nho Resistente Existencial: Janeiro 2005

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

segunda-feira, janeiro 31, 2005

(1303) A Cartilha do Amor*



I can't believe that life's so complex
When I just want to sit here and watch you undress

Does it have to be a life full of dread
I wanna chase you round the table, I wanna touch your head

I can't believe that the axis turns on suffering
When you taste so good

You're the only story that I never told
You're my dirty little secret, wanna keep you so

Come on out, come on over, help me forget
Keep the walls from falling as they're tumbling in

This is love, this is love
That I'm feeling

* Por P.J. Harvey (letra adaptada de "This Is Love").

(1302) O futuro da segurança social


"Admito que se possa aumentar a idade de reforma", disse ao DN o coordenador do PS para a Saúde e Segurança Social. Correia de Campos ressalvou, todavia, que "qualquer mudança terá de ser feita com muito gradualismo e sempre em concertação com trabalhadores e patrões". Para o homem que presidiu à Comissão do Livro Branco da Segurança Social, o principal argumento a favor do alargamento da idade de reforma é o do aumento da esperança de vida. "Quando se estabeleceu o limite dos 65 anos para a reforma, em 1960, os portugueses viviam, em média, menos 11,5 anos do que agora."

   Esta notícia suscita-me reacções contraditórias. Por um lado, é bom que o PSD e principalemente o PS comecem a pensar seriamente neste problema central para os europeus. Por outro, não me parece que esta seja a melhor solução (alguns economistas pensam da mesma forma). Espero que antes de soluções fáceis (já imagino os aproveitamentos demagógicos), haja um debate sério. Com muito cuidado, eis algumas ideias que tenho sobre o assunto, provindas de exemplos estrangeiros ou do meu mero senso comum.

   * Em vez de aumentar a idade de trabalho, impulsionar as reformas antecipadas, mas com um corte na pensão a receber, aliviado por uma indemnização compensadora. O dinheiro poupado seria reenviado para um fundo de sustentabilidade do sistema. Isto permitira ainda a admissão de sangue novo na Função Pública.

  * Permitir que pessoas com rendimentos elevados recorressem mais facilmente à oferta privada, fazendo menos descontos (numa relação favorável à Segurança Social), o que corresponderia a uma pensão proprocionalmente diminuida.

   * Cobrar uma percentagem adicional nos impostos às empresas (ou reter uma parte dos actualmente colectados) a injectar directamente num fundo de sustentabilidade.

   * Permitir a possibilidade de familiares fazerem descontos adicionais a atribuir futuramente a elementos da sua família (ou outros por sí escolhidos.)

   * Em último caso, aumentar o valor taxado.


   Obviamente, não estou certo da exequibilidade destas ideias-rascunho. Também não dispensariam nem o combate ao fisco ou a agilização da F.P. Exigiriam ainda combates a interesses instalados (à esquerda e à direita) e um elevado sentido de cidadania e esforço colectivos. Não sei, que se debata. Só sei que é importante.

(1301) Eleições no Iraque


   Eleições num país anteriomente em ditadura não podem, em princípio, ser vistas como um passo atrás ou algo profundamente negativo. Mesmo assim, não compartilho da euforia que grassa na comunicação social (veja-se as manchetes opinativas do DN e Público). Parece-me produto de uma agenda política e de um "wishful thinking" de alívio (o que mais restava aos defensores da guerra do Iraque?). Não vou entrar no jogo inútil de rebater esses excessos de avaliação. Sobre esse campo, apenas dois dados adicionais. Como menciona o New York Times, a adesão às urnas é forte, mas desiquilibrada. Nas áreas de maior terrorismo - sem dúvida o maior problema do Iraque - a votação terá rondado os 40%. Compare-se este número (ou mesmo os 60%) com eleições históricas recentes, como na Ucrânia ou no Afeganistão. Por outro lado, a falta de supervisão internacional. O DN de hoje refere observadores internacionais como elemento legitimador, mas tal avaliação parece exagerada tendo em conta que os observadores...estavam fora do país. Enfim, não é isto o relevante, são assuntos para outros glosarem.


António Jorge Gonçalves

   Para mim, há aspectos mais importantes a analisar nestas eleições. Primeiro, foram eleições sustidas pela força. Nesse sentido, apresentam uma fragilidade democrática relevante. Sem o uso da força estrangeira, não haveria eleições no Iraque. Esse problema permanece. Em segundo lugar, arrisco dizer que as eleições são mais importantes para os estrangeiros que para os iraquianos. De facto, não só legitimam a guerra (depois do falhanço de todos os argumentos anteriores) e permitem o cumprir de um objectivo, como traçam o início da retirada (outro alívio) exigida pela impossibilidade de resolver o conflito e pela opinião pública dos países envolvidos. Veja-se como aliadas às notícias das eleições, aparecem já as dos planos de retirada... Estes dois argumentos convergem para uma ideia. Não podem ser estas eleições o fim da "democratização" do Iraque, até porque não existe tal coisa. Fica por saber se, nos tempos que se seguem, os iraquianos serão capazes de criar condições para uma democracia saudável. Aí será vital a pressão e o apoio (não a força bélica) internacional. O que não acontecerá se estes apenas estiverem interessados na retirada, hipótese que a ilusão da democratização "já-está" aumenta. Neste sentido, a fragilidade do futuro é enorme, pois o risco de retrocesso é total. Esperemos que, desta vez, seja possível endireitar o que já começou torto.

(1300) Good Night Poem


Nesta última tarde em que respiro

Nesta última tarde em que respiro
A justa luz que nasce das palavras
E no largo horizonte se dissipa
Quantos segredos únicos, precisos,
E que altiva promessa fica ardendo
Na ausência interminável do teu rosto.
Pois não posso dizer sequer que te amei nunca
Senão em cada gesto e pensamento
E dentro destes vagos vãos poemas;
E já todos me ensinam em linguagem simples
Que somos mera fábula, obscuramente
Inventada na rima de um qualquer
Cantor sem voz batendo no teclado;
Desta falta de tempo, sorte, e jeito,
Se faz noutro futuro o nosso encontro.

António Franco Alexandre

(1299) Good Night Quote*


O capitalismo actual tem como grande defeito matar a iniciativa, a criatividade, de engendrar a passividade, porque tudo está determinado a partir do capital, da finança. E as pessoas - incluindo os chefes das empresas - são esmagadas por este poder demasiado anónimo. Esse é o grande defeito. - Jean-Yves Calvez

* É verdade. Tendo trabalhado no sector público e privado, falo de experiência própria. Eis uma boa frase para aqueles que falam em entregar as mãos do país ao mercado e aos "novos" empresários.

(1298) Sob escuta


The Great Destroyer - Low

Para descobrir: "On the edge of".



Afinidades: Mercury Rev, Lali Puna.

