nho Resistente Existencial: Julho 2004

Resistente Existencial

Extractos irónicos e provocantes acerca de política, sociedade, media, cultura e do umbigo de um desalinhado anjo caído.

sábado, julho 31, 2004

(236) Vaticano e o Feminismo


   Um novo documento oficial da ICAR volta a lançar alarvidades para o espaço mediático. Desta vez o ataque é dirigido às feministas, acusadas de "atenuarem as diferenças biológicas entre homens e mulheres." Mas as pérolas não se ficam por aqui...

The statement of doctrine on gender issues is the first serious attempt by the Vatican to come to grips with a world of working women. But it is just as clearly intended to prevent any erosion of the church's resolute opposition to gay marriage, the incorporation of women into the priesthood, and trends in gender studies which the Pope has damned as "misleading conceptions of sexuality". [Ler o resto da notícia]

(235) Postal Service


(postal da campanha da ex-aequo contra o preconceito a gays, lésbicas, bissexuais e transgéneros)

Gostaram da imagem? Então enviem a vossa (obrigado Sara Achocolatada pela dica :).

(234) O Leitor e a Vida - II


"A ultrapassagem do carácter de lombada de um livro apenas é conseguida com a construção de um sentido a posteriori e assumindo que o sentido de um livro está em constante actualização pelo leitor. Daí Derrida afirmar "Um poema, nunca o assino. O Outro assina. o eu apenas existe em função da vinda desse desejo: aprender de cor" . É nessa vontade de criar vida de ambos os polos deste binómio que um leitor poderia afirmar que nunca ninguém leu nenhum livro que eu li, os livros apenas existem no momento da sua leitura."


Nuno Pinho

(233) Manuel Alegre


   Benvindo Bem-vindo à Blogosfera. Acompanhem a campanha virtual de Alegre aqui. Sócrates deve ter ficado danado por não ter sido o primeiro a ter a ideia.

(232) SAMPAIO


   ...primeiro a propósito da "descentralização" operada por Santana e agora devido ao flagelo dos incêndios, tenta assumir uma postura dura e intimidatória. Por um lado, é a tal faceta de polícia do governo que já era esperada, por outro, é a tentativa de colagem às preocupações do "povo", para recuperar alguma da popularidade perdida. O problema é que ao reagir seria e institucionalmente aos disparates do novo governo, esbracejando na sua impotência, a actuação do PR assume contornos de ridículo. E não devem ser poucos aqueles que vão rindo...

(231) Sob Escuta - Kings Of Convenience

Como não podia deixar de ser no carro do L. & D., tenho ouvido as músicas do deste duo norueguês. Às vezes mais folk, devido à suvidade de Eirik Glambek Boe, outras vezes mais electrónicas por causa dos ornamentos em jeito de programação de Erlend Oye (mais conhecido pelo projecto Royksöpp), estas músicas são ideais para um dia de praia, já depois de muito sol&banho, como tem acontecido por estas bandas. O novo álbum já está nas lojas há umas semanas e vale realmente a pena adquirir. Se quiserem ouvir o novo single "Misread", podem fazer o download na página oficial. Se nunca ouviram nada desta banda, proponho que comecem pelo fantástico "I don't know what I can save you from", do primeiro álbum, Quiet is the new loud. Estes são daqueles álbuns que, na conjuntura apropriada, podem tornar-se na mais mágica banda sonora de uma vida.

Já agora, depois de Versus será que vamos ter direito a álbum de Remixes de Riot of An Empty Street?

(230) A ironia do Marquês (para o B.)

(229) Vou ADOPTAR


   Agora que toda a história já é pública, confesso que vou adoptar uma criança grande e birrenta que gosta muito de falar ao telefone. Vai ser preciso aplicar muita disciplina...

(228) A perspectiva unilateral


   ...dos problemas do ensino é frequente. Como em tantas coisas na vida, a culpa é sempre dos outros. No caso da classe docente, reparei que o onús da culpa é quase sempre colocado nos alunos. Um modo mais comum de terminar discussões sobre educação é "com este(s) não há nada a fazer". Tal atitude iliba o interlocutor de responsabilidades ao mesmo tempo que justifica o abandono de esforços na procura de soluções. Este artigo da professora Margarida Vieira Tomaz, mostra-nos essa necessidade de colocar o aluno no centro dos problemas educacionais.

   Quero eu dizer que os alunos não têm responsabilidades nos problemas? Não. Quero é dizer que nesta matéria falha uma visão de conjunto. O ensino-aprendizagem falha por diversos motivos, cujo quadro global parece nunca ser perspectivado pelos intervenientes. Eu já ficaria satisfeito se cada um apurasse as suas próprias falhas (e os professores têm muitas), o que infelizmente não acontece muitas vezes.

(227) Diário da Noite

Foi uma noite bem passada, se bem que o meu actual estado de nervos não esteja propenso à diversão. Começámos por passar um bocado na esplanada da Graça (perto de uma igreja e de um parque, é o melhor que sei precisar) que tinha outra vista fantástica para Lisboa, bem de cima, como um miradouro.


(miradouro de Santa Luzia)

Em seguida fomos jantar sushi no Chiado, que é só das minhas comidas favoritas. Se ainda não provaram, não sabem o que perdem. Mais tarde, café no Café dos Teatros, onde numa das paredes vizinhas vi esta bela alusão a um famoso peixe.



Avançámos para o bar gay Heróis, que estava com um ambiente muito mau (desorganizado, com música má, sem vodka (!) ). Lá estava este rapaz dentro de uma qualquer revista. A captação não lhe faz juz.




E neste dia já não havia pachorra para muito mais, pelo que regressámos ao conforto do lar. Acho que hoje a noite talvez se prolongue um bocadinho mais...

(226) Good Night Post


Surdo, Subterrâneo Rio

Surdo, subterrâneo rio de palavras
me corre lento pelo corpo todo;
amor sem margens onde a lua rompe
e nimba de luar o próprio lodo.

Correr do tempo ou só rumor do frio
onde o amor se perde e a razão de amar
--- surdo, subterrâneo, impiedoso rio,
para onde vais, sem eu poder ficar?

Eugénio de Andrade

(225) Morrer a grande velocidade





Tal como tinha dito no post sobre cerveja, o processo de formação de identidades sociais, esterotipadas e formatadas num núcleo supostamente essencial, é perigoso. Em último caso, pode matar. Veja-se a notícia de hoje do Público sobre mortes na estrada, em particular mortes de jovens. Como sabem, um dos traços inculcados nos jovens é que conduzir representa aquisição de maturidade. Conduzir agressivamente representa uma virilidade tão maior quanto o perigo a que os jovens se sujeitam. Apoiada nas adolescentes inclinações para a competitividade entre pares e para uma certa necessidade de exibicionismo, esta procura recebe grande acolhimento.

