nho Resistente Existencial: (1597) Para Reflectir [XL] - Novo Papa

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

sábado, abril 23, 2005

(1597) Para Reflectir [XL] - Novo Papa


   Como alguns dos artigos mais interessantes dos jornais de hoje versavam sobre o tema, achei que era uma boa forma de consolidar ideias apresentar excertos desses artigos. Se só puderem ler um, recomendo o de Timothy Garton Ash.

"(...) nada vejo na personalidade, biografia, princípios ou estratégia de Bento XVI que sugira que ele é capaz de inverter estas tendências. Joseph Ratiznger tem todo o conservadorismo de Karol Wojtyla sem nenhum do carisma. (...) A sua homilia antes de os cardeais iniciarem o conclave deixou claro que tenciona confrontar de frente o secularismo, o laxismo moral e o consumismo da Europa contemporânea. Descreveu a homossexualidade como a tender para "um mal moral intrínseco". Ficou ao que se diz chocado pela rejeição do devoto católico Rocco Buttiglione como comissário europeu. É um adversário da "ditadura do relativismo." - Timothy Garton Ash

"Ratzinger rejeita em bloco a modernidade e o que esta representa. Mas o mundo moderno não nos trouxe só egoísmo, materialismo e outras doenças. A este mundo também pertencem a ciência, a medicina, os direitos individuais," a diversidade, a tolerância, a heterodoxia religiosa, a autonomia pessoal, o cepticismo. Se Ratzinger estiver contra tudo isto, será mais o Papa de uma minoria do que o Papa de todos os católicos." - Pedro Lomba

"Ora, sejamos directos: a escolha do cardeal Ratzinger para Papa foi a pior escolha possível dos cardeais. Foi, como alguém escreveu, a extrema-direita do Espírito Santo quem escolheu este homem que prega o valor absoluto da fé contra, imagine-se..., "a ditadura do relativismo". - Miguel Sousa Tavares

"De qualquer maneira, um facto subsiste: a distância entre a Igreja e o mundo moderno aumenta e nada, excepto a fé, permite excluir ou um fim ignorado e triste ou, mais provavelmente, uma nova insurreição contra a autoridade de Roma." - Vasco Pulido Valente

"Como que por magia rasurou-se o que Ratzinger proclamara na homilia que precedeu a sua eleição e que, em linguagem pagã, se poderia considerar um verdadeiro manifesto eleitoral. Aí, o futuro Papa propunha o combate ao relativismo como tarefa central da Igreja Católica. Ora, atrás desse combate esconde-se, de facto, um regresso ao fundamentalismo doutrinário e à superioridade indiscutível dos dogmas católicos (reduzindo a vontade ecuménica a uma formalidade piedosa). É, aliás, a tendência em voga nestes tempos de fechamento, de "pensamento único" e de soberba imperial." - Vicente Jorge Silva

Nota: atenção à história do "Carisma" e da "transformação em papa". Hoje, já apareceu a afagar criancinhas e vestido à João Paulo II. Mas vejam o que acontece na prática, já hoje, em Espanha. Nos próximos dias, a barricada estará entre aqueles que falam de Ratzinger e os que já só dizem Bento XVI.
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