes é mesmo necessário ver os telejornais generalistas, há um exercício prático muito significativo e simples. Uma das únicas formas de fugir ao lixo sensacionalista é ir mudando de telejornal (RTP -> SIC -> TVI "and so on"), tentando apanhar apenas o que realmente é notícia de algum relevo. O número de vezes que se faz isto permite avaliar duas coisas distintas. Quanto mais temos necessidade de mudar de canal, maior será a degradação das notícias. Por outro lado, medimos paralelamente a nossa paciência e tolerância para aquelas peças noticiosas que estão na fronteira da irrelevância. Exemplos: não tenho pachorra para o voyeurismo mórbido da velhinha perneta, mudo de canal. Mas já sou capaz de aguentar a história (cada vez se usa mais nos telejornais esta palavra) das flores comestíveis. Ou não. Até consigo ver o resumo dos jogos, mas já não tenho pachorra para as declarações acéfalas que inevitavelmente se seguem. Podem fazer o exercício de tempos a tempos, não só para testar a vossa tolerância (geralmente decrescente) e auferir da degradação informativa (crescente). O fim será marcado pelo momento em que já não há fugas e nenhum dos canais oferece a mínima possibilidade de visionamento. Acontece-vos muitas vezes?

(1697) Good Night Post


   Sonhar com o futuro:

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Alan Wilson

domingo, maio 29, 2005

(1696) "Sim-dadania"


Essa chantagem [das Instituições Políticas sobre os cidadãos] existe. Cidadania europeia não é "sim-dadania". Devemos rejeitar todo o tipo de chantagem os europeus devem ter toda a liberdade de discutir e discordar. - Ribeiro e Castro.

   Numa altura em que está tudo "fifty-fifty", importa recordar que o argumento tão bem sintetizado por Ribeiro e Castro é a principal razão desta tempestade europeia que se gerou em França. Mais importante que o conteúdo do Tratado em si (do que conheço, imperfeito, mas com vários aspectos positivos também), surgiu um movimento de contestação à forma como a construção europeia se tem feito na Europa. Trata-se de uma avalanche. A palavra "Constituição" lançou o alerta entre os defensores da "soberania" ou aqueles simplesmente não-federalistas. Os eurocépticos aproveitaram para enunciar os seus medos e receios. A partir daqui a população, sempre distante da Europa, começou a deparar-se com coisas que estão a acontecer há largos anos. Primeiro, que avançámos rapidamente para uns "Estados Unidos da Europa". Segundo, que este é um processo em curso quase inevitável, apesar de não existir nenhuma "identidade europeia". Terceiro, que quase não foram consultados nisto tudo. Naturalmente, muitos ficaram assustados ou até indignados. Quanto mais procuraram saber, mais o efeito aumentou. Terá ainda redobrado quando perceberam que as Instituições e Governos não estão muito dispostos a deixar esta discussão para os cidadãos. A UE foi e quer ser uma construção burocrática e feita no "céu" de Bruxelas. Fica provado que quando a Europa é relevada em toda a sua importância, não só a população adere ao assunto, como quer ser elucidada.

   Percebo porque Paulo Gorjão apelida esta rejeição mais ou menos súbita de "emocional". Não estou é de acordo que não sirva para nada. Primeiro, não é provavel que a construção europeia torne a avançar significativamente sem uma maior discussão e participação pública. Segundo, é uma grande oportunidade para se começar a reflectir no rumo que todos queremos para a Europa, não deixando esse papel apenas para os governantes. Tal terá ainda mais condições para acontecer quando os defensores do "Sim" começarem a dizer que afinal a Europa não acaba com a vitória do "Não", o que já começa a acontecer. Pudera, além de chantagistas e alarmistas, corriam o risco de ser chamados de mentirosos. Mesmo que o "Sim" ainda ganhe, há algo que já terá mudado nesta UE. Será que alastra a outros países?

sábado, maio 28, 2005

(1695) [Novidade] Sob Escuta


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Para descobrir: "Above the Clouds".
Nota: este álbum será lançado a 30 de Maio.

(1694) Jornalismo? É uma ficção


   A página 2 e 3 do DN de ontem [aqui está presente apenas um pequeno excerto], cujo tema é o processo "Apito Dourado" são um verdadeiro atentado ao jornalismo. Durante duas páginas inteiras, fazem-se desfilar supostos registos de escutas telefónicas, sem menção de onde foram retirados ou de quem foi a fonte (nem a mais vaga das referências!). Tudo aparece composto como se tratasse dum original, não havendo cortes assinalados, nem menção do contexto das afirmações. Para acompanhar o ramalhete, um texto jornalístico que serve de muleta para ligar os trechos. Nada disto é jornalismo, e muito menos será justiça. A peça é feita para chocar e transmitir uma imagem de culpabilidade, mas não há nada que ateste a dirença entre isto e uma obra de ficção. E, infelizmente, não estamos a falar do 24 Horas.

(1693) Boa Notícia


EL país Retirado encarte 'homofóbico'


O jornal espanhol El País anunciou ontem que mandou retirar um encarte publicitário "homofóbico" que saiu na edição de quarta-feira devido a "uma falha dos sistemas de controlo", provocando uma avalanche de protestos. No encarte, editado por uma associação de "Pais e Mães de Espanha", faz-se campanha contra a lei que autoriza o casamento e a adopção pelos homossexuais, a qual deve entrar em vigor a 21 de Junho.

Nota: este é o seguimento de um episódio primeiramente relatado em Portugal via Renas & Veados (lá do DN gostam de vos ler uh?). É bom saber que o dinheiro, mesmo aquele que vem das caixas de esmolas, não compra tudo. Não sei a reacção em Portugal teria sido semelhante. Basta pensar em exemplos recentes, como as fotos de bebés para ilustrar fetos no site da Rádio Renascença ou as deturpações do Expresso a propósito da educação sexual.

sexta-feira, maio 27, 2005

(1682) Pouco Super #3


   Se os jovens abaixo descritos me deixam com um sorriso meio nostálgico/meio cínico, há outros que só irritam. Falo dos adeptos da grunhice & bebedeira, geralmente universitários com panças de meia-idade. São os mesmos que praxam nas academias e povoam as tunas, só que aqui em versão anarquista. Aqui já não há nenhuma inocência que sirva de atenuante.

Ps. Reconheço um certo paternalismo nos posts. Claro que nada é assim tão geometricamente definível. Fiz apenas um retrato tosco a partir de impressões parciais. Mas não julgem que há desejo de moralismo ou superioridade implícita. Por exemplo, no plano musical não considero menos iludidos aqueles que vão ver New Order (como foram ver Pixies no ano transacto). É que as motivações destas bandas também já são outra$...

(1691) Pouco Super #2


   No festival hoje é dia de Nu-Metal e derivados. Dirigindo-se ao palco, vejo grupos exuberantes de jovens. Fortalecidos pela coragem que o clique adolescente proporciona, demonstram uma verdadeira e sentida aceitação da ideologia que as suas bandas de eleição pregam. Quando descobrirem que estas bandas acreditam bem pouco no que cantam, será como perceber de novo que o Pai Natal não existe.

(1690) Pouco Super #1


   Tive de ir à Expo hoje para trocar a data de um bilhete e encontrei o festival Super Rock, Super Bock (Bock e Rock rimam mesmo?) em pleno arranque. Este festival, que antes era espaçado no tempo, trouxe grandes bandas a Portugal. Não gosto do novo formato. A imitação dos grandes festivais nacionais não faz sentido, a não ser talvez numa perspectiva económica. Nem o betão da expo é adequado, nem há coerência musical de qualquer tipo. Assim, em vez de ser um festival especial e animador da cena musical urbana, é apenas uma versão fraca e comercialóide dos festivais de verão. Uma pena.