O resultado é que a probabilidade de um jovem morrer na estrada é de "5,2 e de 13,2 mortes por cem mil habitantes para passageiros e condutores, respectivamente." Contudo, "A partir dos 30 anos, baixa para 2,1 nos passageiros e 8,8 nos condutores. "

Como é muito bem dito no texto (cita-se o sociólogo Le Breton), "a viatura torna-se fortemente associada a uma manifestação de identidade, a uma demonstração de virilidade que os conduz a uma multiplicação de acções de risco", isto mais para os rapazes, claro.




Como minimizar estas associações? Descontruindo desde cedo estas ideias impostas um pouco por todo o lado, promovendo visões alternativas de viver a emancipação e, acima de tudo, lutando contra o desvalorizamento social de quem opta por negar estas normas sociais.

sexta-feira, julho 30, 2004

(224) Palavras sábias


   Observação de Baruch:

If all you have is a hammer, everything looks like a nail.

(223) A miopia dos números


   Na edição deste mês da revista de cinema PRIMIERE, há um notícia com o título "Portugueses preferem filmes norte-americanos". Lá dentro ficamos a saber que esta preferência é partilhada por 85% dos "moviegoers" nacionais. O problema é que o dado que realmente importa ter em conta aqui é que a esmagadora maioria dos filmes em exibição (provavelmente mais que os referidos 85%) são filmes norte-americanos. Ou seja, não há uma verdadeira escolha para que se possa falar em preferência. Acredito perfeitamente que a maioria das pessoas prefira os filmes norte-americanos (há tantos excelentes), mas quantos espectadores puderam provar variedade cinéfila?

(222) Sorriso Matinal

                           
                            (Emília Duarte)

(221-b) Maxmen



(221) Cerveja Heterossexista: tão fácil de beber


   De certeza que já repararam na nova publicidade da sempre imaginativa cerveja Sagres. O que me irrita nestes novos "outdoors" é acima de tudo o slogan escolhido - Os Homens preferem Sagres. Esta ideia chave é associada a piropos imagéticos importados directamente no universo machista. Claro que se trata apenas de publicidade, com um público-alvo e objectivos bem definidos e não dum tratado de ciência social. Porém, beber cerveja é uma actividade fortemente enraizada no quotidiano popular e a publicidade a ela afecta tem uma grande visibilidade. Parece-me óbvio que esta publicidade assenta em ideias (a cerveja é para "homens", a Sagres é para "verdadeiros" homens) completamente erradas e ofensivas. Com a repetição do slogan a ideia é interiorizada pela população menos crítica e o risco de beber cerveja ser considerado uma propriedade do "homem como deve de ser" fica um bocadinho mais forte. Ou o homem que gosta de dar piropos às "gajas", como se isso fosse uma sua função vital. O trocadilho publicitário passa ao imaginário social pela constituição de esterótipos categorizantes.



   É por causa de inculcações progressivas como esta que chegamos ao estereótipo máximo preconizado por revistas como a Maxmen, uma publicação assumidamente "Para Homens", cujos interesses legitimadores estão inseridos no topo da capa: futebol, gajas, copos, carros, ferramentas, etc. Esta criação e inculcação de uma visão unívoca, machista e heterossexista leva ao problema da subordinação e desvalorização de todos os outros que não se enquadrem, voluntariamente ou não, nesta categoria. Sobre este tema MVA deu-nos uma bela lição ontem, da qual retiro este extracto:

"Mas: o sistema não estabelece uma simetria, mas sim uma assimetria. Isto é, a homossexualidade é vista como negação negativa e subordinada da heterossexualidade. (...) A nossa luta não é (isso seria uma luta pela utopia, coisa a que pessoalmente não estou disposto por falta de tempo... de vida) pelo fim do regime sexual que define o binómio hetero/homo, mas sim pela saída da homossexualidade da situação subordinada."



Em suma: mais uma boa razão para não gostar de cerveja (nem do novo panache revisitado que para aí anda :P).
Eu não sou nem mais nem menos homem por gostar ou não de cerveja e de gajas. Sou outro homem.


Nota: peço desculpa pelas incorrecções da primeira versão deste post. A marca de cerveja a que me refiro é a Sagres e não a Super Bock. Deve de ter sido de fazer o post tão cedinho...de qualquer forma, pela imagem que publiquei, o texto adequa-se às duas marcas.



(220) Good Night Post

 
 I'm "sleepy-hot" tonight

  (Dorchester Days - Eugene Richards)

(219) A estima dos professores

  
  Eis a resposta à minha interrogação do post 208: os professores são muito bem vistos pela sociedade - os docentes "são frequentemente mais bem vistos do que eles próprios pensam" - escreve-se no último dos quatro relatórios da Eurydice (a rede estatística sobre educação da União Europeia).
   O dado novo é que, pelo contrário, os professores fazem de si mesmo uma ideia oposta, confessando muito pouca estima. Pelo que pude observar, confirmo estas ideias, mas acho que os professores as escondem assim que saem das paredes da escola...

(218) Sócrates e a ausência de convições



"Casamento entre homossexuais? Não tenho nenhuma observação a fazer. Não digo que seja uma grande necessidade, mas sou muito liberal." (José Sócrates, candidato à liderança do PS em entrevista ao Expresso).

Nota: Nem gordo, nem magro, nem carne, nem peixe, nem bom, nem mau, etc. etc. etc.
Nota 2: Para (alguns) homossexuais, o casamento é uma grande necessidade. Com esta frase, a máscara já caiu.

(217) Travessias lisboetas

 
  


   Hoje passei duas vezes pela ponte 25 de Abril. A primeira de comboio, ao fim da tarde e a segunda de carro, já pela noite dentro. Em ambos os casos, a excelência da vista é notável. O sol poente derramado na foz sublinha a beleza marítima da cidade enquanto as luzes nocturnas ao longo da travessia automóvel parecem celebrar a urbanidade da capital. Percebo que para aqueles que fazem a travessia muitas vezes, a magia se perca nas roldanas da rotina. Mas para mim, um eterno visitante da cidade, é fantástico. I love city views.
 
   Nota: esta ponte não vos faz lembrar a série Angels In America?

