nho Resistente Existencial: Abril 2005

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

sábado, abril 30, 2005

(1621) Os Bloggers, solitários?


   Já repararam como o facto de termos um blog nos impele para a contrução e participação numa rede de pessoas, ideias e projectos, que de outra forma nunca nos chegariam às mãos? Um blog que não está na blogosfera, "morre".

(1620) Quem disse que o electro morreu?


   Estou viciado nos nacionais Post Hit*. E continuo viciado naquele que para mim é dos melhores (talvez o melhor) álbum de 2005: Odyssey dos Fischerspooner.

   

*POST HIT é uma banda que se formou em Novembro de 2002, integrada por Paulo Scavullo (voz), Rui Pires (teclas) e Sebastião Teixeira (guitarra). Explorando sonoridades que vão da electrónica à pop, com uma atitude de certo modo “retro”, no projecto dos POST HIT são vários os universos que se cruzam: dos discos de vinil à moda, do glamour à arte, da futilidade urbana ao trash movie.

(1619) Sabores #2


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Heloísa Gralha

(1618) Sabores #1


Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.

Eugénio de Andrade

sexta-feira, abril 29, 2005

(1617) No fundo, são anormais.


   Já se esperavam algumas reacções negativas ao acórdão do tribunal acoriano no caso de pedofília local. Ainda bem que surgiram, pois evidenciam bem como existe um preconceito interno que pressiona a lei e a sociedade para a rejeição da homossexualidade. Por outro lado, fica patente que, ao bom espírito nacional, tudo estaria bem se o artigo que promove a não-discriminação com base na orientação sexual não fosse mais que isso, um mero artigo num papel. Deixou de ser, já incomoda.

   Há críticas mais tontas, como as de João Miranda do Blasfémias. Sempre recorrendo às piruentas analógicas que lhe conferem o habitual tom engraçado (mas desprovido de razão), aproveita para insinuar uma imagem dos homossexuais como predadores de criancinhas ("O direito de fornicar menores não existe.") e ainda o mito da transformação das pessoas em homossexuais ("A ideia de que os actos homosexuais são iguais aos actos heterosexuais (...) é muito própria da esquerda bem pensante para quem a natureza humana é infinitamente moldável."). Denunciado o obscurantismo do texto, deixo o autor sem resposta, desejando que resolva os seus complexos da melhor forma possível. Agora o que interessa é o seguinte: existe na lei uma discriminação valorativa entre relações homossexuais e heterossexuais. Segundo a nova lei, é um preceito obviamente inconstituicional, pois esta proíbe exactamente tal tipo de discriminações. O direito não consiste em abusar de criancinhas, mas sim em ser punido de igual forma independentemente da orientação sexual dos envolvidos. Mas João Miranda, tal como Miguel Sousa Tavares, resumem a sua argumentação a isto:

      "O tribunal achará que para um rapaz de dez anos, por exemplo, é igual o trauma de ser abusado por uma mulher ou homem?"

   A resposta é, obviamente que não se sabe. Os tramas são individuais e as situações envolvem contextos complexos (cuja análise concreta sim, poderá influenciar a pena tendo em conta a natureza do acto - heterossexual ou homossexual). O problema é que a questão não é essa. Abusar de um menor é sempre crime e não menos crime quando a relação é heterossexual. O dano não tem que ver com a natureza do acto, mas com a violência para com a criança e o seu desenvolvimento harmonioso. A natureza do acto é relevante para os homófobos, que, no fundo, acham que há um "desvio" e uma "anormalidade" no acto homossexual, que por isso é mais nocivo por inerência. Trata-se de um mero preconceito, não provado cientificamente (bem pelo contrário). E nem me venham falar que é socialmente mais estigmatizante, porque os estigmatizadores são os homófobos e não os homossexuais. Fica então o desafio a Miranda e Miguel Sousa Tavares. Soltem os vossos fantasmas e digam concretamente: em que é que exactamente a natureza do acto homossexual é mais traumatizante que a do acto heterossexual? Vai ser bonito de ler.

quinta-feira, abril 28, 2005

(1616) Exemplar


   ...a forma como foi dirigido o caso de pedofília dos Açores. Como ninguém pode dizer que umas crianças valem mais que outras, fica a suspeita que a causa do sucesso deste caso face ao pântano casapiano se deve meramente à ausência de nomes sonantes e câmaras de televisão. Mas outro exemplo foi dado, talvez ainda mais surpreendente:

O tribunal de júri de Ponta Delgada recusou-se ontem a aplicar o artigo 175º do Código Penal aos arguidos envolvidos no caso de pedofilia de Lagoa. O artigo prevê a punição a "quem, sendo maior, praticar actos homossexuais de relevo com menor entre 14 e 16 anos", mas o tribunal considerou-o "uma ofensa ao princípio da igualdade" consagrado pelo artigo 13º da Constituição da República Portuguesa, que desde a revisão de 2004 inclui o direito à não discriminação por orientação sexual.

   Numa palavra, exemplar.

(1615) Good Night Post

(1614) Jardim fora da Madeira


   é uma visão deliciosa. Encontrou-se hoje pela primeira vez com Sócrates e desfez-se em discursos de consenso. O país "deve" dinheiro à Madeira, mas o líder madeirense está disposto a esperar tendo em conta a crise nacional, etc. etc. Não só porque Jardim sabe onde verdadeiramente está o financiamento da Madeira, mas também porque cara a cara é mais difícil manter aquele discurso do "venham eles", Alberto João Jardim apresentou o seu duplo. Também nesta duplicidade há um carácter que se revela.

quarta-feira, abril 27, 2005

(1613) Educação em destaque


   ...hoje no Público. Para professores e interessados sem acesso online, recomendo a compra do jornal. Fala-se do PISA e das virtudes dos sistemas educativos com melhores resultados na educação (Finlândia e Coreia). Sistematizando, apresento alguns dos tópicos que na minha opinião contrastam com o nosso sistema:

      Domínio do investimento público: o ensino é totalmente gratuito até ao 9º ano, mas sempre envolto na pressão da preparação para universidade ou vida activa. Um professor ganha em média 5000€ por mês.

      Domínio da organização escolar: As escolas escolhem os seus professores através de concursos locais. Resultado: o corpo docente é estável e competitivo.

      Domínio curricular: os programas são flexíveis e negociados por professores, alunos e até pais. Os alunos têm actividades extra-curriculares todos os dias em articulação com a comunidade. Há incentivo à ajuda inter-alunos.

      Domínio da prática pedagógica: aulas monitorizadas (leia-se avaliadas), tempo considerável (4 horas) de preparação de aulas para os professores. Em Portugal esse trabalho é pós-laboral visto que na escola há tarefas burocráticas a realizar.


Nota: tudo isto permite uma comunidade escolar motivada, qualificada e competitiva. O dinheiro gasta-se melhor. Infelizmente a reacção a estes estudos em Portugal oscila entre o reaccionário (a culpa é da "pedagogia do facilitismo", esse mito dos moralistas e saudosistas) e o corporativismo (como é dito na peça, temos professores que têm baixas expectativas e que são hostis à mudança). Dito isto, não percebo como é que a Ministra diz que não são necessárias reformas de fundo. Achará o Governo que o nosso problema é de "superfície"?

terça-feira, abril 26, 2005

(1612) Sob Escuta


Verve Remixed 3 - Vários Artistas

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Para descobrir: Billie Holiday - Speak Low (Bent remix).

(1611) Um Indie por dia #5






"A US Army sergeant who participated in the First World War now leads a rifle squad in the same division in which he's served, the First Infantry. The squad participates in combat action from storming Vichy French Africa into the long seige of Sicily and Italy, into D-Day at Omaha Beach, and onward through the push to Germany. Along the way the squad gets involved in several incidents with civilians, such as a French woman about to give birth and also in a firefight in an insane asylum. Throughout the war the Sergeant has engaged in a mini-battle of wills with Pvt. Griff, a semi-pacifist whose convictions are destroyed in a horrific scene amid the human genocide of a concentration camp in 1945." [trailer]

"Samuel Fuller's chronicle of World War II combat, based on his own experiences in the famous Army Infantry division that gives the film its title, has been painstakingly reconstructed. More than 40 minutes have been added to the version that was released in 1980."

Data de exibição: Dia 29 - 21:45 @ Cinema King.

(1610) Isto é que era bom para o Metro

(1609) Bom Dia


   Verdadeiros anjos:

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segunda-feira, abril 25, 2005

(1608) Impressões do Indie #4


   Dois filmes ("Born Into Brothels" e "Internal Affairs III"*), 10 estrelas.

* que só tinha visto com más legendas (não que as de hoje fossem perfeitas...).

