nho Resistente Existencial: Março 2005

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

quinta-feira, março 31, 2005

(1516) Lobo Xavier mentiu


   Ontem, no programa Quadratura do Círculo, discutiu-se a questão da interrupção involuntária da gravidez (ou do aborto, se preferirem - nestas questões, a semântica é relevante). Lobo Xavier disse o que diferenciava o PS do BE e PCP nesta matéria era que estes partidos defendiam o aborto até "à véspera do nascimento". Felicitava inclusivamente o PS pela sua "moderação". Numa só cajadada, o dirigente do PP convocou duas imagens habituais. A primeira, a da esquerda que quer "assassinar" os bebés prestes a berrar. A segunda, dos partidos à esquerda do PS como "grupelhos" radicais e perigosos. Contudo, leio o Público de hoje e deparo-me com o seguinte: "A proposta [do PCP] prevê o termo da gravidez até às 12 semanas a pedido da mulher. (...) A posição do BE é semelhante (...)". Acrescenta-se ainda que "O PCP repetiu o projecto de lei dos últimos anos". Portanto, Lobo Xavier não disse a verdade e participou num lamentável processo de contaminação da opinião pública, posição particularmente condenável tendo em conta os seus apelos ao respeito pela gravidade do tema. Se vai debater assim, começa mal.

(1515) Geografia dos direitos homossexuais

(1514) Morte Tripla


Image hosted by Photobucket.com
M. e. Cohen

quarta-feira, março 30, 2005

(1513) Jorge Coelho


   ...coordenador do PS para as Autárquicas diz que poderá haver coligações com ou PCP ou Bloco nas duas maiores cidades do país. No caso de Lisboa, sabendo-se da muita vontade do PC e da pouca do BE (talvez por apenas desejar um entendimento a dois e não a três), com que é que os socialistas preferem ir coligados? Pois...

Ps. Ao contrário das legislativas, acho que desta vez seria um erro estratégico se o BE não aceitasse entrar na governação da cidade. Mais que não seja porque substituir o PC seria um passo simbólico.

(1512) Se estão indecisos com o sabor das pipocas


   ...podem sempre escolher uma mistura:

   
   [clicar na imagem para ver o "teaser-trailer"]

(1511) Pouco cinema


   Fui ver alguns filmes ao cinema ultimamente, mas não me deixaram vontade de escrever sobre eles. Talvez o único que mereça uma palavra mais longa seja Birth. É um filme que se esgota no seu lado de character study (no que é minimamente bem conseguido) e que atrai pela qualidade dos actores e relativa beleza estética. Mas não ultrapassa as suas limitações, especialmente de natureza narrativa. Fica a saber a muito pouco. Aliás, faço minhas as palavras do Tiago. Vi ainda o filme Robots, uma versão mais infantil e repisada dos últimos filmes de animação digital. É visualmente bem conseguido e divertido a espaços, mas pouco ambicioso e demasiado consensual. Este género precisa de sangue novo. Por fim, vi a sequela Ring Two, uma verdadeira catástrofre. Aliás, nem devia ser chamado sequela, já que o conceito original do filme é totalmente estilhaçado para dar lugar a um horrível telefilme para adolescentes. É tão mau que teria graça não fosse ter pago bilhete. De longe o pior filme que vi este ano.

   Em suma, foi uma semana em que me deixei equivocar várias vezes, afastando-me do meu propósito de ver menos filmes, mas com mais qualidade. Altura de recentrar e, a partir de Quinta, tentar de novo.

(1510) Presidenciais


   As coisas não estão fáceis para o PS. Com a provável ida de Guterres para a Europa (o traço comum com Barroso é cada vez mais evidente) e a ainda mais provável recusa de Vitorino, esgotam-se os candidatos de peso à esquerda. Hoje fala-se da hipótese de Manuel Alegre, provavelmente uma notícia mais para testar a opinião pública do que para ser tomada como definitiva. Por um lado, percebe-se: Alegre tem um forte capital de simpatia nacional, principalmente à esquerda. E tem as qualidades necessárias. Mas será um fraco candidato para ganhar, pelas mesmas razões da campanha interna socialista. O que quer dizer que só teria alguma chance se Cavaco não se candidatar.

(1509) Leitura recomendada


   Para alguns sectores da direita que se apressaram a atacar os radicais ambientalistas da Quercus/Greepeace. Partindo de uma crítica ao estilo (e com a genética crítica levemente totalitária à comunicação social), esquecem-se do mais importante desta história toda: a catástrofe natural que o planeta sofre nas nossas mãos. Será que julgam que há mercado sem planeta?

(1508) Bom Dia


Pélvicas angras
aonde veleja
meu barco ébrio
entre suores.
Meu barco púbico
roçando o porto
de tuas ancas,
nos desesperos. (...)

Geraldo Pinto Rodrigues

(1507) Nunca fui muito bom com datas


   ...mas desta vez surpreendi-me a mim próprio. Esqueci-me da data de aniversário da pessoa com que tive a minha relação mais longa até agora - 5 anos, mais arrufo menos arrufo. Só me apercebi quando o próprio me ligou, num tom também mais surpreendido que zangado. É verdade que mudei de cidade e de vida, mas isso não justificará tudo. Este acontecimento sobre uma efeméride marca necessariamente outra: a passagem definitiva desta relação para a caixa emocional com a etiqueta "passado". Não sei se fique contente com a brandura do desfecho ou infeliz com a pouca poesia deste desenlaçar amoroso.

terça-feira, março 29, 2005

(1506) Generation Gap


   A minha "geração" (as aspas são influência recente das leituras de MVA) aprendeu, no limiar da sua inocência, a beijar com o Indiana Jones ou o Luke Skywalker. Ao ver estes adolescentes beijando-se na passadeira rolante, percebe-se perfeitamente que aprenderam a beijar com os videoclips da MTV, pela forma como colocam o corpo em pose coreográfica exagerada, prontos a dançar ou fotografar. Não se leia aqui qualquer espécie de saudosismo. Acho que agora beijam tão mal como "nós" o fizémos.

segunda-feira, março 28, 2005

(1505) Sob Escuta


Guero - Beck

Image hosted by Photobucket.com

Para descobrir: "Girl".

(1504) As pipocas vão ser com sal ou manteiga?


   Image hosted by Photobucket.com

   Image hosted by Photobucket.com
   [Clicar nas imagens para ver os trailers]

(1503) Good Night Quote [boa Páscoa]


He who sits in the heavens shall laugh.
--Psalm 2:4

Image hosted by Photobucket.com
Girbaud

(1502) Boa Notícia*


A nova novela da TVI, que estreia dia 3 de Abril, pretende-se "urbana" e "contemporânea", assentando em laços familiares, à semelhança de outras já exibidas. Ninguém Como Tu retrata a luta pelos sonhos das suas personagens e aborda temas como a cleptomania, a homossexualidade e a importância da beleza na sociedade actual. (...) Outro dos temas fortes de Ninguém Como Tu é a homossexualidade, assunto já recorrente nas telenovelas brasileiras, mas que é novidade nas da TVI. Alexandre Costa, personagem interpretada por Joaquim Horta, é um homossexual assumido e fascinado pelo mundo esotérico. O guionista Rui Vilhena refere que não dá, no seu texto, muita ênfase ao facto de Alexandre ser homossexual, com o objectivo de que o "público perceba que o dia-a-dia de um homossexual é igual" ao dos heterossexuais.

* com as devidas reticências...

domingo, março 27, 2005

(1501) Good Night Post


Image hosted by Photobucket.com
Richard Kalvar

(1500) Colete da indiferença


   Esta história do colete exigido pelo código da estrada apenas se tornou mediática porque, à dimensão popular, faz sentido. De todos os novos agravamentos e disposições punitivas do código das estradas mais mortíferas da Europa, esta é a que realmente incomoda, a que preocupa. Afinal de contas, vai ser necessário fazer mesmo alguma coisa, ou seja, comprar a dita vestimenta florescente. Numa perspectiva mais "chunga", a aquisição do colete apela ao espírito do "tuning" e das corridas motorizadas. Tudo o resto é inofensivo, pois os ases portugueses ao volante estão protegidos pelo colete da indiferença em relação às regras do trânsito.

sábado, março 26, 2005

(1499) A Direita em gestação


   Algumas "personalidades verdadeiramente de Direita" falam sobre a direita que realmente temos. Percebe-se o óbvio: a nossa direita é "falsa" e umbilicalmente ligada ao salazarismo, não apenas por fatalidade, mas também por mediocridade. A questão é: as personagens que podem (re)fundar a Direita querem mesmo intervir na política activa? E a Direita na política activa, tem algum interesse em trazer para o seu seio as "personalidades verdadeiramente de Direita"?