(1689) Bom Dia


   
   David Hwang

quinta-feira, maio 26, 2005

(1688) Défice #2 (o essencial)


   A questão económica, contígua à crise do modelo social europeu é talvez a questão mais importante da minha "geração" e provavelmente das vindouras. São sabidas as dificuldades extremas que enfrentamos: a pressão demográfica, a globalização capitalista, a despolitização burguesa da democracia e a fraca qualidade geral dos agentes políticos. Tudo isto transformou o contexto actual profundamente averso às conquistas sociais do pós-guerra (no nosso caso, após o 25 de Abril). É também sobre este prisma que devemos pensar a construção europeia, actualmente defensora duma matrizeconómica liberal e de inspiração americana. Se formos capazes de pensar além das "verdades" que nos querem impingir (estas medidas são inevitáveis e "boas" a longo prazo), devemos tentar separar a ideologia das soluções que efectivamente temos de encontrar. Por exemplo, não será precupante que o Governo aumente o IVA para, principalmente, "mostrar" a Bruxelas um défice de 6,2 em vez de 6,8%. A apresentação de um número vale uma medida agressiva, de cariz superficial e pontual e que prejudicará milhões de pessoas?

   Arrepio-me sempre que ouço falar da crise do modelo social europeu. O que muitos dos que levantam o problema defendem é algo que lhes custa a nomear, mas que está em preparação: o colapso de um estado que ajuda os mais necessitados e desfavorecidos da sociedade e que garante a todos uma série de serviços essenciais gratuitos. Não se trata de "dieta" do estado, mas sim de "eutanásia" imposta. O que queriam mesmo mas não dizem era uma nova Margaret Thatcher. Queriam o fim dos cuidados de saúde gratuitos, das pensões garantidas, do subsídio de desemprego. Tudo isto seria transformado em ajudas caritativas para pobres, tal como haveria uma escola de segunda e carreiras precárias vitalícias (o que já não está longe da realidade). Mas lembram-se como essa história acabou? Numa primeira fase foi isto:

Exacerbated by the global recession of the early 1980s, her policies initially caused large-scale unemployment, especially in the industrial heartlands of northern England, and increased wealth inequalities.

   E terminou nisto:

By 1990, opposition to Thatcher's policies on local government taxation, her Government's perceived mishandling of the economy (especially high interest rates of 15% which were undermining her core voting base within the home-owning, entrepreneurial and business sectors), the divisions opening within her party and in the broader political landscape over the appropriate handling of European integration due to Thatcher's Euroscepticism, the growing internal strife within her party that was partly seen as stemming from her leadership, and her perceived arrogance in ignoring others' views, made her and her party seem increasingly politically vulnerable to internal challenge.

   E estou puramente a falar em termos económicos. Claro que os contextos não são equiparáveis, mas há paralelismos inegáveis. À luz actual, o que representa uma investida neo-liberal descontrolada? Por um lado, uma asiatização do trabalho. Por outro, o desparecimento do estado tendo como modelo os EUA. Se no primeiro caso existe uma afronta aos próprios direitos humanos, sabemos que nos EUA o fosso entre ricos e pobres cresce, o fanatismo religioso grassa e políticas bélicas primitivas e hipócritas encontram cada vez mais base de apoio (a propósito disto, ler este artigo do DN). É este o futuro do Ocidente? Creio que uma solução radical iria representar um retrocesso civilizacional de consequências imprevisíveis. Por isso, é muito importante que os políticos encontrem um ponto de equlíbrio entre a reforma necessária da economia europeia e a defesa dos valores e direitos sociais que dignificam e atestam o progresso da nossa sociedade.

   Finalmente, voltemos ao caso nacional. A credibilidade do sistema político está em causa com as suscessivas políticas incompetentes de vários governos. Como dizia José Gil num debate televisivo, os cidadãos acabam por ver o estado como adversário em quem não se confia, o que gera dificuldades estruturais e um problema cultural. Sócrates ainda precisa de ir mais longe neste campo, o único que pode evitar uma catástrofe anunciada. Querem um exemplo? A subida do IVA, recessiva e agressiva, devia ser temporária. O problema é que nunca é apenas uma medida de emergência, mas torna-se permantente, num sinal de facilitismo inaceitável. Lembra-se do IVA de 17%? Se fosse mais sério, o Governo legislava que daqui a quatro anos os impostos desceriam automaticamente. Seria preciso muita coragem, mas é aqui que está o cerne do problema.

(1687) Défice #1 (o acessório)


   Ainda há minutos ouvi o Ministro das Finanças dizer que já esperava ter que aumentar os impostos mal tomou posse. Claro que acrescentou que não esperava o número agora conhecido, mas não fingiu uma surpresa que qualquer cidadão mais informado sabe ou percebe que é uma falácia propagandística. Só há duas razões para o que vem acontecendo. Em primeiro lugar, uma motivação eleitoralista. Se falasse em aumentar impostos, provavelmente Sócrates não teria maioria absoluta. No entanto, caso o tivesse feito, poderia usufruir duma legitimidade reformista histórica, em vez de manchada de credibilidade desde o início. Segundo, não houve consenso sobre as medidas a aplicar dentro do partido e dentro do Governo. Quando se percebeu que a vida dos "sacrifícios" era inevitável, foi montada uma operação mediática de larga escala, com o objectivo de suavizar o choque da quebra de promessas eleitorais e justificar uma grande dose de medidas impopulares. O relatório Constâncio é isso mesmo e pouco mais.

   Quem viu Sócrates ontem no parlamento não pode ter dúvidas disto. O homem vence facilmente os debates porque fala directamente tendo em conta as câmaras. Na verdade, a (fragilizada) oposição não o pode vencer porque ele nem os considera, não entra num verdadeiro diálogo. Pensa apenas no efeito dos campos e contra-campos das peças noticiosas. Nisso, trata-se de um excelente actor político, característica essencial mas também perigosa, de desconfiar. Perante tal cenário, alguma insegurança é inevitável, porque nunca sabemos onde acaba a intenção governativa e começa a propaganda política, como se fossem duas faces indissociáveis da "moeda Sócrates". Pessoalmente, mantenho o sentimento que trago da campanha. Este novo Governo tem qualidades e potencial, mas as nossas aspirações devem ser muito moderadas em relação ao seu desempenho.

(1686) Good Night Quote


"Its a Backstreet Boy world, and at the end of the day, you just want to go home and kill yourself" - Billy Corgan

Ps. E por hoje chega, que os posts fervilham, mas a constipação não dá para mais."

quarta-feira, maio 25, 2005

(1685) Não há operação de marketing que valha



03/02/2005 - José Sócrates (candidato a Primeiro-Ministro): "Não estou de acordo com subida de impostos."


05/03/2005 - Campos e Cunha (Ministro das Finanças): A subida dos impostos é "praticamente inevitável. A subida dos impostos é uma possibilidade a encarar. Não como primeira medida mas, se necessário for, pelo menos no médio prazo"


14/04/2005 - José Sócrates (Primeiro-Ministro): "Não vamos aumentar os impostos porque essa é a receita errada". "Não vamos cometer os erros do passado".


24/05/2005 - José Sócrates (Primeiro-Ministro): "Vamos cumprir o nosso programa eleitoral com uma excepção: o aumento dos impostos", declarou José Sócrates aos dirigentes socialistas, de acordo com fonte da direcção do partido, citada pela Lusa.