(1607) Impressões do Indie #3


   Vários espectadores, incluindo eu, com o folheto do programa na mão, a fazer e desfazer sublinhados e selecções, supirando frustração por não se poder ver todos os bons filmes...Em contraste, o falante espanhol que na bilheteira do King comprou uns bons 20 bilhetes de enfiada.

(1606) Impressões do Indie #2


   Já achei o ano passado e volto a dizer. Uma boa parte do público do festival irrita-me na sua demonstração de pose "alter-mundista" radical. Não que tenha nada contra estes movimentos na sua origem, mas porque adivinho (em alguns casos certamente de forma errada) um mero exercício de pose e "etiqueta social". Visto que não aprecio superficialidades políticas, quer de esquerda, quer de direita, incomoda-me o "social gathering" do evento.

(1605) Impressões do Indie #1


   Fórum Lisboa, primeiro filme, sala cheia. Cinema King, segundo filme, sala cheia.

(1604) Sempre



Francisco Sousa Tavares

"Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flôr no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nos vamos
À procura da manhã clara (...)"

Zeca Afoso

(1603) Bom Dia


   
   [imagem via Barnabé]

domingo, abril 24, 2005

(1602) [Novidade] Sob Escuta


   Push Barman to Open Old Wounds - Belle & Sebastian

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   Para descobrir: "Beautiful".
   Nota: este álbum será lançado a 23 de Maio.

(1601) VISTO - A Queda


   O único comentário que me interessa fazer sobre este filme é que não dá resposta a quem nele vá procurar uma "explicação" actualizada da II Guerra Mundial. Não se trata disso, até porque não é foi feito para o mundo, mas sim para os alemães. O que, sendo obviamente legitimo, lhe tira algum do interesse e potencal numa perspectiva mais lata. Digo isto porque o filme joga toda a sua força no choque de vermos Hitler intimamente. Tal só funciona se ele nos condicionar como figura histórica e não personagem de um filme. Obviamente que na Alemanha o filme mexerá com feridas menos bem cicatrizadas. Ainda mais longe: para um público mais jovem ou desinformado, a representação de Bruno Ganz (excelente diga-se) parecerá a de um pateta tresloucado. Falta esse contraponto ao filme. Mostrar a força, o génio maléfico, o imenso poder de um homem que conquistou a Europa. Mas aceita-se, a ideia era mostrar algo novo. De qualquer forma, se era para ir por aí, foi pena que o filme não tivesse aproveitado para fazer o contraponto desta tragédia final com a tragédia que o Nazismo trouxe a outros povos, nomeadamente os Judeus. A analogia podia ter sido poderosa. Mas quase não há menção ao Holocausto. Como cinema, é mediano. Apresenta um realismo competente, mas tem pouca imaginação para todo o tipo de soluções visuais, narrativas, psicológicas. Tem no entando o condão de prender o espectador à cadeira e à personagem de Hitler, o que abre sem dúvida a questão mais importante, a da natureza do mal humano. Tendo em conta isso, não há como não conseiderar "A Queda" como objecto conseguido.

   

   A Queda, de Oliver Hirschbiegel - *** (Bom)

(1600) O Livro


    Esqueci-me de falar do que achei de "Sem Nome" no post abaixo. Gostei sim, mas bem menos que as entrevistas do escritor. O livro foi feito com receita hábil. A ideologia é sedutora, há comentário político actual, reflexão literária, tudo com uma história cativante em escrita escorreita. O problema é que, pese a boa vontade, falta-lhe um pouco de chama. Há momentos acima da média, especialmente no retrato da protagonista (um pouco ao jeito de Mário de Carvalho) e na imbricação da estrutura narrativa que ocorre no final, muito agradável no domínio da teoria da literatura (ou não fosse ele professor consagrado). Talvez tenha sido o próprio estilo (se calhar directo demais) que não me cativou. Mas valeu a pena, mais que não seja pela vontade com que fiquei de descobrir o "cedro" especial do Príncipe Real...

(1599) Uma tarde diferente


   

   Um dia ia acontecer. Saí de casa e deixei as chaves lá dentro. O resultado foi ter de passar a tarde fora de casa, sozinho. Almocei fora de casa e dirigi-me à Fnac do Colombo. Estava a pensar ver um filme ou ir até à festa da música, mas acabei entre os livros. À festa da música não sabia ir ter (suspiro: quando conhecerei as estradas alfacinhas...?). Para ver filmes prometedores estava já atrasado ou acabavam demasiado tarde (para quem não anda de carro no centro, não é muito seguro andar sozinho no metro). Fui então ler. Ia folhear o Calvin, ler uma BD da DC comics, sentar-me com alguns livros de poesia. O habitual. Mas mudei de ideias e li um livro inteiro de Hélder Macedo, o propalado "Sem Nome". Era pequeno, e devorei-o em pouco mais de hora e meia. Fiquei com a certeza absoluta que devia fazer isto mais vezes, em alternativa a tantos filmes medianos que consumo várias vezes por semana. Acabei a tarde num cantinho simpático do Colombo (é verdade, há!), onde bebi chá e queijadas de Sintra. Nada mau, esquecer-me da chave.

sábado, abril 23, 2005

(1598) Validado - O pior já está


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   A travessia do Bojador burocrático está feita. Os dados estão lançados, resta ver se não há asneiras no processamento informático e se sobra alguma sorte (na minha situação, é disso que se trata) para mim. Mas, até ver, este concurso está a correr muito bem*.

*O que não quer dizer que esta forma de ordenação dos docentes seja boa. Longe, muito longe disso.

(1597) Para Reflectir [XL] - Novo Papa


   Como alguns dos artigos mais interessantes dos jornais de hoje versavam sobre o tema, achei que era uma boa forma de consolidar ideias apresentar excertos desses artigos. Se só puderem ler um, recomendo o de Timothy Garton Ash.

"(...) nada vejo na personalidade, biografia, princípios ou estratégia de Bento XVI que sugira que ele é capaz de inverter estas tendências. Joseph Ratiznger tem todo o conservadorismo de Karol Wojtyla sem nenhum do carisma. (...) A sua homilia antes de os cardeais iniciarem o conclave deixou claro que tenciona confrontar de frente o secularismo, o laxismo moral e o consumismo da Europa contemporânea. Descreveu a homossexualidade como a tender para "um mal moral intrínseco". Ficou ao que se diz chocado pela rejeição do devoto católico Rocco Buttiglione como comissário europeu. É um adversário da "ditadura do relativismo." - Timothy Garton Ash

"Ratzinger rejeita em bloco a modernidade e o que esta representa. Mas o mundo moderno não nos trouxe só egoísmo, materialismo e outras doenças. A este mundo também pertencem a ciência, a medicina, os direitos individuais," a diversidade, a tolerância, a heterodoxia religiosa, a autonomia pessoal, o cepticismo. Se Ratzinger estiver contra tudo isto, será mais o Papa de uma minoria do que o Papa de todos os católicos." - Pedro Lomba

"Ora, sejamos directos: a escolha do cardeal Ratzinger para Papa foi a pior escolha possível dos cardeais. Foi, como alguém escreveu, a extrema-direita do Espírito Santo quem escolheu este homem que prega o valor absoluto da fé contra, imagine-se..., "a ditadura do relativismo". - Miguel Sousa Tavares

"De qualquer maneira, um facto subsiste: a distância entre a Igreja e o mundo moderno aumenta e nada, excepto a fé, permite excluir ou um fim ignorado e triste ou, mais provavelmente, uma nova insurreição contra a autoridade de Roma." - Vasco Pulido Valente

"Como que por magia rasurou-se o que Ratzinger proclamara na homilia que precedeu a sua eleição e que, em linguagem pagã, se poderia considerar um verdadeiro manifesto eleitoral. Aí, o futuro Papa propunha o combate ao relativismo como tarefa central da Igreja Católica. Ora, atrás desse combate esconde-se, de facto, um regresso ao fundamentalismo doutrinário e à superioridade indiscutível dos dogmas católicos (reduzindo a vontade ecuménica a uma formalidade piedosa). É, aliás, a tendência em voga nestes tempos de fechamento, de "pensamento único" e de soberba imperial." - Vicente Jorge Silva

Nota: atenção à história do "Carisma" e da "transformação em papa". Hoje, já apareceu a afagar criancinhas e vestido à João Paulo II. Mas vejam o que acontece na prática, já hoje, em Espanha. Nos próximos dias, a barricada estará entre aqueles que falam de Ratzinger e os que já só dizem Bento XVI.

sexta-feira, abril 22, 2005

(1596) Despertador de Benfica


   Quem mora na zona do cemitério de Benfica tem vindo a acordar com o som das serras eléctricas da CML que, com as galinhas, vêm podando as árvores envolventes. Eu sei que é preciso, mas não é a forma mais agradável de acordar...