(216) O PM Médium


   Santana atacou a esquerda, dizendo que se tivesse havido eleições, tornavam a perder. Deve ser esta a faceta do novo chefe de governo que levou Durão Barroso a apelidado de "metade Zandinga". A outra parte seria Gabriel Alves...



(215) APOIADO (Manuel Alegre)

 
"Não considero natural que as diferenças biológicas de sexo determinem obrigatoriamente desigualdades entre homens e mulheres" (Manuel Alegre, candidato à  liderança do PS, na apresentação formal da sua candidatura).

    Não duvido que este polí­tico tivesse mesmo coragem de pôr em prática esta (bela) ideia. Provavelmente essa será uma das razões porque não é elegí­vel, certo?

quinta-feira, julho 29, 2004

(214) A minha aposta




   Depois de o ouvir no debate do programa de governo, cada vez mais me conveço que António José Seguro seria um bom líder para o PS.

(213) A Q U A R I O F I L I A - III


   "João chega depressa, atira a roupa para o chão, deixa a água quente escorrer-lhe pela pele. Está de olhos fechados, um braço encostado aos azulejos, a cabeça pousada neles, os ombros largos, as costas a descerem para o rabo, um braço caído a acentuar a linha curva, o rest do corpo apoiado na perna direita, a outra ligeiramente mais atrás. Consegue imaginar como lhe daria prazer olhar para um corpo naquela mesma posição. desde que é pequeno, quando adormece, duas fantasias o conduzem geralmente ao sono mais profundo, sem sonhos. Na primeira, o colchão desfaz-se em líquido como se fosse uma piscina e o seu corpo fica submerso e ondula debaixo de água, o seu meio natural, o silêncio profundo, o peso todo como numa carícia, como se não pudesse cair nunca, como se nunca pudesse perder, como se toda vida tivesse sido um peixe. Mergulha e nada para longe, a caminho de uma luz distante. Na outra, está deitado de barriga para baixo e leva três tiros nas costas e morre."


Luís Soares

(212) VISTO - Harry Potter and the Prisioner of Azkaban




 
    Estreia hoje em Portugal o terceiro tomo da saga do jovem feiticeiro Potter. A premiére acontece com quase dois meses de atraso, com a justificação que a realização do Euro2004 poderia afectar as receitas...

    Ficam desde já dois avisos. Um, aos puristas: o argumento de Harry Potter and the Prisioner of Azkaban não é fiel ao livro de J.K.Rowling. Partes são cortadas, outras adulteradas, havendo até lugar para "invenções menores". Contudo, o que se perde em transcrição narrativa, ganha-se em criação de uma verdadeira e estimulante imagem cinéfila de Harry Potter, propriedade que os anteriores filmes não possuíam. Segundo aviso: o filme é bem mais pequeno que os anteriores, mudando de ritmo e tom. De longas cenas descritivas, passamos para rápidos flashes de acção e a ambiência luminosa e um pouco infantil adquire um tom dark, levando o epicentro da acção de fora para dentro do castelo de Hogwarts, ou seja, para a floresta negra.

    Este filme é superior aos seus antecessores. O realizador Cuarón tem doses de engenho que passam directamente para o filme, tornando-o mais ousado e estimulante a nível visual. Os efeitos especiais são impecáveis e pouco redundantes. O elenco de actores está à altura, apesar do trio de protagonistas estar a ficar um pouco crescido demais para a idade. O único senão do filme é mesmo o seu ritmo impressionante. As cenas sucedem-se a tal velocidade que é difícil assimilar tudo o que se está a passar, especialmente se não conhecem os livros. Não há tempo para respirar e o filme às vezes precisaria de momentos de abrandamento que simplesmente não existem. Percebe-se que a tarefa do mexicano era árdua, mas espera-se que a dose de compressão aplicada a este filme seja revista em "Harry Potter and The Goblet of Fire".
 
Harry Potter and The Prisioner of Azkaban - ***1/2  estrelitas (Bom+)
 
E vocês, o que acharam?

(211) Good Morning Post

 
                                        É hoje o último dia de calor?

             
                    ( à beira - Jorge Santos)

(210) Parabéns ao Quino (ao famoso e ao desconhecido)


                            

     Há precisamente 50 anos Joaquín Lavado, hoje conhecido apenas como Quino, publicou o seu primeiro desenho. Mafalda é a sua personagem mais famosa, mas os desenhos de Quino formam um universo rico, muitas vezes transmitindo uma forte crítica social ou satirizando os meios políticos.


                      

(209) Má política


   Hoje foi votada e aprovada uma moção de confiança ao novo governo. Como toda a gente sabe que votar em nós mesmos não é propriamente um grande feito, parece que só serviu para Santana dizer à saída da AR que o governo estava legitimado. As pessoas percebem o embuste e depois não querem saber, como é óbvio. Só que fazer as coisas de maneira diferente não parece estar no gene desta estirpe de políticos, atolados e dominados pelo jogo de baixa política.

(208) Blogo Noticioso da meia noite



I - Sudão: Milícias queimaram civis vivos - A pressão tem sido eficaz.

II - Santana justificou silêncio [sobre incêndios] - Santana censurou um autarca por não limpar as suas matas baseado em imagens que tinham meses, facto que aparentemente desconhecia. É desta forma superficial que Santana trata os temas. Preparem-se para a legislatura das "Gaffes". Ainda sobre o mesmo tema, voltou a criticar a "condições climatéricas sem precendentes", dizendo que o risco era maior este ano. Será que não aprenderam nada com Figueiredo Lopes e a culpa continua a ser da borboleta?

III - Vereador diz que casino vai para Parque das Nações (link não disponível) - O casino idealizado por Santana tem nova previsão de localização, nada mais nada menos que um dos pavilhões pouco utilizados da Parque Expo. Parece-me terrível, pois agravará ainda mais a cada vez pior densificação demográfica e habitacional da zona. Por outro lado, poderá sere primeiro passo para a criação na Expo de zonas interditas a parte do público, algo que não acontece, e muito bem, no momento.

IV - HOMER OFICIALIZA CASAMENTO GAY - Excelente notícia, pois trará uma (ainda) maior visibilidade ao tema. A grande questão é, quem será o casal gay de Springfield?

V - Neurónios danificados recuperados (link não disponível) - Cientistas conseguiram regenerar tecido cerebral de ratinhos recorrendo a células estaminais. Dizem ainda que se a técnica for dominada é, pelo menos teoricamente, possível vir a reconstruir orgão inteiros. Estas notícias deixam-me a pensar sobre as grandes evoluções que a humanidade ainda viverá e que neste momento parecem impossíveis. Bom tema para um post mais alargado.