(1498) A não perder


   esta chocante reportagem que vem no DN de hoje:


sexta-feira, março 25, 2005

(1497) É melhor fazer como S. Tomás


   ...mas:

      1) Luta ao corporativismo: venda de medicamentos e férias judiciais.

      2) Credibilização da política: limitação dos cargos de nomação e da duração dos cargos políticos, com aplicação a este Governo.

      3) Reformas estruturais da nação: fortalecimento do sistema fiscal e promoção da eficácia e emagrecimento da administração pública, sem esquecer a vertente social.

   Se vier mesmo a ser assim, Sócrates já terá feito mais que os últimos três governos juntos, pelo menos.

(1496) Lições para professores #4 - Eros I


   "O erotismo, coberto ou declarado, em fantasia ou actos, encontra-se intimamente ligado ao acto de ensinar, à fenomenologia da relação entre Mestre e discípulo. Este facto elementar tem sido trivializado através de uma fixação no assédio sexual. Mas continua a ser central. Como poderia ser de outro modo? o pulso do ensino é a persuasão. O professor solicita atenção, concordância e, idealmente, divergência colaborativa. Ele, ou ela, apelam à confiança do aluno: «trocar amor por amor e confiança por confiança», como diz Marx, de modo idealista, nos seus manuscritos de 1844. (...) Na persuasão, na solicitação, seja ela do tipo mais abstracto e teórico - a demonstração de um teorema matemático, o ensino do contraponto musical - verifica-se um inelutável processo de sedução, voluntário ou acidental."


George Steiner, As Lições dos Mestres, p. 31.

quarta-feira, março 23, 2005

(1495) O mercado é cego


Image hosted by Photobucket.com
Stephane Peray

(1494) Boa Notícia*

(1493) Good Night Post


  Image hosted by Photobucket.com
   Paula Rêgo

terça-feira, março 22, 2005

(1492) VISTO - "the life aquatic" [corrigido]


   Mais um delírio de Wes Anderson, que se mantém fiel ao seu humor seco, minimalista e extravagante. O que quer dizer que esta história de um capitão "à Costeau" com uma personalidade agridoce suscitará reacções muito opostas. Ou se gosta muito, ou se detesta bastante. Eu adorei. Em primeiro lugar por causa de Bill Murray e do restante elenco, uma verdadeira constelação. O filme valeria só pelas idiossincracias de cada um (gostava de lá ter visto Johnny Depp). Em segundo lugar, pelo gozo que a realização provoca, quer seja pelo visual criativo (aquele sim é um uso não redundante da animação), pela banda sonora magistral e hilariante, ou pela narrativa comicamente absurda e trágica.

   

   The Life Aquatic with Steve Zissou, de Wes Anderson - **** (Muito Bom)

(1491) Recomendação


Image hosted by Photobucket.com

   Não vale apenas pelo óptimo Sushi (há outros restaurantes muito bons em Lisboa), mas pelo ambiente, mescla de rigor japonês com cosmopolitismo europeu. E aquele gelado de chá...

(1490) O corporativismo treme

(1489) Sob Escuta


We Will Become Silhouettes - The Postal Service

Image hosted by Photobucket.com

Para descobrir: "Be Still In My Heart"

segunda-feira, março 21, 2005

(1488) Debate #5 - Populismo


   A atitude de Paulo Portas (saíndo da sala quando Louçã falou ou atacando histrionicamente Freitas do Amaral) é lembrança amarga do populismo da legislatura anterior, felizmente agora em extinção. Também foi esta forma de fazer política a ser derrotada nas eleições anteriores. Uma consequência curioso, que Ana Drago bem percebeu ao dizer que "se percebe a diferença entre as oposições desta casa". Depois do populismo de Portas, Pires de Lima e Telmo correia, vê-se quem são os radicais da nossa política.

(1487) Debate #4 - Contradição


   Para defender as "Scuts", Sócrates advoga o argumento político - estas estradas promovem o desenvolvimento do interior -, que tem de se sobrepor aos argumentos meramente contabilísticos. Mas quando o PCP falou do aumento da idade da reforma, Sócrates lembrou que há regras de sustentabilidade a cumprir e não há volta a dar. É o contorcionismo a que o "centro" obriga, dirão alguns. Mas fica a ideia que as "scuts" são defendidas por posições anteriores e que, na realidade, este governo tem um pendor mais liberal em matéria económica e social.

(1487) Debate #4 - Contradição


   Para defender as "Scuts", Sócrates advoga o argumento político - estas estradas promovem o desenvolvimento do interior -, que tem de se sobrepor aos argumentos meramente contabilísticos. Mas quando o PCP falou do aumento da idade da reforma, Sócrates lembrou que há regras de sustentabilidade a cumprir e não há volta a dar. É o contorcionismo a que o "centro" obriga, dirão alguns. Mas fica a ideia que as "scuts" são defendidas por posições anteriores e que, na realidade, este governo tem um pendor mais liberal em matéria económica e social.

(1486) Debate #3 - Tentação


   Perante a fraqueza das críticas da oposição, com constantes tiros no pé (cada vez que falam de uma política estruturante, lembramo-nos do desastre governativo dos últimos três anos), Sócrates não resiste a lembrar esses mesmos falhanços. É fácil e eficaz, mas uma tentação que deve ser evitada. A certa altura diz, "não me obriguem a falar mais do passado", noutra "que um governo deve aproveitar o bom do anterior e corrigir o mau". Declarações positivas, mas ainda não passadas à prática. Que o PS fale do futuro e não do passado.

(1484) Debate #1 - Couraçado


   Debate do Programa de Governo "Primeira ronda", diz o Presidente da Assembleia, Jaime Gama. Depois de massacrar os deputados com 69 minutos e alguns segundos (contou o PP) de discurso, Sócrates deflecte implacavelmente todas as críticas, à esquerda e à direita. Nem responde directamente, nem evita, o que deve ser muito irritante para os deputados. A verdade é que sai por cima.

(1485) Debate #2 - "Rolleyes"


   De facto, não é muito difícil "bater" na bancada de Santana Lopes. Mas num momento demonstrativo da fraqueza da oposição, vi Sócrates, dentro do perfil "arrogante e moderno" que vem exibindo, revivar os olhos face a uma intervenção de um deputado do PSD. Como que a dizer, "não há pachorra".

(1483) Good Night Post


   Depois de Mexia, a minha poesia de cabeceira pertence a uma antologia de W.B. Yeats. E logo às primeiras páginas, esta maravilha:


When you are old and gray and full of sleep
And nodding by the fire, take down this book,
And slowly read, and dream of the soft look
Your eyes had once, and of their shadows deep;

How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true;
But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face.

And bending down beside the glowing bars,
Murmur, a little sadly, how love fled
And paced upon the mountains overhead,
And hid his face amid a crowd of stars.

domingo, março 20, 2005

(1483) Moderado


   O Bagdade surpreende-se com o facto de eu não frequentar o ginásio "Holme's Place". Ri-me em voz alta e depois fiquei a pensar. De facto, costumam dizer que politicamente sou moderado (eu não sei...), mas este comentário fez-me pensar: serei um "homossexual moderado"?

sábado, março 19, 2005

(1482) Lições para professores #3


"O mau ensino, a rotina pedagógica, esse tipo de instrução que, conscientemente ou não, é cínico nos seus objectivos puramente utilitários, é ruinosa. Arranca a esperança pela raiz. O mau ensino é, quase literalmente, criminoso e, metaforicamente, um pecado. diminui o aluno, reduz a uma inanidade cinzenta a matéria apresentada. Derrama sobre a sensibilidade da criança ou do adulto o mais corrosivo dos ácidos, o tédio, o metano do ennui. Para milhões de pessoas, a matemática, a poesia, o pensamento lógico foram destruidos por um ensino inane, pela mediocridade, talvez subconscientemente vingativa, de pedagogos frustrados.


George Steiner - As Lições dos Mestres, p. 25.

sexta-feira, março 18, 2005

(1481) Não é todos os dias


   ...que num jornal de 2005 encontramos uma notícia sobre sida que parece ter sido escrita nos anos 80. Vergonhosamente escrita nos anos 80.