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   Da Vinci - The Artillery Pack

(1595) Good Night Post


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El Greco

(1594) Um Indie por dia #4






"The setting is the never-ending war between the police and the triads of Hong Kong. Chan is a cop who's been assigned to undercover work inside the triads for so long that he's been able to rise through the ranks to a position of some authority. Lau, meanwhile, is a secret member of the triads who has infiltrated the police force with an equal level of success. As they feed their bosses information on the plans and counter-plans of the organizations they pretend to serve, they both begin to feel the stresses of their double lives as they become torn between the oppressive obligations they owe to their superiors and the growing camaraderie they share with the foot soldiers around them. As the two organizations become increasingly aware of the moles in their midst, the race is on for Chan and Lau to try and get out of the game alive."[trailer]

Datas de exibição: 23, 24 e 25 de Abril, sempre às 18:45 @ cinema King.

Nota: Esta triologia merece ser vista em conjunto. O primeiro é o melhor, mas os subsequentes conferem maior grandeza ao exercício cinematográfico. Se só puderem ver um, talvez não faça sentido verem outro filme que não o inicial, mas recomendo vivamente os três, visto ser uma oportunidade única para ver este marco do cinema de Hong-Kong no grande ecrã.

(1593) Excelente notícia

(1592) Bem feito!

(1591) Formas de egocentrismo


   Que se faz (ou diz) a pessoas que procuram desperadamente soluções exteriores para os seus problemas, mas, de cada vez que as obtêm, se recusam a acreditar nelas, a levar essas propostas a sério? Por acaso não estou a falar de mim, o meu egocentrismo é doutra estirpe...

quinta-feira, abril 21, 2005

(1590) Um Indie por dia #3






"It all begins in a small Oregon town, when shy Sam confesses to his protective older brother Rocky that he is getting pummeled daily by the towering school bully George. Together, they plan the perfect payback, inviting George on a birthday river trip tailor-made to end in the bully's humiliation. Rocky's pals Clyde and Marty and Sam's budding girlfriend Millie also join the journey, which starts almost immediately with misgivings. Seeing George in a new light, as a lonely kid desperate for friendship and attention, Sam wants to call the whole thing off. But the boat and the plot are already in motion, and no one can foresee the surprises and accidents that are to come." [trailer].

Data de exibição: 23 de Abril - 21:30 @ Fórum Lisboa

(1589) Comentários apressados?


   Caro João, creio que não terá toda a razão quando afirma que as reacções ao papa foram levianas e fruto de alguma ignorância. Reconheco que foi expresso muito azedume de vários sectores da esquerda. Mas de facto, o que esperava? Quando a agenda da Igreja tem promovido a intolerância e o obscurantismo em termos de valores de forma agressiva e influenciadora negativamente da vida de muita gente (cristã ou não), não acha normal um certo "backlash" contra a consagração desse lado da Igreja? Obviamente que isto não justifica o tom de muitos comentários, que não subscrevo. Nesse particular, dou-lhe alguma razão (mas não no terreno dos blogs, onde a tal "leveza" creio ser adequada à plataforma). Comprendo, no entanto, algumas reacções a quente pela desilução ou irritação que provocaram.

   Não posso é estar de acordo quando diz que há julgamentos apressados deste papa. O seu passado foi mais que revelado durante as últimas semanas. Há factos incontornáveis, que demonstram a inflexibilidade deste papa em temas que dividem os próprios católicos. Há um natural receio que a Igreja prejudique mais crentes e laicos por actos concretos. Até o legado de João Paulo II está em causa com este papa (que é um teólogo e não um mediático, que defende a hierarquia confessional e não o diálogo inter-religioso). Nega algum destes factos? Quando diz que esta eleição é realista, concordo. É até lógica. Mas não creio que ela signifique, no seu endurecimento, nada de bom para a Igreja.

(1588) Debate parlamentar sobre a I.V.G.*


   Foi aprovado o novo referendo sobre a questão, num debate que levantou muitas questões interessantes. Primeiro, o imbróglio em que o PS está metido, creio que por culpa própria. A verdade é que não querendo uma solução parlamentar, o PS corre um grande risco. Sendo este um partido que quer despenalizar e descriminalizar a prática do aborto, se a resposta for "Não", perde a legitimidade política para depois alterar de forma parlamentar a lei. Isto com maioria absoluta, o que seria uma profunda contradição ideológica. Pior, tal acontece mesmo que a participação no referendo não seja vinculativa, visto que a enfâse foi toda colocada na participação popular. Para além de ficar com mãos atadas, o PS arrisca-se a ser tomado como novo "Pilatos" do "empata, empata, empata", quando foi o próprio a cunhar a expressão. Tudo evitável se o PS tivesse tido a coragem de afirmar na campanha que, tendo sido o referendode há alguns anos não-vinculativo (que teve o efeito prático da não alteração da lei por muitos anos), tendo em conta os julgamentos recentes, e a posição ideológica do partido, alteraria a lei se para isso tivesse condições. E de certeza que teria. São efeitos nocivos de uma procura algo cobarde do "centrão" popular. Obviamente que não o pode dizer neste momento, mas o PS não sabe o que fazer em caso de vitória do "Não", como demonstra o silêncio sobre esta questão durante o debate.

   A Direita continua o velho caminho de lançar a confusão e os fantasmas do infanticídio e dos princípios morais. Consequentemente, foi arrasada no debate, nomeadamete pela deputada Alda Macedo, que arrancou a tirada da tarde ao dizer "esta direita até a direita envergonha". Sabendo-se da info-iliteracia e passividade democrática dos portugueses, temo muito pelos resultados da campanha que aí vem. Pretendo voltar ao assunto do aborto noutra altura, para dar uma resposta mais concisa a alguns argumentos contra a despenalização.

*Interrupção voluntária da gravidez.

(1587) Notas do Parlamento #2


   Ao unir-se de certa forma ao PS, o BE mostra que está a modificar-se como partido. A procura de um entendimento (sabendo-se de antemão que os bloquistas prefeririam uma solução parlamentar para a questão do aborto), da obtenção de um consenso, demonstra uma moderação que deixa silenciosos os críticos do radicalismo deste partido. Mas não é só aqui que se nota. A maneira como inúmeras vezes o BE consegue mostrar o lado ultra-radical e adolescente do PP tem sido reveladora do progressivo afastamento de um discurso extremista. Não que agora esteja óptimo, longe disso. Resta saber se esta mudança é uma partidarização no mau sentido do termo (o da "jogada política estratégica"), ou uma maturação política.

quarta-feira, abril 20, 2005

(1586) Notas do Parlamento


   Realmente é uma pena haver menos mulheres na Assembleia da República. Ver Sónia Fertuzinhos a demolir a bancada do CDS (sabemos isso sempre que naquelas bandas recorrem à "defesa da honra") é, no mínimo, excitante. Mas nada bate a histriónica Odete Santos a quase berrar em bicos de pés no centro do plenário (mesmo que recuse a sua radicalidade ideológica). Que portentos.

(1585) Bom Dia


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Stuart Franklin

(1584) Um Indie por dia #2






"A fable of innocence: thirteen-year-old Aviva Victor wants to be a 'mom'. She does all she can to make this happen, and comes very close to succeeding, but in the end her plan is thwarted by her sensible parents. So she runs away, still determined to get pregnant one way or another, but instead finds herself lost in another world, a less sensible one, perhaps, but one pregnant itself with all sorts of strange possibility. She takes a road trip from the suburbs of New Jersey, through Ohio to the plains of Kansas and back. Like so many trips, this one is round-trip, and it's hard to say in the end if she can ever be quite the same again, or if she can ever be anything but the same again." [trailer]

Datas de exibição: 22 de Abril - 21:30 @ Fórum Lisboa


terça-feira, abril 19, 2005

(1583) Temos papa [act.]


    Num mundo cada vez mais vertiginosamente global, individualista e tecnologicamente moderno, as forças conservadoras não param de nos surpreender. Depois de Bush e Barroso & Santana, chega Ratzinger, um radical da parte má de João Paulo II. Surpreendente é o mundo ainda providenciar condições para que tais forçam consigam "ranger os dentes". Esta coexistência improvável será o fim do pós-modernismo? Uma coisa é certa: as pulsões reaccionárias e primitivas escolheram a via da luta. Cá para mim, o mundo vai precisar de ajuda.

Adenda: Acabei de ouvir na Sic Notícias um excelente alter-cognome (real, diga-se) para este papa. Nada mais nada menos que "o rottweiler de Deus".