VI - Autarca do PSD Acusado de Traição por Ter Participado em Acção de Apoio a Sócrates - Estas atitudes levam à formatação ideológica e, por arrasto, à mediocratização da política. É ainda um sinal dos tempos de caciquismo e unanimismo em que vivemos.

PARA REFLECTIR:

* Sombras no Parlamento, por José Manuel Fernandes - (...) quando começou a ser confrontado pelos deputados das bancadas da oposição com questões concretas, logo se percebeu a vacuidade que mora na cabeça do novo titular de São Bento. O pouco que sabe sobre alguns dos grandes problemas que vai encontrar. O nada que já terá lido dos "dossiers" que deve ter na secretária. Pior: o homem que era tido por um parlamentar terrível, de resposta pronta e língua afiada, engasgava-se, hesitava, saltitava de tema em tema e nem sequer conseguia inspiração para tiradas capazes de levantarem a sua bancada.


* Seis mais Seis, por João Filipe Queiró - Entre estes dois tipos de escolas foram criadas as chamadas escolas básicas 2+3, onde coexistem os alunos dos 2º e 3º ciclos. Estas escolas - que estão tudo menos vazias! - são um erro. É bastante evidente que o ambiente dominante numa escola é determinado pelos alunos mais velhos que a frequentam. Nas escolas 2+3, esses alunos têm 14 ou 15 anos, idade difícil, imatura e turbulenta, idade de transição, de exteriorização, de fuga à tutela familiar. Por alguma razão os mais graves problemas de agitação, indisciplina e violência ocorrem nas escolas 2+3 e são invariavelmente provocados por alunos do 3º ciclo. Manter estes jovens junto de crianças, em posição de definir o clima dominante da escola, não parece grande ideia, e contribui para a infantilização do próprio 3º ciclo e para a crise das aprendizagens.

quarta-feira, julho 28, 2004

(207) Hoje li o DN ao pormenor

 
    ...e percebi o verdadeiro alcance da expressão "Jornal de Direita".  A compreensão chegou após a leitura de vários pontos de exclamação nos textos e da verificação da unanimidade de cronistas com posições de direita. E eu que pensava que as notícias deviam ser redigidas num tom imparcial...

(206) Contradições (em forma de questão)

 
I - Não será contraditório afirmar-se como "gótico" e ler-se a Nova Gente?
 
II - Os professores e os polícias da Brigada de Trânsito são classes profissionais muito orgulhosas E respeitadas. Tendo em conta os resultados que o ensino e a segurança na estrada apresentam, não deviam ser o oposto?
 
III - Ando à procura de uma casa para arrendar em Lisboa. Embora não possa ser utilizado por mim, existe um programa do IGAP que ajuda jovens a pagar as prestações das suas habitações. Contudo, a primeira agente imobiliária com quem falámos alertou-nos logo que a maioria dos arrendatários não alugava as casas a pessoas abrangidas pelo programa. Ou seja, na prática, a medida está a ajudar ou prejudicar o acesso dos jovens à habitação?

(205) Aforismo de fim de tarde

 
OBSESSION is like sex: so simple and complex.
(Suede)

(204) ULTRAPASSADAS


....as 1500 visitas em ambos os counters que instalei alguns dias depois de 12 de julho, ponto de origem deste blog, queria prestar um agradecimento especial a alguns blogs que foram os grandes motores das minhas primeiras visitas.
 
    Assim, obrigado ao Renas e Veados, ao Os Tempos que Correm, ao Me, Myself and I, ao BdeII, ao Melhor Anjo, ao Ano da Orquídea, ao Funda de David, ao Casal Gay, ao Solidão, ao Bloguítica, ao Chafarica e Iconolasta, as Minhas Histórias e ao Vida On/Off por me "linkarem" ou me divulgarem. O grande orgulho nem é já ter estes links todos, mas sim ter links destes blogs, alguns dos quais os meus preferidos e reconhecidos por toda a blogosfera.
 
    Um obrigado especial para o Single White Male, porque este blog é quase tão produto do esforço dele como do meu.


                             
 
nota: se houver mais blogs que me "linkaram" sem eu saber, digam-me!

(203) Good Night Post - I need to escape

 

(Scott Owen)

(202) Blogo Noticioso (da meia-noite)

 
 I -  O Pequeno Mundo de Santana Lopes - Excelente retrato do interior de Santana pela grande Alexandra Lucas Coelho. É de facto uma bela gruta, que se começou a formar há muitos anos.
 
II - CPLP Lança Programa de Combate à Sida - Não será certamente este conjunto de medidas (basicamente informativas) que irá travar o flagelo da Sida em África. Mas certamente irá ajudar a que a prevenção seja mais eficaz. Esperamos que seja o primeiro passo de outros ainda mais pertinentes e corajosos. Um exemplo a seguir pela comunidade internacional.
 
III - Começou a Grande Semana - As eleições americanas são de facto um processo pleno de espetáculo mediático. Numa sociedade refém da TV e hiper-mediatizada, este modelo composto de tiradas televisivas constantes e de grande impacto é quase uma imposição. O verdadeiro problema é que fora do conjunto dos estereótipos políticos e morais dos americanos, pouco tempo resta para o debate de ideias e, sobretudo, para a diferença. É o campo do "centrão" buraco negro, que tudo a si atrai e tudo o resto destrói.
 
IV - "Falhanço Catastrófico" da NATO e ONU nos Recentes Tumultos no Kosovo - Eis a prova de como não basta proteger militarmente populações em zonas de conflito sem uma política estruturante que reencaminhe as partes em conflito para a coexistência. Um aviso para Darfur.
 
Para reflectir...
 

(201) Dancer In The Dark

    Ainda a propósito de Lars Von Trier e continuando a discussão iniciada nos comentários ao post 188, tenho a dizer que o meu filme favorito deste irascível realizador também é Dancer In The Dark, com a grande Björk.

    Tive a sorte de ver este filme no cinema Oita em aveiro, uma sala dedicada aos filmes "menos comerciais", que frequento com alguma regularidade. Vi-a com um amigo, sem saber muito bem o que esperar. O espetáculo afectou-nos imenso e quando saímos para o exterior, não existiu uma reentrada total no real. Pedaços sensoriais da película vinham agarrados a nós e pareciam projectar-se no mundo envolvente. Choviam grossos pingos e estava um céu preto, povoado daquelas nuvens rápidas que passam sem que a sua forma chegue a formar um desenho concreto.
 