   Depois de tudo isto, não há credibilidade que resista. Só resta uma saída a Sócrates: triunfar em toda a linha, ou cá estaremos, em 2009, para o julgar.

terça-feira, maio 24, 2005

(1684) Bom Dia


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Ricardo Tavares

segunda-feira, maio 23, 2005

(1683) Torre de Marfim


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Martin Rowson

   Uma das mais fortes razões porque estou mais inclinado para votar "Não" num hipotético referendo à Constituição Europeia diz respeito à tentativa de imposição da mesma. Trata-se, aliás, de uma atitude que remonta à génese da construção europeia entre nós. Apresentada sedutoramente como dadora de dinheiro, a europa unida surge como inquestionável e indiscutível. E visto que desde a sua origem encerra pulsões federalistas (e outras que nem tanto), desemboca num projecto artificial (no que diz respeito à identidade) e afastado da opinião pública. É também sobre esta forma de erigir uma nova europa que se deve reflectir. Será que nos podemos dar ao luxo de continuar a construir um projecto europeu de cima para baixo, sem a intervenção e envolvimento dos cidadãos? O projecto da Constituição não parece ter percebido isto: em muitos países não se vão realizar referendos e noutros faz-se descarada chantagem política. Se estamos a referendar um projecto democrático, então não se pode negar o debate ou tentar fazer disto um referendo para inglês ver (trocadilho engraçado). Uma proposta em democracia tem de estar preparada para a recusa e a europa não parece admitir um "Não" (como muito bem nota o Francisco Viegas). Depois há outras coisas que me deixam dúvidas, mas sobre as quais necessito de aprofundar o meu conhecimento do complexo documento.

   Não se pode, por outro lado, negar algo por mera "birra". Se a consituição se revelar um bom projecto, que melhore o espaço europeu, não deve pesar votar sim. Além disso, não defendo de certeza absoluta o regresso ao exlusivo político dos velhos nacionalismos. Goste-se ou não, a abertura à Europa permitiu-nos contacto com sociedades mais desenvolvidas. É um lado que não podemos desprezar. Por isso, a Europa como região de desenvolvimento sustentado, de cidadania alargada, trocas culturais e económicas facilitadas, não se pode deitar para o lixo com ligeireza, independentemente da nossa posição sobre a Constituição.

(1682) Good Night Post


Na grande confusão
deste medo
deste não querer saber
na falta de coragem
ou na coragem de
me perder me afundar
perto de ti tão longe
tão nu
tão evidente
tão pobre como tu
oh diz-me quem sou eu
quem és tu?

Ramos Rosa


Rothko

domingo, maio 22, 2005

(1681) Coisas boas do Benfica ser campeão #2


   O Couceiro vai-se embora e, na ânsia de ser campeão, o Porto mandou a "crise" à frente para arrepiar caminho.

(1680) Coisas boas do Benfica ser campeão


   Finalmente é possível estacionar perto de casa num domingo à noite em Benfica.

(1679) Good Night Post


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Abbas

sábado, maio 21, 2005

(1678) Falta de Educação (sexual)


   João Miguel Tavares, um irreverente de direita (sobre esta "estirpe" da moda, ler este fabuloso post do Miguel), diz que a escola não deve, em matéria de educação sexual, ensinar mais que o básico, ou seja, os conceitos fisiológicos. O resto, diz despachadamente, deve ser deixado às famílias e às vivências pessoais de cada um. Tanto disparate num texto tão pequeno é algo prodigioso. Já eu andava no 6º ano (há mais de uma década) e a parte fisiológica era dada na disciplina de ciências humanas. Este método, que é o vigente, resultou tão bem que hoje somos dos países europeus com mais gravidezes adolescentes, abortos clandestinos e penetração das doenças sexualmente transmissíveis. Perante este cenário, assobiar e olhar para o lado é uma atitude irresponsável, que faz lembrar o pior do discurso do Vaticano. Por outro lado, só dá vontade de rir quando se fala do papel educativo das famílias. Como JMT não foi adolescente há muito tempo, duvido que não se lembre como é. Ou tem amnésia ou é hipócrita. Finalmente, não faz sentido falar duma ameaça à descoberta pessoal da sexualidade (nos termos em que, por exemplo, é colocada aqui). Essa far-se-á sempre. O que está aqui em jogo é educar para a vivência social da sexualidade e tudo o que ela implica em termos de direitos, deveres e consequências positivas e nefastas. Longe de agendas políticas e ignorâncias várias.

   Pressente-se no núcleo da contestação à Educação Sexual a mesma força que mantém a criminalização do aborto no nosso país. As correntes ultra-conservadoras, religiosas e reaccionáras não têm pejo em pegar em argumentos deturpados, exagerados e descontextualizados para chocar o cidadão comum. O objectivo é, como sempre, adiar tudo. É por isso que se deve falar da maneira límpida quando se aborda a E.S. O tratamento da sexualidade das escolas não deve ser de carácter meramente naturalista (visto que o sexo também não o é) e deve procurar informar o mais possível, ser um apoio na descoberta da sexualidade e combater nefastas construções sociais acerca dela, através de um discurso descomplexado e despolitizado, o que é válido tanto para a direita como para a esquerda. Mas percebe-se que os primeiros fiquem mais agitados. Afinal de contas, uma E.S. equilibrada seria o fim de uma ideologia que, centrada no obscurantismo e na repressão moralista, vai singrando.

sexta-feira, maio 20, 2005

(1677) A Saga Completa-se (mal)



   1. Sejamos claros. O filme é fracote. Nem ao nível visual há algo de verdadeiramente estimulante. Sente-se que estamos perante o melhor que as máquinas podem fazer, mas as máquinas não substituem o talento do artista. Não que a "geração playstation" note a diferença com facilidade, mas também já se espantam pouco com elaborações de efeitos especiais. Nessa medida, veja-se como a componente visual d'"O Senhor dos Anéis" era muito mais entusiasmante, fruto da imaginação do seu realizador. A imagética espectacular deste Star Wars deixa-nos frios. Só aquece um bocadinho quando recorre ao património mitológico da saga, como quando os Jedi são mortos, Yoda luta, ou Anakin se transforma em Vader.

   2. Para além de acrescentar pouco de propriamente meritório, o filme consegue estragar alguma da credibilidade dos episódios mais antigos. Este efeito pesa mais em Darth Vader, visto que a sua génese parece ser o resultado duma personalidade piegas, inocente e facilmente manipulável. Para grande vilão, não são atributos honrosos. Mais a mais, falta humor ao filme, daquele que havia com Han Solo. É por isso que as investidas de R2D2 e Obi-Wan são dos momentos mais bem conseguidos deste episódio. Mas é pouco.

   3. É natural, portanto, que muita boa gente saia ligeiramente frustrada da sala de cinema. Visto que não falei dele aqui ainda, recomendo um bom filme como solução. Falo de "Heróis Imaginários", em cartaz com um grupo formidável de actores, liderado pela almirante Sigourney Weaver. Como já o vi, tive de afogar a frustração em Sushi.

(1676) A Saga Completa-se (mesmo)


   Na fila da bilheteira, uma voz num grupo de raparigas adolescentes exclama: "fogo, nem acredito que vou pagar para ver esta seca!". É isso mesmo. Para quem não tem uma relação "sentimental" com a saga, "A Vingança dos Sith" é um mero produto de "hype", e não dos melhores.

(1675) Bússula política francesa


   Não sem alguma reticências devido ao meu fraco francês e às limitações do teste (comuns a todos os testes do tipo, diga-se), aqui fica o resultado do repto do Filipe Moura:

Vous vous situez à gauche.

