nho Resistente Existencial: Novembro 2004

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

terça-feira, novembro 30, 2004

(1034) Será?


"Não sou nada contra o filme comercial. A gente dos filmes comerciais é que é sempre contra o cinema como arte". - Manoel de Oliveira

(1033) "Cada cabeça, sua sentença"


Público: "Remodelação Profunda Pode Evitar Eleições"

Diário de Notícias: "Jorge Sampaio esvazia crise política"

Ou, neste caso, cada fonte, cada capa.

Nota: Fiquei surpreso quando vi pela manhã as duas capas (não as coloco aqui visto que o Público "online" não disponibiliza uma imagem com tamanho aceitável) e fiquei a matutar quem "teria razão". Algumas horas mais tarde, confirmou-se o meu pressentimento: O DN tinha acertado na "mouche". Não deixa de ser curioso que este jornal esteja mais virado à direita e (demasiado) próximo das influências governamentais. Ao mesmo tempo, o Público coloca-se (ligeiramente) à esquerda no espectro político. Mais uma vez, terá havido uma mescla de "wishful thinking" e tentativa de pressão sobre o PR por parte da esquerda que não resultou. O Público acabou por ser uma dessas vozes, ou veículo. De notar que este jornal referiu-se às suas fontes como "círculos próximos do Presidente", enquanto o DN menciona "que soube" "segundo Belém" e "fontes da comissão permanente do PSD".

   O mais provável é que nenhum jornal tivesse absoluta certeza dos factos que informava, acabando por cumprir a agenda política dos seus informantes mais próximos: ao governo interessava relativizar a crise, à oposição valorizá-la. Agora tirem as vossas conclusões...


   ADENDA: afinal, as "notícias lusomundo" estavam - felizmente - erradas. Este "post" ficará como recordação de um estado de espírito contrário ao de há quatro meses atrás. Naquela altura, (quase) todos esperavam eleições e receberam um balde de água fria. Agora foi o oposto, com o sabor da surpresa a adoçar o acontecimento.

Ps. Obrigado Filipe (mais uma vez) pela leitura crítica do "post". "Mea Culpa". Foi feito apressadamente e sem revisão (até me passou uma "crise" com "z" vê lá tu). Tenho mesmo de ter mais cuidado nestes "posts" expresso, visto que a minha queda para as gralhas e desatenções é imensa.

(1032) Boa Notícia




"The US Supreme Court has said it will not hear a case that challenges the legality of same-sex marriages. The judges had been asked to overturn a decision by a Massachusetts court that legalised gay weddings and had been challenged by conservative groups."

(1031) Good Night Post



© Julie Blackmon

segunda-feira, novembro 29, 2004

(1030) Semiótica natalícia


 Anúncio (de memória): "Desculpa Pai Natal mas todos os caminhos vão dar à Worten". De facto, já há muito que esta altura do ano tem muito pouco que ver com o Natal. De quadra natalícia passámos a trimestre consumista.

(1029) Para Reflectir


O Filme Está a Ficar Demasiado Pesado, Público (não assinado na versão "online!)

O que há de novo no que ontem se passou? Primeiro, o facto de o ministro que se demite ser membro do núcleo dos fiéis de Santana, alguém que não existiria politicamente sem ele e que era tido como um seu amigo a toda a prova. Depois, porque a demissão volta a tocar o núcleo político do Governo, de que Henrique Chaves faria parte (depois do seu comunicado de ontem ficou-se com dúvidas...) até há pouco dias. E, por fim, porque a forma violenta como o ministro se despediu revelou que não é mais possível saber onde começa a verdade e terminam as mentiras, os enganos e as omissões nas mensagens que Santana vai transmitindo ao ritmo frenético de um cavalo louco.
Henrique Chaves, que há cinco dias dissera que saía das suas funções de ministro Adjunto por excesso de trabalho, revela agora que não tinha nenhum trabalho delegado nesse papel (um papel que já se sabia, de resto, que não desempenhava, pois coordenação entre ministros foi algo que nunca houve neste Governo).


Depois de Carvalhas, por Amílcar Correia

Lopes Guerreiro, um dos dirigentes do Alentejo que o congresso de Almada afastou, disse que o PCP corre o risco de se transformar num "exército de dissidentes", caso não se torne num "partido tolerante" e não troque o "controleirismo" pela "militância activa". É uma evidência. E os resultados estão à vista: a erosão do eleitorado comunista contrasta com o progressivo crescimento do Bloco de Esquerda, particularmente junto da juventude urbana. Até a renovação etária deste congresso soa a processo conduzido pelo "controleirismo": os críticos do Alentejo queixam-se de que os jovens escolhidos ou são filhos ou parentes de simpatizantes da ortodoxia regional.

Ver Um Livro, por Fernando Ilharco

A missão inicial da escola, a sua ideia fundadora e por isso a antevisão do seu percurso e objectivo final, é a iniciação dos seres humanos no mundo da escrita. A escola é a apreensão da leitura e da escrita. Trata-se de um tipo de actividade que ao recair sobre a infância do ser humano, corresponde mais a uma adestração, a uma domesticação, do que a qualquer tipo de aprendizagem, como escreveu Wittgenstein. Aprender a aprender é o que mais se ensina na escola. A língua é um sistema que se explica a si próprio. Explicamos o significado das palavras com outras palavras. Ter sido capaz de penetrar neste espantoso sistema fechado significa ser humano. Quem sabe mil palavras, pode aprender outras mil, quem sabe somar, pode aprender a dividir, mas quem não sabe ler nem escrever só pode ser adestrado na leitura e na escrita.

(1028) Ucrânia(s)



Patrick Chappatte

(1027) A mais recente crise do governo


   ...foi provocada por ondas de choque de uma "reformulação" que acabou por ser um verdadeiro furação. É o que acontece quando o elefante se distrai na loja de porcelanas...Tudo isto vem confirmar uma ideia que já abordada no "post" 1015. Com Santana e os seus próximos, tudo são jogos de poder, lamacentos no interior e cheios de maquilhagem e "verdade" para o público. Actualmente, o grau de inquinamento é tal que as negociatas tácticas tornaram-se endógenas, estrangulando ainda mais uma equipa (?) que já pouco governava. Henrique Chaves estragou tudo. Agora que a tempestade da Casa Pia tinha criado tempo calmo nos territórios de Belém, as águas voltam a agitar-se. Não admira o desabafo freudiano de Sarmento: O país não pára, o governo não pára (completado com o "deixem-me trabalhar" requentado do PM) . A tentação da fuga para a frente é brutal e e ao mesmo tempo impossível.

(1025) Mais um dilema


   Obrigadinho, Dinis. :)

(1024) Good Night Post


Science-Fiction I

Talvez o nosso mundo se convexe
Na matriz positiva doutra esfera.
Talvez no interspaço que medeia
Se permutem secretas migrações.
Talvez a cotovia, quando sobe,
Outros ninhos procure, ou outro sol.
Talvez a cerva branca do meu sonho
Do côncavo rebanho se perdesse.
Talvez do eco dum distante canto
Nascesse a poesia que fazemos.
Talvez só amor seja o que temos,
Talvez a nossa coroa, o nosso manto.

José Saramago

domingo, novembro 28, 2004

(1023) Exercícios de respiração.

(1022) (Neste contexto) Boa Notícia

(1021) A incompetência sai mais caro




"A colocação destes candidatos obrigou o ME a celebrar centenas de contratos para horários-zero. (...) Enquanto o ME procurou uma solução para estes docentes teve, no entanto, de contratar outros professores para preencher as vagas que ainda estavam a concurso no início de Outubro. Ou seja, ao readmitir os professores excluídos e ao atribuir-lhes uma escola, foi obrigado a celebrar centenas de contratos adicionais. Para lugares que, entretanto, já estavam ocupados."

(1020) Cavaco Silva e a Coligação


(1019) O Melhor


   ...do triplo ábum de remixes dos Depeche Mode é ter-me feito recordar uma remistura "perfeita" que não ouvia há anos. Estou a falar do tratamento que a dupla Kruder & Dorfmeister deram à música "Useless".

(1018) Good Night Post



Ilkka Uimonen

sábado, novembro 27, 2004

(1017) Sob Escuta


   Books EP - Belle & Sebastian

   

   Nota: pergunta obrigatória: depois de "Your Covers Blown ", os Belle & Sebastian voltarão a ser os mesmos?