   Foi um dos primeiros filmes em que percebi que não estamos no cinema apenas como espectadores exteriores ao filme, assistindo a um espetáculo. Pelo contrário, somos fascinados pelo espetáculo do cinema, que nos envolve e transforma indelevemente.

                      

(200) Confesso

  
  ...que estou com falta de resistência. A viagem de comboio acabou por demorar mais de quatro horas porque houve uma avaria no fornecimento de energia. O dia em Lisboa foi muito bom, mas o significado da expressão vaga de calor ganhou novo significado para mim. Um nortenho não está habituado a este clima quase subsariano! O que vale é que onde estou há uma ventoinha e aparentemente, menos melgas :D.

 
    De tarde o sofrimento continuou. Fomos para uma praia onde estavam muitos nudistas e foi meio engraçado meio constrangedor ver pessoas de "rabinho ao léu" (nem todos anatomicamente exemplares). O pior foi na volta, quando para fazer um percurso de uns 2km. demorámos mais de uma hora, devido a uns acessos inacreditavelmente maus. Este tipo de problema, tal como do comboio, deve ser aquilo a que chamam de atraso estrutural...
 
   A esta hora, já retemperado por uma refeição apetitosa (obrigado L & D.) e um banho refrescante, sinto-me ligeiramente melhor. Mas os níveis de resistência estão em baixo. Desejem-me boa sorte para amanhã.

terça-feira, julho 27, 2004

(199) Nova sede da Resistência


                        

    Pois é. Daqui a cerca de uma hora vou mudar-me de armas e blogagens para Lisboa, com o apoio da nossa querida e deficitária CP. Lá passarei uns dias perto dos meus melhores amigos e, claro junto do namorado. São férias merecidas e estou ansioso. De lisboa parto para o Festival Sudoeste dia 4 de Agosto e só nos 4 dias seguintes é que não garanto haver posts. De resto, continuarei a "alimentar" diariamente o blog,  mesmo que não tantas vezes ao dia. O próximo post já vai ser lá, por isso ala que se faz tarde!

                          

(198) Postar antes de Pensar


   Acabei de descobrir que o meu blog vale b$177.55 no blogshares. A questão que se impõe é: o que é o blogshares? Vou investigar, bom dia.

(197) Good Night Post (para o B.)

 

(Peter Marlow)

Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem
 
Sophia de Mello Breyner Andresen

(196) On Fire



       O estranho dos incêndios nacionais é de ano para ano acontecerem nas mesmas zonas e serem apontadas as mesmas dificuldades na luta aos fogos (falta de acessos, falta de coordenação dos meios, falta de limpeza das matas, etc.).

     Se isto é assim, porque não há uma verdadeira política de prevenção de fogos, com a aplicação de medidas recomendadas por entendidos na matéria e criando-se acessos, experimentando-se soluções de coordenação dos meios e limpando os meios em altura própria? Acredito que seja difícil impedir a deflagração de incêndios em muitos dos casos, mas laborar para que exista uma resposta mais célere e uma prevenção mais eficaz é certamente possível.

     É pela pelos resultados que se deve avaliar a política de um governo em funções relativamente a esta matéria. E a política de prevenção de fogos dos últimos governos só serve mesmo para queimar.

segunda-feira, julho 26, 2004

(195) Darfur


    Fui adiando a publicação de um texto sobre o conflito que neste momento grassa no Sudão pois este choca-me tanto que não queria apenas publicar uma pequena nota sobre o assunto. Depois de alguma pesquisa, concluo que estes são os factos: há séculos que existe confronto étnico no Sudão. Como em tantos países africanos e árabes, há diferentes etnias foram agrupadas exclusivamente devido ao curso da história da colonização ocidental.

O poder político no Sudão pertence aos árabes muçulmanos desde a independência do país em 1956. Pouco depois, começaram os conflitos com os grupos de negros africanos do país, mais activos no Darfur. Em 2003 dois grupos independentistas desta região, Justice and Equality Movement (Jem) e Sudanese Liberation Movement (SLA), lançaram uma ofensiva contra forças e instalações governamentais. Como resposta, foram enviados para o terreno as milícias Janjaweed, recrutadas de tribos. Armadas pelo governo, estas semearam morte e destruição entre a população local, obrigando à fuga de mais de um milhão de pessoas. Estas milícias agem destruindo casas, violando mulheres, matando crianças e destruindo as terras e cultivações dos habitantes negros do Darfur.




    A situação afigura-se particularmente dura para as mulheres. Para além de viverem na miséria africana, perdem os seus filhos, terras e maridos. Têm sido sistematicamente violadas, o que para além da violência física e psicológica que tal acto acarreta, representa ainda um acto de violência cultural pois no entendimento da comunidade a sua “honra fica manchada” e perde o “valor social” que até aí tinha.

   A ligação das milícias (entretanto “condenadas” pelo governo) ao poder central foi provada pela Human Rights Watch.

   Depois de haver relatórios desta situação já em Maio e fortes suspeitas de limpeza étnica em larga escala, as entidades internacionais reagiram tarde. Só agora, e provavelmente com o fantasma do genocídio do Ruanda a pairar, se começam a trilhar os primeiros passos. Apesar do Secretário-geral da ONU, Kofi Annan, considerar que o risco de genocídio é “perigosamente real”, a ONU não classifica o conflito como genocídio, por questões diplomáticas. Os EUA e o Reino Unido fazem neste momento uma pressão mais forte (não excluindo o envio de tropas), embora o interesse económico e estratégico da região (há muito petróleo na zona e receio do aparecimento de um “ninho terrorista islâmico”) tenha de ser tido em conta na leitura desse acto de “boa vontade”.




    A meu ver, este povo não pode esperar mais. Têm de ser tomadas medidas concretas e rápidas de forma a resolver o conflito de uma forma firme e célere. O governo do Sudão (como tantos outros governos em África, muito por culpa da complacência e apoio do Ocidente) não é de confiança e têm apoiado e mandatado criminosos bárbaros. A ONU e os grandes países devem agir neste local, provando que não são apenas interesses estratégicos e políticos que comandam as suas intervenções militares e diplomáticas. A Intervenção não se deve limitar à resolução do presente conflito, mas também ter como objectivo o estabelecimento de pontes de entendimento entre as etnias do país.

     Aliás, questiono-me sobre a verdadeira responsabilidade das nações desenvolvidas em todos os conflitos que assolam África. Quantos ditadores foram tolerados por razões económicas ou políticas? Que pressão é exercida para que esses países se democratizem mais depressa? (que pressão faz Portugal sobre Angola nesse sentido?) Quantos conflitos étnicos não têm origem no mapa artificial de estados que a colonização desenhou? Nenhum de nós pode viver de consciência limpa enquanto houver no mundo uma desigualdade tão avassaladora entre humanos.

