nho Resistente Existencial: (730) Orçamento de Estado

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

sábado, outubro 16, 2004

(730) Orçamento de Estado


   Tal como o seu governo, este orçamento de estado é um exercício de propaganda e truque mediático. Do que já é conhecido podem-se tirar algumas conclusões:

   1 - O efeito da descida dos impostos será anulado por impostos indirectos (portagens, subida dos preços dos transportes, da electricidade, etc.), por eliminação de alguns benefícios fiscais, anteriormente incentivos à poupança (e já aqui há uma ideia ideia exclusivamente política - não estimular a poupança) e pela actualização dos escalões. Mais grave, é a classe média não ter sido contemplada com esta descida. Para estes, os que mais pagam para o estado, a descida de impostos é zero. Mais grave ainda, alguns dos mais ricos (rendimentos entre 36 mil e 56 mil euros), têm a mesma descida de impostos que os mais pobres. Claro que estes não têm de pagar tantos impostos indirectos... (e sobre os rendimentos, tendo em conta a fuga ao fisco). Tudo isto é explicado ao pormenor num excelente "post" do Rui, com direito a quadro explicativo e tudo. De consulta obrigatória.

   2 - O carácter eleitoralista do orçamento é visível na continuação das receitas extraordinárias - até 2007! A mesma medida que não resolve nada, segundo as próprias palavras de Bagão está lá, porque é preciso dar aumentos e descer impostos com vista ao ciclo eleitoral. E financiar mais as autarquias, claro. Mera política de curto prazo. Por que não aumentar os salários, mas não descer impostos e assim conter o défice? Porque não rende tantos votos.

   3 - O optimismo irrealista. Com os preços do petróleo a subir em flecha, o governo não pode prever tanto crescimento. Se não acontecer, lá virá mais um rol de promessas não cumpridas e provavelmente mais uma levada de medidas extraordinárias, ou novos impostos indirectos. Se não é assim, o Governo que esclareçao que fará nesse cenário.

   4 - Claro que tudo isto é ideologia, nada mais. Aposta-se na erosão do poder de compra da classe média, que pagará as derivas populistas do governo. A continuação deste cenário económico levará inevitavelmente à criação de mais pobreza e desigualdade social. Basta ver um indicador esclarecedor: o orçamento do Ministério da Defesa é aumentado em 7.1% e o da Educação menos 2,2%. É preciso dizer mais alguma coisa?


Ps. O Rui tinha ainda feito outro "post" de leitura obrigatória, dessa vez sobre a pobreza em Portugal. Estive para falar do assunto, mas não consegui. Aqui fica a recomendação de leitura.
Site Meter
A minha fotografia
Nome:
Localização: Portugal
  • Livro de Reclamações:

  • nunopinho(AT)vianw.pt

    (Substituir (AT) por @)