nho Resistente Existencial: (789) Para Reflectir

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

domingo, outubro 24, 2004

(789) Para Reflectir


Liberdades e Regulação, por Augusto M. Seabra*

Importa dizer, retomando Bustamante, que não cabe andar tontamente a clamar contra a existência de grupos multimediáticos. Não há também real liberdade de imprensa sem capital que a sustente e a sua lógica económica tem que ser respeitada. Mas os limites do mercado permitem apenas um número escasso de grupos, com as distorções de oferta e eventualmente de emissão de opinião que acarreta. Há que definir limites e regulação.

Elogio do Eleitor Ignorante, por Pedro Ribeiro

Muitos republicanos acham que a guerra no Iraque é apoiada pela opinião pública mundial, que Saddam Hussein tinha laços directos com a Al-Qaeda, e que foram descobertas armas de destruição maciça no Iraque, entre outros erros. Mas os apoiantes de Kerry também se enganavam - por exemplo, metade achavam que o seu candidato quer cortar o orçamento do Pentágono (o que não é verdade).

Ariel Sharon, Chefe da Esquerda, por Jorge Almeida Fernandes

Em 1969, um jornalista israelita, Marc Hillel, escreveu um livro intitulado "Israel em perigo de paz": se desaparecer o inimigo árabe, Israel será dilacerado pelas suas contradições. Hoje, 35 anos depois e sem paz com os árabes, os israelitas estão às portas de um confronto interno. O espectro de "guerra civil" é cada vez mais evocado. É uma retórica, mas que se torna perigosa quando rabis se associam aos colonos e à extrema-direita apelando à desobediência dos soldados. Ou quando os serviços secretos levam a sério a possibilidade de um atentado contra Ariel Sharon, acusado de "traição". (...)
Mas já não é isto o que está em causa. Gaza tornou-se a linha de fractura entre as duas faces de Israel. Este não é um Estado "normal": não é laico nem teocrático. É uma dupla sociedade, com uma maioria laica e uma minoria ultra-ortodoxa que vivem de costas voltadas e não partilham os mesmos valores. A imensa ironia da história que é a aliança da esquerda com Sharon deve-se a um contexto preciso. A recente fusão de ultranacionalistas, colonos e religiosos está a criar uma explosiva força minoritária decidida a impor-se pela força contra as instituições democráticas. Eles agem em nome de Deus. Não só negam o "outro", o árabe, e defendem o apartheid, como fazem da "terra sagrada" o valor supremo. A democracia israelita está refém dos seus "loucos de deus".


* Augusto M. Seabra, cuja frontalidade com consistência admiro, foi influente no meu percurso na blogsfera. Foi ao ler um artigo seu que descobri os blogs de cultura Janela Indiscreta e Montanha Mágica, que ainda hoje visito diariamente e que vieram a moldar o próprio conteúdo deste blog. Como Augusto M. Seabra passou recentemente pela caixa de comentários aqui do burgo, aproveito para lhe agradecer publicamente o contributo. Ah, delicioso o pormenor da palavra "infelizmente" na legenda da citação de Santana. Às vezes uma palavra vale por muitas.
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