(1016) Para Reflectir [XL]


[26/11]

A Turba , por Eunice Lourenço

A cada arguido ou advogado que saía da Boa-Hora, um molho de jornalistas lançava-se numa "luta quase corpo-a-corpo com os agentes da PSP", como relatava um dos repórteres no local. Cada um que saía respondia da mesma forma: não há declarações a fazer, houve jornalistas a assistir à audiência. Jornalistas esses que ainda não tinham saído e, portanto, os seus colegas continuavam a fazer perguntas sem saber muito bem sobre quê. "Mas qual é a sua interpretação?", "quais as expectativas?", insistiam em várias variantes do clássico "o que é que sente?" e que atingiria um dos pontos mais altos, já à noite, quando uma jornalista pergunta a um colega que esteve dentro da Boa-Hora: "Qual é a tua emoção pessoal em relação a estes acontecimentos?".

Sexo Criminal, por Francisco Teixeira da Mota

Os limites do que deve ser dito, especialmente em termos televisivos, ao nível dos pormenores de actuações sexuais abusivas, é algo de complexo. No caso da cobertura do julgamento de Rosemary West, a BBC, através de inquéritos e estudos de opinião, chegou à conclusão que metade dos espectadores e ouvintes entendiam que tais pormenores deviam ser transmitidos, mas só dentro de determinados horários.
Em Portugal, vamos ter o julgamento da Casa Pia, em que os pormenores dos actos sexuais que constam da pronúncia são de enorme violência. Apesar das figuras públicas que atravessam o processo, o mesmo não vai ter qualquer "glamour". É certo que ninguém sabe o que vai ser dito pelas vítimas em audiência e as sessões decorrerão à porta fechada quando dos seus depoimentos, mas este julgamento será, fatalmente, sórdido, violento e profundamente triste.


A Europa Desunida Face à Rússia, por Teresa de Sousa

Para a UE a escolha é difícil: a sua política para os países europeus vizinhos (Ucrânia, Moldova ou o Cáucaso) deve estar subordinada à preservação, a qualquer preço, da suas relações com a Rússia? Ou as suas relações com a Rússia devem estar subordinadas à atitude de Moscovo face a esses países? Por outras palavras, como escrevia ontem, em editorial, o diário francês "Le Monde", a Europa tem uma política externa que se baseia na defesa e no apoio à via democrática dos países vizinhos ou pretende regressar à velha política da "partilha de zonas de influência"?
Deixar cair a "revolução de veludo" ucraniana será a resposta errada.


[27/11]

Notícia da Mulher Que Deixava a Comida Esturricar, por Ana Sá Lopes

No dia 10, o Supremo Tribunal de Justiça diminuiu uma pena de um homem que tinha estrangulado a mulher. A primeira instância ditara 14 anos de prisão, mas os sereníssimos do Supremo, consideradas algumas atenuantes, reduziram-na para 11 anos. (...)
Fica a saber-se que em Portugal 2004, é atenuante do crime de homicídio o facto de uma vítima ter "deixado algumas vezes esturricar a comida que confeccionava".


Mais Europa, por Augusto Santos Silva

A Convenção elaborou e o Conselho Europeu aprovou um novo tratado, que tem claramente natureza constitucional. A sua lógica global é o aprofundamento da integração, num horizonte federal ("sui generis", mas federal). Coloca a Europa bem para lá do simples espaço económico comum e da simples concertação entre nações e Estados nacionais. Concede (ao contrário do que alguns dizem) maior conteúdo social ao projecto europeu, institui uma cidadania europeia, reforça o papel da representação parlamentar, alarga o âmbito das políticas comuns, diminui as condições de veto e consagra órgãos unipessoais de representação. E, sobretudo, enquadra estes avanços institucionais num projecto europeu com dignidade política e simbólica própria, autónoma face à dimensão interestatal.(...)
Quem, todavia, preferir uma Europa mais coesa, mais social e mais federal, não deve ficar na defensiva: deve procurar que a maioria dos eleitores compareça ao referendo e a maioria dos votantes diga "sim".


Não É Consolação, por Vasco Pulido Valente

O povo sempre gostou de execuções. Em toda a Europa, um enforcamento servia sempre de centro a uma festa. Os vizinhos prestimosamente alugavam janelas a quem queria observar a cena de perto. As famílias levavam as crianças. O povo ria, comia, bebia, dançava e apostava (na coragem do condenado ou no tempo que levava a morrer). Na revolução francesa, apareceu ao pé da guilhotina um público fixo de mulheres, que juntava o útil ao agradável, fazendo "tricot" durante as longas sessões de purificação da República.
(...) O que não acabou foi a ferocidade e alegria de assistir à destruição e sofrimento do nosso querido semelhante. Anteontem, centenas de pessoas acordaram de madrugada e ficaram o dia inteiro em pé e ao frio com o único propósito de injuriar Carlos Cruz, que pessoalmente não conhecem, e de lhe prometer que o matariam por suas próprias mãos. Como seria de esperar, as televisões deliraram.

(1015) O que realmente interessa - II


   A recente remodelação governamental, que, no estilo muito próprio deste governo, teve direito a outro nome e a outra "verdade", juntamente com a cedência do PSD - ou melhor, de Santana Lopes - ao PP, e a acatação do veto presidencial de Sampaio sobre a "Central" demonstram bem os objectivos do actual PM na vida política: o que realmente lhe interessa é manter-se no poder, cuidar dos lacaios de sempre e conduzir os seus mandatos (neste caso não sei se é a designação mais correcta...) com objectivos eleitoralistas e não de seguimento de um programa ou princípios políticos. Eis um político que governa exclusivamente para o dia de hoje e para as próximas eleições.

(1014) O que realmente interessa - I


   Álvaro Cunhal enviou uma mensagem ao Congresso do PCP dizendo "Viva o marxismo-leninismo! Viva o partido comunista Português!". O que realmente interessa nesta nova aparição do líder histórico é tornar-se metáfora mobilizadora do partido, ou seja, o partido está vivo, o partido está convicto da sua ideologia, o partido está com vigor e "juventude"

(1013) Good Night Post



Isaac Levitan - Shadows Moonlit Night [via Abrupto]

(1012) VISTO




   ...e, sim, recomendado.

sexta-feira, novembro 26, 2004

(1011) O ovo do Colombo


   1 - O labirinto capitalista: é verdade que fui poucas vezes ao Colombo (se calhar nem uma vintena de visitas), mas não deixa de ser surpreendente como continuo a achar as orientações terrivelmente confusas e, acima de tudo, centrífugas. Para qualquer lado que se vá, parece que se vai cada vez mais para dentro, cada vez mais para o centro. E já repararam como é muito mais fácil subir que descer, e entrar do que sair? Miniatura de cidade com estradas e tudo uma ova...

   2 - O cinema em modo discoteca psicadélica: à entrada dos cinemas, com uma música daquelas que se ouvem quando alguns carros barulhentos passam, mil e uma luzes a piscar ou acenar, gigantes "neons" e natalícias combinações de luzes rosa-choc, esperava em cada esquina encontrar uma vigorosa festa da espuma . Antes de ver o filme, constato que o mundo já rodopia em plena ficção.

(1009) Boa Tarde


Porque o mundo me empurrou,
caí na lama, e então
tomei-lhe a cor, mas não sou
a lama que muitos são.

António Aleixo

(1008) Futuros discutíveis


   Neste artigo, Eduardo Prado Coelho zurze forte e feio no complexo de cinemas do Alvaláxia. Se dirigisse a sua insatisfação ao grotesto (tirando aqueles assentos laterais, mesmos que decorativamente isolados) centro comercial, percebia-se. Aos cinemas nem tanto.

    Teme EPC que os cinemas do futuro sejam assim. Incomoda-lhe (tem direito a isso), as cavidades para as bebidas, o cheio a pipocas, o caminho para lá chegar, o facto de estar um estádio ao lado (transmitirá más vibrações para dentro da sala?). Onde o respeitado colunista vê um futuro medonho, eu vejo um óptimo lugar para ver bom cinema, um bom ninho de cinéfilos, mesmo que inserido num espaço lamentável. Não só os preços são muito acessíveis para estudantes e jovens (especialmente à tarde), como o cartaz é de boa qualidade. Em termos de qualidade e falando de espaços multiplex, apenas o Corte Inglês lhe é comparável. Situa-se numa área fortemente habitada, com universidades perto. Ao contrário do que EPC julga, é fácil lá chegar de transportes públicos, o meio de transporte "preferido" dos mais jovens. Se estivéssemos num "espaço para consumir pipocas" como, digamos, o Colombo, EPC não teria lá ido e não se teria incomodado. O seu incómodo toldou-lhe a hipótese de ver que, para muitos, este tipo de cinemas podem ser a diferença e descoberta ou não de filmografias alternativas. E isso não conta para o futuro, caro EPC?

quinta-feira, novembro 25, 2004

(1007) Eleições Ucranianas




Nota: a resistência do candidato da oposição, mesmo perante as muitas fraudes já provadas, só é possível devido a uma pressão conjunta da comunidade internacional. Eis uma lição (pelo menos para já) para os "falcões": é possível fomentar a democracia e controlar autoritarismos sem belicismo pelo meio.