(1480) Sheraton #2


   Outra coisa interessante em frequentar um ginásio dentro de um hotel de 5 estrelas é sermos engolido por um mundo material novo. À entrada estacionam ferraris e jaguares e o porteiro olha duas vezes para estas pessoas que entram vestidas casualmente de "backpack" ao ombro. Do lobby ao elevador, espaços repletos de dourados e ornamentos de estilo "clássico" (agora uma opulência quase "kitsch"), é frequente cruzarmo-nos com grupos de japoneses turistas ou pessoas que falam inglês e vão para os "5th floor offices".

(1479) Sheraton #1


   Com a chegada do calor, o meu maior prazer do dia tem sido nadar na piscina do ginásio que frequento, por volta da uma da tarde. Fica num terraço, pelo que está protegida do vento (e é aquecida), e o barulho do infernal Saldanha é convertido num burburinho quase hipnótico. A paisagem: céu, árvores e a fachada do Sheraton. Frequentemente pássaros quebram a natureza morta e passeam ao lado da água. Não há nada como começar o dia assim.

Image hosted by Photobucket.com

(1488) DESILUSÃO


   Todos, do centro direita à esquerda "moderna" estavam a dar o benefício da dúvida ao novo Governo. O discurso era vago? Calma que ainda faltam apresentar o programa. Não se apresentavam propostas para atacar os males estruturais do país? Calma, era altura de eleições. Pois bem, ontem foi a apresentação do dito programa, e se alguns continuarão a esperar para ver, a verdade é que as expectativas têm de baixar. Do que conheço do documento, continua a repetir um conjunto de promessas vagas, encerrando um discurso adiado e omisso em matérias urgentes. Por exemplo, nas "10 prioridades apresentadas" está lá tudo menos a definição de objectivos. O Governo "compromete-se" e vai "promover" ou "simplificar". Como, como e como? Continua a adiar as decisões: "Até Setembro vai aplicar um regime" de combate à evasão fiscal ou "vai aprovar um programa plurianial de redução da despesa". É uma coisa à Kafka. Cada programa de Sócrates remete-nos para outro "ad eternum". Não é que não haja bons sinais (e outros nem tanto), e falta ainda escrutinar todo o programa (o que ainda não fiz, pelo que a minha análise poderá mudar), mas já era preciso outra coisa, mais. A desilusão é amarga.

(1477) Good Night Post


Image hosted by Photobucket.com
Mihai Mangiuleia

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
(...)

Fernando Pessoa

quinta-feira, março 17, 2005

(1476) Oposição


   Acho que não me engano se disser que o PSD está num dos piores contextos de sempre para a travessia na oposição que aí vem. Por várias ordens de razões. Em primeiro lugar, ainda não tem um rumo e uma liderança forte e encontra-se reduzido a um número bem menos influente de deputados. Segundo, tem ao lado um PP à procura da sobrevivência que será o abrutre de todas as misérias do anterior companheiro de coligação. Finalmente, e mais importante, o PSD tem de fazer uma rotura com Santana Lopes para se voltar a credibilizar face aos portugueses. Isso implica uma viragem ao centro, numa altura em que o PS faz o mesmo (provavelmente melhor). Será, por isso, bem mais difícil criticar as posições do rival. Esse incómodo é já bem visível e será um problema tão mais importante quanto o Governo actuar bem (desde que ao centro).

(1475) A série que eu ando a ver


   

(1473) Quadratura do Círculo


   Estreou hoje no programa Jorge Coelho, em substituição do já demasiado "comprometido partidariamente" José Magalhães. A escolha daqule que alguns comentadores maliciosos apelidam de "chefe da claque" do PS é surpreendente e, à partida, uma contradição. Afinal de contas, não estará Coelho ainda mais comprometido? Que mais valias pode trazer a um programa de política dura, profunda e relativamente descomprometida? Será uma quadratura do círculo dentro de outra? Hoje não foi bem assim, o que me agrada muito como espectador fiel do programa. Veremos quando acabar o seu estado de graça (e o do Governo também).

(1474) Quadratura #2


   Ao pensar nesta saída de José Magalhães do programa encontrei um sinal positivo no Governo de Sócrates: com a sua constituição, perdemos alguns bons comentadores em espaços de referência da imprensa. Está na altura de passar das palavras aos actos. É bom saber que quem vai agir fala bem.

quarta-feira, março 16, 2005

1472) Geografia dos direitos homossexuais

(1471) A Noite já passou


A escuridão

tenho medo. de noite, quando não consigo dormir, a morte
ressuscita mortes. deitado sobre a cama, uma mão negra
desce do tecto para me tocar no peito. tenho medo. silêncio
e frio sobre o meu corpo. olho para dentro de mim e não
vejo nada. tenho medo. todos os que me chamam de dentro
da escuridão sabem que há uma casa com paredes antes
de mim, sabem que eu não sou aquele que ilumina o mundo.
tenho medo. quando não consigo dormir e prolongo as
noites, a culpa envolve-me de medo e frio, o silêncio diz-me
para esperar, pois o descanso virá com a noite maior,
a noite em que a manhã nunca chegará.

José Luís Peixoto

terça-feira, março 15, 2005

(1470) É proibido "blogar" (?)


   Retirado do "Livro de Estilo" do Público:

"56. O jornalista do PÚBLICO deve abster-se de tomadas de posição no espaço público não jornalístico de carácter político, comercial, religioso, militar, clubístico ou outras que, de algum modo, comprometam a sua imagem de independência, oude assinar petições ou abaixo-assinados em qualquer desses sentidos, antes tem direito a exprimir as suas opiniões nas páginas dos jornal, nos espaços especialmente assinalados."

Mesmo com a justificação dada mais à frente - "O Jornalista do PÚBLICO não deve tratar de temas sobre os quais tenha interesses particulares. Um envolvimento pessoal (...) nos assuntos e matérias tratados contra-indicam a atribuição de um serviço sobre esses mesmos temas. (...) O jornalista que por dever de consciência assume um papel de actor sobre determinado assunto, perde, perante os seus leitores e as fontes de informação, a isenção com que deveria ser por eles encarado." - a restrição parece claramente aplicável aos blogs. E esta discussão Jornalismo Vs. Blogs tem múltiplas vertentes e veio para ficar. Já agora, o Glória Fácil não tem nada a dizer?

(1469) Boa Notícia

(1468) Sob Escuta


Staring Into Space - Silicone Soul

Image hosted by Photobucket.com

Para descobrir: "Feeling Blue".
Nota. este álbum é lançado a 11 de Abril.

(1467) Bom Dia


   
   Dave Cutler

(1466) Lições para Professores #2 - Vocação


   "O verdadeiro ensino é uma vocação. É um dom. A riqueza, as exigências de sentido associadas a termos como "ministério" e "sacerdócio" aplicam-se ao ensino secular, tanto moral como historicamente. O termo hebraico "Rabbi" significa, simplesmente, "professor". Mas evoca uma dignidade imemorial. Seja nos seus níveis mais elementares (que, de facto, nunca são "elementares") - no ensino, por exemplo, de crianças pequenas, de surdos-mudos ou de deficientes mentais -, seja nos mais elevados estratos das artes, da ciência, do pensamento, o verdadeiro ensino resulta de um chamamento. "Por que me chamas, que queres que faça?" (...)"


Gerge Steiner, As Lições dos Mestres, p. 24

(1465) Ainda as Mulheres e o Governo


   Este texto serve não só para as mulheres, mas para as minorias. Ou melhor, para a sua representatividade social. O argumento da competência é lógico mas não chega. Ninguém com bom senso duvida que é possível encontrar mulheres para todos os cargos. Aliás, se vamos falar de competência, basta ver como, enquanto as deixam, as mulheres se saem - academica e profissionalmente - melhor que os homens. A questão não é essa, mas outra. Todos reconhecem que há barreiras implícitas na sociedade que impedem que as mulheres desempenhem com facilidade cargos de chefia e responsabilidade. Vá, até podiamos dizer que o governo X ou Y não teve mulheres por acaso. Mas não é um, são todos. E é assim em todos os sectores da sociedade, especialmente nos tradicionalmente dominados por homens. E sim, há preconceito, há dificuldades em trabalhar de igual para igual. Querem um bom exemplo disso no Governo de Sócrates? As mulheres presentes estão nos ministérios do costume, dando corda ao velho chavão da "sensibilidade" e "adequação" das mulheres para as áreas sociais ou da cultura/educação. Mais uma vez, não estaria a dizer isto se fosse pontual. Mas não é.