- - -

Human After All- Daft Punk



Para descobrir: "Make Love".
Nota: este álbum será lançado a 21 de Março.

domingo, janeiro 30, 2005

(1297) Apontamentos da campanha eleitoral #19


   I - Os Valores

   Certamente estão lembrados da importância dos "moral issues" na campanha norte-americana. Para muitos analistas, o apelo de Bush ao eleitorado evangélico e ultra-conservador em temas como a família e a homossexualidade ou o aborto, foi decisivo para a vitória republicana. Numa tirada parecida, os partidos da nossa direita tentam a mesma jogada.
   Primeiro, foi Paulo Portas a anunciar o cataclismo do crescimento da extrema-esquerda radical (belo pleonasmo) . Perante este cenário, será necessária a mobilização de todos aqueles que defendem os valores. Aparte: nestas coisas, valores é uma palavra curiosa. Só os ideiais conservadores é que merecem a palavra, os dos outros são sempre a ruptura dos valores. Não creio porém que a mobilização resulte. Cá, ao contrário de lá, a população tem vergonha de admitir que é racista, xenófoba, preconceituosa e salazarenta.
   Segiu-se o líder do PSD, pedindo esclarecimentos ao PS sobre a sua posição quando ao casamento homossexual. De todas as infelizes intervenções hoje, esta foi a mais abjecta. Não só por usar este tema como se fosse a "sarna", a coisa má que está colada ao PS, mas por usá-lo de forma leviana.
   Verdadeiramente, PSL nada quer saber do assunto, mas sim tentar encostar o PS à esquerda para daí retirar dividendos eleitorais. Este uso de algo que mexe com a vida de muita gente diz muito sobre o seu carácter. Finalmente, Sócrates respondeu: "No programa do Partido Socialista está tudo claríssimo: nós não propomos o casamento entre homossexuais, nós não propomos a adopção de crianças por cassais homossexuais". Mais claro não podia ser. Esta é actualmente uma matéria que embaraça o PS e que será votada ao total esquecimento numa legislatura por si liderada.
   Curiosamente, aquele mais acusado mediatização excessiva e demagógica dos temas, foi o que deu a resposta mais sensata. Louçã afirmou que o BE defende direitos iguais para todos, mas não alimentará as declarações de Santana Lopes por não pretenderem uma discussão séria. Lapidar. E num só dia, o ataque ao moralismo do BE voltou-se contra os feiticeiros.

   II - E como as farsas têm limites:

Associação Nacional de Sargentos critica utilização das Forças Armadas como arma eleitoral

A ANS anda a distribuir um folheto, em que chama a atenção para "as mentiras", "a demagogia" e "as promessas não cumpridas" por parte do Governo. "Deparamos agora com uma nova realidade, ao vermos as Forças Armadas transformadas por alguns dos seus responsáveis, em arma de promoção política, noticiando repetidamente projectos, como factos concretos, como se tudo estivesse resolvido e todos os problemas ultrapassados, quando a realidade é bem diferente",

(1296) "Genética Gay"


Human genome "gay areas" identified



"A University of Illinois researcher has identified several areas of the human genome that appear to influence whether a man is straight or gay."

   Este recente estudo volta ao antigo tema da origem da homossexualidade. Uns defendem a via inata e genética, outros a social. Como estas coisas não vão lá pelo mero senso comum, o estudo ajuda pelo menos a substanciar a hipótese da homossexualidade estar relacionada de alguma forma com o nosso código genético, e com algumas sequências específicas do ADN. Porém, é o próprio autor que salienta:

"There is no one 'gay' gene . "Sexual orientation is a complex trait, so it's not surprising that we found several DNA regions involved in its expression... our best guess is that multiple genes, potentially interacting with environmental influences, explain differences in sexual orientation."

   Esta hipótese híbrida é a que pessoalmente suponho ser a mais correcta (não há certezas neste campo) . Assim, de que modo joga a genética com o "contexto" é a questão que me interessa. Não é esse o passo seguinte do estudo:

"Our study helps to establish that genes play an important role in determining whether a man is gay or heterosexual," said Mustanski. "The next steps will be to see if these findings can be confirmed and to identify the particular genes within these newly discovered chromosomal sequences that are linked to sexual orientation."

sábado, janeiro 29, 2005

(1294) É isso mesmo [act.]


"Não devemos ceder perante as ideologias que justificam a possibilidade de violar a dignidade humana apoiando-se em diferenças de raça, cor de pele, língua ou religião. Renovo este apelo a todos e sobretudo aos que, em nome da religião, recorrem aos abusos de poder e ao terrorismo". - Papa João Paulo II

   Só faltou mencionar a orientação sexual.

   [Act.] E logo em seguida...

Vaticano volta a condenar casamento entre homossexuais

"As uniões homossexuais e as uniões livres não podem ser consideradas como um casamento", disse hoje o cardeal polaco Antoni Stankiewicz, que chefia uma delegação que visita o Papa.
Para o prelado, a igualdade de tratamento entre as uniões homossexuais e os casamentos "como já foi decidido pela legislação de certos países, não as torna mais válidas, apesar da sua eventual legalização", postulou o cardeal polaco.
"

(1293) Bom Dia



Will Dunniway

(1292) Good Night Quote


"Gravitation can not be held responsible for people falling in love". - Albert Einstein

(1291) Apontamentos da campanha eleitoral #18




   I - Afastamentos

      a) Esqueci-me ontem de referir a intervenção do Ministro Álvaro Barreto, onde anunciou algumas medidas para o seu sector. Porém, ao contrário do que (escandalosamente) tem acontecido no seu Governo de gestão, não legislou, deixando propostas para o próximo executivo. O interessante é ter frisado esse ponto várias vezes na conferência de imprensa que deu, sublinhando que "A minha preocupação é deixar o campo completamente limpo de minas e permitir ao novo titular do ministério a liberdade total para sem condicionamentos poder escolher a solução que entender melhor para a reestruturação da Galp". Esta ênfase só pode ser entendida como um afastamento do pântano governativo de Santana Lopes, ou até como uma crítica indirecta. Definitivamente, começou no PSD a altura da "regeneração" pós-PSL.

      b) Um bom exemplo da estratégia do PP face ao PSD que ontem mencionei. Tontamente, Santana falou de fraude nas sondagens, sendo imediatamente ridicularizado pelas empresas em questão e pela opinião pública. O PP aproveitou para dizer que "não comentava" as declarações do líder do PSD, mas que não "subscrevia" as acusações do mesmo. Eis como se comenta sem falar. Neste jogo, quem é que continua a acumular uma imagem de irresponsabilidade? Pois.

   II - Capas de Jornais - Subtil, mas importante diferença nas capas de hoje dos ditos diários de referência a propósito das últimas sondagens. O DN coloca na manchete "Maioria Absoluta?", destacando a descida do PS em relação a estudo anterior, apesar de obter um "score" superior a 45%. Já o Público, baseado numa sondagem semelhante, afirma "Maioria Absoluta". E num sinal de pontuação toda a tendência política de um jornal fica revelada. Será? O leitor que decida.

   

sexta-feira, janeiro 28, 2005

(1290) Pesadelo "Reloaded"?


   O Concurso de Professores para o próximo ano lectivo arranca a 14 de Fevereiro, com uma primeira inscrição obrigatória seguida da fase de candidatura electrónica, que decorrerá entre 7 de Março e 15 Abril (...) Cada professor candidato terá de fazer uma inscrição obrigatória, por via electrónica, entre 14 de Fevereiro e 1 de Março, recebendo depois um código de acesso que lhe permitirá fazer a candidatura. Até ao final da primeira semana de Março, os candidatos receberão pelo correio o respectivo "login" de acesso e "password".

   
   Maria do Carmo Seabra, na conferência de imprensa de apresentação dos concursos (de memória): "Se fosse amanhã, o sistema informático não aguentava. Mas dia 14 estará pronto".

Nota: desejem-me boa sorte. Acho que vou precisar. Documento oficial aqui.

(1289) Santana Lopes e as Sondagens




Santana Lopes, no seu último comício: "O PS está em sentido descendente nas sondagens e nós em movimento oposto, a subir".