Les partis dont vous êtes le plus proche (dans l'ordre) :

1. le Parti Socialiste (l'aile droite du Parti Socialiste)
L'aile droite du Parti Socialiste est en général plutôt POUR la Constitution européenne.

2. le Parti Radical de Gauche (PRG)
Le PRG est plutôt POUR la Constitution européenne.


   A favor? Não sei não...

Ps. Não gosto nada de "chains" virtuais, mas gostava de saber os posicionamentos do Miguel e das Renas, até porque pode ajudar a lançar mais algum debate sobre a questão europeia.

(1674) Good Night Post*


Desperate Housewives...


* Dreaming of getting caught.

quinta-feira, maio 19, 2005

(1673) A irrelevância da ortodoxia comunista


   ...terá sido, caro Bagdade a causa do relativo silêncio na blogosfera sobre o caso da "reabilitação de Estaline" por alguns membros do PC, nomeadamente do jornal "Avante". Aliás, na altura em que o assunto fez capa no DN, achei aquilo degradadante, mas fiquei um pouco surpreendido por merecer uma primeira página. A verdade é que o partido comunista não se consegue libertar dos lados mais obscuros de uma ideologia que se revelou mortífera e contraproducente. Que já não tem nenhum lugar saudável num mundo como o de hoje, pelo menos na sua versão histórica. Um pouco como a Igreja, se pensarmos bem. Mas insistem, talvez porque não haja ideias novas num partido estagnado, talvez por resistência teimosa à morte anunciada. Obviamente que cada episódio destes produz uma forte quebra de credibilidade, mesmo entre simpatizantes. Qualquer cidadão de esquerda moderno não pode compactuar com ambiguidades relativamente a regimes totalitários e ideologias nefastas. São declarações comparáveis às de alguns padres extremistas. A diferença é que esses têm mais influência que os comunistas e tendem, por isso, a ser mais arduamente combatidos. Haverá alguém no PC capaz de provar que o partido pode ser mais que a caricatura de si próprio?

(1672) Palavras


   A pragmática do discurso governamental em matéria de finanças e economia tem obedecido, nos últimos tempos, a uma concertada estratégia. Que não é necessariamente original. Do parlamento vieram os primeiros sinais, com alguns ministros (como o da saúde) a avisar sobre os rombos financeiros deixados pelo executivo anterior. Resultado, menos teria que ser feito. O discurso atinge o nível nacional quando o "relatório constâncio" se aproxima da conclusão. Há dois momentos de dramatização: primeiro, quando o governador do Banco de Portugal avisa que a situação estava pior do que em Janeiro. Segundo, quando é chamado pelo Presidente da República a Belém. Consequentemente, Sócrates assume-se preocupado com esta nova situação e avisa que a acção do Governo está dependente do apuramento do verdadeiro valor do défice.

   Creio que tudo isto representa apenas uma maneira difícil de retomar o discurso da "herança" e lançar medidas difíceis. Não é por acaso que se fala de Janeiro, antes das eleições. No entanto, o PS, mesmo em campanha, tinha obrigação de saber e de nos poupar tempo. Também a divulgação do relatório é irrelevante, pois todos sabem da gravidade do défice (mais décima, menos décima) há muito tempo. Também não é agora que se vão pensar em medidas. O anúncio pós-relatório apenas serve para as legitimar e ganhar tempo (como noticiou o "Expresso", há desacordo no Governo quando a dureza das medidas a aplicar). Colateralmente, o Governo mantém a confiança no discurso e tentará fazer pedagogia. Esperemos é que não se trate de paternalismo à Bagão Félix. Nesta matéria, Sócrates tem de ser claro. Se vai seguir pela via das medidas difíceis, tem de as explicar e contrabalançar com contrapartidas visíveis. O aperto do cinto não pode ser conjuntural, mas desembocar em melhorias concretas a médio prazo. Tudo isto significa comprometer-se com resultados e combater ferozmente o despesismo do Estado e a fuga à fraude fiscal.

(1671) Boa Notícia




"Este álbum irá apresentar algumas diferenças em relação ao disco anterior", revela David Fonseca ao DN. "As diferenças foram notórias sobretudo a nível de método. Se seguisse os moldes do primeiro disco, tinha gravado tudo de rajada, mas desta vez não. Em Dezembro do ano passado fechei-me em casa e escrevi dezenas de canções, muito diferentes entre si. Penso que existem coisas muito atípicas que vão ser uma surpresa para muitos".

(1670) Imortal-Digital


   Ian Curtis vive no meu Ipod.

"This is the room, the start of it all,
No portrait so fine, only sheets on the wall,
I’ve seen the nights, filled with bloodsport and pain,
And the bodies obtained, the bodies obtained.
Where will it end? where will it end?"

Ian Curtis

quarta-feira, maio 18, 2005

(1669) Bom Dia


   
   Da Vinci

(1668) Para ouvir debaixo de mantas felpudas*


   1. Iron & Wine ~ The Trapeze Singer
   2. Old Jerusalem ~ A Reasonable Way of Thinking Things
   3. David Byrne ~ Glass Concrete and Stone
   4. Ryan Adams ~ Blossom
   5. Belle & Sebastian ~ I Love My Car

   * Conceito descaradamente roubado ao Dinis (o email segue dentro de momentos!).

terça-feira, maio 17, 2005

(1667) LIDO - "Closer"



   Por uma vez não custa dizer que o filme é melhor que o livro. Não só porque estamos a falar DO filme de 2005 "so far", mas também por se tratar de um texto dramático (feito para levar à cena e por isso necessariamente incompleto) e ainda porque a (díficil) tradução é de qualidade irregular. Mas vale a pena ler o texto original de Marber por algumas razões. Primeiro, contém duas cenas novas/alteradas relativamente ao filme, com um final mais explícito e com projecção na vida futura das personagens. Para além disto, tem uma cronologia de todas as cenas, o que ajuda a perceber os saltos temporais na acção. Finalmente, e principalmente, lê-se a ficha técnica e fica-se a saber que na primeira encenação da peça o Clive Owen (Larry no filme) fez de Dan, o que resulta ligeiramente esquizofrénico.

(1666) Dia de dizer S T O P

(1665) Divas esquecidas



Diva: 1. An operatic prima donna. [Italian, from Latin diva, goddess]

Está bem que era a sessão da meia-noite no Colombo. Pese as atenuantes, estarem seis pessoas na exibição do último filme da Sigourney Weaver é uma desgraça. Agora é assim. As divas são forjadas directamente na imberbe MTV. Outras tiveram que lutar com extraterrestres para subir na vida.

(1664) Para ler devagar


"DAN
Toda a gente quer ser feliz.
LARRY
Os depressivos não. Querem ser infelizes para justificar porque é que estão deprimidos. Se fossem felizes, já não podiam continuar a estar deprimidos, tinham de enfrentar o mundo e viver, o que pode ser...deprimente."


Closer, de Patrick Marber, p. 124

(1663) Blogo de notas


   [Escrever hoje] para fazer amanhã:

   ~ Despachar os posts que tenho na cabeça.
   ~ Ir ao ginásio.
   ~ Ver o "Segredos e Mentiras" do Mike Leigh no Ávila (obrigado pelas dicas!)
   ~ Responder a emails importantes. Já agora, arrumar a caixa de emails.
   ~ Verificar a lista provisória de ordenação de docentes 2005.
   ~ Limpar a casa Limpar a casa.
   ~ Comer Sushi
   ~ Ver o episódio de "Six Feet Under" que perdi hoje e mais um de "Desperate Housewives".

segunda-feira, maio 16, 2005

(1662) Bom Dia


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Alan Wilson

domingo, maio 15, 2005

(1661) Hype


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Peter Lewis

   "Dito" isto, assalta-me uma enorme dúvida. Vejo a projecção digital do filme no Alvaláxia ou aproveito o ecrã XXL do El Corte Inglês?

sábado, maio 14, 2005

(1660) O país é um estádio de futebol.