   O estado deve favorecer, facilitar e impulsionar a quebra destas barreiras. Em suma, deve dar o exemplo. O seu empurrão é parte fundamental para melhorar a representatividade na sociedade. Ou não serve o Estado para benificiar e fazer desenvolver a sociedade em geral? Obviamente que quem defende o desaparecimento do Estado não pensa assim. Há muito tempo que a direita percebeu que pela limitação dos direitos não vai lá. Há aquelas coisas de bloqueio, as tais Constituições. Então é mais fácil fazer de conta que não há desigualdade, nem preconceito, e que a lei já protege toda a gente. Mesmo que na realidade seja só na letra.

(1464) VISTO - Old Boy


   Desta vez a publicidade não é enganosa. A qualidade "Tarantino" mora aqui. Mais que não seja pela violência explícita e sádica, pela reciclagem criativa de chavões do cinema oriental, pela estética original e rigorosa. Mas não se trata de uma cópia. Até porque aqui aposta-se no burlesco e na quase ficção científica e há humor físico (alguém já viu o delicioso "Save the Green Planet"?). O ponto de partida da história é o seguinte: um homem é mantido em cativeiro durante 15 anos, ao fim dos quais é soltado propositadamente e orientado para se vingar em cinco dias. Confusos? Ele ainda mais, ainda por cima enlouquecido.

   

   A narrativa dá-nos muito mais que isto, mas deixo-vos ao prazer da descoberta. Resta dizer que todos os aspectos deste filme se nivelam por um padrão de alta qualidade. Provavelmente, é a melhor coisa nas salas nestes dias. Pelo menos até quinta.

   Old Boy, de - Chan-wook Park **** (Muito Bom)

(1463) Obrigado


   ...aos comentadores mais habituais deste blog. Apesar de não dar muita importância ao número de comentários e de não fazer posts (geralmente) que favoreçam a resposta, é com muito agrado que vejo que os que tenho são de esmagadoramente de boa qualidade, daqueles que vale mesmo a pena ler, que enriquecem o texto. É pelo menos um sucesso relativo: aqui, os visitantes não encontram razões nem têm personalidade para fazer comentários vazios. Às vezes basta isso para ter força para continuar. So thank you.

segunda-feira, março 14, 2005

(1462) Noctívagos #2


   Depois da notícia, andei à procura de um sinal comprovador do estudo cá em casa. Hoje, encontrei. Todos os dias são lavadas 8 a 10 chávenas e malgas (para 3 pessoas). Ou seja, andamos sempre à volta de bebidas relacionadas com o acto de acordar ou deitar.

Ps. Já agora, alguém já provou o muito propagandeado "chá branco" da Lipton? Se for bom, digam.

(1460) Visto I - House of Flying Daggers


   Depois da aclamação norte-americana de "Hero" (na Europa o elogio não foi - e bem - tão unânime), era previsível uma reciclagem mais comercial dos traços característicos do realizador. E não houve surpresas. Este é um filme de artes marciais "low-fi", que aposta tudo numa imagética deslumbrante e poética. Para isso, recorre à dança, coreografia, a uma palete infindável de cores, etc. E nisso é excelente. Mas não chega.

   

   Persiste, com mais força aqui, uma certa artificialidade das cenas, como numa qualquer demonstração de efeitos especiais, só que com capa oriental. Falta densidade à narrativa, cheia de "twists" inverosímeis e pejada de romantismo piroso. Os actores são bons, a música também. Mas há sempre mais ornamento que profundidade, mais forma que conteúdo. Talvez daqui venha um grande filme, mas ainda não foi desta vez.

   House of Flying Daggers, de Yimou Zhang - **1/2 (razoável +)

(1461) "Spin" à escala global


Israel tem planos para atacar instalações nucleares iranianas

   Mais do que um evento provável, a divulgação desta notícia tem como objectivo intimidar o Irão e forçar a sua submissão perante as negociações diplomáticas. O que mostra bem como estas tem falhado o seu propósito. Não é por acaso que os EUA são mencionados na notícia como apoiantes não oficiais da "iniciativa" de Israel. Serve isto para mostrar a Teerão que o uso da força é mais provável do que parece. Na realidade, será difícil. O "degelo do Médio Oriente" anunciado por Bush é tão consistente quanto a proclamação de "Mission Accomplished" no Iraque. Seria impraticável aos aos americanos entrar numa nova aventura guerreira neste momento. E Israel também tem mais em que pensar. Mais que uma manobra bélica, estamos perante uma estratégia que visa o endurecimento da diplomacia. Será que PG concorda?

domingo, março 13, 2005

(1459) Dietas


Image hosted by Photobucket.com
Angel Boligan

sábado, março 12, 2005

(1458) Impostos #2


   Há uns dias sugeri que o imposto que Campos e Cunha gostaria de aumentar seria o IVA. O que seria muito difícil tendo em conta a postura do PS na campanha relativamente a este assunto e a este imposto em particular. Hoje, o Expresso chega à mesma conclusão:

IVA é o imposto a subir

OS FISCALISTAS não têm dúvidas. Perante a inevitabilidade do aumento de impostos, a vítima será novamente o IVA. O antigo ministro das Finanças Medina Carreira vai mais longe e diz que é «insuficiente um aumento inferior» a dois pontos percentuais. Neste caso, a taxa de IVA subiria de 19% para 21% e Luís Campos e Cunha repetiria a dose de Manuela Ferreira Leite. Há três anos, a antiga ministra das Finanças estreou-se no Terreiro do Paço elevando o IVA de 17% para 19%.


   A batata quente continua nas mãos do PS. Será que há políticas capazes de impedir esta "inevitabilidade"?

(1457) António Vitorino


   Tem uma postura paradigmática das nossas elites. Não gosta da actividade partidária em que é preciso meter a mão na massa, onde os podres da nossa sociedade e classe política se misturam. Pessoalmente, está no seu total direito. Infelizmente, não sei se por incapacidade ou conivência, nunca mais define o que quer na vida política nacional, permitindo o assédio constante do partido e dos media. Pelo contrário, vai alimentando o fenómeno sebastiânico à sua volta, recusando cargo a cargo, sempre após silêncios escusados. Cabe ao PS perceber qual a posição de Vitorino e deixar de o propagandear como messias e ao próprio que esclareça de vez o que quer e não quer fazer na sua vida política. Por isso, não podia estar mais de acordo com a crónica de hoje de Vicente Jorge Silva no DN:

Ora, Vitorino não se tem mostrado disposto a abdicar do seu papel e da sua influência política no PS, como se a condição de eterno "homem providencial" - fala-se já dele como candidato putativo a Belém - o colocasse ao abrigo de quaisquer incompatibilidades. É pois tempo de o PS libertar-se da sombra embaraçosa de Vitorino - e libertá-lo a ele do estatuto exorbitante que insiste em querer representar. "Habitue-se!"

(1456) BE 2.0


BE elege Fazenda líder parlamentar e define sanções


Os oito deputados do Bloco deEsquerda elegeram Luís Fazenda para presidente do grupo parlamentar e Ana Drago vice-presidente. O líder na anterior legislatura era Francisco Louçã. Na reunião ficou igualmente decidido que o BE deverá reforçar as suas iniciativas na área do ambiente. Ao nível do partido e a propósito da convenção nacional ficou decidido a inclusão de sanções disciplinares nos estatutos, tais como a "exclusão". "Um partido político que cresce, que se alarga, ao mesmo tempo que consagra a pluralidade de opiniões e assume a diversidade ideológica, tem que prever a possibilidade de situações anómalas, de incompatibilidades absolutas", afirmou Fernando Rosas.

Nota: o crescimento vai fazendo das suas. Prevendo possíveis conflitos dentro das várias linhas de orientação do partido, tenta-se chegar a uma definição. Será bom, se for no sentido da programação ideológica. Mau, se quiser apenas preservar os resultados eleitorais. Seria sinal que o Bloco, que sempre foi mais um movimento que partido, se institucionaliza, perdendo parte da sua força incial. Pelos sinais desta notícia (como o colar ao PCP, até nas questões ambientais), parece-me que a evolução não começa bem.

(1455) Sob Escuta


The Beekeeper - Tori Amos

Image hosted by Photobucket.com

Para descobrir: "General Joy".
Nota: este álbum será lançado a 15 de Março.

sexta-feira, março 11, 2005

(1454) Lições para Professores #1 - Osmose


"Mediante um processo de interacção, de osmose, o Mestre aprende com o discípulo ao mesmo tempo que o instrui. A intensidade do diálogo gera amizade no sentido mais elevado do termo."