(1006) It Lives




«Reagindo à decisão do Supremo, o presidente da concelhia de Lisboa do PS, Miguel Coelho, apelou ao presidente da câmara para que não retome as obras, pelo menos até à conclusão da avaliação ambiental, e avance apenas com o desnivelamento dos cruzamentos. Uma fonte do gabinete de Carmona Rodrigues afirmou ontem que, assim que seja conhecida a decisão, os trabalhos avançarão "logo que possível". »

(1005) Sob Escuta


Norte - Jorge Palma



Para descobrir: "Os demitidos".

(1004) Ficção



Hugo Martins/Lusa

(1003) Boa Tarde


   Dedicado ao Pagan, a.k.a. João O. ...


Damien Hirst

   ...que tem feito uma série de posts sobre arte contemporânea que são dos textos mais interessantes que li ultimamente na blogosfera. Como esperado, nem sempre as reacções têm sido positivas, apesar do evidente esforço (se calhar investido num contexto desfavorável...). Na minha opinião, alguns dos comentários que li podem ser enquadrados nos mecanismos de resposta da homofobia. Perante algo que é (radicalmente) diferente, pouco habitual, ausente dos padrões convencionais (ou convencionados) de leitura do mundo, algo que o nosso entendimento não processa, tendemos a reagir violentamente. Não gosta de mulheres não é "homem". Objecto X não é Y, logo não é Arte. De arte contemporânea ou abstracta pode-se detestar, claro. Devemos é evitar uma (natural) reacção imediata e primária, fechando a mentalidade, recusando aceitar novos caminhos, recusando a confrontação com outros olhares.

   Perante este tipo de arte, sempre desafiadora e fabricada nos limites, não podemos ter resoluções simplistas, porque o seu elemento essencial é a complexidade. Logo, afastemos o empirismo perigoso (como Platão dizia, um quadro de uma cama não serve para me deitar nele, para que serve?), recusemos a beleza como medida da arte, quando a arte é sobre a essência humana, composta de mel e fel. Aprendamos que a arte se relaciona com o resto da arte e da História, assim como a pensar na visão do realizador e do contexto em que o objecto se insere. Um urinal não é arte, mas um urinal provocadoramente colocado num salão de arte, pode sê-lo, pela intenção e reacção. É inteligente, original, desafiador, tudo vocábulos que fazem a arte. Claro que tudo isto exige uma aprendizagem, um esforço promotor, mas tal como nos preconceitos, é preciso não começar a olhar para as coisas de pálpebras cerradas.

(1002) Primeiras dores laborais


   Por alguma razão estranha, o despertador do telemóvel não tocou e acordei cerca de 20 minutos depois da hora em que devia ter dado entrado no trabalho. Como sempre acontece nestas situações, conjugaram-se imediatamente vários azares em simultâneo: reparei que tinha um encontro importante que exigia barba feita (que obviamente não estava...), não conseguia encontrar a chave do carro, que acabou por ser desnecessária visto que havia alguém em segunda fila a tapar-me a saída. O atraso não foi um problema, mas em jejum e quase acabado de sair da cama, passei toda a manhã num estado de letargia mental impressionante, que só passou quando pude tomar um café. Enfim, aposto que também já vos aconteceu.

(1001) Agradecimentos


   Com bastantes dias de atraso, e como forma de continuação do "post" anterior, aqui ficam umas palavras do Rufus Wainwright gravadas pelo J. durante o recente concerto na Aula Magna, agradecendo ao público a entusiástica recepção. Uso as palavras dele para agradecer a todos os que têm comentado, quase sempre com efeito de valor acrescido, a milena de posts já publicada.


[clicar em play para ouvir o ficheiro]

Ps. Soube agora que um dos mais queridos vizinhos, o Renas e Veados, chegou à mesma marca. Parabéns para eles também, e que continuem a ser uma força de inspiração.

quarta-feira, novembro 24, 2004

(1000) ...


M I L P O S T S


and counting...

(999) Festividades



Stephane Peray

(998) Geografia dos direitos homossexuais

(997) De Portugal à Rússia...

(996) Good Night Post



© Philippe Halsman

terça-feira, novembro 23, 2004

(995) Para Reflectir


Constituição Europeia e "Europa Social", por Vital Moreira

(...) com o novo tratado [constituicional europeu] não se perde nada quanto ao modelo social europeu, antes se ganha uma considerável mais-valia. Ele deixa maior margem para políticas sociais progressistas do que os tratados vigentes (que apesar de tudo já permitiram as políticas de um Jacques Delors, por exemplo). De resto, a UE que resulta do novo tratado é muito menos uma simples organização de mercado e mais um "projecto democrático, político, social e cultural" (que Manuel Alegre reclama) do que actualmente.

Saídas e Demissões: a TVI e a RTP , por Luciano Alvarez

Na TVI ouviu-se no início e ao longo do processo o director-geral e o patrão do canal por mais que uma vez, noticiou-se o ambiente na redacção e foram apresentadas as mais variadas reacções à saída de Marcelo Rebelo de Sousa.
Na RTP a saída da direcção de informação não mereceu mais que uma curta e seca notícia a meio do Telejornal. Nem uma explicação, nem uma tentativa para ouvir a administração ou os demissionários, uma reacção. Tinha-se demitido a direcção de informação do canal público de televisão e ponto final. Quem quisesse saber mais que ouvisse as rádios, as estações de televisão concorrentes, ou lesse os jornais no dia seguinte.
São casos como este que justificam as dúvidas sobre quem realmente manda na informação do canal público de televisão.


O referendo oligárquico, por Medeiros Ferreira

Carece de autenticidade o referendo que a AR propõe ao Tribunal Constitucional para este oferecer ao PR. É um mero jogo da oligarquia política para comprometer o povo e desobrigar-se perante os parceiros europeus. Veremos mais tarde o que os verdadeiros decisores farão do processo de ratificação do Tratado Constitucional. Mesmo para dizer sim é preciso saber escolher o momento.

O fantasma do táxi, por Pedro Mexia

(...) do ponto de vista partidário, o consulado Portas tem sido nocivo. Desde logo porque acentuou muitíssimo o grande problema que é a personalização do partido (lembremos a tão glosada semelhança de iniciais). Mas também porque Portas mudou de personalidade pública. Não abrandou a demagogia. Fez versos. Usa gravata. E fato às riscas. Recuperou esse lixo que é a «democracia-cristã». Grita e ameaça. Muda bruscamente em convicções fundamentais. E a lista continua. (...) Claro que, em Portas, tudo é medido, premeditado, encenado. E sabemos que, mais tarde ou mais cedo, assumirá postura menos postiça. Mas, por agora, estamos condenados a essa aliança espúria entre o instinto de matador e a pose estatal.

(994) Mandatos


   
   Luís Afonso

(993) Referendo Europeu: separar as águas


   Já aqui manifestei o meu desagrado pela questão que constará no referendo à Constituição Europeia. O problema está na formulação da pergunta, inaceitável face ao deficit de reconhecimento que a Europa mantém com os cidadãos. Porém, rejeitar a pergunta não pode ser a mesma coisa que recusar a Constituição Europeia. Como também defendi, há agora um caminho de esclarecimento e simplifcação que tem de ser levado a cabo. Importa que o maior número de cidadãos entenda o que está verdadeiramente em jogo, os argumentos a favor e contra, a par dum esclarecimento dos pontos principais da constituição europeia (formalmente bem abordados na questão) e, por que não, uma tentativa mediática de dar a conhecer aos cidadãos o que é verdadeiramente esta União Europeia e como funciona, algo que o caso Buttiglione ajudou mais a fazer que qualquer campanha eleitoral europeia.