   A frase do dia é "às 19:45 o país vai parar". Sabem do que é estou a falar, não sabem? Exacto. Não se se haverá paralisia à hora marcada, mas posso garantir que cá em Benfica, às 4 da tarde até já os pássaros cantavam mais baixo...

(1659) Boa Vizinhança


   Há uns dias fui à varanda e dum apartamento vizinho não identificável vinham os acordes deliciosos de "Girlfriend In a Coma", dos geniais "The Smiths". Resultado: visto que o dote do namorado incluiu a discografia completa da banda, ando completamente viciado nas músicas de Morrisey & companhia e nesta em particular. Pode ser que este post espalhe o vírus por mais alguém... Acreditem, "It's serious".

(1658) Parabéns, parabéns, parabéns




   ...atrasados, mas sinceros, ao Miguel Vale de Almeida pelo segundo aniversário do Tempos que Correm. Três vezes parabéns, como Sócrates na sua visita a Espanha. Não se trata de facto de um blog qualquer: só alguém com a clareza e profundidade do Miguel aguentava um blog tão intelectual (no bom sentido do termo) e transmitir ao mesmo tempo uma imagem de simpatia e diálogo. De certa forma, o TQC está para a blogosfera gay como o Abrupto para os restantes, com a diferença de não cultivar o autismo. Pelo contrário, faz uma promoção e um "reaching out" a outros blogs que só dignificam a personalidade do seu autor. É curioso este aniversário no momento em que acabei de ler o livro homónimo do Miguel (textos provavelmente mais necessários agora que na altura em que foram escritos, até porque o problema de Portugal é essencialmente antropológico. Não achas Miguel?). Também aí se constata o grande cronista que temos o privilégio de ler diariamente. Para provar o que digo, proponho que sigam este link para um post MVA ("Síndrome de Viseu", uma pertinente defesa do casamento homossexual) hoje publicado em forma de artigo no jornal Público. Será que não se arranja uma troca permanente com a Helena Matos que escreve mesmo ao lado?

Ps. Efeito colateral: 13 de Maio, dia de M(VA). Já há uma boa razão para comemorar.

sexta-feira, maio 13, 2005

(1657) "Welcome to Babylon"




   Finalmente - poucas vezes a palavra terá sido tão apropriada - estreia hoje a série "Queer As Folk". O horário a que será transmitida, 01:15, merece alguns reparos. Primeiro, fica-se a perceber parte do mistério que rondou a estreia da série. De facto, terá havido alguma reticência em mostrar algo feito para chocar (mesmo que tenha sido exibido há praí uma década) na televisão pública. Só assim se explica um horário destes à sexta-feira. Entre os que vão sair e os que já estarão na cama, poucos sobrarão certamente. Ainda menos do que diz respeito aos heterossexuais, para quem a série é, no fundo, concebida (bem ao contrário da versão americana, mais uma "soap opera" para a comunidade gay). Como já aqui uma vez escrevi, esta série foi lançada na Grã-Bretanha num canal de sinal aberto, em "prime-time" e chocou meio mundo. Mas também amaciou muitas homofobias. Por cá, os programadores trataram de desfazer essa hipótese. Mesmo assim, quem estiver a ver a :2 daqui a um par de horas não se vai arrepender.

Ps. Para os mais susceptíveis, nao se deixem entusiasmar em demasia. A realidade é mais Trumps que Babylon. Não se esqueçam disso ao longo dos episódios...

(1656) VISTOS


   1. Mean Creek, de Jacob Aaron Estes - ***1/2 (bastante bom)

   

   Um grupo de adolescentes diversificado mas unido junta-se para uma partida a um "bully", que sentimos destinada a correr mal. Durante a viagem do filme (ao mesmo tempo um percurso emocional), cria-se o cenário perfeito para o aprofundar dos problemas que enfrenta cada um dos personagens e uma revisitação dos lugares comuns (bons e maus) da adolescência. É neste particular que este filme sobressai. Há uma grande dose de realismo na representação dos tiques de linguagem e comportamento nestas idades que produzem nostalgia e até algum incómodo. Isto acontece porque as personagens de "Mean Creek", apesar de problemáticas, são bastante comuns (afastando-se dos auto-destrutivos protagonistas de "Bully" de Larry Clark) e simpáticas aos olhos dos espectadores. A ligação com a natureza (bastante bem filmada, diga-se), aproxima o filme do registo da aventura, ligando-o ainda a outra grande obra de "coming of age", "Stand By Me". Quanto ao resto, é competente e muito agradável, o que só augura boas expectativas para este novo realizador.


   2. In Good Company, de Paul Weitz - *** (bom)

   

   Já em "About a Boy" Weitz demonstrava uma forte capacidade de transformar um filme "domingueiro" num exercício cinematográfico de qualidade assinalável. O mesmo volta a acontecer agora, através de poderosas interpretações (especialmente pelo delicioso - em todos os sentidos - Topher Grace e pelo veterano Quaid) e de diálogos e linhas narrativas que ganham muito no "understatment". Tal como "Mean Creek", pode dizer-se que é um filme ligeiramente conservador (mas nunca moralista, tal como "Mean Creek" não é piroso). A história em si não é nada de brilhante: um jovem "corporate yuppie" (Topher) passa a ser o chefe de um vendedor da velha guarda (Quaid). Durante o resto do filme, prova-se que a linguagem tecnocrática do primeiro não vence o saber de experiência feito do segundo, numa crítica (m bocado primária) à globalização e ao mercado selvagem. No plano emocional joga-se ainda o poder da família funcional versus o desenraizamento da vida pós-moderna. Também aqui vence a tradição. Não será a tese mais credível dos últimos tempos, mas estamos perante um filme muito divertido, e acima de tudo, proporcionador de algumas das mais conseguidas trocas interpretativas do ano.

(1655) Cannes num cinema perto de si


   
   É o que propõe a Medeia Filme, com a exibição no Porto e em Lisboa de um ciclo dedicado aos filmes que venceram a Palma de Ouro nos últimos 15 anos. Mais informações aqui.

A ENGUIA - De Shohei Imamura - 12 (QUI)

O SABOR DA CEREJA - De Abbas Kiarostami - 13 (SEX) 14 (SAB)

BARTON FINK - De Joel Coen - 15 (DOM)

A ETERNIDADE E UM DIA - De Theo Angelopoulos - 16 (SEG)

SEGREDOS E MENTIRAS - De Mike Leigh - 17 (TER) 18 (QUA)

ROSETTA - De Jean-Pierre e Luc Dardenne - 19 (QUI) 20 (SEX)

FAHRENHEIT 9/11 - De Michael Moore- 21 (SAB) 22 (DOM)

O PIANISTA - De Roman Polanski - 23 (SEG) 24 (TER)

O QUARTO DO FILHO - De Nanni Moretti - 25 (QUA) 26 (QUI)

UNDERGROUND - De Emir Kusturica - 27 (SEX) 28 (SAB)

ELEPHANT - De Gus Van Sant - 29 (DOM) 30 (SEG)

DANCER IN THE DARK - De Lars von Trier - 31 (TER) 1 (QUA)

   Fica ainda o pedido. Desta lista, não vi nenhum dos filmes acima de Fahrenheit 9/11. Se tiverem alguma recomendação a fazer, agradeço.

quinta-feira, maio 12, 2005

(1654) Bom Dia




Rita Bernstein

"I'll get a pen and make a list
And give you my analysis
But I can't write this story
With a happy ending
Was I the bullet or the gun
Or just a target drawn upon
A wall that you decided
Wasn't worth defending?"

