nho Resistente Existencial: (32) Para o <a href="http://singlewhitemale.deslizo.net/">B.</a> e J.

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

quarta-feira, julho 14, 2004

(32) Para o B. e J.

O pseudo-intelectual é um ser abjecto, repulsivo e, para piorar, altamente grudento. O melhor a fazer é cortar essa pessoa das suas relações. [É] aquele tipo de gente que se acha superior ao resto da humanidade.


Para rematar a discussão que ontem tive com o B., queria escrever algo sobre o “pseudo-intelectual”. Eu acredito que possam existir vivências e comportamentos de falsa intelectualidade (lembro-me no caso da música do conhecido termo poser), mas creio que este epíteto é lançado apenas como um insulto primário e revelador de preconceitos estereotipados.

Chamar a alguém “pseudo-intelectual”, porque este tem uma opinião, comportamento ou vivência relativamente à cultura que nos parece errada (muitas vezes apenas “estranha”), com base em enquadramentos típicos (gosta de música clássica, gosta de política, nunca concorda com a maioria etc.), é que me parece ser um exercício de falsa intelectualidade. Trata-se apenas de lançar um ataque pessoal, não fundamentado e pensado (não intelectualizado). Como insulto, não é passível de justificação, nem argumentação. Por isso, se perguntarem a um intolerante intelectual o que é que ele pretende dizer, ele quanto muito atira um “arrogante” (será que o Mourinho é pseudo-intelectual?) ou “estás a ser pseudo-intelectual, estás a ver?”.

O problema é que ninguém que usa este termo se considera intolerante (também em Portugal ninguém é racista ou homofóbico declarado), mas tal pensamento, no extremo, leva a coisas deste tipo:

P.I.M.B.A (Pseudo Intelectual Metido à Besta e Associados, ou seja, intelectuerdas (sic), alternativos, cabeças e viadinhos vestidos de preto em geral), que acham que todo filme americano é ruim e o que é bom mesmo é filme europeu, de preferência francês, preto e branco, arrastado para caralho e com bastante cenas de baitolagem.


É divertido, mas perigoso.
Quanto ao que é um intelectual, cito as palavras de José Andrade:

Já agora, quanto ao papel dos intelectuais, tenho a dizer o seguinte: A classificação de intelectual não é, por si só, uma promoção. O intelectual é um profissional. Podendo ser competente ou não. Existem em vários grupos profissionais, definidos sociologicamente.


Como princípio, mete-me confusão o ataque sistematizado que se enceta às pessoas que gostam de pensar e discutir a cultura acima da banalidade. Como em tudo na vida, a fobia pelo diferente sempre foi algo difícil de ultrapassar. É sempre mais fácil ofender que dialogar, especialmente nos tempos que correm, cada vez mais nivelados pela mediocridade intelectual.


  • PS. B., eu não me esqueci do email "literário". Só não tenho tido tempo parar fazer um texto com a reflexão e cuidado que tal tema exige. Mas não me esqueci e seguirá em breve.
  • 2 Comments:

    • At 14 de julho de 2004 às 13:48, Blogger Major Tom said…

      Subscrevo.
      Essa de escolheres um Rothko como motivo para começar um blog deixou-me rendido. Já prá lista dos favoritos!
      Boas férias!

       
    • At 14 de julho de 2004 às 13:51, Blogger Nuno said…

      Muito obrigado Tom. Sabes que tive a chance de ver quadros dele na galeria Tate. São enormes e é uma esperiência sensorial incrível. Prometo voltar a postar mais vezes sobre Rothko, porque é mesmo dos meus pintores favoritos.

      E tu tens um blog para eu visitar?

      obrigado pelo comentário.

       

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