nho Resistente Existencial: (616) JOSÉ SÓCRATES

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

terça-feira, setembro 28, 2004

(616) JOSÉ SÓCRATES


   ...Venceu, como esperado, as eleições para líder do partido socialista. Uma eleição que foi diferente do habitual, pela exposição mediática, pelo combate a três, pelo novo sistema de eleição (todos os militantes). A vitória de Sócrates é a vitória do centro-esquerda, onde a palavra centro significa pragmaticamente "chegar ao poder", através de todos os meios possíveis (vejam se há uma entrevista em que um apoiante de Sócrates ou o próprio não diga a palavra vencer). A palavra esquerda não será mais que a memória honrosa mas envelhecida que apenas serve para usar como autocolante chamativo dos tradicionais eleitores do PS. Foi ainda a vitória (mais uma) da imagem sobre o conteúdo. Não é por acaso que um espectador da Sic Notícias dizia hoje num programa que Sócrates representa o "novo" e o "moderno". Se se pensar bem, Sócrates foi o único dos três a ter estado num governo - um de má memória, especialmente para os socialistas. Mas foi a ideia que passou, e passou bem.

   Foi um debate ainda mais importante no sentido em que legitima verdadeiramente esta forma de fazer política à esquerda. Esta eleição deu a Sócrates uma enorme legitimidade (porque em confronto, porque ganha com 80% dos votos), talvez a maior de sempre para um líder do partido. Em consequência, o PS afirma-se ainda mais como um verdadeiro partido de alternância no poder, descaracterizado ideologicamente. A luta política tem semelhanças com a americana, onde há um grande centrão que tudo sorve. Será que nas eleições em 2006 será assim?
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