Aimee Mann

(1653) [Novidade] Sob Escuta


   

   Para descobrir: "40 days".
   Nota: Um álbum para mostrar que é uma pena que o trip-hop esteja em vias de extinção... Ah, e mais um (excelente) cd de B-sides e raridades. E ainda há um dos Eels a caminho.
   Post it: Este CD duplo será lançado a 28 de Junho.

quarta-feira, maio 11, 2005

(1652) Um título que cheira mal




Nota: Para quem não tem acesso ao jornal, esclareço que a notícia é a mesma da referida neste post do Renas & Veados. Mas com este título parece bem outra coisa, não é? Para além de mau jornalisticamente (a informação do título não corresponde à do texto e tira conclusões que não estão lá consubstanciadas), o preconceito é evidente (basta comparar com a da BBC, na qual o Renas se inspirou). A notícia do Público não vem assinada.

(1651) Primário?


   Acho alguma graça a quem evoca o perfil intelectual de Ratzinger e acusa os seus críticos de serem primários. Gostaria que um só destes comentadores demonstrasse a validade prática de tal argumento, quando o discurso do Vaticano é análogo a esta pérola obscurantista encontrada pelo Pawley:

¿Qué es la homosexualidad?
Es una anomalía que consiste en la desviación de la atracción afectivo-sexual, por la cual la persona siente atracción hacia personas del sexo opuesto e incluso puede llegar a mantener relaciones sexuales con ellas. (...) Hasta hace pocos años se la consideraba una perversión sexual y curiosamente algunos hoy pretenden no sólo considerarla normal, sino plausible, satisfactoria e incluso deseable. Esto forma parte de la "dictadura del relativismo" que afecta a todo el mundo occidental.

[Para o texto completo, basta seguir o link].

(1650) Tráfico de influências


   Duas breves notas sobre a suspeita que envolve ex-ministros de Santana Lopes:

      1. Afinal de contas, as associações ambientais sempre servem para alguma coisa. É sabido que neste caso, não fora uma providência cautelar impulsionada pela Quercus, não tinham sido 900 os sobreiros a cair, mas o dobro. Que tal facto esteja bem presente da próxima vez que alguma direita queira ridicularizar o movimento ambientalista (não que este esteja isento de críticas, longe disso).

      2. Quanto à culpabilidade criminal neste caso, cabe à justiça apurar. Mas, do que veio a lume sobre este caso (que não conheço a fundo, até porque tem um rasto que cobre vários anos), é claro que existe uma culpabilidade política, que não é exclusiva destes governantes. Passa pela venda lesiva destes terrenos a interesses privados e termina na aprovação de construção em territórios protegidos em nome do interesse público. O descaramento não podia ser maior quanto as construções são de centros hípicos e campos de golfe e quando a assinatura do despacho é feita por um Governo de gestão a quatro dias de eleições legislativas. Também por aqui cai a máscara do "justiceiro" Nobre Guedes (lembram-se das construções na Arrábida?) e da pose de estado que o PP encenou na legislatura anterior.

(1649) Manuel Alegre e o "off"


   Ontem foi noticiada nos media a recusa de Manuel Alegre em ser candidato à Presidencia da República "nestas condições". Ora o valor da notícia estava em descortinar a que contexto se referia Manuel Alegre. Todas as peças que vi referiam que a recusa do deputado tinha origem numa atitude derrotista do partido socialista. Seguramente essa é uma parte da questão, mas não é de longe a essencial. Ficou explícito que Manuel Alegre se insurgiu contra comentários em "off" (não identificados, portanto) de dirigentes socialistas que afirmaram que este seria um candidato de segunda, de recurso e inclusivamente que com ele o PS sofreria uma forte derrota. Obviamente que Alegre não gostou da "intriga" (foi a palavra que usou), manifestando-se contra a falta de apoio do partido. Não sei porque é porque é que este facto ficou diluído nas notícias - estou certo que mais que ninguém, os jornalistas conhecem a importância das declarações anónimas -, algo que só encontra explicação na recusa mostrar este lado mais sórdido da imprensa.

   Dito isto, considero que Alegre seria um bom candidato. Aliás, o papão Cavaco tem sido construido na imprensa e vai-se defendendo no silêncio, ajudado ainda pela estranha anemia da oposição (veja-se como foi diferente o caso de Guterres). Quando começar o debate público, existem todas as condições para o fim deste estado de graça. Há ainda um outro lado preponderante. Sócrates é muito diferente de Alegre e também não gostaria de ficar associado a uma derrota presidencial (também histórica para o PS, diga-se). Poderá tentar a jogada táctica da coabitação com Cavaco. A ser assim, inviabilizar-se-ia não só a candidatura de Alegre, mas a de qualquer outro candidato que possa surgir, visto que os preferidos de Sócrates (Vitorino e Guterres) também não estão disponíveis.

terça-feira, maio 10, 2005

(1648) Que tipo de Gay és?*


   Um teste introspectivo que vale a pena fazer:


A) «O modelo cultural profundo construiu a "bicha": o homossexual que, à falta de outros referentes e modelos, se vê compelido a feminizar-se: "se não sou como os outros homens, é porque sou como as mulheres".»


B) «(...) para certos meios burgueses, fortemente permeados pela cultura laica da medicina e do direito, há outra criatura, que é o "homossexual": alguém que tem o direito a ser respeitado, que talvez fosse bom aconselhar a curar-se, ou que pelo menos é desejável que não mostre muito o que é. O direito à privacidade torna-se numa imposição controladora ("podem fazer o que quiserem, mas não o mostrem"). Esta classificação do homossexual é muitas vezes incorporada pelos próprios homossexuais. »


C) «A terceira personagem podia ser o "Gay". Só o facto de a palavra ser estrangeira já diz muito: o "gay" viajou, ou viveu no estrangeiro, ou pelo menos tem um espírito iluminado pelas artes, pela política emancipadora ou pela ciência social, espírito esse que é comum ao Ocidente moderno. Para ele, o pessoal é definitivamente político, e antes das lutas de classes e outros compromissos políticos, percorre um longo caminho pela afirmação de um identidade de prazer, corpo, afectos. »

   Texto de Miguel Vale de Almeida, Outros Destinos, p. 249/250.

* A divisão do texto (corrido no original) e enquadramento com as imagens do Queer As Folk é da minha responsabilidade.

(1648) A origem do mal-estar


   ...docente geralmente é imputada aos alunos, ou aos pais. Para mim, o principal problema é outro, bem delineado por Alberto Gomes, professor Universitário de Pedagogia:

A primeira questão prende-se com a formação inicial, que é muito precária. Não do ponto de vista dos conteúdos, mas do que vai fazer-se com esses conteúdos. Também é preciso valorizar mais as experiências práticas, ir às escolas, ver como funciona aquele lugar onde se pretende trabalhar um dia. A outra questão é a da formação contínua, em que o professor é acompanhado e tem espaço para trocar experiências.

   Também fala dos alunos:

A escola não pode continuar a ignorar a origem social dos seus alunos. (...) A escola que temos ainda assenta sobre o princípio da educação das massas, em que ensina a todos como se fossem um só e sem considerar que há esses "todos" diferentes. A grande questão é aprender a lidar com essa diferença.