(1288) Closer #5


"Have you ever seen an human heart? It looks like a fist covered in blood!"

(1287) Apontamentos da campanha eleitoral #17


   

   I - Aproximações e Afastamentos

      1) Aproveitando as recentes fragilidades do BE (e a sua postura quanto a pertencer ao governo, clara desde o início), o Partido Comunista tenta aproximar-se do PS. Primeiro, foi Jerónimo de Sousa a apontar alguns aspectos positivos ao programa do PS, a que só faltaria "encostar" um pouco à esquerda. Se isso acontecesse, o PCP estaria "disponível para o diálogo". Seguidamente, numa intervenção se calhar mais notada, foi a vez do líder da CGTP, Carvalho da Silva, pedir aos partidos medidas concretas na área da acção social. A mensagem foi direitinha para o PS. Que respondeu com abertura mas firmeza. Ou seja, admite entendimentos mas define áreas-chave em que a posição do PS não se moverá (como a economia e a Europa). Estão apresentadas as exigências ao PCP. Tendo em conta a flexibilidade pouco habitual mostrada pelo PCP e o desejo dos socialistas de um governo estável, um entendimento parece agora mais possível.

      2) O PP caminha cada vez mais para a "descoligação total". A sua estratégia é apresentar-se como a parte séria e de qualidade da experiência governativa passada, obliterando as suas responsabilidades ao mesmo tempo que colhe os frutos das trapalhadas dos social-democratas. O episódio da "Carta" é revelador.O PSD enfureçe-se, lança recados e missivas. A resposta do PP é o silêncio, o fazer-se de desentendido. É brilhante e mostra quão amarrado está o PSD à tragédia do seu líder. Ao não dizer nada, o PP dá uma imagem de calma (e o PSD de descontrole ruidoso) e não agudiza o conflito, continuando a "cozer" o "parceiro" em lume brando de críticas mais ou menos subtis.

      3) Terá sido esta uma das razões do apoio de Freitas do Amaral - fundador do CDS-PP, ao PS. No seu apelo, simplesmente ignora o PP. Trata-se duma resposta cabal à estratégia do "voto útil". A mensagem é: esta direita não serve, nem a de Santanas nem a de Portas. Depois de dar o primeiro passo para a viragem, quantos na direita não o seguirão?


   II - Sondagens - Uma sondagem (Visão/TNS Euroteste) mostra o PS a descer:

      

   Outra, da RTP/U. Católica, mostra isto:

      

   Cá para mim, parecem-me as duas um bocadinho irrealistas. Como de costume, siga-se para o Margens de Erro.


   III - Esta campanha fica marcada pela entrada histórica dos temas LGBT para um lugar de visibilidade na campanha política. Veja-se o cartaz do BE (via Renas):

      

   Pequena pergunta céptica: isto não terá nada que ver com o debate Louçã-Portas?

quinta-feira, janeiro 27, 2005

(1286) Boa Notícia

(1285) Boa Tarde


   
   Modigliani

(1284) Completamente de acordo, aqui também


Aquele dia mais deprimente do ano chegou aqui com 48 horas de atraso. Nada a que um gajo não esteja acostumado. - Blog dos Marretas.

Ps. Nunca, mas nunca mais formato um computador num dia de folga. A única coisa que se consegue formatar é a folga em si.

(1283) Falácias eleitoralistas


   No seu habitual estilo pragmático, Paulo Gorjão constrói o argumento que afinal o BE não liga nada à comunidade LGBT. Lido o texto, faz todo o sentido. Quer dizer, se não se pensar um bocado no assunto. Em primeiro lugar, percebe-se o contexto. PG tenta cavalgar a onda opinativa dos últimos dias que tenta apresentar o Bloco como partido retrógrado e conservador, apoiando-se na "gaffe" de Louçã. Custa-me compreender como tantas pessoas sérias "tomam a gaffe pelo todo". Depois não se queixem da futilização da política. Portanto, dizia eu, agora descobre-se que o Bloco não liga nada à comunidade LGBT. A justificação tem a ver com a hierarquia relativa do assunto no programa. De facto, como não se pode criticar a medida em si, critica-se a página em que aparece. Partindo do princípio que todos compreendem o valor mais mediático que político das tais "10 prioridades" que Gorjão refere, o assunto parece-me simples: O Bloco de Esquerda defende no seu programa o casamento e a adopção entre pessoas do mesmo sexo. Se fosse governo, era isto que o BE faria. Ponto final. E isto não é nada "coisa pouca". Até poderia concordar que o tema não tem a visibilidade que poderia ter no partido, mas não me esqueço que esta menção é mais, muito mais, do que o discurso político de qualquer outro partido sobre o assunto. Não ligar nada aos homossexuais é simplesmente não lhes dedicar uma linha concreta no programa eleitoral. Nem uma medida.

   Percebe-se o objectivo. Desvaloriza-se o acto do BE para angariar votos para o PS. A questão é, se é uma coisa assim tão fácil de fazer, porque não o faz o PS? Quem é que tem mais medo de perder votos? De tudo isto, uma coisa resulta certa. Mais uma vez, o Bloco consegue colocar o centro-esquerda a falar de temas que os fazem corar. Óptimo. Aposto que PG e o PS nem tocaria no assunto se não houvesse votos para disputar ao BE. Quanto muito ficariam por umas generalidades sobre tolerância e discriminação. Esclarecedor.

(1282) Gestos de boa vontade [ACT.]






   Qualquer espectador atento do conflito israelo-palestiniano, seja qual for a sua opinião, já terá percebido que a paz só poderá ser atingida com cedências dolorosas de ambas as partes. Devido a imensos factores complexos e perturbadores, estas cedências devem ser estabilizadas pela força da pressão internacional e acontecer o mais simultaneamente possível, em sucessivos gestos de boa vontade. Todos sabem quem é assim, e se tal não acontece é porque há elementos de ambos os lados que não desejam um entendimento. Por isso, é extremamente desagradável, numa altura em que um ainda frágil Abbas toma decisões corajosas, que Israel não se esteja a comportar à altura. De facto, Abbas tem enfrentado os terroristas, de forma politicamente razoável, sendo incisivo (não suicida) quanto baste. E que devolve Sharon? Promete não atacar. É pouco e mostra arrogância belicista. Israel precisa tanto da paz como os palestinianos. Voltar a remexer no assunto do Muro, quando avanços significativos podem estar para acontecer, só podem significar uma de duas coisas: ou Sharon não sabe fazer a paz ou não a quer.

Adenda: É notícia hoje que Israel irá libertar 900 prisioneiros palestinianos para "premiar os progressos feitos pela Autoridade Palestiniana" nos últimos tempos. Mais importante que esta concessão, será a admissão de Sharon de estar "muito satisfeito" com as iniciativas de Abbas. É ainda uma atitude demasiado passiva e de cariz belicista. Sobretudo, Israel compromete-se a não retaliar militarmente (ou a suavizar a sua pressão neste campo), embora não seja capaz de medidas concretas e recuos na sua política agressiva. Do mal o menos. Fico satisfeito por estas notícias corrigirem de alguma forma o tom deste post.

quarta-feira, janeiro 26, 2005

(1281) VISTO - Team America


   "Team America" é o objecto que se esperava que fosse. Vindo dos criadores inconoclastas de "South Park", Trey Parker e Matt Stone, só poderia ser um grande caldeirão de "toilet humour" e escárnio negro e "gory". Aliada a estas duvidosas armas, está uma imaginação poderosa, pelo que o resultado emergente encontra-se acima da boçalidade. Trata-se de um verdadeiro teatro do mundo político, com marionetas, conduzidas por uma narrativa clássica dos "american war movies". No processo, todos serão devastados de igual forma, sejam belicistas, terroristas, ou amantes da paz.