   Há que esperar para ver o que os europeístas fazem pela sua campanha, assim como os seus opositores. Parece-me uma atitude pouco crítica estar desde já a recursar liminarmente a Constituição devido à questão, como defendem Paulo Gorjão e José Pacheco Pereira. A estes pergunto: a europa é reduzível uma questão linguística anterior a qualquer debate?

(992) Boa Notícia

(991) Bom Dia


A Um Passarinho

Para que vieste
Na minha janela
Meter o nariz?
Se foi por um verso
Não sou mais poeta
Ando tão feliz!
Se é para uma prosa
Não sou Anchieta
Nem venho de Assis.

Deixa-te de histórias
Some-te daqui!

Vinícios de Moraes

(990) Good Night Post


"And then as a woman you also learn that intellect reduces the erotic value of a woman. That's painful.
It's constantly being said that feminism is superfluous since women have of course already achieved everything; but you only have to look at how much of the world's wealth is controlled by women. In fact exactly 1 per cent. That is a joke. And on top of it all you have to justify yourself for being a feminist. As if one could possibly be anything else!"

Elfriede Jelinek



Mark Eshbaugh

(989) "Statment" do dia

(988) Ainda falam do futebol...



[clicar na imagem para ver a notícia]

(987) Big Mouth Strikes Again


   Sobre a demissão de José Rodrigues dos Santos de Director de Informação da RTP tem-se feito uma pergunta recorrente: a questão é apenas a da colocação de um corresponde em Madrid? Da madeira, dentro do estilo tiranete habitual, chegam-nos mais algumas pistas:

[Alberto João] Jardim acha que "o sr. Rodrigues dos Santos foi bem afastado da direcção da RTP", acusando-o de fazer censura aos trabalhos enviados pelo centro da Madeira.

segunda-feira, novembro 22, 2004

(986) VISTO - "It's a Wonderful Life"


   Aproveitando a reposição na cinemateca, subordinada a um ciclo acerca do actor James Stewart (protagonista deste filme), fui ver a obra-prima de Capra. Não podia ter encontrado melhor forma de passar a tarde. Impressionou-me sobretudo a magnitude da imaginação do realizador, a força do argumento, as portentosas interpretações (o papel de George fica para a história), a facilidade de transição entre registos (ora cómico, ora épico ou dramático). Como os mais cinéfilos saberão, este realizador é uma das grandes influências de Spielberg. Foi fácil encontrar a ponte na maneira genuina e apaixonada de retratar as (boas) emoções da vida, através de personagens aventureiras "greater than life", apesar de fustigadas pela mesma.




   "Do Céu Caiu Uma Estrela" (aqui está uma bela tradução) é uma mistura de conto de natal com a saga épica de um homem adorado por todos mas perdido na vida que leva, que só reconherá perante uma situação limite e com a ajuda de um anjo...bem especial. Agora que se aproxima o natal, não deixem de ver este clássico, que não fora ser a preto e branco, talvez passasse tantas vezes na televisão como "Música No Coração".


   "It's a Wonderful Life", de Frank Capra - ***** estrelitas (Excelente)

(985) Um teste que vale a pena fazer

(984) Má Notícia? [act.]



"KIEV (Reuters) - Ukraine's prime minister is on the verge of victory in a presidential election but his liberal rival has accused the authorities of mass fraud and has told thousands of supporters to stay on the streets in protest.
As the nearly complete official count from Sunday's poll gave Prime Minister Viktor Yanukovich an almost unassailable three percentage points lead, challenger Viktor Yushchenko said he had no confidence in election officials. (...)
Yanukovich held a three point advantage over the challenger -- 49.57 percent of the vote to 46.57 percent, with 98.23 percent of the votes tallied."
[ler o resto da notícia]

Nota: o presumível vencedor é afecto ao Kremlin, enquanto o adversário é supostamente (não há consenso neste ponto) mais pró-UE. Tal como tantas vezes acontece em democracias com pés de barro, a fiabilidade destes resultados ainda está por comprovar.


Eleições não decorreram de acordo com normas democráticas, diz OSCE

Ucrânia: forças de segurança ameaçam intervir para pôr fim a protestos

(983) Good Night Post



De Lempicka

(982) VISTO - "Comme Une Image"


   

   Divertidíssimo filme para todos aqueles que ousam entrar no labirinto implacável do gosto. Grandes actores, comicidade a rodos, tudo à volta da ideia da cultura como "status quo", quer se queira, quer não. Mesmo para quem já viu "O Gosto dos Outros", este é um filme a não perder.


   "Comme Une Image", de Agnès Jaoui - **** estrelitas (muito bom)

domingo, novembro 21, 2004

(981) Adivinhem quem voltou


   

(980) [Novidade] Sob Escuta


   A Song About A Girls - Zita Swoon

   

   Para descobrir: "Hey You Watshadoing?"

(979) Para Reflectir [XL]


Cenas, Incidentes e Profecias, por Mário Mesquita

O JN e o DN traziam (na quinta-feira) fotos quase idênticas da Assembleia da República: aperto de mão solidário, na bancada do Governo, entre o primeiro-ministro e o ministro das Finanças, enquanto Paulo Portas apadrinha, enlevado, a cena. A diferença cifra-se em alguns segundos de diferença entre os instantâneos: o do diário de Lisboa apanha o sorriso de Santana Lopes em todo o seu esplendor, o do Porto capta o capta em expressão menos efusiva (em dissolução ou em formação?). A imagem do DN traduz a transitória euforia, a do JN reflecte a monotonia do trivial.
Não seria legítimo transpor esta análise para o território da intencionalidade, ou seja sustentar que num dos casos se pretenderia empolar os sucessos governamentais e no outro diminuí-los. O mesmo não se pode dizer da comparação dos títulos. O DN inscrevia na foto, sob fundo branco e em letras garrafais, a palavra "Optimistas". O JN estabelecia maior distância em face do Governo: " 'Acabaram os sacrifícios', dizem eles". Ora, este "dizem eles" é temível...


Provocações, por António Barreto

Um hino ridículo. Vacuidade esculpida nos palanques: "Verdade", "Confiança" e "Geração Portugal". Meninos e meninas, clones dos "Pioneiros" e dos "Lusitos", de laranja uniformizados. Palcos de bancadas sorumbáticas para a Nomenclatura. Ausentes de peso, a sugerir que estava terminada a mais radical decapitação da inteligência do partido. "Videoclips" de filhos comovedores. Lágrimas de função. Voz embargada a propósito. Proclamações de elevada densidade política: "Eu adoro Portugal! Nós adoramos Portugal"! Demagogia para o país e emoções para o partido. Fez-se a entronização do líder, devidamente legitimado por percentagens orientais. À falta de grandes duelos, habituais com o partido na oposição, o Congresso do PSD acabou por se distinguir pelas provocações que dele saíram. A primeira, a menos notada, mas a mais dura, tinha Jorge Sampaio como destino. A segunda dirigia-se a Cavaco Silva. A terceira, perversa, visava Paulo Portas e o CDS-PP.

Casa de Trabalhos, por Nuno Pacheco

é perfeitamente aceitável o cepticismo geral face à forma como os TPC servem de falso escape: a uma escola que funciona mal, a famílias que não sabem educar os filhos (preferindo vê-los obrigados a preencher exercícios sem fim) e a um sistema que há muito faliu e tarda em encontrar caminhos regeneradores. Professores, pais, alunos e especialistas na área da educação devem, pois prosseguir a discussão agora reaberta por uma greve tão original quanto pueril. E devem equacionar, eles próprios, uma reforma séria do sistema de TPC. Como faz uma criança, quando chega a casa e abre o caderno.

O Que Se Diz, como Se Diz , por Augusto M. Seabra

A pergunta "consensualizada" entre PSD e PS para o referendo, pode ter todas as justificações formais. Na sua incrível confusão de âmbitos é uma chantagem à faculdade de julgar dos cidadãos; desgraçadamente para os defensores de um projecto europeu, em que me incluo, cristaliza uma vulgata que não terá outra tradução senão o distanciamento dos cidadãos.
No "Le Monde" de sexta-feira, os filósofos Paul Ricoeur e Monique Canto-Sperber relembram que "A legitimidade da democracia reside sobretudo no seu ritual de decisão. Quando é 'sim' é 'sim' não 'sim mas...' nem 'sim, se...'"; "O voto de 2005 deverá ser um voto de consciência, informado e responsável. Mas será necessário que a nossa prática da democracia esteja à altura da Europa dos povos que queremos". Como será isso possível com uma vulgata reproduzindo as formulações da sua própria imobilidade entrópica?