(194) A Q U A R I O F I L I A - II


"Nessa altura andava frustrado por não me conseguir apaixonar por rapariga nenhuma depois de me terem arrancado o coração, atirando-o de uma qualquer ponte alta, pelo prazer de ouvir o som húmido que faz a carne a despedaçar-se. Carolina. Mudei-me há sete anos quase, não me lembro sequer do mês. Carolina deixou-me há oito, uma semana depois de eu fazer anos. Sim, as datas devem ser essas."


Luís Soares


(193) Sócrates e os outros

   

    O PS está a definir quais os termos em que vai ocorrer a campanha à liderança socialista. Em sentido mais formal, a campanha começa agora. Na realidade e como esperado, Sócrates já se adiantou há algum tempo. Entrevistas televisivas, jantares-comícios máquina publicitária (slogans, cartazes) definida, plano de campanha pelo país delineado. Sócrates assume-se como dinâmico e tudo faz para nesta fase inicial inculcar essa ideia. Por outro lado quer mostrar que é mais que telegénico e vai transmitindo as suas ideias sobre vários temas, ainda que em termos muito latos. Apressa-se a apresentar os trunfos de entre os seus apoiantes.

   O que fazem os adversários? Nada. Limitam-se a condenar o frenesim de Sócrates, enquanto exibem os galões de verdadeira esquerda. Eu até preferia outra esquerda que não a de Sócrates (o Guterrismo falhou), mas para tal tem que haver um candidato que saiba mexer-se taco a taco com o ex-ministro do ambiente, no terreno dele, mas com uma postura diferente. Seria pelo contraste no mesmo contexto que a diferença emergiria. Neste momento, Sócrates já leva uma volta de avanço e pode dizer cada vez mais alto que representa a "moderna esquerda", provando pela sua postura que a outra é antiquada.

(192) Bonecos da minha vida II - THUNDERCATS


 


    Havia algo nos Thundercats que me fascinava. Tratava-se do facto de possuirem objectos que os tornavam super-heróis. Não é esse o sonho de toda a criança? Existir alguma coisa que possua propriedades mágicas capazes de nos tornarem invencíveis, ou pelo menos, verdadeiramente especiais. Não é por acaso que a relação das crianças com alguns objectos é muito vincada. Acredito que estes desenhos animados provocavam um clique nesta sensibilidade.
 
    Por outro lado, estes bonecos foram os meus primeiros x-men. Meio homens, meio animais (foi uma óptima maneira de aprender as capacidades distintivas dos grandes felinos), a sua mescla inspirava culto. Eles eram superiores, líderes e, como tal, tinham um destino condizente. É por isso que cada vez que o sinal destes heróis felinos era projectado, eu mexia-me nervosamente em frente ao ecrã, ansiando pela batalha seguinte. Roar.




(191) Nota do umbigo II


   Ir de (pobre) carro até aveiro, pela IP5 recheada de camiões tartaruga e debaixo de 40º; chegar à Universidade para levantar o certificado de conclusão de licenciatura, ter de pagar 109€ pelo papel e ficar a saber que está disponível daqui a 10 dias (deve ser para fazerem uma moldura a ouro); voltar para casa debaixo de 42º, ainda sem almoçar. Chegar a casa e ter de fazer um lanche disfarçado de almoço.

   Digam lá, se isto não é uma viagem deprimente, então o que é?

(190) Nota do umbigo I


   Já alguma vez fizeram uma dieta e no fim ficaram relutantes a abandoná-la, com medo de voltar ao estado anterior (ou piorar)? Acho que estou com "stress light"

(189) P O R T F O L I O II

                   


(188) Cine & Amigos

      Para o Dinis: ainda sem data de estreia em Portugal, "Home at the End of the World" é mais uma adaptação de um romance do escritor de "As Horas". Nele podemos assistir ao crescimento e vida adulta de um rapaz que desde cedo irá experienciar diferentes dimensões do conceito de família.
 
      Para os mais ansiosos, aqui fica o trailer.
 


     Para o Flasm: já vi alguns filmes de Lars Von Trier, incluíndo o recente e brilhante Dogville. Considero que é um realizador absolutamente imprescíndivel, que experimenta abordagens corajosas nos seus fimes. Com ele, nunca sabemos o que vai acontecer a seguir. Foi  Também o fundador do influmente movimento Dogma 95 (há um link na zona de cinema). Prometo falar dele sempre mais vezes. Um abraço para ti.

(187) Primos Afastados

 

 

(186) Good Night Post

   Será que o calor me deixa dormir?

(Ferdinando Scianna)

(185) Paredes é meu amigo

                     
                          


    Quase que conhecia Carlos Paredes em versão póstuma. Foi apenas este ano, através do projecto Movimentos Perpétuos, que ouvi o maior guitarrista português, pela voz de quem o admirava há muito tempo. Mais tarde obtive uma antologia das suas músicas, que vai fazendo as minhas delícias. Por isso, que posso dizer sobre Paredes? Não tenho capacidade nem conhecimento para dizer muito. Sei que adoro música genuina. E sinto a força da veracidade nos acordes de Paredes. A música dele inscreve no tempo notas essenciais, dota o mundo de contornos mais belos. Como toda a boa música. Por ser genuíno, Paredes é meu amigo e fica aqui uma homenagem pela sua vida. O mp3 (obrigado de novo B.) é um tributo musical, adivinhatoriamente ideial para esta (triste) ocasião.


 
(Clique para ouvir "O Amigo Paredes", com voz de Fernando Alves, in O Fado do Público.)




domingo, julho 25, 2004

(184) Para desanuviar ainda mais...:)

 

(Kurt Mangum)

(183) Para desanuviar do 182



Tu Pensas que os Cardeais

Tu pensas
que os cardeais
não se masturbam,
que não vêem
as telenovelas,
que vêem, quando muito, os filmes de Bergman
e o Evangelho segundo São Mateus de Pasolini.
Não, eles nunca lêem os livros pornográficos
e nunca pensaram em ter amantes.
Eles não conhecem o turbilhão das visões
das figuras eróticas,
eles lêem os exercícios espirituais
de Santo Inácio
e têm o odor da santidade
e irão para o céu porque nunca pecaram,
nunca acariciaram um pénis,
nunca o desejaram túmido e ardente
na sua boca casta.