(1582) [Novidade] Sob Escuta


   Devils & Dust - Bruce Springsteen

   

   Para descobri: "Devils & Dust".
   Nota: este álbum será lançado a 26 de Abril.

Ps. Descobri esta prova de que o "Boss" está a envelhecer bem graças ao Jorge Mourinha. Portanto, obrigado.

(1581) Arte e diversão


   Há algum tempo, o famoso artista contemporâneo Damien Hirst admitiu que alguns dos seus trabalhos eram tontos ("silly" no original). O impacto das palavras não é tanto na credibilidade do artista, mas mais no espanto que espectador sente ao ter de reavaliar obras cuja "análise" tomava como certa. Quer dizer, então isto era arte e agora já não é? Será que o objecto deixa de ser arte se o autor o "desnomear" artisticamente? No meu entender, outra questão se levanta, que não é sempre fácil de enquadrar. Falo dos processos de auto-ironia e diversão que atravessam a mente de muitos génios contemporânos. A realidade é que muitos destes artistas tiram um grande gozo ao brincar com as fronteiras da arte e com as representações sociais do artístico.

   
   Hirst

   Isto torna-se difícil de entender devido ao maior peso do cânone (tenho preguiça para deixar os "links", mas os artigos de Pedro Mexia no DN nos últimos dias são uma boa introdução ao tema) nestas representações. Em suma: a arte deve ser uma coisa séria, de qualidade evidente e "transcendente"e imutável. Pensem em Camões. Mas não tem de ser sempre assim. Agora pensem no famoso urinol de Duchamp. É diferente não é? Esta tem sido uma das batalhas permanentes da arte nas últimas décadas, a fixação e fuga à volta do conceito de arte. Que nos leva a questões muito complexas. Por exemplo, o urinol sem aquele título e fora daquele espaço era o mesmo objecto? Mas isso são outras questões...

(1580) Good Night Post



Bresson - Lisboa (1955)

(1579) Um Indie por dia


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"Índia. Calcutá. As pessoas mais estigmatizadas do bairro da luz vermelha de Calcutá não são as prostitutas, mas os seus filhos. Enfrentando a pobreza abjecta, o abuso e o desespero, estas crianças têm muito poucas possibilidades de escapar ao destino das suas mães. Os realizadores Zana Briski e Ross Kauffman fazem a espantosa crónica da transformação das crianças que conheceram no bairro da luz vermelha. Briski é uma fotógrafa profissional e há meses que vem fazendo um trabalho sobre as mães destas crianças quando se dá conta que pode ensinar-lhes a ver o mundo com outros olhos."

Datas de exibição: 21 de Abril - 22:00 / 25 de Abril - 16:00 @ Fórum Lisboa

segunda-feira, abril 18, 2005

(1578) Para reflectir


O próximo Papa, por João Morgado Fernandes

Pedir ao próximo Papa que reveja as posições da Igreja Católica sobre o aborto, a eutanásia ou a manipulação genética será, certamente, um exagero. Já a ordenação de mulheres, segundas núpcias para divorciados ou mesmo a utilização de preservativos são assuntos em que, mesmo a contragosto, mais tarde ou mais cedo, a Igreja terá de rever as suas posições. As instituições milenares, pesadas, são mesmo assim - levam tempo a digerir a realidade.

A directiva Bolkestein, por João Cravinho

A directiva Bolkestein, sobre a liberalização da prestação de serviços no mercado interno, fará História. O combate em volta das suas propostas balizará o consenso possível sobre temas tão estruturantes do futuro europeu como o equilíbrio entre o princípio da concorrência e o efectivo respeito pelas missões de interesse público definidas por cada Estado membro.
(...) as propostas ignoram a distinção entre serviços puramente comerciais e serviços comerciais com obrigações de interesse público. Também o que diz respeito à legislação laboral terá de ser eliminado. (..) A directiva também tem boas propostas, como a simplificação de formalidades administrativas, a fixação de um único ponto de contacto para a realização dos procedimentos administrativos; a proibição de tratamentos discriminatórios na base da nacionalidade ou outra; a interdição do levantamento de barreiras internas sem suficiente justificação no interesse público.


Finis Europae, por Luís Salgado de Matos

O Modelo Social Europeu é centralizado, rígido e oposto ao mercado mundial. Tal como o comunismo russo. Tal como ele, pode desaparecer de um dia para o outro. Inexplicavelmente. É certo que a Europa pode sobreviver-lhe. Mas será uma Europa feroz e sem solidariedade.
Para evitar estes males potenciais, devemos estar preparados para eles. Temos que produzir mais e melhor, adequando a protecção social às possibilidades económicas e aumentando a competitividade.


Nota: Este é o paradigma do liberal europeu. Há sempre uma equiparação de direitos sociais a ideologias utópicas (o comunismo), há um realismo interesseiro (exagero na descrição das dificuldades do sistema e "esquecimento" da realidade da pobreza extrema) e uma apologia da lei de mercado como axioma incontornável. Trata-se do fim da política e do papel social do estado, o assumir da pobreza extrema como dado adquirido assim como a inevitabilidade do aumento do fosso entre ricos e pobres e o retrocesso dos direitos sociais. Resta à esquerda provar que há um caminho mais "humano".

(1577) Em campanha eleitoral


Cardeal Ratzinger apela ao combate contra "ditadura do relativismo"


"Estamos a avançar para uma ditadura de relativismo que não reconhece nada como certo e que tem como objectivo central o próprio ego e os próprios desejos", afirmou o cardeal, na missa que antecede o conclave, na basílica de São Pedro."

Ps. As "ditaduras individuais" são uma chatice. É que são muito mais difíceis de controlar. Já as outras...

(1576) Aceitar


   que há uma altura em que é preciso crescer:


"Tough leaves are many, the root is one;
Through all the lying days of my youth
I swayed my leaves and flowers in the sun;
Now I may wither into the truth."

W.B. Yeats

domingo, abril 17, 2005

(1575) A engrenagem do Vaticano


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Simanca

(1574) Dimensões Paralelas


   Ontem à noite o radio do carro dizia que estavam 50 mil pessoas no estádio da Luz. As ruas estavam desertas (estava a circular na Av. Lusíada). Alguns minutos mais tarde, passava o jogo num ecrã "widescreen" de um restaurante da zona de Benfica (Twin Towers é da zona?). Durante todo o tempo da refeição, nem uma das caras da sala repleta se virou para prestar atenção ao jogo. No entanto, estou certo que ouvi alguém dizer que aquele ecrã ficava bem ali.

(1573) Guerras ideológicas


   Ataque:

A adulação que muitos intelectuais mantêm pelo Sartre político mostra como continuam a preferir utopias perigosas a enfrentar as cruas realidades. (...)
Ora é exactamente essa a tragédia de muitos intelectuais, incapazes de entenderem quando as suas ideias têm consequências trágicas, que mais do que a retórica dos regimes importa julgar as suas práticas, intelectuais que possuem uma espécie de "doença ocupacional", como lhe chamara Aron, que é a de se oporem por sistema à ordem que lhes permite viverem e escreverem em liberdade. Uma tragédia persistente, pois a sua atracção pelos mundos perfeitos criados nas suas cabeças iluminadas, e que gostariam de impor a todos, é um mal duradouro que os impede de se confrontarem com as cruas realidades da natureza humana.
- José Manuel Fernandes

   Contra-ataque:

(...) esses ridículos ex-esquerdistas hoje autoproclamados liberais, admiradores de Bush e de tudo o que ofende o verdadeiro património político do liberalismo. - Miguel Sousa Tavares

   Goleada:

Nada há mais parecido com o velho discurso esquerdista do "politicamente correcto" do que o discurso de uma nova direita que, nomeadamente em Portugal, exibe o festivo estandarte do "politicamente incorrecto". A arrogância, a sobranceria, a pose de infalibilidade inquisitorial são rigorosamente as mesmas. Mas não é fortuito que grande parte dos actuais intelectuais de direita "politicamente incorrectos" tenham sido nados e criados nas águas "politicamente correctas" dos seus verdes anos de militância esquerdista (designadamente estalinista e maoísta). (...)
O "politicamente (in)correcto" dos nossos dias traduz-se num conformismo acrítico, reverencial e rastejante perante as doutrinas neoconservadoras e a política imperial da Administração Bush. E não dispensa a boleia dos lóbis que, instalados na chamada imprensa de referência, lhes permite a difusão privilegiada - e sem concorrência - do seu correctíssimo proselitismo ideológico
. - Vicente Jorge Silva

Ps. Obviamente que para além da ideologia, há aqui muito ajuste de contas pessoal...