(978) TPCs - Não avaliar a máquina pela peça


   Como professor, sinto-me na obrigação de opinar, baseado na minha prática, sobre as notícias que têm vindo a lume a propósito da pueril "greve aos TPCs", instigada por dois psicólogos ("light", diga-se). Foram levantados alguns problemas pertinentes, mas na generalidade, a notícia foi tratada de forma leviana.

   Os trabalhos de casa são uma tarefa escolar, entre muitas, e são necessárias. Algumas vantagens: permitem a todos os alunos fazer trabalho individual diário (em turmas de 30 alunos, quantas vezes acontece um aluno ter de intervir?), revere, praticar e sistematizar a matéria (se não o fizerem, que tempo dedicam ao estudo?), criar hábitos de trabalho e disciplina, fomentados pelo docente e apoiados pelos encarregados de educação que, por sua vez, têm neste momento um tempo priveligiado para acompanharem a educação dos filhos e até avaliarem o trabalho que está a ser desenvolvido pelos professores.

   Dito isto, é demagógico e anedótico apelar ao fim dos trabalhos de casa, ou até tentar-se envergonhar os professores que os agendam (quando é muito mais fácil nada fazer...). Se os trabalhos de casa forem em demasia, são ineficazes. É verdade. Há aqui que ponderar várias questões: como é que os meus alunos fazem o trabalho de casa? A resposta deverá implicar medidas para aumentar a eficácia dos mesmos; Que tipo de trabalhos estou a pedir e com que objectivo? Será que estou a gerir bem o meu tempo de aula e a incluir exercícios suficientes no tempo curricular? Como são os tpcs das outras disciplinas? Haverá uma sobrecarga? Será que os horários destes alunos e da sua família permitem uma eficaz resolução dos tpcs e acompanhamento? Aqui urge verificar quais as atitudes dos pais e formá-los.

  Finalmente, há que não tomar a parte pelo todo. Se os trabalhos são ineficazes é também porque a escola não está voltada para os rentabilizar, e, dessa forma, os limitar. Não há, por exemplo, o tais "clubes de tpcs" (obrigatórios ou não), visto que o ministério quer tudo menos mais salários docentes. Não há uma boa distribuição da carga horária pelas disciplinas que permita ao aluno manter conceitos entre aulas (por exemplo, quando há apenas uma hora lectiva por semana, ou duas aulas para uma língua estrangeira). Neste movimento, há ainda que considerar o enorme desinteresse que muitos pais têm (ou são obrigados a ter pela vida que levam) pelo percurso escolar dos filhos. Nesse contexto, quanto mais a escola tratar dos filhos e não entrar dentro de portas, melhor. Parece-me que de facto um professor tem de estudar a melhor forma de administrar os seus tpcs e dialogar com os colegas sobre o assunto. Quem se lança na questão?


Ps. Pequena nota de populismo na notícia do Público. O título da capa afirma que os nossos alunos fazem mais tpcs que na Europa. Lê-se a notícia e fica-se a saber que são pouco mais que 20 minutos por semana, ou seja, 3,5 minutos por dia...

(977) Imagens sociais


   Um anúncio recente mostra uma professora, com um ar levemente tresloucado, a escrever números gigantes no quadro de uma sala de aulas onde uma turma revoltosa provoca o caos, indiferente à sua presença. No final, percebemos que lhe saiu "a sorte grande", e esta desata a correr para fora da sala, fugindo da desordem daquela vida e para um mundo novo e feliz.

   Este anúncio, bastante engraçado por sinal, demonstra que a imagem dos professores como profissionais transtornados e incapazes de lidar com a indisciplina, dejesosos de sair duma profissão ingrata, já está inculcada no senso comum e tornou-se uma referência mental para a figura do docente. O pior de tudo é que tem um fundo de grande verdade. Neste sentir do pulso às percepções mediáticas educativas, vemos quão grave é o estado da educação em Portugal.

(976) Bom Dia



Claúdio Cambom

(975) O W. Bloggar




   ...tem nova versão. Não deixem de fazer o download (especialmente útil para utilizadores de movable type).

(974) Good Night Post


POESIA SMS


Toc-toc
É a morte
Vem outro dia
Ou leva o Pedro
Que na cama agonia
Ou a Ana
Ou a Maria
Toc-toc
Mas que azar
Ainda não estou penteada
Para tu me vires buscar

Sara Monteiro

(973) Sinais da passagem do tempo


   É engraçando reparar, ao rever a série "Conan, o rapaz do futuro", que os autores não têm problemas em, no mesmo episódio, colocar crianças a fumar, a beber álcool e envolvidas em cenas de "spanking" com adultos (!). Nos tempos que correm, nem imagino as reacções indignadas...

sábado, novembro 20, 2004

(972) Angel Boligan


   ...ou quando o "cartoon" é Arte.


Angel Boligan

(971) Para Reflectir


A Esquizofrenia Cultural da Direita Portuguesa, por Augusto Santos Silva

1. No reino das palavras, a direita portuguesa exalta o património histórico-cultural. Ou por causa do valor próprio da tradição, ou porque o acesso às obras herdadas fosse condição necessária da criação contemporânea, ou porque esta última seria, em bloco, indesejável, ou porque o Estado só conseguisse manifestar "isenção de gosto", se se restringisse à protecção dos cânones classicizados, ou porque a política pública tivesse de ser selectiva, não podendo atalhar a tudo ao mesmo tempo e, escassos sendo os recursos, melhor fosse canalizá-los para "valores seguros", o certo é que o discurso habitual é a celebração quase mística da "herança" espiritual e dos seus testemunhos materiais. O que se faz de forma mais ou menos civilizada, com maior ou menor uso das estafadas acusações à "subsidiodependência" dos artistas ou, até, da velhíssima teoria de que o estômago vazio aguça o engenho. Mas faz-se e fazer-se constitui uma trave-mestra da doutrina da nossa direita em matéria cultural. Ela revê-se inteiramente no entendimento de que dá prioridade ao património sobre a criação, assim se distinguindo da esquerda, que preferiria o inverso.


Como sair "disto", por Vasco Pulido Valente

Soares pede eleições e, claro, a dissolução que as deve preceder. Erro dele. Já não contando com a reviravolta de Sampaio, fatalmente favorável ao governo, seria dar a Santana o papel de vítima, em que ele exulta, e a oportunidade a Portas para levantar o fantasma da esquerda tirânica e perversa. A coligação precisa de ferver até ao fim no molho da sua própria miséria. Não vale a pena que ela acabe, se não for arrasada e, com ela, o impensável bando que a imaginou e a seguiu. Ou se limpa a casa, ou não se limpa. Ora limpar a casa exige método. Começar pelas câmaras. Pôr a seguir o prof. Cavaco em Belém (e nunca o desastroso Guterres), para devolver alguma dignidade à Presidência e para que exista uma voz superior e respeitada, e que o PSD ouça, contra a intriga e demagogia. E, no fim votar para uma maioria PS, que não é com certeza a salvação, mas que talvez traga um módico de normalidade e decência. Santana e Portas gostariam imenso de ser o centro de um melodrama nacional. Sempre viveram no melodrama e do melodrama.

(970) Sob Escuta


   Never Never Land [Limited Edition] - U.N.K.L.E.



   Afinidades: Massive Attack;
   Para descobrir: cd 1 - "What Are You To Me" / cd 2 - "Reign (anagram remix)".

(969) O primeiro braço de ferro [act.]

(968) Boa Notícia




"Tal medida - a menos gravosa para a FAP - surge como inevitável por prosseguir a situação de ilegalidade que consiste no facto da Federação de Andebol de Portugal não ter ainda no seu seio uma Liga de Clubes que seja responsável pela organização e gestão da competição profissional de andebol"

(967) Eu gostava [act.]


   ....de saber o que é que isto quer mesmo dizer:




   Terá alguma coisa que ver com isto?

(966) Bom Dia



© Alex Webb

(965) Good Night Quotes


"Human history becomes more and more a race between education and catastrophe."
H. G. Wells, Outline of History (1920)

- - -


"Moral indignation is jealousy with a halo."
H. G. Wells, The Wife of Sir Isaac Harman (1914)

sexta-feira, novembro 19, 2004

(964) A pergunta


«Concorda com a Carta de Direitos Fundamentais, a regra das votações por maioria qualificada e o novo quadro institucional da União Europeia, nos termos constantes da Constituição para a Europa?»