George Steiner, As Lições dos Mestres, p. 12

(1453) Educação Sexual


Reduzir a educação à mera transmissão de informação é um enorme engano. Veja-se, por exemplo, o que acontece nas estradas portuguesas, com tantos e tão graves atropelos diários ao código; e elas acontecem porque os condutores não conhecem o código, não sabem as regras?... Ai não que não sabem!
É quase impossível, hoje em dia, que algum(a) jovem desconheça os métodos contraceptivos mais disseminados. Pela família, pelos amigos, pela escola, pela televisão, pelos livros ou revistas, pela Net, pelas campanhas, sei lá, a informação vai chegando aos destinos. Mas não basta, só por si, para influenciar comportamentos e criar práticas responsáveis e seguras.
Por isso há quem continue a insistir na necessidade, na urgência, de uma educação sexual efectiva, aprofundada, séria, nas nossas escolas. Mesmo quando, aparentemente, já se sabe tudo sobre pílulas e preservativos. Saber esse "tudo" é apenas o princípio da história...


   Quando há umas semanas voltei à escola do ano passado, pude verificar como estas avisadas palavras do Joaquim Fidalgo são verdadeiras. Alguns alunos estavam, na Área-Projecto, a tratar da sexualidade (assim, sem sub-tema). O trabalho resumia-se à construção de um inquérito formatado e ao tratamento dos seus dados. Sem acompanhamento ou discussão prévia. Tratam-se de resquícios da velha Área-Escola, que infelizmente tão poucos professores têm a criatividade para modificar. Ali não vai acontecer nada, os alunos vão partir do que sabem para chegarem ao que sabem. E vai-se falar apenas de informação, e não de vida e sexualidade. São urgentes projectos na escola que aproximem a informação da vida. Sabemos como os adolescentes tendem a ver os problemas de saúde como algo que lhes é distante. Não há folheto que substitua a persuasão e diálogo humanos. Por isso, um louvor para este projecto piloto de Educação Sexual - "Jovens Saudáveis em Acção", do autor deste blog. Vale a pena ler e ganhar coragem para fazer o mesmo noutras escolas.

(1453) Comprei


   

   ...o revisto Livro de Estilo do Público. Numa altura em que cada vez é mais importante a maneira como se fazem, transmitem e lêem as notícias, importa saber que critérios devem balizar a sua construção. Além do mais, os próprios blogs não conseguem evitar o tratamento das notícias correntes e usam muitas vezes uma escrita "parajornalística". Nada como fazê-lo bem.

(1452) Bom Dia


Image hosted by Photobucket.com
Erik Reis

quinta-feira, março 10, 2005

(1451) Estudo nacional sobre blogs [act.]


   Trata-se de uma iniciativa de Hugo Neves da Silva, mestrando em comunicação, intitulada "O Fenómeno dos Blogs em Portugal", na qual participei. A amostra foi de cem blogs, pelo que os resultados se revestem de um significado substancial. Os dados do quadro abaixo foram alguns dos que mais me interessaram. Como se pode ver, há um grande decréscimo na criação de blogs. Isto demonstra que o período do "Big Bang da Blogosfera" acabou e que a partir de agora há uma nova fase evolutiva. Será que os blogs vão começar a morrer massivamente? Ou transformar-se-ão numa coisa diferente? Haverá uma selecção natural, uma evolução da plataforma usada? Certo é que haverá mudanças estrututurais.

   
   Percentagens de blogues criados, por ano

Ps. Parabéns ao Hugo pela iniciativa.

adenda: vale a pena ler os comentários muito interessantes a este post.

(1450) Good Night Post


Image hosted by Photobucket.com
Martin Parr

Ainda sabemos cantar,
só a nossa voz é que mudou:
somos agora mais lentos,
mais amargos,
e um novo gesto é igual ao que passou.

Um verso já não é a maravilha,
um corpo já não é a plenitude.

Eugénio de Andrade

quarta-feira, março 09, 2005

(1449) Minimizar os danos


   Parecendo irreversível o regresso de Santana Lopes à Câmara de Lisboa, o PSD tenta menorizar os danos. O mais importante é tentar obnubilar a presença do anterior líder do partido. A primeira estratégia foi tentar evitar que ele recuperasse o cargo. Falhou, e portanto agora trata-se de o aceitar sem ondas, não provocando a personagem e os seus apoiantes, nem dando mais sinais de convulsões internas. Daí a notícia de hoje do Público (sem link) que afirma todos os vereadores aceitam o regresso de Santana, o que, pelas declarações dos últimos dias, se sabe que não é verdade. Se Santana for tratado com deferência, talvez seja possível que não faça mais trapalhadas e descole a sua imagem do PSD, algo vital para as aspirações do PSD nas próximas eleições autárquicas, especialmente em Lisboa. Isto claro, partindo do princípio que Santana não tenta o desvario de se recandidatar.

(1448) That's me!

(1347) Mundo Warcraft*


Image hosted by Photobucket.com

   Apesar de não ter muito tempo para jogar, sempre me interessei por videojogos, uma extensão lúdica do meu fascínio pela tecnologia. Assim, gosto de ir acompanhando os títulos mais marcantes, especialmente os que trazem algo de novo aos modos de jogar. Gosto muito de jogos que envolvam estratégia, pelo que sempre fui fã da série Warcraft, que recupera temas da literatura fantástica, outro dos meus gostos de sempre. É pela mão desta marca criativa (quem já jogou sabe da qualidade destes títulos), que nos chega o nosso primeiro "massive multiplayer online roleplaying game (MMORPG)". Já aqui havia falado deste tipo de jogos, quando mencionei o Everquest. Estava longe de pensar que ia experimentar tão cedo.

Image hosted by Photobucket.com

   Pegando no universo do jogo, cria-se um mundo em tempo real onde as personagens se cruzam e relacionam (com laivos de "The Sims") e evoluem ao bom estilo "Final Fantasy". O lado da acção também não é menosprezado, especialmente quando começamos a jogar em grupo. Trata-se por isso de um jogo passível de agradar a quase todos, com um apelo especial aos frequentadores de "chats", visto que essa dimensão está muito presente (ontem fiz parelha com um Croata). A complexidade e pormenorização do jogo chega a fascinar e a jogabilidade é grande. Menos positiva é a pouca diversidade das tarefas pedidas (ou melhor, o conceito das tarefas) e poderá ser um óbice o tempo enorme que se leva a evoluir no jogo (eu jogo há um par de semanas e ainda não saí do primeiro de dezenas de mundos). Mas é uma experiência totalmente nova, e marca o emergir de uma nova forma de jogar.

* Lembram-se do Hugo? Digam lá se o boneco não é parecido...

(1346) Recomendação


   Image hosted by Photobucket.com

   Image hosted by Photobucket.com

   Bom proveito a quem quiser aproveitar. Se gostarem, podem sempre retribuir. :)

terça-feira, março 08, 2005

(1345) VISTO - Sideways


   Dois amigos em buscar de esclarecimento emocional e de umas férias em grande. Um tem uma personalidade prática e optimista e o outro uma depressão crónica e falta de auto-estima, num "gap" quase caricatual. As personalidades degladiam-se em movimento, num "road movie" de temática vinícola. E "Sideways" parece-se com os vinhos de que fala, cheio de "nuances" e suavidade. Não será um filme "vintage", mas sabe bem.

   

   A sua melhor qualidade é mesmo a tal suavidade, que faz o filme fluir perfeitamente. Trata-se de uma comédia romântica que equilibra diálogos de fino recorte com humor burlesco e físico, especialmente no relacionamento dos dois amigos, uma espécie de confronto quixotesco. Não é por acaso que este argumento ganhou prémios. Partido de um modelo tão estafado e de ideias que não são propriamente originais ou entusiasmantes, consegue-se um trabalho onde o cuidado com a qualidade se nota a todos os momentos. Nota em particular para os desempenhos, todos de grande qualidade, com destaque para o impagável Paul Giamatti.

   Sideways, de Alexander Payne - ***1/2 (bastante bom)

(1434) Nas notícias


   

   ...do DN de hoje, houve duas que me chamaram a atenção. Primeiro, a que não gostei: Salto de Naide salva atletismo português. A medalhite no tratamento das modalidades em geral e do atletismo em particular irrita-me profundamente. Naide, uma grande campeã, não salvou nada. Para além dela, houve uma série de atletas que fizeram um conjunto de excelentes resultados (o 5º lugar de Gaspar Araújo no salto em comprimento, ou as boas prestações de Nédia Semedo e Carmo Tavares nos 800 metros). Mesmo aqueles que não os fizeram, devem ver valorizado o seu mérito de estarem presentes num campeonato ao mais alto nível, algo apenas acessível aos melhores, tendo em conta as exigentes marcas que têm de fazer para serem seleccionados. Mas não, o jornalismo pouco preparado só consegue medir o mundo desportivo pelas medalhas. Por isso, informa mal. Não deixa de ser um contraponto infeliz face ao vasto conhecimento que os jornalistas têm ou têm que ter do futebol, mesmo que se trate duma qualquer equipa de um escalão secundário.

