nho Resistente Existencial: (1339) Apontamentos da campanha eleitoral #25

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

(1339) Apontamentos da campanha eleitoral #25


   

   I - De facto, o Publico errou. Felizmente, ainda é capaz de o admitir.

A direcção editorial do PÚBLICO reconhece que fez uma má escolha do título de capa ao optar pela expressão "aposta em", expressão ambígua a meio caminho entre o "prevê" e o "apoia". Deste caso também retira que se devem respeitar os silêncios dos políticos: as convicções jornalísticas sobre as suas intenções ou desejos, mesmo as melhor fundamentadas, devem ser apenas objecto de textos de análise ou de comentário. Ao fazer delas título de primeira página o PÚBLICO errou. Pelo facto pede desculpa aos leitores.

   II - Cavaco Silva tornou-se definitvamente uma das figuras da campanha, mais do que provavelmente desejaria. Usado tanto à esquerda como à direita (o que leva ao seu distanciamento e silêncio) não deixa de ilustrar bem o lado do PSD que rejeita Santana e que por isso se recusa a apoiá-lo (Cavaco não o fará), mas também não quer dar de mão beijada a vitória ao PS. Isto só não é dito claramente por pudor político, um traço bem característico dos cavaquistas (veja-se o "tabu" de Pacheco Pereira). Simplesmente, não querem ser alvos da chicana de Santana. Não querem sequer ser misturados com ele.

   III - José Sócrates disse hoje que governaria sem maioria absoluta, tornando claro o que há muito se sabia. Não consigo deixar de ver na sua declaração o que mais desanima neste PS. Efectivamente, há uma falta de intensidade política preocupante, assim como uma clara procura do poder pelo poder. Só assim se compreende o discurso ilógico de quem clama pela necessidade imperativa de uma maioria absoluta e ao mesmo tempo não tem a coragem política de definir que não governará doutra forma. Ou seja, o argumento perde força e ficamos a pensar se o PS acredita mesmo no que defende. Ainda não consegui perceber se é estratégia para alcançar a maioria ou defeito congénito. Em qualquer dos casos, não devia ser preciso esperar pelas eleições para saber.

   IV - Para Ler:

      'Notícias', por Vicente Jorge Silva
      Dicionário de Campanha a Duas Semanas do Fim, por José Pacheco Pereira
      Que Critérios, por Eduardo Prado Coelho
      A Campanha, por Luís Costa
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