   

   Esta será a pergunta tripartida que constará no referendo à Constituição Europeia, e como é óbvio pelo seu conteúdo, está a gerar polémica. É verdade que é uma pergunta de uma complexidade inaceitável, manipuladora (quem - na generalidade - não concorda com a Carta dos Direitos Fundamentais do homem?) e parece assentar numa desejo político de tornar opaco todo este processo e de desvalorizar (desmotivando) a participação cívica nesta fulcral decisão.

   No entanto, mais importante que a pergunta, que, tendo em conta a falta de um espaço público europeu, seria sempre de difícil entendimento pelo cidadão médio,é a campanha que se fará à volta do assunto, que como se sabe é o seguinte: aceita-se ou não uma Constituição da UE que estará acima da nossa e representa um passo em frente no federalismo europeu? Por razões constitucionais, não se fez uma pergunta simples. É estranho. Mas suponho, caro PG, que provavelmente não seria fácil ou desejável estar agora a negociar um acordo que extravasaria certamente esta questão...Chega agora o momento dos verdadeiramente interessados fazerem uma campanha intensa de informação e esclarecimento, de forma a que a palavra dos cidadãos não venha a ser letra morta.


Ps. Num tom mais leve, o B. chegou a casa e disse: será que, para além do Sim e do Não, vamos ter a hipótese "Whatever"?

(963) Para Reflectir


É fácil, é barato e engana os tolos, por Miguel Sousa Tavares (sem link)

"Das duas, uma: ou o Governo tinha coragem de levar o seu moralismo às consequências nele implícitas, proibindo por lei o consumo do tabaco e pondo fim a esse excelente negócio do estado, ou então, quanto muito, deixava aos restaurantes, bares e discotecas a faculdade de serem eles a escolher se queriam ou não proibir o consumo (passando a haver establecimentos para fumadores e outros para nao fumadores), ou impunha-lhes a obrigatoriedade de terem zonas reservadas para uns e para outros. Qualquer destas medidas defenderia, de forma suficiente e inatacável, os direitos dos não fumadores. A proibição (...) denuncia-se como aquilo que é: uma cruzada moral."

Nota: MST tem razão em dois aspectos. Esta lei é produto e causa de muito moralismo ignóbil à custa do "bem alheio". Também é verdade que poderia ser encontrada uma solução de compromisso, menos proibitiva (embora a ideia quase de "apartheid" de MST também me levante dúvidas). Porém, mais uma vez MST não resiste a um artigo a roçar a má educação e onde ataca aqueles que lhe querem tirar os seus prazeres aristocráticos (fumar, conduzir depressa, caçar), esquecendo-se do fundamental: indicar os verdadeiros problemas - gravíssimos - que todas essas actividades comportam. Como argumenta bem, sabe que a lógica dos proibicionistas tem falhas. Mas ao defender cegamente apenas um dos lados da questão, denuncia-se como aquilo que é: um interesseiro arrogante.

>Falluja: Vitória de Pirro?, por José Loureiro dos Santos

O próprio Sistani, que deseja eleições urgentes, insurgiu-se contra os actos de violência. Vozes governamentais já dizem ser preferível adiar o acto eleitoral, mas os xiitas, maioritários, e os curdos, ambos em rota de colisão com os sunitas, querem receber depressa o poder que o sufrágio lhes entregará.
Adiar-se-ão as eleições, contra a vontade dos xiitas, que podem ser tentados a actos de insurreição, como já aconteceu? Ou elas efectuar-se-ão, com o risco de não serem consideradas legítimas, formando-se governo xiita sem capacidade para se confrontar com uma furiosa resistência sunita e os jihadistas? Ou continuará o actual lamaçal estratégico?
Não parece adquirido que à vitória táctica de Falluja corresponda uma vitória estratégica.


O Fim da Aventura, por Vasco Pulido Valente

A direita de Santana e Portas precisa de uma certa histeria para ganhar e crescer. Ora Portugal não está dividido ou radicalizado. Espera pacatamente o dia de correr com a coligação. Uma grande campanha contra a esquerda ou qualquer outro bode expiatório, conduzido por dois demagogos sem crédito ou cabeça, não irá longe. Portugal não é a Inglaterra de Thatcher ou a América de Reagan e de Bush; e esta direita, que chegou ao poder por uma série de acidentes, não assenta numa doutrina, numa cultura, num programa, num descontentamento. Vive no ar. A querela das listas mostra bem que já só se trata de salvar alguma coisa do desastre. O PSD quer salvar uma hipótese de futuro para além de Santana e o PP quer simplesmente salvar a vida. De qualquer maneira, a aventura acabou. Falta a fase do "bunker: uns meses de governo impotente e cercado, de retórica e delírio

(962) Entretanto, na minha vida virtual





[clicar nas imagens para obter informação sobre o jogo]

(961) Entretanto, noutro continente


   ...o segundo e moderado mandato começa:


Jeff Parker



M. E. Cohen

(960) Bom Dia


O VERÃO

Estás no verão,
num fio de repousada água, nos espelhos perdidos sobre
a duna.
Estás em mim,
nas obscuras algas do meu nome e à beira do nome
pensas:
teria sido fogo, teria sido ouro e todavia é pó,
sepultada rosa do desejo, um homem entre as mágoas.
És o esplendor do dia,
os metais incandescentes de cada dia.
Deitas-te no azul onde te contemplo e deitada reconheces
o ardor das maçãs,
as claras noções do pecado.
Ouve a canção dos jovens amantes nas altas colinas dos
meus anos.
Quando me deixas, o sol encerra as suas pérolas, os
rituais que previ.
Uma colmeia explode no sonho, as palmeiras estão em
ti e inclinam-se.
Bebo, na clausura das tuas fontes, uma sede antiquíssima.
Doce e cruel é setembro.
Dolorosamente cego, fechado sobre a tua boca.

José Agostinho Baptista

(959) Good Night Post



Goya [clique na imagem para aumentar]

quinta-feira, novembro 18, 2004

(958) Futebol e Política [via malas]

(957) A série que eu ando a (re)ver


(956) A "Caridade" no seu melhor

(955) O PCP


   ...escolhe Jerónimo de Sousa para líder. Ou seja, escolhe "morrer" mais rapidamente ao mesmo tempo que escolhe "morrer" de pé, para o bem e para o mal.

(954) Good Night Post



Goya

(953) AACS acusa Governo de "pressão ilegítima" no caso Marcelo


   E agora, Sr. Gomes da Silva?

Ps. Não esquecendo que o problema é bem mais amplo do que o pequeno ministro...

quarta-feira, novembro 17, 2004

(952) O jogo dos elos


   Tal como com o caso Marcelo, as ligações entre os elos que levaram à saída de Rodrigues dos Santos de Director de Informação são evidentes. Porém, e devido à estratégia que recentemente a coligação optou por utilizar naquele caso (a negação do seu elo), coloca-a num dilema estratégico. É que não há muito tempo o ministro Morais Sarmento havia dito que o governo é responsável pelo que se passa na RTP. Como tantas vezes acontece, a coerência sofre em nome da fuga para a frente. O problema é que desta vez a manta é curta demais.

   

   Entrentanto, A Capital, com as reservas que este jornal merece, avança alguns factos concretos - para além do que já se sabe, para a demissão do popular jornalista.

(951) Para Reflectir [XL]


Golpes de Rins, por Manuel Carvalho

Vai ser, no mínimo, interessante saber como é que o Governo e a maioria que o apoia conseguem explicar o golpe de rins que os leva a defender uma proposta que, em grande medida, contradiz os orçamentos que aprovaram nos dois últimos anos; e será, no mínimo, curioso observar como é que a oposição, com destaque para o PS, vai encarar um orçamento que se apropria de muitas das medidas que o partido apresentou como alternativas à "obsessão do défice" de Ferreira Leite. (...) desta vez vai haver momentos em que Santana Lopes ou Bagão Félix defenderão teses que se ouviram a Ferro Rodrigues ou a João Cravinho, enquanto que José Sócrates e Joel Hasse Ferreira poderão invocar o drama das contas públicas com termos e números que nos hão-de fazer lembrar Durão Barroso ou Ferreira Leite.