   

   A segunda notícia é o oposto. Trata-se de um bom trabalho sobre a transexualidade em Portugal e a procura da mudança de sexo. Sem cair em exageros exibicionistas, é muito informativa e esclarecedora.

(1433) O Jogo das Cadeiras


   Como é habitual, os novos parlamentares preparam afincadamente o início do dos trabalhos, estudando arduamente os problemas do país:

Os líderes parlamentares discutiram hoje, sem chegar a um consenso, a questão do número de lugares a que cada bancada vai ter direito na primeira fila do hemiciclo. Segundo o porta-voz da conferência de líderes, o deputado social-democrata Duarte Pacheco, a discussão envolveu numa primeira fase o PCP, o BE e o Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) em torno do critério a adoptar para a distribuição dos cinco lugares de primeira fila no lado esquerdo do hemiciclo. (...) Como o PS cresceu de 96 deputados para 121 - e não exige ocupar totalmente os andares superiores do edifício novo da Assembleia da República - as mudanças vão ocorrer sobretudo ao nível do terceiro piso, onde os socialistas deverão ocupar uma ala actualmente pertencente ao PSD.

(1432) Caricaturas


   Pacheco Pereira é um dos apóstolos da caricatura do Bloco de Esquerda como "grupelho" (ou gropúsculo). Acha que é um partido votado à extinção em breve, constituido exclusivamente por consumidores de drogas leves e defensores oportunistas de temas fracturantes. Nada mais. Vejam-se frases profundamente intolerantes como esta: "Os jovens radicais urbanos bem nascidos hão-de sempre ser mais do lado do Bloco, porque o politicamente correcto é a ideologia do nosso ensino". Para quem acusa os dirigentes do Bloco de lições morais, estamos conversados.

    Eu gostava de perguntar a JPP se achava justo que eu dissesse que o PSD se resume ao populismo "jet set" de Santana Lopes. Que todos os sociais-democratas são iguais ao ex-PM, incluíndo JPP. Não gostava nem é verdade, pois não? Será que Miguel Vale de Almeida é um fumador de charros politicamente correcto? Ou será Bruno Sena Martins, simpatizante do BE, participante na última campanha e cujo blog Pacheco já recomendou, um arrogante moral? Os apóstolos da caricatura do PP e PSD demonstram uma desonestidade intelectual gritante neste tema. Pior, ainda não perceberam que esta é uma das muitas causas que levaram ao último desastre eleitoral.

(1431) P O R T F O L I O V I I


Image hosted by Photobucket.com

segunda-feira, março 07, 2005

(1430) 3 em rotação: todos diferentes, todos bons


Image hosted by Photobucket.com



Image hosted by Photobucket.com

(1429) Calvário #3




   É verdade que o login chegou várias semanas depois da inscrição (logo no primeiro dia), quando devia ter demorado três dias. Apesar disso, "so far so good". Agora segue-se a inscrição propriamente dita, tripartida alfabeticamente (eu estou no último grupo, letras N a Z, só no final do mês), onde a porca vai começar a torcer o rabo. O que quer dizer que ainda preciso de boa sorte.

domingo, março 06, 2005

(1428) Sinais de renovação


   Apesar de ser marcadamente da linha conservadora do PCP, Jerónimo de Sousa prestou ontem declarações interessantes no sentido da renovação interna. Para além de dizer que este era o "momento próprio para cuidar das debilidades e insuficiências", acrescentou que o partido "deve garantir sempre uma profunda democracia interna e uma imprescindível participação militante nas decisões e orientações". Estas declarações não surgem por acaso e representam um impulso renovador claro. Surgem ainda no seguimento da boa campanha do novo secretário-geral. Sentindo uma posição mais forte no momento, quer aproveitar para se autonomizar em relação ao núcleo duro do partido, que se calhar até não gostou muito da sua postura moderada. Uma coisa é certa: este não quer ser um comunista-marioneta.

(1427) Impostos


   Em declarações recentes, Miguel Beleza, amigo e antigo professor do novo Ministro das Finanças, defendeu a subida do IVA para 20%. Acrescentou ainda que Campos e Cunha defendia basicamente a mesma política fiscal que ele. Já estão a ver qual é o imposto que o ministro gostaria de aumentar? O problema é que Sócrates disse precisamente que esse seria o único imposto que não aumentaria...

(1426) Capas que fazem sorrir*


   

* certeza: o FCP será de novo campeão.

(1425) Good Night Post


   
   Caravaggio

sábado, março 05, 2005

(1424) Governo moderado, expectativas moderadas


   Como frisaram quase todos os dirigentes políticos este Governo é ainda uma incógnita. Não se lhe pode apontar nada de definitivo antes de se conhecer o seu programa e primeiras medidas políticas. Pode-se sim tentar extrair algumas conclusões e pistas a partir do perfil dos Ministros e da sua orgânica. Em primeiro lugar, volto a frisar que há em Sócrates uma vontade de agradar (se calhar será melhor dizer piscar o olho) a todos os quadrantes políticos, que é em si ambígua e causadora de desconfiança. A ala esquerda do PS fica agradada com alguns ministros mais próximos das ideias de Ferro Rodrigues (como é o caso de Vieira da Silva na Segurança Social), mas também há espaço para declarações de agrado dos patrões e do sector económico com os ministros da economia e das finanças. Os sociais-democratas encontram no Governo de Sócrates ministros mais próximos da sua ideologia do que os presentes no de Santana Lopes. Há antigos membros do PCP e um do CDS. Mais que este equilíbrio, nota-se uma tentativa de "Guterrismo aperfeiçoado". Há de novo mescla de independentes e socialistas "políticos", mas apenas se recuperaram os membros mais válidos daqueles governos. Como muito bem notam Ana Sá Lopes e João Pedro Henriques, os rostos dos cartazes negativos do PSD não pertecem a este governo.

   É aqui que começa a esperança. Há ministros sérios e com provas prestadas (Augusto Santos Silva, António Costa), mas a quem se exige mais desta vez, pelo que nesse sentido será vital o papel de Sócrates. Quanto aos independentes (tirando os da área económica), suscitam perspectivas animadoras. Veja-se como são quase todos reputados de especialistas nas suas áreas. Têm todos o problema da inexperiência política, mas é uma questão ultrapassável. Espermos que desta soma de vectores opostos não saia uma anulação política. O pior seria este governo dar com uma mão o que tirará com a outra, sendo um governo apenas à procura da sobrevivência (neste sentido, leia-se o que escreveu ontem Vasco Pulido Valente). Por exemplo, em matéria financeira o país está disposto a tentar acreditar na solução liberal da contenção de despesas e reformulação dos privilégios sociais. Até a pagar mais impostos. Mas terá de haver aqui contrapartidas precisas: o país precisa de evoluir concretamente em sectores vitais e os portugueses tem de sentir que os sacrifícios são repartidos, que valem a pena. Sendo de esquerda, preferia um governo que desse mais peso ao social que o económico, o que não será o caso. Mas dá-se o benefício da dúvida, especialmente pelo perfil das pessoas envolvidas.

   Finalmente, a questão de Freitas e Vitorino. Provavelmente a escolha de um foi motivada pela recusa do outro. Ambos representam a nossa elite política e quem critica Freitas do Amaral apenas deseja a continuação de uma política de ataque pessoalizado. Concorde-se ou não, é uma figura de peso na nossa política, representativa de qualidade e seriedade. Logo veremos as medidas. Vitorino não quis, ou porque aspira a outros cargos (a nível internacional?) ou porque de facto não se quer comprometer com esta classe política, o que neste caso seria um mau sinal. Deve-se lamentar, mas respeitar. É que figuras destas fazem mesmo falta, e neste particular Sócrates poderia ter ido mais longe. É aqui que se vê que falta qualquer coisa ao novo PM, algo que não permite que a esperança neste elenco governativo seja mais que ténue.

(1423) É o Centro, senhor.