(1572) Bom Dia


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Hugo Lucas

sábado, abril 16, 2005

(1570) Good Night Post



Dennis Stock

(1569) Mandatos Limitados


   O PS quer limitar os mandatos dos presidentes de Câmaras e Governos Regionais, com efeito desde já. Obviamente, está bem, visto que não faz nenhum sentido fazer leis para só funcionarem na década seguinte. Por outro lado, a renovação do panorâma político regional que esta medida trará, permite olhar com mais optimismo para a introdução dos círculos uninominais (definição apressada: eleição de deputados de uma zona apenas por essa zona representativa), visto que "lavará" uma boa parte do caciquismo reinante.

Ps. Não faz sentido nenhum o apelo dos autarcas para que a limitação se estenda aos deputados. Os cargos são de diferente natureza (executiva para os Presidentes e legislativa no caso dos deputados), havendo grande diferença nos poderes atribuidos e também na capacidade de fiscalização democrática. Trata-se portanto, da habitual demagogia, mais uma boa razão em prol da medida.

(1568) Guerra surda


   É o que está a acontecer entre Santana Lopes e a nova direcção do PSD, como aliás era previsto. Os episódios foram reveladores. Primeiro, o PSD diz que é natural a recandidatura dos presidentes de Câmara, tirando "uma ou duas excepções". Ficou clara a referência a Santana. Vendo-se sem saída, o ex-PM tenta a jogada da vitimização, querendo obrigar Marques Mendes a tirá-lo compulsivamente das listas. Mas, como de costume, não consegue estar calado, e o PSD aproveita o seu comunicado, interpretando-o como uma recusa de recandidatura. Há desmentidos e contra-desmentidos, mas a recandidatura parece um caso arrumado. Resta saber se Santana se fica por este "round"...

(1567) Parlamento #2


   Dentro do grupo de deputados que intervêm na Assembleia, há dois grandes grupos. Aqueles já calejados e com alguma projecção mediática, que aproveitam sobretudo para atacar (muitas vezes de forma puramente agressiva e rasteira) os adversários políticos, de preferência com dichotes sarcásticos e provocações ideológicas. As ideias são poucas. Outra estirpe de deputados limita-se a produzir grandes discursos técnicos como se estivesse a ler uma acta de sessão de tribunal, instalando o tédio geral. Entre a morte da retórica e a ausência de conteúdo fica um enorme vazio. Fazem muita falta os deputados que conseguem dominar o discurso e ao mesmo tempo apresentar ideias consistentes. Contam-se pelos dedos das mãos, o que muito contribui para o descrédito do parlamento (não se confia nos "espertinhos" nem se presta atenção aos "chatos"). Será que os partidos já perceberam isto?

(1566) Parlamento #1


   Talvez o primeiro grande mau momento da bancada parlamentar do PS tenha acontecido ontem. O PS votou contra uma proposta dos comunistas de aumento intercalar do salário para 400 euros. Até aqui tudo bem, não fosse o pormenor dos socialistas terem votado...a favor da medida em ocasiões anteriores. Pior que isso, foram as titubeantes explicações. O deputado Vítor Ramalho começou por dizer que a escolha era entre "dar peixe a famintos ou ensiná-los a pescar", talvez o enunciar duma espécie de modelo económico beato. A emenda foi pior que o soneto, tendo o mesmo deputado afirmado que no passado o PS votou a favor por "razões tácticas". Sim, ele usou mesmo essa palavra. Não preciso de dizer mais nada pois não?

Ps. Não sei se será inteiramente verdade, mas o PS teria todo o interesse em avançar com uma explicação centrada na mudança de direcção política. Afinal de contas, é sabido que Ferro Rodrigues pertence à ala esquerda do PS, mais favorável a este tipo de propostas. Podia não estar certo na mesma, mas era mais coerente e bem menos ridículo.

sexta-feira, abril 15, 2005

(1565) Sensações por vir


   O que sentirá uma pessoa, de, digamos 60 anos, quando ouve uma âmbulância do INEM a passar em serviço de urgência?

quinta-feira, abril 14, 2005

(1564) VISTO - "Os tempos que mudam"


   Um homem em fim de meia-idade resolve resgatar o amor da sua vida. Ao contrádio dele, ela ultrapassou pragmaticamente a relação de há 30 anos, e vive num casamento convencional, em plena crise de maturação. Paralelamente, cruzam-se histórias pessoais relacionadas com a política e sociedade contemporâneas, pela mão dos percursos da nova geração. Este filme de Téchiné não será uma obra-prima ou um objecto fascinante ou perturbador, mas é sem dúvida muitíssimo agradável e um testemunho do que é fazer cinema maduro, de qualidade.

   

   Como mais valia o filme apresenta o poder de versar a temática do "amor romântico" com frescura, o que não é nada fácil. Só podemos sorrir com a personagem de Depardieu, mistura de tonteria adolescente com drama de derrotado da vida. O resto do filme assenta em valores seguros: a qualidade dos actores, a câmara sóbria do realizador, a ausência de excessos e um humor refinado. Muito interessante é a relação do filme com a actualidade: desde a emergência de novos modelos familiares, das tensões religiosas entre o mundo ocidental e muçulmano, ou da guerra do Iraque, tudo é isto é mencionado no filme de forma transversal, demonstrando a sua importância nas narrativas modernas. Se gostam de bom cinema, evitem a mediocridade das últimas semanas e apanhem os últimos dias deste saboroso filme.


   Temps qui changent, Les, de André Téchiné - ***1/2 - Bastante Bom

(1563) O que interessa


   Não sei se será uma tendência dos últimos anos ou mais recente. A nova novela da TVI, muito publicitada e aparentemente recebida com sucesso, centra-se à volta do dinheiro. Está lá a velha visão conservadora da sociedade (empregadas fardadas, a temática do "amor romântico", os pobres com uma "moral" superior aos ricos), mas orbitando à volta dos cifrões. Quer seja o miúdo que quer roupa mais cara ou a mulher que casa por dinheiro, há uma totalidade do tema que é interessante. Obviamente que no fim vencerá a tese desvalorizadora do dinheiro, mais que não seja para alimentar a ilusão colectiva. Todavia, trata-se sem dúvida duma expressão de mudança: a sociedade dos "brandos costumes" passou a "brandos costumes capitalistas".

quarta-feira, abril 13, 2005

(1562) A verdadeira natureza [act.]


   ...de Jorge Sampaio revelou-se em todo o seu esplendor nas declarações que prestou hoje sobre o aborto, no seguimento duma pergunta duma aluna francesa (ter visto as imagens ajuda a perceber). A pergunta, como Sampaio frisou, não podia ter sido mais complicada. Apesar disso, Sampaio não se coibiu a responder, mesmo sabendo que as suas declarações teriam consequências políticas (o que o PR não desejava). Fosse um pelotão de jornalistas, um "não comento" resolvia o assunto. Uma menina francesa bem intencionada já é outra coisa. Sampaio não consegue resistir ao lado popular deste tipo de visitas e encontros, um terreno de consensos e adulação politicamente correcta que adora. Dizer "não" à aluna seria estragar o momento, eliminar a imagem de simpatia que o presidente gosta de transmitir. Enfim, estragava a festa. Note-se que as declarações de Sampaio até podem ser animadoras, mas foram sem dúvida feitas fora de tempo. Vendo bem as coisas, não é só Santana que não resiste ao folclore...

[adenda] Obviamente, nada disto implica que Sampaio não tome posição nesta matéria. Aliás, como muito bem notou o Boss, ninguém tem problemas em que Sampaio faça campanha pelo "Sim" à Constituição Europeia. Aliás, creio até que a despenalização do aborto é, neste momento, mais consensual que a aprovação do tratado europeu...

(1561) As voltas que o mundo dá


   Na capa do DVD de "Ghost World", o maior crédito cinematográfico de Scarlett Johansson é ter participado em "Sozinho em casa 3".

(1560) [Novidade] Sob Escuta


The Forgotten Arm - Aimee Mann

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Para descobrir: "I can't get my head around it".
Nota: este álbum será lançado a 3 de Maio.

(1559) Boa e má publicidade


   No livro que estou a ler (ver ali em baixo à direita), o Miguel escreve sobre como a personagem Gabriela (da novela, estão a ver?) é uma representação da miscigenação colonial, o mulato, como produto da colonização "amistosa" e da herança africana. Tudo isto serve para criar a ilusão da existência de uma "raça" (sob o pretexto da cultura específica) baseada no mito do "Bom Selvagem", ao mesmo tempo sensual e não-intelectual. Esta construção é perigosa porque reafirma as impossibilidades de contacto entre as várias raças e legitima o seu espaço próprio, criando forças de afastamento e zonas de exclusão.