   

   As criações deste duo caminham sempre por uma fina linha entre o mau gosto e o brilhantismo cómico. Não pode deixar de ser brilhante que uma já famosa cena de sexo entre marionetas (marionetas!) tenha levado o filme às garras da censura nos EUA... Um dos aspectos mais conseguidos do filme talvez seja a sátira à estrutura clássica dos filmes de guerra comerciais, como "Top Gun" ou "Pearl Harbour" ("even Rocky had a montage"), verdadeiramente hilariante. Outro, as músicas, com destaque para o solo do ditador norte-coreano. Por outro lado, o filme nunca surpreende verdadeiramente, especialmente para os conhecedores da série animada. O poder corrosivo não deixa por isso de ser enorme. No final, será difícil alguém não se sentir pelo menos criticado, senão irritado.

   Team America, de Trey Parker - *** (Bom)

(1280) And the nominees are...




BEST PICTURE

THE AVIATOR
FINDING NEVERLAND
MILLION DOLLAR BABY
RAY
SIDEWAYS

FOREIGN LANGUAGE FILM

AS IT IS IN HEAVEN
THE CHORUS
DOWNFALL
THE SEA INSIDE
YESTERDAY

DIRECTING

THE AVIATOR
MILLION DOLLAR BABY
RAY
SIDEWAYS
VERA DRAKE

ACTRESS IN A LEADING ROLE

Annette Bening - BEING JULIA
Catalina Sandino Moreno - MARIA FULL OF GRACE
Imelda Staunton - VERA DRAKE
Hilary Swank - MILLION DOLLAR BABY
Kate Winslet - ETERNAL SUNSHINE OF THE SPOTLESS MIND

ACTOR IN A LEADING ROLE

Don Cheadle - HOTEL RWANDA
Johnny Depp - FINDING NEVERLAND
Leonardo DiCaprio - THE AVIATOR
Clint Eastwood - MILLION DOLLAR BABY
Jamie Foxx - RAY

   ...nem mais nem menos que o habitual. No alarms and no surprises.

(1279) Apontamentos da campanha eleitoral #16


   I - Francisco Louçã defendeu-se no Público das muitas críticas que lhe têm sido visadas nos últimos dias, em consequência do seu debate com Paulo Portas. Apesar de lhe assistir naturalmente o direito a relembrar e clarificar as posições políticas tanto do Bloco como do PP relativamente ao aborto e família(s), expondo assim alguma da hipocrisia eleitoralista do "centrão", parece-me que o texto não só falha na sua intenção principal (diluir o efeito negativo das declarações de Louçã), como pode virar-se contra o partido. Por várias razões:

   todos sabemos que não é a posição dos partidos sobre a matéria em questão o problema. Esse diz respeito ao argumento utilizado por Louçã, sobre o qual este acaba por não dizer nada, falando apenas numa "interpretação" errada que nunca chega a definir;

   não admitindo o erro das suas declarações, arrisca-se a passar uma imagem de arrogante e político de rodeios, o contrário da imagem que o Bloco tenta passar. Obviamente que se torna evidente que houve um lapso político, ou Louçã não se teria vindo defender para os jornais.

   ao repisar o tema sem ir ao cerne da questão, Louçã torna-o a colocar no centro da actualidade política e permite mais um "round" de ataques contra o seu partido.


   II - Debates

"PSD e PS estão à beira de um acordo para o frente-a-frente entre Santana Lopes e José Sócrates, depois de a SIC ter proposto ao Clube dos Jornalistas a organização conjunta do debate (...) realizado em local neutro, moderado por jornalistas da televisão privada e transmitido em simultâneo na SIC e na 2: (RTP), e com sinal aberto para os canais internacionais das duas estações e para as rádios.

   A solução (aparentemente) encontrada é positiva. Portugal devia caminhar para um modelo instituido de debater política nos momentos eleitorais. Um pouco como os debates americanos (mas sem tanto folclore), capazes de interessar todos os espectadores e de produzirem verdadeiros dados políticos. O que se deve evitar são os acontecimentos dos últimos dias, em que o debate foi reduzido a arma de arremesso político e pessoal. Neste particular, o que menos interessa a Santana Lopes é debater ideias, mas ter o máximo de oportunidades possível para lançar farpas demagógicas na cara do rival, e, se possível, tentar danificar a sua imagem pessoal no processo. É só isso que resta a Santana, que Sócrates seja pelo menos tão mal visto como o próprio.


   III - Para ler: Muitas Ideias, Pouca Clareza, por Teresa de Sousa.

terça-feira, janeiro 25, 2005

(1278) Para ler devagar


«'Hey Guest!' said Toby, loping round the stall, grabbing him and giving him a firm kiss on the cheek.
   'Hi - Toby...' Their Kissing was a new thing, since the party, somehow made possible and indemnified by the presence of Sophie. And it seemed almost a relief to Toby, as if it erased some old low-level embarrasment about their not kissing. To Nick himself it was lovely, all the warmth of Toby for a moment against him, but unignorably sad too, since it was clearly the limit of concessions, granted in the certainty that nothing more intimate would ever follow.»


Alan Hollinghurst, The Line Of Beauty, p.112

(1277) Good Night Post



Mihai Mangiulea

.

Neo-Realismo

Fotografias de baptizados, férias
de verão, a quem interessa tal,
presentes, missangas, uma ruga
a mais, projectos para mais
tarde, uma tareia infantil,
cremes, pensamento positivo, a quase
queca de ontem à noite. Isto
as empregadas de balcão, entre
um e outro e outro pedido
de clientes esfomeados e estúpidos.

Pedro Mexia

(1277) Apontamentos da Campanha Eleitoral #15


   

   I - Programa do PS - Para entusiasmar, o programa tinha de ser um milagre, o que obviamente não é. Tal como Sócrates não é o governante decisivo que o país precisa. Já ficaria satisfeito com um compromisso aceitável e minimamente responsável. Se é verdade que o documento está cheio de coisas como "fazer um programa" para isto ou para aquilo depois das eleições (o que obviamente não quer dizer nada), também é notório que nem tudo se limita a pedir a confiança cega do eleitorado. Há coisas interessantes, outras que podem ser positivas ou perigosas conforme a aplicação do que é dito. Preciso de ler tudo antes de emitir opiniões especificas. Mas um suspiro de alívio já lá vai.

   II - Muito, muito interessante a entrevista de Marçal Grilo que hoje vem no Público. Apesar de ser sempre mais fácil falar de fora da governação, tem ideias que era bom serem vistas nos líderes políticos. E sobre educação, disse mais (e melhor) que todos os partidos juntos até agora:

"sou um grande defensor da estabilidade política e social, mas entendo que ela não pode ser mantida como uma espécie de consenso mínimo que evita qualquer ruptura e impede que se abram novos caminhos. O caminho da ruptura não é o que em si mesmo me agrada, a não ser quando é indispensável, e os políticos têm de ter capacidade para romper quando é necessário."

"O desejável é caminhar para escolas que prestem contas a um conselho da própria escola. O sistema inglês - e é vendo os bons exemplos que devemos evoluir - tem conselhos fortes em cada escola, que escolhem o director e seleccionam os próprios professores e todos têm de lhes prestar contas."