   Demasiado à liberal para a esquerda, demasiado frouxo (leia-se ao centro) para a direita, o novo governo cumpre a primeira das suas promessas eleitorais: manter-se fiel ao eleitorado que lhe deu o poder e apostar numa governação moderada. Ou será destilada?

sexta-feira, março 04, 2005

(1422) Paternalismo Cultural

(1421) Boa Notícia

(1420) Presidenciais


   Estas declarações e movimentações de Cavaco Silva demonstram definitivamente que este será candidato à Presidência da República, apenas não o declarando desde já por se querer demarcar o mais possível da derrota eleitoral e por estar à espera da nova direcção do PSD. As pontuais intervenções do ex-PM e o facto de não negar categoricamente a candidatura já eram sinais fortes, mas quando Cavaco embarca em contactos bilaterais com um alto representante político estrangeiro está definitivamente a transmitir uma imagem presidencial, pelo que não restam dúvidas da sua intenção.

(1419) Ele vive


   Santana Lopes tem realmente imensa cara de lata. Surge hoje a notícia de que ele estará disponível para regressar à câmara de Lisboa. Numa só cajadada consegue desrespeitar mais uma vez um mandato para o qual foi eleito (deputado) e demonstrar um imenso apegamento ao poder, ao regressar a um compromisso que deixou a meio e que está a ser melhor trabalhado por Carmona Rodrigues. A notícia é baseada em declarações de apoiantes seus, o que só pode ser entendido como apalpar de terreno para ver qual a reacção popular e também do partido, que não verá neste regresso o melhor augúrio para um resultado autárquico. Que Santana não quisesse saber do mandato de deputado, é normal. Já sabiamos que é um trabalho demasiado estático para o seu temperamento. Não se esperaria porém que fosse capaz de esquecer tão facilmente os interesses do partido, não se votando ao costumeiro período de nojo dos perdedores de eleições. Ainda agora, Santana continua a surpreender pela negativa.

(1418) Bom Dia



Peter Merts

(1417) Irmã Lúcia x 5


João Paulo II tem sempre ao seu lado cinco freiras polacas


Membros da Congregação das Servas do Sagrado Coração de Jesus, as cinco religiosas polacas destacadas para junto de João Paulo II fizeram do serviço ao chefe da Igreja Católica a sua razão de viver. As irmãs Tobiana, Germana, Fernanda, Matylda e Eufrosyana estão ao lado de João Paulo II há meio século, pois entraram ao serviço de monsenhor Karol Wojtyla, o seu compatriota arcebispo de Cracóvia. (...) A irmã Germana é a gastrónoma. A sua tarte de espinafres fazia as delícias do antigo Presidente italiano Sandro Pertini, convidado com frequência para a mesa do pontífice quando João Paulo II ainda organizava almoços e jantares de trabalho. (...) A irmã Tobiana é a "médica" e "a sombra" do Papa. (...) Tobiana partilha com a irmã Germana um dos quartos da residência pontifícia no décimo andar do hospital. A irmã Fernanda é a encarregada do abastecimento do Vaticano. (...) A quinta irmã, Eufrosyana, ocupa-se da correspondência particular do Papa e prepara as respostas, que João Paulo II assina coma a sua caneta de tinta permanente.

   Não podia haver melhor imagem para o que de facto representa o Papa e o Vaticano neste mundo. Na doutrina da Igreja, a mulher sempre foi serva do homem. O Papa, como bom rei e chefe do feudo, tem direito a não uma, mas cinco mulheres em regime de exclusividade. Enfim, só não vê a hipocrisia do "mártir" e da instituição quem não quer.

(1416) Desculpem bater no ceguinho...


   ...mas, pelas declarações no último "Quadratura do Círculo", Pacheco Pereira parece estar relativamente arrependido da sua cruzada contra o PSD de Santana Lopes. Não que não acredite no que disse, mas porque percebeu que - em termos partidários - foi longe demais. Há uma frase que o trai, quando diz que sabe que não poderá ter o papel de relevo no "novo" PSD que até "gostaria de ter". E Pacheco sempre usou a sua pertença ao partido como meio amplificador das suas criticas, como facto que sublinhava a sua liberdade de expressão (se não fosse militante, perdia-se esse efeito), e deve-lhe ter custado a proposta de expulsão. De certa forma, gosta de ter sido o mais acérrimo e acertado crítico de Santana, mas terá a percepção de ter ficado demasiado à margem do partido. Talvez daí a sua declaração de voto no PSD. Não será fácil o partido perdoar-lhe. Como disse António Lobo Xavier no programa, Pacheco ultrapassou a fronteira da "união em tempos de eleições". Cá para mim, o partido é que perde.

quinta-feira, março 03, 2005

(1415) As melhores bandas portuguesas


   Acho muito bem os resultados. Não estão muito longe da lista que aqui publiquei e mostram bem qual o tipo (predominante) de pessoas que estão na blogosfera (urbanos e nascidos nas décadas de 70/80). Mas há uma, só uma banda naquela lista toda, de que nunca ouvi falar e aparece em 10º lugar. Trata-se dos Mler If Dada. Esta banda é tão desconhecida para mim quanto o significado do seu "nome". Até vou arranjar um álbum, só por curiosidade. Mas quem são, ou foram? Alguém me ajuda. Filipe? Enquanto espero pelos esclarecimentos, vou ali afogar a nostalgia e ouvir a compilação "O melhor do Rock Português".

Ps. Parabéns ao Fora do Mundo pela iniciativa, deviam ganhar um perfume "patchouly" pelo esforço :)

(1414) A vida, por William Shatner #1


Live life
Live life like you're gonna die
Becasue you're gonna
I hate to be the bearer of bad news
But you're gonna die

Maybe not today or even next year
But before you know it you'll be saying
"Is this all there was?
What was all the fuss?
Why did I bother?"

Now, maybe you won't suffer maybe it's quick
But you'll have time to think
Why did I waste it?
Why didn't I taste it?
You'll have time
Because you're gonna die.

Yes it's gonna happen because it's happened to a lot of people I know
My mother, my father, my loves
The president, the kings and the pope
They all had hope

(...)

By the time you hear this I may well be dead
And you my friend might be next
'Cause we're all gonna die

(1413) Não gosto


   ...do novo site do Público. Está certo que o design é mais moderno e aprumado, mas perdeu em funcionalidade. O acesso à informação é mais confuso, por exemplo, no resumo de quase todas as notícias, agora muito mais escasso. Falta ainda o menu no final de cada secção, que permitia ainda ver e seleccionar todas as notícias da mesma. Claro que existe o menu geral com resumo (cujo uso recomendo), mas é demasiado extenso e obriga a um constante "scroll" vertical. Em termos de conteúdos, também me parece nítida uma diminuição dos mesmos em relação à edição de papel. No momento, também não há acesso às tiras de banda desenhada.

   Isto afigura-se mais grave quando se anuncia que o site será em breve pago. Os responsáveis parecem não perceber que a edição online deve ao mesmo tempo manter a qualidade e proporcionar vantagens (como uma grande facilidade de selecção das notícias), para se tornar mais atractiva. Enfim, um passo atrás, ao contrário do site do Diário de Notícias, que também ainda não permite uma eficaz selecção de textos, mas tem um interface agradável e um grande cuidado com os conteúdos, permitindo, por exemplo, acesso ao jornal do dia seguinte pouco depois da meia-noite. Pelo menos em matéria online, inverteram-se os círculos evolutivos do jornalismo de referência.

quarta-feira, março 02, 2005

(1412) Para Reflectir


   Aposta na economia tira espaço à visão europeia, por Teresa de Sousa

A Europa a que Barroso tem de presidir já não é um clube selecto e protegido de uma dúzia de países, relativamente homogéneo no seu desenvolvimento económico e social (apesar da entrada das três democracias do Sul, mais atrasadas), na sua cultura política e nos seus interesses estratégicos. É um conjunto muito mais vasto de países de todas as dimensões, com uma diversidade política, económica e social muito maior, com interesses e sensibilidades estratégicas distintas (veja-se, por exemplo, a influência da Polónia na "revolução" ucraniana) em que o interesse comum é muito mais difícil de encontrar. (...)
(...) ao escolher a economia - o relançamento da "estratégia de Lisboa" - como prioridade e emblema da sua Comissão, Barroso abdicou do papel "deloriano" de fornecer a esta Europa vasta e diversa uma visão comum do seu papel no mundo. Isso ajudaria a favorecer consensos e a mobilizar os interesses dos cidadãos europeus. Era também um risco que, porventura, não quis correr. Pode vir a estar aí sua maior fragilidade.