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   A propósito disto, lembrei-me da infeliz publicidade da cerveja Sagres, que, numa só campanha publicitária, consegue apelar ao machismo mais básico (as mulheres são para comer) e cola o acto de beber ao sexismo. O álcool como território masculino de agressão. A publicidade é suavizada pelo suposto humor, mas cá para mim, não tem graça nenhuma. Provavelmente a publicidade será eficiente, mas nociva em termos culturais/sociais, porque legitimadora e reprodutora de uma errada concepção das relações. A Santa Casa da Misericórida tem uma publicidade parecida, aquela em que o professor maluco ou o funcionário tresloucado abandonam alegremente a sua profissão porque enriquecem. Terá mais graça, convenhamos, e não é tão ofensiva porque mais real. Mas faz parte do mesmo conceito. Podem acusar-me de falta de humor ou de fazer censura politicamente correcta. Está bem. Mas a diferença está no tratamento construtivo ou não dos estereótipos. No caso da Sagres é claramente ofensivo. É possível atingir um território neutro, como naquele outro "spot" em que um galo de Barcelos representa Portugal à procura de enriquecer de um dia para o outro...

(1558) Good Night Post


"A vida é periclitante
Querer fazer dela uma coisa confortável, segura,
Dá nisto:

Voltamos à tremura original."

Sara Monteiro


Klein

(1557) Good Night Quote


Nunca consegui entender o que mantém vivas as pessoas muito pessimistas e negativistas, aquelas pessoas que só vêem o lado mau das coisas, que falam do mundo como se ele fosse apenas ruína, decadência e catástrofe. Onde vão essas pessoas encontrar motivação para permanecerem vivas? Por que não se suicidam? Serão masoquistas, cobardes ou terão apenas lido muito Álvaro de Campos? Às vezes noto-lhes uma certa fé, uma fé que se lhes mistura com orgulho e vaidade, mas vaidade dissimulada. Noto-lhes esse cocktail explosivo nalguns gestos, nalgumas afirmações, na hesitação dos lábios. No fundo, julgam-se muito importantes. Não têm verdadeiramente o senso da finitude, dessa finitude que faz da humanidade a mais ínfima ruga do universo. (...) - Juraan Vink

Ps. Parabéns pela evolução do UD. Gosto mais dele assim, onde se assiste à gestação (revelação) de um poeta. Dos bons.

terça-feira, abril 12, 2005

(1556) O trabalho chama por nós



Max Ernst

(1555) Calvário #5


   A parte difícil já está. A candidatura "inteligente" foi submetida com sucesso, não sem um pequeno momento de tensão na altura de responder à pergunta final "tem a certeza que deseja terminar o processo?". Nos segundos que passaram até clicar "I do" - perdão, "Sim", passaram-me à frente dos olhos os episódios do concurso do ano passado, com dezenas de milhares excluídos logo no início e alguns que tiverem de ouvir de funcionários do ME que "este ano não trabalha porque não colocou aqui uma cruz por culpa nossa". Tudo isto pontuado por "flashes" da cara sorridente e bronzeada de Maria de Carmo Seabra. Passado o suor frio, resta esperar pela "validação interactiva" das escolas, para a semana, e depois que o Hal9000 versão burocrata educativo faça um batido de todos os dados dos 100 mil docentes que se candidataram e diga onde é que vamos ser servidos. Ou não.

Ps. O ano passado, tudo correu com relativa normalidade até ao publicar das listas provisórias. Esse é o momento definitivo, que acontece a 10 de Maio (em princípio). Nessa altura é que vamos aferir da inteligência do processo de candidatura...

(1554) Info


   Como quase ninguém vai ler as 300 páginas do projecto de constituição europeia, fica a recomendação desta síntese, vital para que saibamos exactamente o que é aquilo a que vamos dizer sim ou não e evitar sermos manipulados por agendas políticas várias.

segunda-feira, abril 11, 2005

(1553) Consumismo pós-moderno


    Antes, comprava-se um segundo carro ou uma casa de férias. Cá por casa, estamos prestes a ter o nosso segundo Ipod.

(1552) Com mais razões para comemorar


    No dia 25 de Abril estreia a quarta série de episódios da série Six Feet Under, às 22:30.

domingo, abril 10, 2005

(1551) Enquanto a liberdade "contagia"...


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Nick Anderson

(1550) Para Reflectir [XL]


Sob o regime do populismo mediático, por Antonio Tabucchi

(...) os "intelectuais mediáticos" têm difundido aos quatro ventos uma nova equação: a democracia "são" as eleições. Ponto final. Pouco importa em que condições decorreu isso a que se denominou "processo eleitoral iraquiano". E não importa nada que, para chegar a um resultado tão fúlgido e transparente, os americanos tenham perdido um milhar de soldados, tenham causado a morte a umas cem mil pessoas aproximadamente, tenham bombardeado civis indefesos, tenham violado a ordem internacional, tenham organizado torturas planificadas de longo alcance. O que é que tudo isso interessa, perante a satisfação de meter uma papeleta na urna?

Um país, dois sistemas, por António Perez Metelo

queremos ou não atrair para o serviço à República os melhores quadros das diversas profissões, que já não precisam de provar a qualidade do seu trabalho nem procuram subir na vida à custa dos aparelhos partidários? Se sim, será justo pedir-lhes que se contentem com um quinto ou um terço do que auferiam nos seus empregos de origem? Aliás, que sentido tem limitar aos níveis actuais as remunerações dos políticos, a começar pelo Presidente da República, e requisitar simples assessores de ministros ou cooptar directores-gerais com ordenados e regalias de origem na privada, que representam múltiplos dos vencimentos daqueles que se sujeitam ao voto popular, vêem a sua vida escrutinada de ponta a ponta e detêm a responsabilidade de administrar bem o dinheiro de todos nós? Não! Não faz qualquer sentido.

Pedro, vemo-nos por aí, por Ana Sá Lopes

Um dos maiores prodígios da vida, Pedro, é a passagem do amor ao desamor. Tu e eu sabemos que não há grandes diferenças entre a vida e a política. As coisas acontecem sem nós percebermos como, olhamos para o lado e a verdade de ontem escapou-se-nos entre os dedos. O amor e a política são uma alucinação, Pedro. Se a vida, ela própria, é uma alucinação, como é que é possível que nós todos, os que vivemos as coisas intensamente, não andemos permanentemente alucinados?

Senso comum, por Miguel Coutinho

É verdade que Luís Marques Mendes, sobretudo ele, não galvanizou o Congresso mas não será, seguramente, isso que fará dele um líder menor. A maturidade do PSD, ainda mais num tempo adverso que se fará na oposição, passará também pela aceitação da normalidade. A política faz-se, primeiro, com senso comum. E essa é uma lição que, agora ou depois, com ou sem Luís Marques Mendes, o PSD terá de aprender. Este partido, como todos os outros, tem de se habituar à normalidade. Com rigor e seriedade. E quanto mais tarde o fizer, pior.

(1549) Que jornalismo?


   Como se tem visto pela verdadeira homilia colectiva que as televisões têm promovido, as notícias são cada vez mais o pretexto para regabofes (desculpem a expressão) mediáticos, populistas e sensacionalistas. O DN de ontem trazia um interessante editorial não assinado (sem link) sobre o jornal gratuito Metro. Identificava no carácter propositadamente transitório e superficial do projecto (metaforizado pelos jornais-lixo que povoam o chão do metropolitano) uma nova visão de encarar o jornalismo. De facto, e embora até veja lados positivos no jornal Metro (distingue-se publicidade de informação, é menos sensacionalista que vários jornais pagos, trará alguma informação a muita gente que nada lê), creio que ele encara um novo método de consumir informação. Um método em que a informação é obrigatoriamente leve, passageira, e embrulhada num misto de publicidade e entretenimento. No fundo, uma secundarização da importância das notícias, o esboroar do sentido de verdade que elas costumavam incutir.

   O problema é o do costume. Com a falta de alternativas, contrói-se uma visão manietada do mundo, simultaneamente acrítica e despreocupada. Tudo é leve, nada se interioriza. Infelizmente, é um processo degenerativo em marcha. Por exemplo, actualmente não é bom ver notícias nos canais generalistas. É preferível não saber, tais são as perversidades que envolvem as notícias. O que tem consequências a todos os níveis da sociedade, como bem nota Umberto Eco, neste outro artigo.

(1548) Hipnotismo em horário nobre

(1547) Desabafo cinéfilo


   Caramba, já estreava um filme de jeito. Talvez este?

Ps. O que vale é que o futuro promete.