   III - Para ler:

      A Traição do Pequeno Lorde, por Mário Mesquita;
      Áreas Chave para Um Programa de Esquerda Moderada (I), por André Freire;
      Reformas, Vicente Jorge Silva

(1276) Terra da Liberdade



Steve Bell

segunda-feira, janeiro 24, 2005

(1275) O "post do mês"


Umas caixinhas muito arrumadinhas, por Pedro Mexia

(...)não se pode «pôr a mão no fogo» por ninguém. Nós não conhecemos o que vai dentro da cabeça das pessoas. Não sabemos do que as pessoas gostam. Do que são capazes. Não sabemos sequer do que gostamos ou somos capazes. É muito engraçado ver pessoas (e pessoas supostamente progressistas) a fazerem discursos morais (e sexuais) com tudo metido em caixinhas muito estanques e muito arrumadas. Como se a moralidade (e a sexualidade) não fosse precisamente o lugar do caos, da incoerência, do fragmento, do que não sabemos, do que queremos saber, do fictício. Mais do que a luta política, o que me preocupa é essa mistificação que faz da moralidade e da sexualidade formas de transparência, quando na verdade são grandes zonas inóspitas e opacas sobre as quais apenas devemos falar por aproximações.

   Vale a pena ler o resto. A única pecha do texto é consistir numa crítica a Francisco Louçã, o que, convirá o Pedro, é quase uma contradição dos termos expostos. Até porque, para quem critica o "estilo do Bloco", não poderia ter feito um texto mais "fragmentário". Ainda bem.

(1274) Closer #4


"What's so great about the truth? Try lying for a change - It's the currency of the world."

(1273) A hipocrisia venceu.


   Louçã X Portas. De repente, o ideólogo elástico, o demagogo compulsivo, o provocador irresponsável, teve uma resposta que não esperava (porque fora das fronteiras do politicamente correcto em que Paulo Portas geralmente navega). Cada um de nós já deve ter intimamente (ou publicamente) insultado o homem. Depois de uma hora a levar com o pior Portas em cima, Louça não se conteve. Um político "não faz" uma coisa assim, mas percebo a origem do momento descontrolado. A meu ver, este é o aspecto a ser enfatizado. Haverá ainda pachorra para os dislates do líder centrista? Vamos aturá-los serenamente, como fazemos com o ignóbil João Jardim? Sinceramente, Paulo Portas devia tirar a paciência a muito mais gente.

   Quero branquear o erro de Louçã? Pelo contrário. A sua resposta foi errada politicamente, desastrosa até. Vale zero como argumento, é contraproducente. Acima de tudo, faz alinhar o Bloco com a caricatura que a direita dele tenta fazer, quando o é muito mais. Agora deixar de votar no Bloco por uma "gaffe"? Contra Paulo Portas? Isso sim é valorizar o fútil, o acidental e o acessório da política. E não me venham com as reacções "partidiotas". Louçã errou, mas ninguém tem a candura de achar que os seus dirigentes, em campanha, não viessem apoiar o seu líder, mesmo que no fundo certamente muitos discordem das suas palavras. Para tiros nos pés, basta o PSD.

Ps. De qualquer forma, é de registar que pela primeira vez, o BE está a ser menos hábil na sua campanha. Pudera, estão no momento mais importante da sua definição como entidade política.

(1272) A campanha


   Está realmente bem conseguido o clip publicitário da ILGA. Leve, com sentido de humor (em vez de moralista e trágico), e de uma pertinência percebida pelo cidadão comum. Creio é tratar-se de publicidade institucional (estou errado?), o que significa só passar no canal 2, ou no 1 a altas outras. Devia era passar no meio das novelas. Fico feliz por este sucesso, até porque não apreciava muito a outra parte da campanha com aquele slogan, "eles são homens demais para se esconder" (ou algo parecido). Esse é um exemplo da militância coerciva de esquerda, que tenta forçar decisões e comportamentos estritamente pessoais. Quer dizer: não que quem se assume não seja "homem demais". Não creio é que os outro sejam de menos. Feito o aparte, parabéns aos autores da iniciativa "pelo direito à indiferença. Obrigado ao João pelo vídeo.

domingo, janeiro 23, 2005

(1271) A dificuldade de pontuar relações


   ...é excepcional. Especialmente quando se trata do ponto final.

(1270) Closer #3


"Don't stop loving me. I feel it draining out from you. It meant nothing. If you love me, you'll forgive me."

(1269) Sob Escuta


I am a Bird Now - Antony & The Johnsons



Para descobrir: "Man is the Baby".

Nota: este álbum estará nas lojas a 1 de Fevereiro. Caro André, sei que és fã, e caso ainda não tenhas o álbum, ofereço-me para partilhar e para dizer que o acho bem melhor que o anterior, que já era uma pequena pérola.

sábado, janeiro 22, 2005

(1268) Apontamentos da Campanha Eleitoral #14 [act.]


   

   Objectivos - Há alguns anos, durante uma saudosa cadeira que tive, ensinaram-me a planificar uma aula, explicando que ela se centrava nos objectivos a atingir pelos alunos para aquela sessão. Assim, poderíamos colocar num primeiro plano os chamados objectivos gerais, representativos de grandes áreas a trabalhar, mas nunca ficar por aqui. Os objectivos mais importantes eram os específicos e tinham de obedecer a regras na sua concepção. A principal consistia no uso de linguagem objectiva e verificável. Um exemplo: verbos como promover, desenvolver ou estimular não querem dizer nada. Não permitem quantificar os resultados. Eis algo importante a ter em mente quando ouvirmos promessas eleitorais, ou quando lermos os programas (o do PS é apresentado hoje). Darei um exemplo concreto: uma coisa é o PS dizer que quer tornar eficaz a Função Pública outra é dizer: reduzir 75 mil funcionários. No final da legislatura, poderemos verificar se cumpriram ou não o segundo objectivo, mas o primeiro não permite tal avaliação. Pelo que já se conhece do documento eleitoral dos socialistas, começamos bem, com mais objectivos concretos que generalistas, concorde-se ou não. Mas há outra questão.

   Nessa tal preparação das aulas, era preciso ainda reflectir no meio para chegar à concretização dos problemas. Em primeiro lugar, qual o método? Segundo, quais as ferramentas necessárias? Terceiro, em quantos passos e quanto tempo será concretizado? Finalmente, quais as maiores dificuldades esperadas e que possíveis soluções para elas? É tudo isto que se espera de um programa de governo, quando a intenção é mesmo governar.

   O PROGRAMA ELEITORAL DO PS pode ser descarregado aqui.

   Para ler: Ascensão e Queda, por Vasco Pulido Valente; 'Parler vrai' , por Vicente Jorge Silva.

(1267) Hoje deitei-me assim*:




* Inspirado pela honrosa visita e pelo ainda mais honroso comentário da Mrs. Charlotte.

(1266) Geografia dos direitos homossexuais

(1265) Apontamentos da Campanha Eleitoral #13


   

   I - A Fenprof exigiu saber quais são as propostas políticas em termos educativos. Ora aí está um tema que tem sido votado ao mais profundo e preocupante silêncio. A lógica mediática determina que seja a economia o tema de quase todas as intervenções e infelizmente não há muito a fazer. Neste tópico em particular, faço como o Miguel. Espero pelo programa, cada vez mais inquieto e pessimista. De qualquer forma, também era interessante que os docentes da blogosfera dissessem o que gostavam de ouvir. Espero poder contribuir.

