nho Resistente Existencial: (1581) Arte e diversão

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

terça-feira, abril 19, 2005

(1581) Arte e diversão


   Há algum tempo, o famoso artista contemporâneo Damien Hirst admitiu que alguns dos seus trabalhos eram tontos ("silly" no original). O impacto das palavras não é tanto na credibilidade do artista, mas mais no espanto que espectador sente ao ter de reavaliar obras cuja "análise" tomava como certa. Quer dizer, então isto era arte e agora já não é? Será que o objecto deixa de ser arte se o autor o "desnomear" artisticamente? No meu entender, outra questão se levanta, que não é sempre fácil de enquadrar. Falo dos processos de auto-ironia e diversão que atravessam a mente de muitos génios contemporânos. A realidade é que muitos destes artistas tiram um grande gozo ao brincar com as fronteiras da arte e com as representações sociais do artístico.

   
   Hirst

   Isto torna-se difícil de entender devido ao maior peso do cânone (tenho preguiça para deixar os "links", mas os artigos de Pedro Mexia no DN nos últimos dias são uma boa introdução ao tema) nestas representações. Em suma: a arte deve ser uma coisa séria, de qualidade evidente e "transcendente"e imutável. Pensem em Camões. Mas não tem de ser sempre assim. Agora pensem no famoso urinol de Duchamp. É diferente não é? Esta tem sido uma das batalhas permanentes da arte nas últimas décadas, a fixação e fuga à volta do conceito de arte. Que nos leva a questões muito complexas. Por exemplo, o urinol sem aquele título e fora daquele espaço era o mesmo objecto? Mas isso são outras questões...
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