(1546) Em cada delegado um Santana


   Aparentemente, o congresso do PSD rendeu-se a um discurso emocionado e inflamado de Luís Filipe Meneses, fazendo tremer a anunciada vitória de Marques Mendes. Confirma-se, Pedro Santana Lopes não foi um acaso ou fenómeno que não deixou marcas. Um partido que prefere iludir-se com discursos encantatórios e não olhar de frente a hecatombe que lhe aconteceu, merece a derrota que teve. O PSD é já um feudo neste imenso e decadente PPD.

sábado, abril 09, 2005

(1545) Bom dia


   
   Miró

(1544) Dar sangue? Assim não.


   Isto é grave. O Instituto Português do Sangue proíbe os homossexuais de dar sangue, recorrendo aos seguintes argumentos:

"as pessoas que têm estilos de vida que os leva a estar mais expostos a determinados agentes infecciosos, não devem doar sangue porque podem comprometer a segurança da transfusão."

   Breves notas:

      1. As doenças sexualmente transmissíveis (é disso que falam quando dizem "comprometer a segurança) não são nem exclusivas nem mais incidentes nos casais homossexuais. Esse pré-conceito deriva de falta de conhecimento de causa e de uma generalização cientificamente abusiva. Sabe-se isto há quase 20 anos.

      2. Nem todos os homossexuais tem "estilos" de vida que os colocam nos chamados "grupos de risco", e não devem ser tratados como tal. Os que têm, terão a mesma capacidade de discernimento quanto a dar sangue que os heterossexuais.

      3. Se o problema são comportamentos sexuais de risco - praticados por pessoas de todas as orientações sexuais - por que não restringir a dávida de sangue a quem tiver esses comportamentos, sem mais? Simples, porque estamos a falar de homofobia.

Ps. E eu que tinha até pensado em dar sangue na unidade móvel que está no Colombo. Assim, não.

(1543) LIDO - Portugal, hoje: o medo de existir


   

   Gostei muito, muito do livro de José Gil, tal como tive muito prazer com o de Steiner, ambos lidos há umas semanas. É bom regressar à leitura de filosofia (se tirasse um segundo curso, seria por aqui que começava), que dá um prazer distinto de outros tipos de texto. Falo da precisão dos vocábulos (quase fundadores), do saber galopante nos parágrafos tão complexos quão fascinantes. Ler filosofia é pensar ao mesmo tempo, um duplo estimulo muito intenso quando funciona (nem sempre é fácil).

   Deste livro, uma filosofia propositadamente "acessível", retiro a imagem exacta de um Portugal adolescente nos campos da cidadania, da democracia e do espaço público. Portugal é um país na encruzilhada entre o pós-modernismo a que não pode escapar e o salazarismo de que ainda não se sarou totalmente. Acima de tudo, fica a ideia que é preciso mais tempo, quiçá algumas crises de identidade, para que Portugal evolua até aos mais altos patamares civilizacionais. Para me explicar melhor, passo a citar. Vejam lá se não conhecem tanta gente assim, perdida num limbo adolescente:

"Circular por entre as pequenas coisas, investir nelas e logo desinvestir, conectar-se e a seguir desconectar-se dá a ilusão de movimento, de liberdade, de um desejar diverso, rico e múltiplo. (...) Movimento realmente ilusório, pois esse saltitar de uma pequena coisa para a outra não faz senão escamotear o sentido de uma inscrição que prolonga outra inscrição. (...) Cria-se um circuito em que a inscrição (por exemplo, de um pequeno prazer) parece efectuar-se na pequena coisa, no acto que a elege; logo depois o desejo salta para outra pequena coisa, desapegando-se dela com a mesma facilidade com que a outra se apega. (...) E assim se vai, de uma tarefa a outra, de um empreendimento a outro, de um afecto a outro, de um pensamento a outro. Sempre saltitando, em trânsito permanente para parte nenhuma." (p.52/3)

(1542) Lições para professores #5 Eros II


   "Um mestre carismático, um «profe» inspirado, toma nas suas mãos, de um modo radicalmente «totalitário», psicossomático, o espírito vivo dos seus alunos ou discípulos. Os perigos e os privilégios são ilimitados.
   Cada intrusão no outro, por via da persuasão ou da ameaça (o medo é um grande professor), toca e liberta o erótico. A confiança, a dávida e a aceitação possuem raízes que também são sexuais. Os actos de ensinar e aprender são permeados por uma sexualidade da alma humana de outro modo inexprimível. (...) De modo considerável, estas emoções apresentam afinidades, imediatas ou indirectas, com o domínio do amor."


George Steiner, As Lições dos Mestres , p.31

sexta-feira, abril 08, 2005

(1541) VISTOS


   Faltava o do dia de hoje...agora já está.

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Ps. Apesar do post, acho que esta está longe de ser a lista perfeita.

(1540) Discografia pessoal e transmissível #3


Entrada na prateleira: Novembro de 2000



   Considerado inicialmente (e ainda agora por alguns), um álbum menor dos Radiohead, creio que este foi aquele que definiu o génio da banda na sua plenitude. Por um lado, a capacidade de criar gemas musicais acessíveis. Por outro, o ecletismo, a evolução, a coerência das opções. Os Radiohead só sabem fazer grandes álbuns, mas em vez da facilidade de repetirem êxitos (o que não seria mau), fizeram grandes álbuns diferentes, o que permitiu não só a evolução dos seus fãs, mas como o aparecimento de correntes da música, quer por influência, quer pelo abrir de portas. Para mim, foi dos primeiros contactos com uma outra música electrónica, ou de música com electrónica. De todos, é o álbum que mais respeito da banda.

(1539) Perguntas


   Gostei muito do debate sobre a educação que passou hoje (ontem) no Conselho de estado da :2. Ser bom professor também é investir tempo no questionamento da sua profissão. Assim, sendo impossível resumir o programa num texto, deixo algumas questões que todos os agentes educativos (em suma, todos nós) devem fazer a si mesmos:

      1. Ser professor é ser um técnico educativo? "Dar o manual" é a mesma coisa que ensinar?

      2. Como pode haver qualidade no ensino se não há benefícios, distinções e punições que resultam duma constante pressão avaliadora?

      3. Quando sai da Universidade e do estágio, um professor sabe tudo o que precisa para ensinar bem?

      4. De que serve um bom professor do 8º ano quando o do 7º e 9º são maus?

      5. Um professor serve para ensinar ou para preencher papéis? O director de turma dirige a turma ou os papéis da turma?

      6. Um aluno aprende por anos separados ou por ciclos evolutivos? Como conciliar isto com a mobilidade selvagem dos docentes?

      7. Queremos que todos os alunos leiam Camões, Eça e Pessoa ou que desenvolvam uma estrutura que lhes permita algum dia retirar alguma coisa das obras literárias?

      8. É uma fatalidade os alunos acharem que a escola é uma seca?

      9. A pedagogia moderna exclui que os alunos tenham de trabalhar no duro?

      10. Como é que a escola pode influenciar e formar a sociedade se está fechada à comunidade e vice-versa?

quinta-feira, abril 07, 2005

(1538) Para reflectir


Manter todos os "Portugais" que caibam no PSD (1), por José Pacheco Pereira

Com os anos, e com a estabilização da democracia, os dois partidos foram recebendo outros fluxos. Os antigos esquerdistas entraram para o PS e o PSD, por esta ordem. Alguns jovens da extrema-direita pós-25 de Abril entraram para o PSD. O PS recebeu também quadros comunistas oriundos de sucessivas cisões "renovadoras". À medida que o comunismo ia perdendo o seu poder de atracção, a maioria dos intelectuais aproximava-se do PS, assim como o sector cada vez mais importante nas cidades da "animação cultural", enquanto o PSD começava a apelar a economistas e gestores e aos "negócios", como nunca acontecera até então. Crescendo por cima e por baixo, em quadros e experiência, os dois partidos iam abandonando a precariedade inicial e transformavam-se em grandes partidos nacionais, alternando no poder e... começando a parecer-se, embora as diferenças ainda fossem muitas.

António Borges, por Eduardo Dâmaso

Desde logo, a disponibilidade de um quadro como António Borges para entrar de forma activa na vida partidária é, em si, um factor de renovação da estrutura dirigente que o PSD deve saber aproveitar. São raríssimos os casos de militantes que, tendo uma vida profissional de grande exigência, se dispõem a entrar pela base e não pela cúpula, através de um cargo ministerial ou outro. É muito relevante este factor, porquanto é muito maior a sua independência em relação a grupos de pressão internos.
Por outro lado, para lá da abertura de um espaço que não tinha dentro do partido e de se tornar uma figura mediática no sentido de dar visibilidade a um rosto que é desconhecido da maioria dos portugueses, António Borges apresenta um discurso de ruptura com as habituais águas mornas dos partidos de poder. Vale mais a pena discutir algumas das ideias que já lançou do que saber se o PSD deve estar mais ao centro-esquerda e menos no centro-direita.