   II - O Clube de Jornalistas propõe que o debate entre Santana e Sócrates seja aberto a todos os canais. Seria uma excelente ideia, se calhar com o condão de evitar o multiplicar do "soundbyte". Seria realmente um momento decisivo para os candidatos, e, com uma boa moderação, talvez houvesse mesmo troca de ideias, o que já não seria mau, para variar.

   III - No já famoso debate entre Louçã e Portas, ambos colocaram, da forma mais explícita até agora, a hipótese de formarem alianças pontuais (ou governamentais) com o PS. No caso do PP, a novidade é maior, e mostra o grau de calculismo deste político. E ainda dizem que este é o partido ideológico, ou o partido dos valores. Pois. No caso do BE, fala a tentação do poder. Sejamos claro: eu gostaria de ter o Bloco no Governo quando o Bloco tiver um verdadeiro programa de governo, e, acima de tudo, estiver pronto para governar. Neste momento, são a melhor oposição que há, e, se quiserem ser mais que isso, correm o risco de perder a marca distintiva que os tem vindo a fazer crescer. Espero que resistam.

   IV - Segundo Mota Amaral, o Parlamento foi dissolvido ao arrepio do espírito da Constituição. Também se demonstrou disponível para se candidatar a Presidente da República. As primeiras declarações, contra as opiniões dos "constitucionalistas", só pode ser entendida como o voto de lealdade a Santana, que por sua vez já estará a congeminar a hipótese - mirífica, diga-se - de afastar Cavaco Silva da corrida presidencial, ou pelo menos, de ter o apoio do PSD.

   V - Para ler: Pior É Sempre Possível, por Miguel Sousa Tavares ; Avisos (2), por Eduardo Prado Coelho

sexta-feira, janeiro 21, 2005

(1264) Closer #2


"The Blowers Daughter"

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
'Til I find somebody new

Damien Rice

   Eu já devia saber que as dicas do Dinis são sempre para aproveitar, o que costumo fazer. Infelizmente, não prestei atenção quando, há imenso tempo, me falou do álbum de um tal Damien Rice, o cantor da música principal do filme. Agora, depois de me ter penitenciado q.b., vou a correr a arranjar o álbum. Ouçam a música ou vejam o filme e depois percebem porquê.

(1263) Sob Escuta


Who's got trouble? - Shivaree



Afinidades: Beth Orthon, Beth Gibbons, Lamb.
Para descobrir: "Fat Lady Of Limbourg".

Nota: depois do "hit", chega o momento de se tornarem uma grande banda. Estejam atentos a este álbum.

(1262) E agora, Sharon?


Abbas deploys forces to stop attacks on Israel


In a move to stop rocket and mortar attacks on Israel, Palestinian Authority President Mahmoud Abbas has ordered a two-phase deployment of security forces along the border with Israel. (...)

   Assim se vê quem está mais empenhado na paz. À medida que vai perdendo os argumentos, será cada vez mais fácil a máscara de Sharon cair e vermos a realidade: na verdade, ele é um terrorista de estado que até deseja a paz mas só sabe viver e liderar em guerra. Como sempre neste conflito, este é o momento das contrapartidas urgentes. Para já, Sharon teve de recuar na sua ânsia belicista, mas não chega. A medidas concretas, devem seguir-se medidas concretas.

(1261) Está a falar da América, não está?

(1260) VISTO - Closer


   Depois de ver o filme "Mar Adentro" (estreia em breve), pensei que 2005 teria já aí uma obra de qualidade difícil de igualar. Felizmente, enganei-me. "Closer", uma história sobre as vicissitudes do amor contemporâneo (dito assim, é redutor), não é apenas o filme do ano até ver, mas talvez um dos primeiro grandes filmes clássicos do milénio. Do realizador e dramaturgo Mike Nichols, é a adaptação de uma peça , tal como Angels In America, embora esta tenha sido escrita por Patrick Marber, também autor do argumento. Tal como aí, somos presenteados com alguns dos mais deliciosos, mordazes e docemente dolorosos diálogos sobre a realidade cruel do amor, despojada de todo o romantismo sociológico e sublinhada no seu carácter épico e animal.

   

   Visualmente, é mais equilibrado que a mini-série, o que permite uma maior respiração dos actores, cujas performances formam uma verdadeira sinfonia. Destaque para Natalie Portman e Clive Owen, absolutamente viscerais. A estrelas Jude e Julia aguentam bem a contenda e são um dos trunfos estratégicos deste filme. Se calhar, Nichols até podia ter escolhido actores mais apropriados, mas a força do "Star System" fará com que muitos adolescentes (e adultos) vejam a primeira grande verdadeira comédia romântica da sua vida. Porque, apesar dos momentos-choque, este carrossel do amor tem de nos fazer rir, tem de ser ligeiramente "over the top". Doutra forma, a melancolia que provoca tornar-se-ia insuportável. Tal todas as relações são, de uma forma ou de outra. Arrisco propor que filmado com personagens homossexuais até funcionaria melhor, embora se perceba a opção do autor por casais heterosexuais. O filme ganha uma voz mais ampla, e pode ganhar os óscares que certamente merece.

   Closer, de Mike Nichols - ***** (Excelente)

quinta-feira, janeiro 20, 2005

(1259) Hoje foi...


   
   
   
   Mihai Mangiulea

   ...um dia vertiginoso. Agora jantar e cinema. O blog prossegue dentro de momentos.

quarta-feira, janeiro 19, 2005

(1258) Mais Bush



Tab

(1257) Apontamentos da campanha eleitoral #12


   

   I - Para a Direita, já chegou o tempo do vale tudo. Paulo Portas fala em combater o fisco, quando o Ministro das Finanças do seu Governo e do seu partido foi mais que incapaz de o fazer. Santana Lopes continua o seu delírio suicida e parece querer retomar o tema da "cabala", descobrindo uma estratégia geral de favorecimento do PS. Eleitoralmente é despudorado, vomitando medidas demagógicas e eleitoralistas (como o "nim" ao aborto, que permite abranger todas as posições). Os ministros do PP (e não só), no afã de criarem uma imagem de estadistas justiceiros, tentam governar num mês o que não foram capazes de fazer em anos, sabendo que não têm competência para tal. Medidas como a ridícula criação do "Instituto do Litoral" não deviam ficar impunes. E ainda vamos na pré-campanha.

   II - A última entrevista de Carvalho da Silva ao Público é reveladora da sua qualidade política. Usando de uma grande frontalidade e conhecimento de causa, o líder sindicalista nunca se furta a responder a questões difíceis, fazendo-o de forma equilibrada e sustentada. Diferentemente dos líderes da nossa praça, consegue transmitir uma sensação de honestidade e determinação intrínseca. Sem dúvida, um dos mais substanciais políticos que temos, amplamente desaproveitado.

   III - Mário Soares, no último Prós e Contras, teceu elogios ao BE. Ao contrário do que a maioria dos analistas acha, não creio tratar-se da radicalização do fundador do PS. Este sabe bem o risco que o PS corre ao procurar maioria absoluta ao centro: não a conseguir e perder o seu eleitorado "sociológico". Também compreende a grande virtude do Bloco. É, neste momento, o único partido capaz de encostar à esquerda a cena política portuguesa, e obviamente, o PS, equilibrando-o ideologicamente.

(1256) Parar o Tempo


   Não há nada como acordar, abrir as três janelas da sala que dão para o céu, e dançar músicas de amor enquanto o sol nasce. Numa qualquer janela indiscreta, espero que alguém tenha estado a observar.