   Mas, no final, volta tudo à formação:

No caso português, o que acontece é que as escolas superiores de Educação continuam a formar professores como há décadas. Ainda reproduzimos aqueles velhos esquemas de exposição, longos períodos sentados na sala de aula. Um aluno candidato a professor só tem contacto com a escola no último ano da sua formação. E aí defronta-se com uma realidade escolar completamente diferente, um aluno completamente diferente, pais e famílias completamente diferentes e não sabe lidar com isso. O problema é que nem sabemos quem é essa população que estamos a receber na escola. Uma questão básica como o diagnóstico tem sido ignorada e isso traz problemas.

(1647) Eu Vou

segunda-feira, maio 09, 2005

(1646) Good Night Quote


   Este é um blog que lança boatos:

"You know what I really like about cyberspace? The rumors. Such as the recent so-called fact that the Vatican had been bought out by Microsoft.... One world, one operating system!" - Laurie Anderson

(1645) Blasfémia


   Pela lógica destes posts, parece que o João Miranda não gosta muito do novo Papa...

Ps. Na verdade, também me desagrada a "institucionalização" do BE. Não que não a ache necessária (veja-se como irrita os que achavam que era um grupelho político de morte rápida), mas não neste sentido. Neste momento, parece-me apenas que o partido ganha os "tiques do poder" dos restantes, e continua a via da canibalização do PCP. Ora o BE devia ser a alternativa à política pelo poder e uma reacção à heterodoxia comunista. E não, não se pode fingir ser uma coisa e agir como outra...

(1644) Continuo do contra


   Entre as raridades e lados-b do Nick Cave e as raridades e lados-b dos Belle & Sebastian, prefiro de longe os dos últimos. Vou mais longe: este álbum duplo dos Belle, se não é o seu melhor (há sempre o "If You're Feeling Sinister"), está muito perto. Um bocadinho da letra da que estou a ouvir agora:

"They let lisa go blind
The world was at her feet and she was looking down
They let lisa go blind
But everyone she knew thought she was beautiful
Only slightly mental
Beautiful, a bit temperamental
Beautiful, only slightly mental
Beautiful"

domingo, maio 08, 2005

(1643) O Gosto dos Outros


   Perdoem-me quebrar a unanimidade, mas o texto de Pedro Mexia sobre o Abrupto não me convence. Creio tratar-se de uma (excelente) elaboração intelectual que disfarça o verdadeiro tom do texto: o de ataque pessoal e menorização intelectual. No fundo, acho que evidencia os mesmos defeitos que aponta a Pacheco Pereira. Ou seja, uma certa arrogância e complexo de superioridade insinuada.

   Primeiro, a questão do individualismo. Critica-se o umbiguismo de Pacheco, mas acusa-se o blog de ser "pouco pessoal". A diferença seria que o individualismo de Pacheco é público e fora da esfera "identitária". Mexia diz que se trata duma ficção (subentende-se que o "pessoal" de Mexia é a "verdade"), embora admita que cada um escreve o que quer. Na verdade, Mexia quer é dizer que não gosta desse tipo de blogs, diferentes do seu. Não há outro justificativo. Eu arrisco até dizer que os blogs "pessoais" nem são verdadeiros, nem sequer pessoais. São discursos sobre o "eu" quotidiano, com laivos poéticos e marcas culturais pós-modernas. Eu gosto muito, mas nem todos conseguem ou querem ter esse discurso.

   Segundo, a questão do estilo. A cultura e a forma de falar de JPP desagradam a Mexia. Percebe-se e aceita-se. Mas é errada a menorização: os fragmentos culturais que JPP "apenas" mostra evidenciam algo sobre a personalidade, mesmo que não sejam apresentados com a exibição das entranhas. De novo a intolerância quanto ao método. Mexia usa o conceito de "secura". Exacto, Mexia faz parte da cultura "cool", que destila tanta "etiqueta" e normatividade como os trejeitos canónicos do Abrupto. Pelo que se chega à conclusão que o problema de José Pacheco Pereira é não andar de saco amarelo da FNAC e não usar um Moleskine para os rascunhos do blog...

sábado, maio 07, 2005

(1642) Bom Dia


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Nuno Ferreira

sexta-feira, maio 06, 2005

(1641) Retro-Electro


   Uma listinha ao estilo do Dinis, para as noites abafadas deste fim-de-semana:

      1. Fischersponner ~ A Kick in the Teeth
      2. New Order ~ Hey Now What You Doing?
      3. Post hit ~ Wake Up (Let Youself Go)
      4. The Bravery ~Tyrant
      5. Spoon ~ I Summon You

(1640) Ficção Científica


   A sala de cinema mais parecida com o interior de uma nave espacial tirada do Star Trek é sem dúvida a sala 5 do Saldanha Residence.

(1639) Rídiculo corporativista


   Ontem ouvi na SIC-N um senhor defender que as férias judiciais não podiam ser reduzidas porque era nessa altura que se aproveitava para tratar de muitos casos para os quais não havia tempo no período normal de trabalho. Ou seja, defende-se a continuação das férias...para trabalhar. Pena que ninguém se tenha lembrado de questionar o comentador sobre o seguinte. Se é preciso mais tempo para trabalhar, então se calhar é melhor aumentar o tempo de trabalho, certo? Enfim, até mete dó.

Ps. Não falo na completa ausência de conhecimento. Os professores também gozam de muito tempo livre para trabalho fora da escola, que, diga-se em abono da verdade, é muito mal aproveitado. Serve simplesmente para fazer menos e só quando apetece.

(1638) PARABÉNS [revisto]


   Ao Pacheco Pereira, um verdadeiro paladino da arte de bem blogar, independentemente da concordância ou não com o conteúdo. Que a vontade não lhe esmoreça.

Nota: Este é de facto um blog especial, pelo mediatismo do autor e pela forma hábil como é promovido. De facto, o segundo aniversário do Abupto tem direito a vários dias de festa e a notícias de página inteira nos jornais. Isto deve-se ao facto deste blog ter um pé fora e outro dentro da blogosfera. Nas palavras do próprio JPP, esta é uma versão do jornal que ele gostava de fazer, o que ajuda a explicar que o Abrupto se "esconda" da blogosfera (não tendo links, não entrando em diálogo blogosférico e projectando-se para os media tradicionais) ao mesmo tempo que vive desta plataforma e dos muitos links que o sustentam.

(1637) Sob Escuta


Cold Roses - Ryam Adams

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Para descobrir: "Meadowlake Street".

quinta-feira, maio 05, 2005

(1636) Por falar em brechas...


   A irritação de Daniel Oliveira sobre a não união da esquerda nas eleições para Lisboa tem uma só grande razão subrepticiamente enunciada pelo dirigente bloquista: "Lisboa estava precisada de algum sentido prático. Não houve." Pois não, e com a súbita aproximação do CDS ao PSD, a vitória deixou de ser favas contadas...

(1635) Posso estar enganado


   Mas surgiu uma ténue brecha no PS entre aqueles que defendem a resolução imediata da questão do aborto na AR (caso de Jorge Coelho, que fala a "título pessoal") e os que (como o líder da bancada parlamentar) insistem na via referendatária. Por muito que o partido esteja "unido no poder", não duvido que haja neste momento grandes divisões ideológicas e metodológicas no seio do partido. Resta saber que é que Sócrates vai apoiar.

