nho Resistente Existencial: (1319) <a href="http://jornal.publico.pt/2005/02/04/Destaque/X01.html">O Debate</a>

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

(1319) O Debate


   Parece unânime que o debate ficou aquém das expectativas. A meu ver, grande parte dos problemas dizem respeito apenas a quem idealizou e conduziu aquele formato. Os cenários eram pobres e distraiam o olhar dos candidatos. O sistema de luzes baqueou (sonoramente, diga-se), mas mesmo que não tivesse falhado, mal se via. Preocupados em imitar o estilo dos debates presidenciais americanos, os moderadores interrompiam o discurso dos candidatos, cortando ideias e parecendo mais preocupados com as regras do jogo que com o conteúdo. Infelizmente, só se preocuparam em imitar a parte de show, porque outras características importantes ficaram de fora. Primeiro, há que não esquecer que os debates americanos têm uma forma rigidamente acordada. Santana Lopes, por exemplo, nunca deveria ter interrompido Sócrates, nem os moderadores deviam ter necessidade de mandar calar os candidatos, como se fossem crianças. Segundo, nesses debates, o moderador era apenas o homem das perguntas, não um "opinion-maker". Os jornalistas decidiram presentear-nos com um comentário prévio a cada pergunta, ou com considerações pessoais, uma absoluta perca de tempo. Assim, impediram que fossem os candidatos a conduzir o rumo do debate, como desejável. Para além disto, tornou-se nítido que a preocupação dos moderadores era extrair factos mediáticos e não políticos. Daí passarem-se vinte minutos à volta dos "botos", com perguntas repetidas, e sempre a puxar para o lado pessoal, em vez do político. Santana agradece. Enfim, uma condução muito à "Sic", condizente com a televisão que temos.

   

   Quanto aos candidatos, não estou totalmente de acordo com as análises da postura de ambos, indicando um Sócrates tenso e inexperiente (Sócrates?!) e um Santana mais à vontade, mas pouco convicente. Creio que essas constatações advém mais das próprias construções de perfil que são atribuidas a estas figuras. Pareceu-me sim que Sócrates está a fazer a campanha do verdadeiro centro. Tenta agradar à direita, à esquerda, ao povo, às elites, à comunicação social. Enfim, nem sempre é muito definido, mas ontem conseguiu um bom equilíbrio, que se em termos de estilo chega, em termos de conteúdo parece mais difícil para a obtenção da maioria, sem dúvida o seu grande desígnio. Santana Lopes mostrou o que (não) vale em termos de ideias. O estilo, face à desgraça, já não chega. Fica um mérito: ontem, apesar de tudo, escapou à trapalhada diária.
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