(1255) Hoje acordei assim*




* Sim, não são só elas que têm direito.

(1254) A resposta #I


   Tenho de dar os parabéns ao Boss pela valente e excelente resposta que deu a esta série de posts do Luís Raínha. Nesses despropositados textos, o "blogger" do BDE tece uma série de considerações com, no mínimo, pouco conhecimento de causa e demonstrativas de um inesperados preconceitos. É mais que isto, mas, resumindo, Luís Raínha afirma com toda a naturalidade que o travestismo e o transgenderismo são uma doença comparável com a Apotemnofilia. É o que dá falar das coisas só tendo visto as reportagens dos "prides" na televisão pública.

   Aliás, aproveito para dizer que, na minha modesta opinião, não é a primeira vez que o dito "blogger", que reconheço empenhado, escreve textos infelizes, destacando-se pela negativa num blog tão rico como aquele em que escreve. É apenas o facto de o BDE ter grande expressão que torna o caso grave, sendo pena que não haja uma maior (auto)exigência no tratamento dos temas. Quando tem de vir um membro do PortugalGay corrigir as deturpações nas citações "científicas" de Raínha, estamos conversados sobre o golpe que isto representa na credibilidade de um "blog de referência".

   Numa primeira ocasião, e como esperado, o autor defendeu-se apelidando de patética a resposta do Boss. O "status quo" é uma grande tentação, mas de nada lhe valeu, e não vai ser o post de esclarecimento a fazê-lo também. Aliás, desse texto retiro duas frases que tudo dizem sobre os preconceitos do autor: "Não me incomoda que alguém mude de sexo ou mande cortar uma perna. Se isso os deixa felizes, nada a opor." Repare-se na no uso da conjunção "ou", estabelecendo-se imediatamente uma simetria acrítica entre mudar de sexo e cortar uma perna. Seguidamente, atente-se na expressão "se isso os deixa felizes", cuja leitura semântica revela uma atitude de desprezo e menorização dos outros, "os" felizes com essas coisas. Como o Boss, sinto como espantoso o enunciar destas evidências. Para qualquer homossexual, frases destas têm uma leitura imediata e dolorosa. Reconhecemos doutras doutrinas. O Bruno diz muito bem que se trata de uma "associação desinformada de ideias mais ou menos deformadas pelos preconceitos em que nadamos todos os dias.". É pena que Luís Raínha não tenha a honestidade intelectual de reconhecer o erro. Seria um caminho mais duro mas também mais digno.

terça-feira, janeiro 18, 2005

(1253) 3 filmes x 1 parágrafo



   Saraband, de Ingmar Bergman - Uma descoberta em cinema, visto que ainda nem era nascido quando estreou o "último" filme do cineasta. Fiquei maravilhado com a mestria respirada por todos os poros das cenas: desde a fotografia minuciosa, de fortes padrões cromáticos, passando pelo fluir dos diálogos ou pelo controle absoluto dos tempos de entrada e saída, dos movimentos de câmara ou os detalhes dos grandes planos, tudo parece uma lição de cinema. E a história não fica atrás, com poderosos ditames sobre a crueldade fria das relações, da morte e da possessão. Uma verdadeira dança de prazer. ****1/2 estrelas (excelente).


   Ocean's Twelve, de Steven Sodenbergh - Que grande surpresa! Há muito tempo ("Kill Bill" é um Blockbuster?) que não havia um "blockbuster" que fosse capaz de, usando as próprias regras do género, desconstruir ironica e reflexivamente os seus pressupostos, ao mesmo tempo que diverte em grande. A cena de Julia Roberts a interpretar-se a si mesma é o apogeu da brincadeira do "Star System" reunido neste filme. A realização é imaginativa e fresca, pegando na inconografia Bond e afins e colando-a ao estilo "martini man", efeito para o qual a excelente banda sonora de David Holmes muito ajuda. É divertido, é interessante, bom em todos os aspectos, é o blockbuster do ano até prova em contrário. E nem vale a pena falar das falhas. Mesmo. **** estrelas (muito bom).


   Maria Full of Grace, de Joshua Marston- Outro bom filme. Pretende mais ser competente que original, e consegue o seu propósito. Com uma visão "naturalista", retrata a tragédia colectiva da Colombia do narcotráfico, e o drama individual de Maria, num excelente papel da jovem Catalina Sandino Moreno, que verdadeiramente carrega o filme aos ombros. É um filme que faz política do corpo. Ou seja, o corpo assume-se como condutor de determinadas condicionantes sociais e políticas, é usando para ser prova e "statment" ao mesmo tempo. Bem filmado, despretensioso e com bons actores, vale a pena ver, mais que não seja para conhecer outras geografias, geralmente arredadas dos grandes ecrãs. *** (bom).

(1253) 20 bandas


   Em resposta ao desafio:


Ornatos Violeta

GNR

Madredeus

Clã

Maria João e Mário Laginha

Belle Chase Hotel

Três Tristes Tigres

The Raindogs

Mão Morta

Rádio Macau

Sétima Legião

The Gift

Trovante

Entre Aspas

Coldfinger

Mesa

Silence 4

Bullet

Pedro Abrunhosa e os Bandemónio

Blind Zero


   Tirando o esquecimento propositado dos Xutos e Pontapés, digam lá as minhas omissões mais escandalosas.

(1252) P O R T F O L I O VII - Provocação


segunda-feira, janeiro 17, 2005

(1251) Sob Escuta


Nashville - Josh Rouse



Para descobrir: "Streetlights".

Nota: a data prevista para o lançamento deste álbum é 14 de Fevereiro.

(1250) Leitura recomendada

(1249) Apontamentos da campanha eleitoral #11


   

   I - Ainda vamos na pré-campanha e a contenda entre PSD e PP (que disputam o mesmo eleitorado e que, para perderem dignamente, têm de conquistar os "swing-voters" da direita) começa a manifestar-se mais abertamente. Para responder às críticas indirectas do PP, no PSD só estavam à espera de um argumento. E encontraram-no, recordando o caso Moderna ou a mais que infeliz prestação de Celeste Cardona. O "pombo-correio" foi Luís Filipe Menezes, mas Santana quis dar pessoalmente força à estratégia. É um risco atirar estas pedras com tanto telhado de vidro, mas é melhor que nada. Se olharmos para trás, a única coisa que realmente calou Paulo Portas foi efectivamente aquele caso. O PP já aproveitou para dizer que o adversário do PSD é o PS, usando a vantagem de não ter sido directo nas críticas. Mas, obviamente, o próprio PP ataca mais o PSD que o PS, e vai ter de arranjar uma estratégia melhor para contra-ataque.

   II - Um artigo de Augusto Santos Silva e declarações de José Sócrates dão sinais do que será a política económica do PS. Em traços gerais, não irá diferir em demasia do PSD barrosista (mas menos feroz em termos sociais). Quererá apostar nas exportações e no crescimento com um discurso positivo. Manterá (e bem) a tese das dificuldades enconómicas, esperando-se que não haja dramatização neste campo. A grande diferença e novidade parece residir na menção à alteração do Pacto de Estabilidade e Crescimento. Sócrates parece estar disponível para não cumprir os 3% do défice, de forma a minorar o recurso às medidas extraordinárias e potenciar o crescimento. Como sempre, faltam os detalhes, mas é um dado importante a ter em conta.

   III - Para enquadrar a última sondagem que mencionei, a análise do Margem de Erro, assim como o quadro de todas as sondagens até ao momento.