(1634) O valor do comentário


   Não sei se leram a penúltima crónica do Pedro Mexia no DN. Achei o tema duplamente interessante. Mexia fala do valor dos artigos de opinião nos jornais (de referência subentenda-se), de como um determinado conjunto de cronistas pode ser a mais valia do jornal, justificar a sua compra, e mais, ter uma maior relevância que as notícias. Hoje em dia, já muitos vão percebendo que a notícia não pode ser encarada como um dado fechado e transparente. Bem pelo contrário, é na sua descodificação que muitas vezes emerge o verdadeiro valor daquela notícia, tendo em conta o contexto, as suas motivações, o seu enquadramento. Por isso mesmo é que os cronistas são importantes, na medida em que revelam as armadilhas das notícias. Para o leitor que deseja estar informado, são como ferramentas (atenção: não confundir com culto ou seguidismo) de grande utilidade.

   Em segundo lugar, o artigo tem a sua graça porque Mexia é precisamente um desses cronistas. O preço do DN não chega para pagar o valor da sua coluna, ou a de João Morgado Fernandes. Vão lá e digam lá se não tenho razão.

(1633) Good Night Post


   
   Missy Gaido Allen

quarta-feira, maio 04, 2005

(1632) Uma táctica


   ...que também se vai tornando habitual. Tal como acontece com Santana, a direcção do PSD passa para a comunicação social notícias que tentam minar a candidatura de Valentim Loureiro. As manchetes "Marques Mendes resiste à candidatura de Valentim" ou "PSD espera não de Valentim", têm o objectivo de evitar que o candidato se retire da corrida por si. Tal como Santana, duvido que Valentim acate sem luta os avisos.

(1631) Uma táctica habitual


   ...dos partidos da oposição é lançar discussões públicas nos moldes em que hoje se vai debater o problema da seca. Para a oposição, levantar o tema é muito vantajoso. Não só passam a ideia que são os mais preocupados com o tema, mas também aproveitam para exigir medidas que implicam elevados investimentos (que à oposição não custam nada), ao mesmo tempo que aproveitam para acusar o Governo de inacção, chantageando-os com o não cumprimento das suas propostas, no fundo feitas para serem recusadas. Quer isto dizer que o tema não seja importante? Não. Mas o objectivo da oposição, da esquerda à direita (que diga-se, teve a coligação que mais deixou o país arder...), é meramente fragilizar o Governo, e não resolver verdadeiramente o problema.

(1630) Afinal é humano


   Mais que um poderoso anti-climax, a derrota de Mourinho mostrou uma realidade que se calhar muitos já desconheciam. No momento de perder, este treinador acabou a responsabilizar o árbitro, atitude que é é tudo menos de um "génio". Mourinho é apenas isso: um grande profissional com um péssimo carácter. Esses não dão heróis, o que levou imediatamente que as notícias sobre a derrota do Chelsea tenham sido relegadas para a menor dimensão possível nos meios de comunicação.

terça-feira, maio 03, 2005

(1629) Por outro lado #2


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Boligan

   Sabe-se definitivamente que a Coreia do Norte tem armas nucleares. Foi o próprio Kim-Jong Ill que o admitiu. Há dias, lançaram um míssil para o mar do Japão. Numa altura em que foram dadas por encerradas as buscas por armas de destruição maciça no Iraque (a dúvida se existiam já estava encerrada há muito), sabe-se que outro país não só tem ADM, como ameaça, com actos, usá-las. É bom lembrar isto para tentar perceber as motivações dos americanos, cujo discurso de "libertação" e luta heróica contra o terror tende a enevoar.

(1628) Por outro lado #1


   A recusa de Sampaio em marcar o referendo para a despenalização/descriminalização da I.V.G. representa uma limitação da vontade popular. Ou seja, Sampaio acha que os eleitores não se vão (naquele contexto temporal) interessar por esta questão, por isso recusa dar-lhes o poder decisório, indo também contra a vontade do poder legislativo. Ao contrário do caso da limitação dos mandatos, ninguém levou um dedo que fosse a tocar nesta vertente do tema. E a inacção continua.

segunda-feira, maio 02, 2005

(1627) Back to the start


   
   Nan Goldin

   Lembram-se de quando o Six Feet Under, no seu auge, produzia episódios que nos faziam sentir verdadeiramente mal, por serem emocionalmente perturbantes? Os chamados murros no estômago. Pode-se dizer que essa linha, sem duvida a mais valia da série, se tinha desvanecido com o desenrolar dos episódios para dar lugar a uma espécie de tragédida controlada. Hoje, regressada a série, voltaram também os murros no estômago. Os paralelos com o primeiro episódio são evidentes (todas as personagens perdidas, unidas e desagregadas por uma morte e pelo seu "scent"). Preparem-se. As segundas-feiras vão voltar a ser dia de terapia.

(1626) Falta de representatividade


   O tema do DN de hoje é os casamentos homossexuais. Em Espanha. No conjunto interessante de artigos apresentados, um chamou-me particularmente à atenção. Falava um pouco de uma das figuras centrais da mudança da lei em Espanha, Pedro Javier Zerollo, homossexual assumido e dirigente do PSOE. Segundo o artigo, para além de "rosto" do partido para esta medida, foi um dos seus principais promotores internos. Teria Zapatero prestado atenção ao assunto não fosse essa representatividade interna? É por isso que tanta falta fazem em Portugal políticos homossexuais assumidos, em particular nas cúpulas do partido Socialista. Sendo um tema polémico, será bem mais difícil pegar nele sem motivação interna...

(1625) Nas entrelinhas da crónica #2


   Não sei se vale a pena gastar um post com Luís Delgado, mas não deixa de ser curioso constatar o seguinte: este homem, ao contrário da maioria dos comentadores da nossa praça, especializou-se no "bem dizer". Ele tem de ter um idolo para elogiar. E agora parece ter entrado nessa onda com José Sócrates, frequentemente recorrendo à analogia "Kitsch" com Mourinho.

(1624) Nas entrelinhas da crónica #1


   Um artigo inteiro de João Cravinho a dizer que o PSD não deve imitar o PS. Ou seja, Cravinho quer é que o PS não imite o PSD, o que acha que está (cada vez mais) a acontecer. E assim se faz uma crítica interna atacando o adversário...

(1623) Good Night Post


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Cézanne

(1622) Devia ser para levar a sério


A cobertura mediática da morte do Papa João Paulo II não foi isenta, na opinião de 40 por cento dos respondentes à 8ª edição da Sonda Central de Informação/Meios & Publicidade. As respostas referem-se à isenção dos próprios jornalistas. (...) Outra das questões relacionadas com a morte do Papa procurou saber qual a opinião dos jornalistas acerca da qualidade da informação produzida pelos meios de comunicação social sobre aquele tema. Os meios da imprensa escrita foram o que recolheram, maioritariamente, as notas "boa" e "muito boa" (cerca de 80 por cento, contra 18 por cento que votaram "razoável" e um por cento que consideraram a cobertura "muito má"). Nesta questão relativa à qualidade da cobertura, a rádio ficou em segundo lugar, e a televisão em terceiro. A última das três questões confrontava os jornalistas com a situação de terem sido alguma vez pressionados por entidades religiosas. Dos respondentes, 82 por cento disseram que "nunca". Mas sete por cento confessaram ter sido pressionados uma vez, ao passo que nove por cento disseram que essa situação já aconteceu algumas vezes.

   Ou seja, os próprios jornalistas (4 em 10) acham que não foram isentos. E está tudo bem, continua tudo na mesma. Aliás, a "isenção", conceito próximo dos de "facto" e "distanciamento" já estão tão diluídos nos media generalistas que para ser profissional no ramo é preciso aceitar e trabalhar nesse molde. É um bom exemplo para um pequeno texto sobre os media que escrevi a propósito do recente livro de José Gil e que o Miguel teve a simpatia de publicar.
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