   É a economia, por Joaquim Fidalgo

Felipe González insistia sempre nisso: a economia não é neutra (nem amoral), não é uma "ciência exacta" onde todas as soluções são evidências matemáticas suprapolíticas. Ele governou Espanha uns anos largos, mais ou menos quando Cavaco Silva governou por cá. Um e outro fizeram reformas, mexeram. Não o fizeram com os mesmos pressupostos políticos nem com as mesmas receitas técnicas. E não me parece, olhando agora para os dois países, que González tenha tido menos sucesso do que Cavaco. Bem pelo contrário. Mais riqueza, sim, mas também riqueza mais distribuída. Mais eficácia de gestão, sim, mas sem o afã privatizador que parece ser a única (e milagrosa) solução para todos os males do sector público. Rigor financeiro, sim, mas atenção social.

   Para lá do Frio - João Morgado Fernandes

A ecologia já esteve mais na moda e os ecologistas queixam-se que ninguém os ouve. O problema deixou, porém, de dizer respeito a minorias ou militantes. É já uma questão de sobrevivência. E a resposta, por muito boas vontades individuais que haja, só pode ser global e depende dos governos. Haja quem os pressione.

(1411) Quem quer responder?


   A acalmia política que se faz sentir faz impressão. Será o normal regresso a um ritmo político a que já não estamos habituados ou uma manifestação do imobilismo político de Sócrates? Quem define este "método socrático"?

(1410) Blogs para o final do dia

(1409) Cá em casa também há Boxe


   Qual é o melhor "shuffle", o da Radar ou o meu?

(1408) Sob Escuta


Has Been - William Shatner (sim, ele)



Para descobrir: "Common People".

terça-feira, março 01, 2005

(1407) O "Portismo" continua


   Mesmo sem o líder, o CDS-PP continua a seguir a mesma estratégia, ou seja, retirar espaço político ao PSD via ataques insidiosos (será efeito piloto automático o cavaleiro sem cabeça?). Mais venenoso é este ataque sabendo-se que parte duma aproximação do PSD ao PP, que favoreceu sobretudo o partido mais pequeno (permitindo-o, por exemplo, chegar ao poder). Desta feita, surgem aqui e ali vozes que criticam o PSD por querer "virar à esquerda". O efeito pretendido continua a ser transmitir a ideia de um PSD em que não se pode confiar e afirmar o PP como representante legítimo do centro-direita. Será interessante ver como os sociais-democratas vão reagir, no que será um primeiro teste à eficácia da nova liderança.

(1406) "Showbiz"


   Esta história da venda dos bilhetes para os U2 não tem nada que ver com música. Quanto muito tem que ver com gasolina e com uma mistura de "eventificação mediática" e consumismo de "status quo". Os verdadeiros apreciadores (não é o meu caso) vão ficar em casa.

(1405) VISTO - Constantine


   A capacidade de satisfação desta mistura entre adaptação de banda desenhada e filme de terror adolescente depende muito do que esperarmos dela. Nesse sentido, "Constantine" é um filme sereno e sem pretensões. Nem pretende ser o maior sucesso do ano (o que o livra provavelmente de ser um desastre), nem uma obra marcante do género. Os deméritos são muitos, mas há aspectos bons que equilibram o filme.



   As performances são banais. Deixem-me abrir um parênteses para dizer que Keanu Reeves até nem está assim tão mal. A sua personagem irrita porque é pouco desenvolvida o que é culpa do argumento. Irrita porque o ar plastificado devia ser transmitido com subtileza, visto que se trata de uma personagem de BD. Dada a sua falta parece que o actor (ou o espectador) ainda não largou a lembrança de Neo. A maior falha do filme, propositada diga-se, é sintetizar (ou melhor - resumir-se a isto, exagerar este lado) uma série de marcas do cinema comercial que já estamos fartos de ver, tirando espaço ao conceito do filme (a aposta entre céu e inferno), sem dúvida o seu ponto mais forte. A estética geral é bem conseguida, principalmente pelos tons verdes e grandes planos e por ficar na fronteira do barroco mitológico. Visto com complacência, o filme resulta, e fica-se com vontade de ler "Hellblazer", a BD em que foi baseado. Mas não procurem génio aqui.

   Constantine, de Francis Lawrence ** (razoável)

(1404) Good Night Quote


"We are like boxers, one never knows how much longer one has" - Clint Eastwood

(1403) Óscares #2


   Não quis com o post anterior desvalorizar este evento. Pelo contrário, acho que é daquelas coisas que aproxima as pessoas ao cinema, num mundo em que as imagens são cada vez mais monopolizadas pelas regras televisivas. Foi engraçado ver hoje num café um grupo de pessoas a falar, ainda que pela rama, sobre os factos dos óscares. Este ano, a cerimónia até foi menos maçadora e banal. Foi menos politicamente correcta (não consagrou Scorcese só porque sim, mas deu o prémio a Ray Charles, perdão, a Jamie Foxx), e teve o humor iconoclasta de Chris Rock, que não foi brilhante mas teve o condão de quebrar o habitual conservadorismo da cerimónia. Foram oscarizados os filmes e actores que tinham que ser, sem grandes ondas. Fica a sensação de um evento mais descomprimido, mas de certa forma um pouco esvaziado. Ainda não sei se isto é bom ou mau, ou simplesmente indiferente.

(1402) O Óscar não existe


   Na vida de todos os amantes do cinema (às vezes nem tanto, simples espectadores rotineiros de fim de semana), há um momento de quebra da inocência relativamente aos óscares, geralmente próximo do despertar para a noção que há vida nos ecrãs para além da cinematografia comercial norte-americana. Nesse momento, tal como sabemos que o Pai Natal não é real, percebemos que também os Óscares não são bem o prato que nos andaram a apresentar a vida toda.
   Podem parar de ficar confusos com os juizos confusos da Academia, se tiverem em conta dois ou três factos simples. Primeiro, o filme que ganha o Óscar não é o melhor do ano, nem sequer o melhor americano. Na realidade, a qualidade não é o único critério, e, em muitos casos, nem sequer o principal. Estes são os prémios da Indústria, hiper-mediatizados, e os nomeados tendem a reflectir essa condição ao mesmo tempo causa e consequência. Nomeiam-se e ganham os filmes que fazem maior furor, a partir de um certo patamar de qualidade, tal furor é muitas vezes despertado por poderosas máquinas publicitárias. O círculo da indústria desenha-se. Para que os óscars sejam um grande evento, têm de ser consensuais, e é por isso que os grandes vencedores são todos aqueles que tentam um compromisso entre o "blockbuster" e o filme de qualidade acessível a todos os públicos. Esta regra é ainda mais apertada para atribuir prémio, mais que para nomear (É por isso que "Closer" não podia ganhar prémios, era impossível num mundo infestado pela falácia do amor romântico). Finalmente, há toda uma teoria do politicamente correcto nestes prémios, que servem para fazer "statments" sobre o mundo em geral. Basta vez como gerou polémica a Palma de Ouro em Cannes ao filme de Moore, exactamente por seguir esta regra americana. É nesta equação, neste vasto sistema de etiqueta, que os óscares funcionam e se sustentam. A questão é: os cinéfilos que aí andam ainda acreditam no Pai Natal?

(1401) Na televisão


   ..., mais exactamente nos telejornais, populam aquelas reportagens sobre os mais desfavorecidos da vida, quase sempre num tom exibicionista. O objectivo é alimentar o espectador com sensações de piedade e simultaneamente de choque/abjecção. O efeito compensador é este sentir-se duplamente bem, primeiro porque se comove e deseja o bem daquelas pessoas, segundo - e especialmente isto - porque se sente em segurança visto não pertencer aquele mundo para lá do vidro do ecrã.
   Só que também existe o reverso destas reportagens, as peças sobre ricos. Ainda no outro dia apanhei duas assim, uma que falava sobre o nível de vida na Bélgica, rematando-se todas as ideias com a asserção de um estado muito eficaz. Estão a ver a conclusão lógica que se pede ao leitor? Noutra, entrevistas a ricos ingleses a louvar os baixos custos de fazer golfe em Portugal. Os comentários que se pretendem despertar também me parecem óbvios. Com a exposição mais favorecidos, pretende-se despertar sentimentos de rejeição e revolta no cidadão comum, o que na maior parte das vezes não é mais que dar azo a um dos traumas nacionais, a inveja daquele que é mais bem sucedido. Obviamente que tais reportagens só fazem sentido num público de classe média/média-baixa. Com os nossos telejornais, não estamos longe do conceito de verdadeiros produtos, como complementos às refeições.
Site Meter
A minha fotografia
Nome:
Localização: Portugal
  • Livro de Reclamações:

  • nunopinho(AT)vianw.pt

    (Substituir (AT) por @)