Ah os cardeais como são exemplares
mesmo quando os espelhos os perseguem
com os membros e órgãos de mulheres
na fulguração da nudez liquida e candente!

Todavia eu conheço a obstinada chama
do desejo,
a sua glauca ondulação,
os seus olhos deslumbrados pela oceânica
vertigem
de um corpo embriagado pela sua simetria
e pela volúvel coerência
dos seus astros dispersos.

Não, eu não creio na inocência imaculada
dos solenes cardeais.
Eu sei que a sua carne é a mesma argila
incandescente e turva
de que o meu corpo frágil é composto.
Eles conhecem o sofrimento de ser duplos,
o vazio do desejo,
a violência nua das imagens monstruosas,
a adolescência do fogo nos labirintos negros.

Mas eu sei que os cardeais não gritam,
nem levantam a voz,
nem atravessam a fronteira do pudor
e adormecem ao rumor das orações.
É esta imagem que eu quero conservar
na religiosa monotonia do meu sono.

(Ramos Rosa)

(182) Homofobia debaixo da hóstia

   
   Hoje o Jornal de Notícias dedica quase toda a sua página de "religião" à homossexualidade. Tal acontece devido às conclusões da Conferência Episcopal Espanhola (CEE). Nestas, a CEE contesta o casamento entre homossexuais, pois não é o "verdadeiro matrimónio". Claro que as propriedades de matrimónio verdadeiro não são explicitadas e muito menos é explicado porque cabe à Igreja julgar acerca da validade de uma união entre pessoas.
 
   Por outro lado, a CEE considera que o governo espanhol "excede as suas capacidades", relativamente a este assunto. Subliminarmente, trata-se de dizer que é a Igreja que tem competência para tratar do assunto e que o governo está a meter-se onde não é chamado. Sinal que a Igreja ainda não se conforma em ser uma instituição religiosa em vez de política e que ainda não convive bem com os estados laicos.

   Para disfarçar esta posição reaccionária e pouco humana, a CEE diz reconhecer "A dignidade inalienável" de todos os homossexuais, e portanto, considera que estes têm os mesmos direitos e obrigações de qualquer cidadão. Como a CEE decidiu que o matrimónio (por acaso os homossexuais querem o casamento e não o sacramento do matrimónio, o que é ligeiramente diferente...) só pode acontecer entre pessoas de sexo oposto, "o Estado não pode reconhecer aos homossexuais o direito de casar".

   Esta é a parte que eu não percebo. Então se têm os mesmos direitos, não têm os mesmos direitos? Não, claro que não, porque na realidade somos todos iguais, mas uns mais iguais que outros e devemo-nos contentar em ficar na nossa devida posição social. Onde é que já ouvimos isto antes? 

   O que se trata aqui é duma verdadeira homofobia encapotada. Para a CEE e para a Igreja em geral "os significados unitivo e procriativo da sexualidade fundamentam-se na realidade antropológica da diferença sexual e da vocação ao amor que nasce dela, aberta à fecundidade. Já perceberam do que se trata realmente? O casamento serve para procriar, sem mulheres não há procriação. Portanto o casamento tem de ser entre um homem e uma mulher. Podem levantar os argumentos que quiserem, no fundo vai tudo dar a isto. A maneira como as coisas devem ser. E as coisas têm de se manter assim porque há MEDO de VER dois homens (ou mulheres) juntos a fazer uma vida IGUAL a nós. O medo não se quer por perto.

   O que a Igreja não percebe é que o casamento celebra a união entre duas pessoas que escolhem viver a sua vida juntas e como tal pretendem assumi-lo perante a sociedade e perante a lei. O que a Igreja não percebe é que a família acontece no cruzamento de laços afectivos, que se querem saudáveis e fundados no amor e respeito por outrém. Tal definição não exclui nenhuma espécie de família, pois a questão não está no tipo de família, mas sim no tipo de laços que esta constrói.

   O governo espanhol reagiu à nota (certamente ultrapassando as suas competências), afirmando que é seu "dever democrático remover barreiras de desigualdade dos cidadãos numa sociedade plural". Pois é, cara CEE, não basta proclamar a igualdade "para inglês ver", é preciso não lhe colocar entraves. Rui Osório, na coluna ao lado diz que os "grupos homossexuais" (será que Rui Osório considera a terminologia "grupos de cristãos" adequada?) ignoraram o debate e apelidaram a nota da CEE de homofóbica. Pois caro Rui, acabei de debater a questão e digo que a nota é homofóbica.
 

                                

(181) Fazer "jogging" numa zona rural


   ...é como correr na savana. Ouvem-se os mesmos uivos e rosnares. Na vegetação há movimentos constantes e bruscos. As ruas estreitas estão vigiadas por dezenas de olhos predadores. Sente-se! A única diferença é que não vemos as criaturas que se preparam para nos atacar a qualquer momento. E os perigos visíveis estão geralmente disfarçados de melhor assassíno amigo do homem. Eu tenho medo de correr na savana.

(180) Visto: Try Seventeen

 


   Já vi (em divx) este filme há bastante tempo, por isso não me lembro de todos os pormenores. Porém, como está agora em exibição, aqui fica a minha opinião. Esta é a história de um jovem (Jones - Elijah Wood) que se aventura fora de casa. É muito inteligente, mas falta-lhe alguma autonomia. É o processo de aquisição de autonomia que vamos observar, com um triângulo amoroso pelo meio. No final, algumas disfuncionalidades familiares  de Jones vão ser expostas e resolvidas.
 
   O grande problema deste filme é que nunca se aventura para além da mediania. Tem actores com algum talento, mas amarrados a papéis superficiais e a uma narrativa débil e pouco original. Em termos de "grow up" movie, Igby Goes Down, que aborda alguns dos temas deste filme, vai mais longe. De qualquer forma, é agradável e descontraído, podendo ser adequado conforme a disposição...
 
    Try Seventeen - ** estrelitas (razoável)
 
   

(179) Estão gregos na praia


    ...foi o que eu pensei, quando, abandonando um pouco o mundo agradável da minha toalha, decidi espreitar a zona envolvente. Todos os adereços da praia pareciam pertencer a uma qualquer praia helénica. Os guarda-sóis azuis e brancos, os pára-ventos azuis e brancos e até as simpáticas cadeirinhas de lona eram azuis e brancas. Toalhas azuis e brancas,  4 em 10. Vão-me dizer que era apenas um ajuntamento de adeptos do FCP. Não, as riscas eram horizontais, mesmo naquele padrão da bandeira grega.