A Libertação de Carmona, por Miguel Coutinho

A equação era, desde o início, óbvia ou Carmona Rodrigues assumia o desejo de ser presidente da Câmara de Lisboa ou resignava-se e aceitava as sobras de uma decisão de Pedro Santana Lopes. Num tempo que não era o seu e de um modo que o menorizava. O acto de libertação impunha-se se houvesse ambição. E ela existia. A libertação de Carmona era condição indispensável para que o PSD ponderasse a sua candidatura e para que os lisboetas o avaliassem pelo que é e não pelo que Pedro Santana Lopes o deixa ser. Carmona libertou-se finalmente de Santana - e com esse acto revelou aquilo que se espera de um candidato à maior câmara do País a afirmação de uma vontade num tempo de acção definido pelo próprio.


* Já sabem, a partir de agora os links do Público só funcionam para assinantes.

(1537) Público a pagar


   Não estou de acordo com a maioria da blogosfera nesta matéria. Não me importo nada de pagar pela edição impressa do Público na internet, meio pelo qual mais acedo ao jornal, aliás, suponho que como a maioria dos cibernautas "bloggers". Isto por várias ordens de razões. Primeiro, em termos de qualidade não tem par em Portugal, quer como website, quer em termos de conteúdo/serviços. Segundo, o preço para um ano é simbólico (20 euros é menos que o preço de um DVD!). Finalmente, é uma ferramenta fundamental para várias categorias de blogs que não pode ser dispensada de ânimo leve. Por isso é que os blogs mais importantes, protestem ou não, vão todos aderindo ao pagamento.

   É verdade que o jornal perde força na citação e no hipertexto. Mas nem tanto, visto que o serviço última hora continua disponível e permite acesso à maior parte dos temas do dia. Parece-me que o desagrado geral provém mais de uma certa irritação em perder um (bom) serviço grátis, com as chatices burocráticas que isso implica (o meu pagamento por multibanco só funcionou à segunda e demorou dois dias a validar), a par de alguma inexperiência nacional no consumo destes serviços. Como princípio, gosto da internet grátis, mas não me importo de um pequeno (sublinhe-se o pequeno) esforço financeiro para obter mais qualidade, como muitos de nós fazem em várias circunstâncias do dia a dia. Especialmente quando isso implica uma evolução do próprio serviço, o que a partir de agora se espera.

Ps. Dito isto, vou tentar o mais que possível reactivar os posts da categoria "para reflectir", com partes relevantes de artigos de opinião do jornal (e de outros), que agora serão de mais de mais difícil acesso. Começo já em seguida.

(1536) Receio?


   Afinal, não, não e não.

   Resta saber se estas medidas estão a passar para o espaço mediático, o que não será fácil nestes dias...

Ps. Parabéns ao grupo parlamentar do PCP, que apresentou propostas interessantes envolvendo o trabalho no parlamento: prazos para os esclarecimentos governamentais, reactivação das Comissões de Inquérito, aumento do tempo de intervenção para partidos que apresentem propostas. Isto é bom trabalho. Caberia agora ao PS "limar" estes projectos e acolher contribuições de todos os partidos. Ou não foi isso que prometeu fazer?

(1535) Capitalismo inteligente


      "Os americanos, como bons capitalistas que são, estão muito à frente nestas coisas e já perceberam que devem ter pessoas com cursos de humanidades nas suas administrações empresariais. As empresas precisam de pessoas cultas". - Hélder Macedo, citado de memória numa entrevista a Ana Sousa Dias.

Ps. Lá que o homem é interessante é. Será que os livros também são? Opiniões precisam-se.

quarta-feira, abril 06, 2005

(1534) Nos bastidores do show

(1533) O reverso da medalha


   E agora, não apetece mesmo falar de anti-franceses primários?

"O mal francês
O antigo "motor da construção europeia" está progressivamente a tornar-se na gangrena da Europa. (...) E como se tudo isto não bastasse, [os dirigentes europeus] ainda têm de engolir o unilateralismo de Paris.
- José Manuel Fernandes

   Gosto particularmente do uso da palavra "unilateralismo". Delicioso este artigo.

(1532) Bom Dia


Gosto dos que sonham enquanto o leite sobe,
transborda e escorre, já rio no chão,
e gosto de quem lhes segue o sonho
e lhes margina o rio com árvores de papel.

Alexandre O'Neill

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Paulo Alegria

(1531) A mão de deus


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Nick Anderson [vencedor do Pulitzer 2005 para cartoons]

(1530) Discografia pessoal e transmissível #2



Entrada na prateleira: Novembro de 2000



   Apesar da maior maturidade e diversidade do segundo álbum, este álbum de Coldplay permance uma edição mais "significativa". Na altura, foi como descobrir as maravilhas em potência de músicas que eram "easy-listening" e ao mesmo tempo diferentes de tudo o que ouvia na rádio. Hoje já não acho nada disto "alternativo", mas reconheço a deliciosa e coerente doçura das melodias, o rigor sem concessões, o êxtase de ouvir um grande grupo que pouca gente conhecia. A partir daqui definiu-se um ramo do meu gosto: música pop de qualidade, o piscar de olho aos singer/songwriters. Um filão que não pode acabar.

(1529) Discografia pessoal e transmissível #1


   Comecei a ter álbuns de música muito tarde (só aos 17, 18 anos), embora sempre tivesse ouvido muita música. A internet permitiu-me (sem complexos), descobrir novos sentidos para a palavra "Música". Agora que atingi a simbólica marca dos 1500 cds, achei podia partilhar alguns dos momentos dessa descoberta pessoal dos diferentes tipos de música, através da evocação de álbuns marcantes da minha colecção. Como a personagem de "High Fidelity, que organizava os cds por data de aquisição. Uma organização com vertente emocional. Trata-se ainda de uma oportunidade de limpar o pó a esses cds, parados não por serem antigos, mas por eu preferir quase sempre a gula da novidade à degustação repetida de sons agradáveis. Erro meu, que acabo por vezes por ser um ouvinte apressado, não fruindo completamente de grandes músicas. But i'm working on that. À procura da síntese possível.

   Ao contrário dos álbuns que às vezes aqui apresento, sem texto (basicamente para dizer: gosto desta novidade, querem experimentar?), para estes terei sempre uma linha ou duas de comentário. Talvez nas singularidades do meu percurso haja pontos de contactos com que me lê.

terça-feira, abril 05, 2005

(1528) Receio


   ...que no meio do turbilhão mediático à volta da morte de João Paulo II, o Governo ceda à tentação da governação pela calada, facilitada pela indiferença e desatenção da população. Esperemos que tal não aconteça. Todas as medidas do Governo devem ter exposição diária e serem alvo de debate, para que o mínimo espaço público seja criado e que não se caia no diletantismo governativo. A acção do executivo deve ter um sentido temporal e uma evolução lógica e coerente. Também aqui o Governo tem um sinal de mudança a dar. Fiquemos então atentos.

(1527) Realpolitik


   Notícia de ontem (gostava de falar sobre as de hoje, mas o meu pagamento da assinatura do Público ainda não surtiu efeito no acesso ao jornal...): uma entrevista com Robert Zoellick, secretário de estado norte-americano que esteve reunido com José Sócrates. Era importante saber se a visita era meramente de cumprimento oficial ou havia estratégias a delinear face ao "problema" Freitas do Amaral. E havia. Passo a transcrever (sem link):

"Encontrou pela primeira vez o ministro dos Negócios Estrangeiros português. As críticas muito duras que fez ao Presidente Bush durante a crise iraquina pofrm afectar as boas relações entre Portugal e os EUA no futuro?
[Zoellick] Creio que o ponto de partida é que [o ministro] vai ter de defender os interesses problemas, e o primeiro-ministro explicou-me o sentido desses interesses. (...) é obvio que esses comentários não foram bem recebidos. Mas a partir de agora vamos trabalhar numa agenda comum e os actos falarão mais alto que as palavras
."

   Fica-se a saber que Sócrates de facto sossegou o diplomata norte-americano. Havia um mal estar, que terá sido ultrapassado pela apresentação de garantias por parte de Sócrates. Basicamente, o governo português tem uma agenda de cooperação atlântica e Freitas do Amaral irá respeitá-la (o seu silêncio indica que sim). À partida o problema está resolvido, mas os americanos vão esperar para ver (veja-se o uso da expressão "ponto de partida" ou do termo "actos"). Tudo dependerá dos passos concretos da nossa diplomacia. Mas, para já, Sócrates e Freitas jogam na realpolitik, tentando captar o interesse americano sem negarem a matriz socialista. Está bem, digo eu.
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