   IV - António Barreto volta a defender os círculos uninominais para as eleições (em resumo, cada deputado teria de disputar uma eleição individual na sua terra). Apesar de concordar com muita coisa que é dita, como os deputados não poderem ser substituidos, parece que há um aspecto essencial que obsta a esta solução que não foi mencionado. Estou a falar das ideologias. Por mais que essa palavra esteja em crise, não posso deixar de discordar quando Barreto diz que não quer votos em logótipos e emblemas. Pelo contrário, uma eleição nacional, ao contrário das regionais, visa eleger um programa partidário, uma série de valores. Os tais emblemas devem ter um significado político concreto e unificar as diferentes extensões de um partido candidato (ou alguém achará que o Pacheco Pereira do PSD tem alguma coisa que ver com o Alberto João Jardim do PSD?). Dir-me-ão que actualmente as ideologias (em campanha) interessam pouco aos partidos, o que talvez seja verdade. Mas só se combate a dissolução ideológica promovendo-a, e não pelo seu afastamento dos critérios de escolha.

   V - Uma curiosidade: sobre o cartaz do PP com Paulo Portas, o Bruno e o José Mário Silva, que nunca se devem ter lido sequer, conseguiram fazer o mesmíssimo post, ou quase. Ora vejam:

Campanha Eleitoral
Já repararam como está péssima a montagem do cartaz do CDS/PP onde aparece o Paulo Portas? A cabeça do homem ficou mesmo por cima da palavra "Inútil". Assim lido de repente sem pensar quase parece que diz no cartaz "voto útil". Mas claro que isso não pode ser e é só a cabeça do Paulinho que está a tapar o "Inútil".


VOTO FÚTIL
Foi pena a letra «F» ter ficado escondida atrás da cabeça de Paulo Portas. Caso contrário, o novo cartaz do CDS/PP seria o melhor — mas sobretudo o mais honesto — de todos os que vi afixados até agora nesta descolorida pré-campanha eleitoral.


   VI - para ler:

      O senhor 'sound bite', por Miguel Coutinho;
      Eleições em tempo de guerra, por João Cravinho;
      Notas de Pré-campanha, por Eunice Lourenço;
      A Noite das Facas Longas, por Eduardo Prado Coelho.

(1248) Boa Pub #2

(1247) Boa Pub #1

(1246) Pois é.*


Segundo Balcão dos Bombeiros

Nesse tempo eu já lera as Brontë mas
como era um adolescente retardado
passava a noite em atrozes dilemas
que mais vale: amar, ser doutrem amado?

ainda não descobrira o simples disto
nem o essencial disto que é tão claro
se tudo no amor vem do imprevisto
deitar regras ao jogo pode sair caro

por isso eu amo e sou ou não benquisto
depende do instante bem ou mal azado
amor tem alegria, tem enfaro
o happy end é coisa do cinema

Fernando Assis Pacheco (lido no Para Lá de Bagdade, um blog em forma)

* Para o G.

(1245) Bom Dia


   
Sebastião Salgado

domingo, janeiro 16, 2005

(1244) Na capa, toda uma agenda política


   

(1243) Da desilusão amorosa #2


   Um coração experiente encara a ruptura de uma relação sem drama. Como um idoso habituado a dores no peito, engole o sofrimento de forma eficiente, como quem fica entalado durante a refeição. Mais tarde, até olhará com orgulho para mais uma cicatriz. Infelizmente, sempre que chove dói.

(1242) Da desilusão amorosa #1


   
Para um optimista, o fim de uma relação é encarado como um melancólico ponto de partida para novas aventuras, talvez melhores, certamente enriquecedoras.

(1241) Adeus Vianetworks, olá Clix :)


sábado, janeiro 15, 2005

(1240) Apontamentos da campanha eleitoral #10


   


   Nova sondagem:


   [Via Barnabé]

(1239) A ler, urgentemente


Boatos, vida pública e homossexualidade, no avatares de um desejo.

(1238) Visto - Saraband #1


   
   [De memória] "há duas coisas necessárias a um bom casamento: uma forte amizade e um erotismo inabalável. Ninguém pode dizer que não éramos bons amigos." - Erland Josephson, num diálogo de Saraband.

(1237) Bom Dia



Teresa Rosa

(1236) Sim, há necessidade


"Faz-me um bocado de confusão que, no ano de 2005, ainda se continue a raciocionar como se fosse necessário garantir às mulheres uma protecção especial (...)". Miguel Sousa Tavares, in Público, 14/01/05.

   Depois do mais previsível José Manuel Fernandes, é a vez de MST glosar o tema. As minorias "sociais" não devem ser protegidas porque são iguais aos outros, devendo-se valorizar o mérito individual, a capacidade da pessoa em ultrapassar as dificuldades que encontra. Vale a pena responder de novo, visto que, corta e cola, o argumento é exactamente o mesmo para os homossexuais. Discutir o valor das quotas é uma coisa, pano que certamente pano daria para muitas mangas. Agora dizer que não há necessidade de protecção especial, é outra. Será que alguém acha que as dificuldades que as mulheres encontram na sociedade (a todos os níveis) são as mesmas que para os homens? Não. Em que radicam essas dificuldades extra? No machismo, na discriminação profissional, do monopólio falocentrista das posições de poder. Estes factores têm lugar numa sociedade evoluída? Não. Deverá a sociedade, como um todo ou através dos seus governantes, criar mecanismos que promovam a dissolução destas barreiras históricas? Na minha opinião, sim. Se, injustamente, a sociedade coloca problemas a grupos de cidadãos, deve ser ela a corrigir-se. Porque sim, há necessidade.

(1235) O discurso e o gesto


   Portugueses Acham Que Crianças Pequenas Sofrem Quando as Mães Trabalham - É um título de um interessante estudo publicado no Público sobre o que os portugueses pensam relativamente à família e emprego e filhos, nomeadamente o papel da mulher neste triângulo social. Durante o estudo, é demonstrado que os portugueses, aparentemente, têm atitudes contraditórias. Por um lado, a esmagadora maioria acha que as tarefas familiares devem ser repartidas e que as mulheres deve trabalhar. Por outro, uma parte substancial considera que, havendo filhos, a mulher deve ficar em casa ou trabalhar a tempo parcial senão as crianças "sofrem". Feitas as contas, as mulheres dispendem mais 18 (!) horas semanais em tarefas domésticas que os homens. Ambos os sexos consideram que os homens deviam ajudar mais, mas estes não estão "dispostos" a tal.

   Na minha leitura dos resultados, não me parece que estas contradições derivem do facto de estarmos a evoluir muito rapidamente a partir de um ponto muito conservador (embora esta origem seja real). Creio que é mais o estilo de dizer uma coisa e fazer outra. Mais que não seja pela abertura a uma europa mais desenvolvida, os portugueses rapidamente foram tomando contacto com uma evolução generalizada das mentalidades. Perceberam que esta "modernidade" estava certa. Mas perceber ao acreditar vai um grande passo. É um pouco como o racismo mal disfarçado que ainda percorre grandes correntes da nossa sociedade. Ninguém é, mas... Por isso, olho com alguma desconfiança e desilução para as conclusões deste estudo, constatando que ainda há um grande caminho a percorrer.

sexta-feira, janeiro 14, 2005

(1234) Boa Notícia

(1233) Sob Escuta


   Lady Sleep - Maximilian Hecker

   

   Afinidades: Rufus Wainwright; Mew.
   Para descobrir: "Anaesthesia".

(1232) Será?

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