nho Resistente Existencial: (1380) Pós-Eleições II - Noite eleitoral

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

(1380) Pós-Eleições II - Noite eleitoral


   A primeira nota destas eleições vai para o decréscimo da abstenção, o que confirma um pressentimento meu de há muito tempo. A excessiva exposição mediática de Santana Lopes virou-se contra ele. Tornou-se conhecido por más razões mesmo para aqueles mais alheados politicamente. Exactamente porque a maioria das trapalhadas de Santana esteve não ligada à política tradicional, mas a uma errática personalidade política, ao mesmo tempo mediática e populista. Por outro lado, a população soube assumir a importância da crise que vivemos, e deu um sinal de que Portugal ainda não se "sul-americanizou", que os "checks and balances" da nossa democracia resistem. Houve maturação democrática.

   Sócrates venceu historicamente (como nas eleições internas), mas não há que sobrevalorizar o facto. Vencer eleições não é governar. Nesse campo Sócrates tem quase todas as provas a dar. Para já, começou com um mau discurso, continuando a insistir em banalidades e generalidades. Disse duas coisas interessantes: que não menosprezará a oposição (apesar dos laivos autoritários que lhe descobrimos) e que pretende independentes ligados à governação. Sinais positivos, mas a confirmar. Esperemos pelo Governo e pelo programa do mesmo para finalmente ficar a saber se o vazio de Sócrates é táctica ou personalidade.

   À direita a hecatombe esperada. Como todos os analistas apontaram, Paulo Portas, o "eficaz", deu o maior tiro no pé com a dramatização dos 10%. O PP perde apenas dois deputados e podia ter-se desculpado com Santana e Sampaio. Ontem estaria a digerir uma suave derrota. A megalomania de Portas arriscou o tudo ou nada. Perdeu. Pelo menos, foi coerente a demitir-se. Era o que lhe restava, ou seria igualzinho a Santana. Creio que ele pretenderá de qualquer forma influenciar a sucessão no PP e participará de novo na política activa. O PP de facto refunda-se, mas do zero. Havia sido construido um partido à imagem do líder e agora pouco resta. Não vejo os "duques" a avançar para a liderança. Santana Lopes obviamente continuará a estrebuchar no PSD e não será fácil tirá-lo do lugar. Vamos ficar a saber qual a força do "verdadeiro" PSD na hora de arrumar com Santana. O Problema de Portugal passou a ser o problema da Direita.

   A vitória estende-se aos restantes partidos de esquerda, mas com limitações. Creio que ambos também começaram em falso, revelando ainda dificuldade em lídar com uma situação em que cresceram mas efectivamente têm menos poder. Espera-se contributo, responsabilidade e inteligência na acção parlamentar. O que significa em primeiro lugar influenciar o PS na diplomacia e não nas televisões.
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