Missão Cumprida na RTP, por Luciano Alvarez

A TVI do amigo Paes do Amaral está parcialmente tratada; o "Diário Notícias" já está controlado; na RTP o assunto acabou de ficar resolvido. Segue-se o "Jornal de Notícias", a TSF e a imprensa regional do grupo PT, que se não entrarem na linha por iniciativa própria as administrações tratam do assunto, como aconteceu agora na RTP e já tinha acontecido no "DN".
E tudo isto tem de ficar concluído com alguma rapidez. É que Santana Lopes quer ficar mais dez anos no poder e, por isso, tem de resolver estas questões até 2006, ano em que há eleições presidenciais e legislativas.


A guerra do terror, por Clara Ferreira Alves

«Aquilo» é entre eles, os combatentes, e os outros, os ocupantes. «Aquilo» não conhece meios nem fins. Matar a sangue frio uma mulher que só ajudou o Iraque é uma acção típica de um terrorista estrangeiro, com Zarqawi ou sem Zarqawi, e matar a sangue frio um homem caído no chão e ferido, é uma acção típica de um criminoso de guerra, também estrangeiro.
Dir-se-á que em guerra isto é «natural» e que os soldados americanos estão cansados de ser mortos. Mas, justamente, nada disto é natural. Nos próximos meses, a repressão americana no Iraque vai continuar, sem rei nem roque, e a resistência também. O Iraque é que dificilmente se aguentará. Está perdido.


A morte lenta da AD, por Fernando Madrinha

Os objectivos deste congresso do PSD eram, precisamente, os de aclamar o seu novo presidente, apoiar uma estratégia de poder e desfazer dúvidas eventuais sobre a sua coesão em torno do líder. De um congresso realizado nestas circunstâncias esperava-se que saísse um líder mais forte, um partido mais coeso e uma fórmula de Governo reforçada. Ora, o que se viu em Barcelos foi um partido inquieto, cheio de dúvidas e com o seu quê de esquizofrénico. Um partido que aplaudiu Santana Lopes e não regateou votos à sua moção de estratégia, mas que também aplaudiu, com idêntico entusiasmo, o ex-ministro Marques Mendes, que foi a Barcelos dizer o contrário do que diz Santana - quer sobre o rumo e a estratégia do Governo, quer sobre a política de alianças para 2006.

Zapping político, por Leonel Moura

Isto explica-se também pela natureza do próprio populismo, o qual não tem propriamente uma doutrina ou sequer princípios orientadores bem definidos. Nasce de uma visão genérica bastante conservadora, mas capaz de atender pontualmente reivindicações sociais desde que susceptíveis de garantir apoio e votos. Em matéria económica o populismo favorece os ricos, mas nos discursos não perde uma oportunidade de os atacar. A racionalidade não é o seu forte.
Da mesma forma não é capaz de definir um programa político coerente e, pelo contrário, caracteriza-se por uma política errática. Muito dependente da pessoa e da projecção do chefe, o populismo necessita da sua presença mediática constante, mesmo se ausente de qualquer conteúdo ou mensagem. Estar é mais importante do que ser. Aparecer é tudo.

(950) Even educated fleas do it


   

Let's do it. Let's fall in love.



Ps. Aí está a minha máxima do dia.

(949) Cine & Sofá


   23:00 - América Proibida, de Tony Kaye - RTP1 (1998 - 114')

   

   Enredo: "Derek Vinyard (Edward Norton) returns from prison to find his younger brother, Danny (Edward Furlong), caught in the same web of racism and hatred that landed him in prison. After Derek's father is killed in the line of duty by a minority, Derek's view of mankind is altered, but while in prison, he discovers that there is good and bad in every race. The task before him now is to convince Danny of his newfound enlightenment."

(948) Bom Dia


Estou farto do lirismo

Dizer o que seja
na máxima excelência a que chegassem
ritmo e conceito? Não.

O poema perfeito
por sê-lo
silenciaria:

lugar vazio
e seu nenhum desejo,
azulejo sem qualquer desenho.

Sem-par
abriria mão
da palavra.

E, no ceder das mãos,
não mais:
apagou-se o lenho.

Era o próprio pulso:
fígado,
coração.

Eucanaã Ferraz

(947) Legenda


   ...do Orçamento de estado para 2005:

[Joaquin] Almunia [comissário europeu responsável pelas questões económicas e financeiras] acusa os governos de recitarem sistematicamente o credo da estrita aplicação do pacto de estabilidade, mas "seguirem prioridades diferentes quando elaboram os orçamentos nacionais". Do mesmo modo, muitos tendem a distribuir os "dividendos do crescimento" antes mesmo de estes aparecerem, realizam poucos progressos no controle das despesas dos governos e não as reorientam para as prioridaes da agenda de Lisboa, o programa de reforma estruturais para o reforço da competitividade da economia europeia. "Precisamos de determinação política para reformar as prioridades dos gastos públicos na Europa, para concentrá-los no crescimento, na criação de empregos e investir no nosso futuro sem transferir a factura para os nossos filhos"

terça-feira, novembro 16, 2004

(946) Jornal do Insólito




"Os automobilistas angolanos foram ontem de manhã surpreendidos com um aumento de 70 por cento do preço da gasolina e do gasóleo, numa decisão do governo que também abrangeu outros derivados do petróleo. O litro de gasolina passou de 20 (0,177 euros) para 34 cuanzas (0,301 euros), enquanto o gasóleo aumentou de 14 (0,124 euros) para 25 cuanzas (0,221 euros) o litro. Os aumentos, que entraram em vigor sem qualquer aviso prévio, apesar dos insistentes rumores que circulavam nos últimos dias em Luanda, abrangem também outros produtos derivados do petróleo. Este é o segundo aumento do preço dos combustíveis em Angola desde o início do ano, que somam mais de 120 por cento."


Ps. Mesmo assim, não me importava de ter estes preços...

(945) Sob Escuta


Antony & the Johnsons - Antony & the Jonhsons



Para descobrir: "Cripple and the Starfish";
Afinidades: "Hedwig and the Angry Inch".

(944) Pombos e Falcões


   
   Stephane Peray

(943) A verdade da mentira


   Quando há uma constante necessidade de vir a público dizer que determinados factos são falsos, é caso para dizer que não há fumo sem fogo. A constatar que o desmentido da coligação surge como "reacção às manchetes de hoje de vários jornais"

(942) A ciência e o bom senso estão do nosso lado

(941) Emprego


   Bom: não é cansativo, nem repetitivo, nem aborrecido.

   Mau: apanha-se música má, mesmo que baixinho, durante todo o dia.

Ps. Obrigado aos que me desejaram boa sorte. Cara Sara: (in?)felizmente não tenho de andar de metro. Depois de a ler, fiquei com mais medo.

(940) Bom Dia


   
   © Philippe Halsman

(939) Boa Noite



Magritte

(938) Para Reflectir


O Acossado, por Ana Sá Lopes

O homem que anuncia querer governar até 2014 está frágil e só, embora não tenha real oposição interna e Marques Mendes tenha vindo apenas servir de escape. No final, Lopes justifica as angústias: lembra que "o poder é algo efémero" e que "acima de tudo somos seres humanos, que temos família, amigos, choramos, rimos, entristecemo-nos".


Muros Que nos Envergonham, por Graça Franco

Penso nisto nestas duas últimas semanas, não só quando vejo a evocação dos quinze anos de queda do muro mas, sobretudo, enquanto sigo as reportagens da Cisjordânia a propósito da morte de Arafat. À nossa vista um outro "muro" ( mais imponente agora nos seus oito metros de altura e 600 quilómetros de comprimento previsto), está a ser construído, interrompendo de novo ruas, quintas, dividindo famílias, colocando a escola, o hospital, o emprego do outro lado da barricada. Como o anterior, é um verdadeiro monumento ao ódio. Pode ser até que Israel tenha razão ao afirmar tratar-se de uma barreira eficaz contra o terrorismo. Pode sê-lo na aparência dos números imediatos, mas em cada pacato velho, jovem, mulher e criança forçado a viver um quotidiano de inferno, traduzido nas sucessivas paragens em check points, cresce a mais pura revolta. É ela o campo ideal para fazer germinar o extremismo terrorista. A Comunidade internacional olha de novo impotente para este Muro que nos envergonha. Como dizem os meninos belgas: o mundo é um local perigoso, não porque existem maus, mas porque existem os outros que vêem e deixam fazer. Que a morte de Arafat possa contribuir para a Paz e acelerar a sua queda .

segunda-feira, novembro 15, 2004

(937) Guterres e a fuga


   Após o "regresso" de António Guterres à vida política, ou seja, o lançamento para a corrida presidencial, a direita levantou-se em coro a condenar o homem que fugiu das responsabilidades. Ora eu não gostei da governação de Guterres, especialmente no segundo mandato, mas há que clarificar a questão e a memória. Depois da derrota estrondosa nas urnas, parece claro (na altura também pareceu à direita), que Guterres ficaria extremamente fragilizado num governo que já há bastante tempo se arrastava. Não se agarrando ao poder, decidiu sair, e foram muitos (mesmo de esquerda), que suspiraram de alívio. Preferiu dar mais voz ao povo em vez de ver aprodrecer uma governação cujo controle já lhe escapava. Não podemos ser inocentes: é claro que o ex-PM também viu uma ocasião boa para se retirar da cena política e das enormes dores de cabeça que um governo desmotivante lhe estava a causar. Portanto, pode-se questionar a competência, mas não o desprendimento. Guterres saiu acima de tudo em prol da clarificação política e recuperação do ambiente nacional, respeitando os sinais do eleitorado. Ao contrário de Santana, que preferiu o poder políticamente ilegítimo à legitimação do escrutínio do povo, do qual ele falsamente afirma emergir.

(936) Aviso à navegação


   Começo hoje um novo emprego - a tempo inteiro. Dessa forma, terei menos tempo para o blog e é possível que as actualizações surjam com menos frequência e em menor quantidade. Farei o que estiver ao meu alcance para que o impacto seja mínimo.


   

(935) Mais Cassini


(934) Bom Dia


A casa estava silenciosa e o mundo estava calmo.
O leitor tornou-se o livro; e a noite de verão

Foi como a existência consciente do livro.
A casa estava silenciosa e o mundo estava calmo.


Wallace Stevens

(933) PARABÉNS


   Ao cantinho da blogsfera onde cabe um universo da melhor poesia.


domingo, novembro 14, 2004

(932) Sob Escuta


Nino Rojo - Devendra Banhart
   

Para Descobrir: "Ribbon";
Afinidades: Iron & Wine, Robert Wyatt.

(931) Uns fazem propaganda, outros governam (bem)

(930) Semelhanças preocupantes


   Num aspecto pode-se dizer que as lideranças de Sócrates e Santana são semelhantes. Ambas representam uma nova forma de organização partidária (e logo, de condução do poder), cada vez mais personalizada e dirigida para o controle do poder instituicional. Desde sempre que o peso individual de cada líder foi determinante, se calhar até mais que actualmente. Porém, cada líder estava profundamente associado a um projecto político, assim como a uma forte ideologia de princípios, com princípio, meio e fim. Actualmente, lidera-se cada vez para pró-ciclicamente, para vencer eleições. A ideologia é cada vez mais importada, quer seja o modelo neoliberal para a direita, quer a terceira via para a esquerda. Estaremos perante uma etapa de maturação democrática, que será balançada pelo escrutínio popular, ou face a uma perigosa degradação da "coisa política"?

(929) Para Reflectir


Face à Intolerância, por Augusto M. Seabra

Não desconheço como da expressão institucional de certas práticas se pode deduzir também um programa, usualmente referido como "politicamente correcto". Esse é um critério que não me interessa. Importa-me sim a manifestação da diferença, de cada objecto estético singular ou de uma cultura, importam-me fundamentalmente o cosmopolitismo e a conflitualidade democrática, a tolerância mas também a determinação em combater os fanatismos inimigos das liberdades, dos direitos e das diferenças.
As sociedades democráticas constituíram-se no respeito do indivíduo e as lógicas comunitárias constituem um imenso desafio; damo-nos conta também do ressurgimento de fanatismos religiosos. Seria trágico, em nome da defesa da liberdade, sacrificarmos a ética da tolerância, a abertura cosmopolita e a convivência cultural. E dizendo isto, continuo a reconhecer-me como "europeu" e "ocidental" - mas num mundo não restringido à cultura em que me formei.



A Passagem, por São José Almeida

É impressionante, por exemplo, como Santana abre o congresso com um discurso de mais de uma hora, onde não se vislumbra uma ideia para o país, um projecto. A passagem de raspão pelo Orçamento do Estado e a nomeação da lei das rendas e do fim das scut (auto-estradas sem custos para o utilizador) foram isso só. Santana disse que o tinha feito. Não sistematizou, não explicou, não enquadrou. Nada. Falou de si, de como é vítima de Deus e do Mundo e de como quer e muito ganhar o poder e cumprir aquilo que já era o desígnio de Durão, realizar o sonho almejado desde Sá Carneiro: uma maioria, um Governo, um presidente.
A ausência de projecto nacional, patenteada por Santana e já por Durão, não significa ausência de projecto de poder, nem sequer ausência de opções ideológicas claras. Elas existem. São assumidas até em pormenores fundamentais às técnicas de propaganda de transmissão de mensagem e estão patentes no nacionalismo bacoco do novo hino, que até recupera a ideia de vanguarda para a personificar em Santana.

(928) Boa Notícia

(927) Bom Dia


   
   © David Burdeny

sábado, novembro 13, 2004

(926) EU VOU



(925) Para Reflectir [XL]


O Enterro de Barcelos, por Vasco Pulido Valente

A "Geração Portugal", que lá irá em peso, essa, não pensou de todo que anos de incondicional fusão (ultimamente agravada pelas tendências de Santana) impedem que o PSD apareça em 2006 como um partido autónomo, com um futuro independente do PP. Marcar hoje a diferença valia alguma coisa; em véspera de eleições não vale nada. Este congresso, aparentemente cerimonial e vazio, é no fundo um enterro: o enterro do PSD histórico de Sá Carneiro e de Cavaco.

Congresso do PSD: o ruído das ausências, por Rogério Rodrigues

A nova nomenclatura de Santana não presta. É faminta de poder. E teme que o poder, tão circunstancial que ele tem sido, assente na leviandade e na incompetência, esteja a chegar ao fim. E joga todos os dados numa só jogada, amadora, de casino. Este Congresso vai ser o esforço final, com muito bluff à mistura, para se manterem no poder. Não vai ser fácil, porque, além do bluff, não têm mais nada a oferecer. E são cada vez mais os que acham que o bluff não é solução para a crise quase irremediável em que nos mergulharam. Temem Sócrates, temem Cavaco Silva, temem as vozes discordantes dentro e fora do círculo do Poder. Este é o Congresso de consagração de alguém que não foi eleito, apenas indigitado. Há uma equipa, de voracidade incomensurável, que vai tentar a todo o custo, com agências de comunicação, em pleno funcionamento, transformar a água em vinho.

Vasco Graça Moura, por António Tabucchi

Leio na imprensa portuguesa a exaltação de Vasco Graça Moura pelas guerras e pelos bombardeamentos de George W. Bush, repetidamente condenados pela ONU.
A exultação é explícita, mas não me parece suficiente para um homem da envergadura de Vasco Graça Moura. Quando Mussolini bombardeou a Abissínia e a Líbia (é escusado dizer, sem o consentimento da Sociedade das Nações) para levar àqueles países o Estado ético e corporativo italiano, Filippo Tommaso Marinetti, exultante, escreveu o poema "Il Bombardamento di Tripoli".


O ministro-empresário Álvaro Barreto, por José António Lima

O problema - como Álvaro Barreto demonstra abundantemente nesta entrevista e nem sempre com muita inteligência, apesar da sua reputada maturidade - já não é só a obsessão doentia que Santana Lopes e o seu Governo têm com a comunicação social. O problema é o conceito antidemocrático, cada vez mais patente, que manifestam sobre o relacionamento do poder político e do poder económico com a liberdade de expressão, com uma comunicação social plural e crítica. Não têm, decididamente, emenda.

Quem apoia este OE?, por Paulo Ferreira

(...)E o mais grave, que resume quase tudo e é origem de quase tudo, é o do carácter pró-cíclico da política orçamental.(...)
A suposta quadratura do círculo que Bagão Félix tentou no OE 2005 é um exercício falhado e o Governo ficou em cima do muro: por um lado, desistiu do esforço; mas por outro, a margem de manobra é tão estreita que, ainda assim, não chega para o pão e circo desejados.
Site Meter
A minha fotografia
Nome:
Localização: Portugal
  • Livro de Reclamações:

  • nunopinho(AT)vianw.pt

    (Substituir (AT) por @)