    Cá para mim, é uma forma avançada e inconsciente de lidar com "vocês sabem o quê". É uma espécie de catarse pela exibição. Uma espécie de libertação por sinédoque. Os objectos que nos servem são gregos.

    Isto foi anteontem. Neste momento já não sei se estava acordado ou a dormir quando vi isto. Será que o problema é meu?

(178) Blogo Noticioso


I - Altas temperaturas duram até quinta-feira - Afinal a tortura não acaba na terça. Aqui o (pouco) Resistente (ao calor) vai derreter em Lisboa.

II - Dreamworks leva os «Transformers» ao cinema - Será que a Dreamworks leu o meu post? Excelente notícia!

III - Maioria dos britânicos acha que Blair mentiu [sobre a guerra do Iraque] - Eu também!

IV - Fantasporto põe em curso a maior edição de sempre - Na comemoração dos 25 anos de existência, parece que o "Fantas" irá voltar em força. É uma boa oprtunidade para lá irmos e darmos o nosso apoio a esta iniciativa única.

V - Famílias sem fontes de receita ficam de fora do Rendimento Social de Inserção - Como esperado, houve uma regressão nos apoios sociais por parte do governo que cessou. Pior, criticavam a falta de capacidade de reinserção que o anterior programa tinha, mas é nesse aspecto que o RSI continua mais débil. Como será agora com Santana, defensor dos pobres e oprimidos? É que o Portas acha este é o "subsídio da preguiça"...

Para reflectir:

* O Desejo de Comédia, por Mário Mesquita - (...)seria repetitivo e desinteressante escrever em tom jocoso acerca das peripécias que se registaram antes, durante e após a formação do Governo de Santana Lopes. Televisões, rádios, jornais, "websites", "blogs", mensagens de correio electrónico ou "sms" desdobraram-se a analisar, protestar ou satirizar os múltiplos casos, incidentes e polémicas relacionados com o novo Executivo.

* Por Que Não Também para Sophia; por São José Almeida - Por que razão não foi decretado luto nacional quando da morte de Sophia de Mello Breyner Andresen e de Maria e Lourdes Pintasilgo? Porque em causa estão duas mulheres? Quais os critérios que o protocolo de Estado e o Ministério dos Negócios Estrangeiros usam para decidir sobre quem é susceptível de tal homenagem? O Presidente da República não tinha obrigação de estar atento?

(177) Descubra as diferenças

 

(Chip Bok)

(176) Links de Música

 



Diário Digital - Notícias, lançamentos, críticas.
 
Festivais de Verão - Os cartazes dos festivais e outras informações úteis.
 
Música no Coração - A maior promotora nacional de concertos. Informações várias sobre os concertos em agenda.
 
Ananana - Editora de música alternativa.
 
Revista NME - Revista musical britânica. Notícias, lançamentos e crítica a nível internacional.
 
RollingStone - Revista musical norte-americana.  Notícias, lançamentos e crítica a nível internacional.
 
XFM UK - Página da estação britânica de música alternativa. É possível ouvir a emissão online.
 
Sígur-Rós - Página oficial da banda islandesa.
 
Ateaseweb - A mais completa página de fãs dos Radiohead.
 
Always On The Run - Um bom "armazém" de letras de grandes bandas.
 
Soulseek - Página oficial do melhor (na minha opinião) programa P2P para download de música.
 
Guia de rádios - Contém a frequência das rádios nacionais. Permite ouvir online as que contêm essa funcionalidade.
 

(175) O Leitor e a Vida I

 
(...) o meu desejo é substancializar a noção de pele que envolve a verdade dos livros, dos objectos artísticos tornados ser. A pele tem de ser vista para ser rasgada. O contacto com a essência de um livro, o indizível que está para além do livro (objecto e texto) é sempre a abertura de uma ferida, mas também o nascimento de uma visão alterada para sempre pelo vislumbre do Interior.
(Nuno Pinho)

(174) Aforismos matinais

 
“O universo tem tantos centros quantos os seres vivos que existem.”
(Alexandre Soljenitsine)
MAS

"Freedom is a scary thing
 Not many people want it"
(Laurie Anderson)

(173) Good night post

 

(Beth Gibbons)
 It's a fire,
These dreams they pass me by,
The salvation I desire,
Keeps getting me down.
(...)
(Portishead - "It's a Fire")

sábado, julho 24, 2004

(172) Os exageros do Bloco de Esquerda...


    são denunciados no Bloguítica (post 1589).  A propósito da proposta de alteração de lei que este partido fez sobre a lei das incompatibilidades e impedimentos dos titulares de cargos políticos, PG afirma "Se a actual lei é insuficiente hoje, então também o era no mês passado, certo?Obviamente, o que determinou o timing foi o já muito conhecido oportunismo político do Bloco de Esquerda. Infelizmente, para o BE, mais importante do que o conteúdo em discussão é a cobertura mediática que essa questão gera."

    Eu concordo que tanto a forma com o conteúdo do discurso político do BE são, por vezes, enlameados por um radicalismo irreflectido provindo de alas muito radicais do partido. Esse discurso também serviu para o o BE marcar ideologicamente o seu terreno e conseguir cobertura mediática, essencial na actual vida política (para o bem e para o mal).

    A minha discordância com PG está na análise que este faz das motivações dos bloquistas. O BE aproveita os media para realçar as suas posições, mas pelo menos estas assentam em ideias políticas claras e concretas. O que contrasta com grande parte do discurso político mediático,  oco de sentido. Por outro lado, o BE é um partido activista e reivindicativo. A forte componente mediática (slogans, cartoons, posters) é tradicional neste tipo de movimentos. Finalmente, o BE assume-se como partido de causas e tem interesse em dar-lhes visibilidade. Acho isso positivo e revelador de dinamismo político. Tal atitude activa baseada em crenças (não só em sede de exposição, como parece defender PG) oposta à amorfia dos partidos mais antigos, é, a meu ver, muito notada pelos portugueses e uma das causas para o rápido crescimento desta força política.


(171) PaintPost: Tegui no Governo

 


   Nota: o meu objectivo não é ofender a pobre Teresa Caeiro, mas sim realçar o triste espetáculo que todos os envolvidos no seu saltitar de cargos durante a formação do governo proporcionaram. Para um tratamento sério do assunto, ler este post de Vicente Jorge Silva.
  

(170) O Inimigo Público da semana é

 
...Mário Botequilha.
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«José Barroso telefonou a Bush para lhe chamar "unilateral e arrogante"
 
    O europeu José Barroso colocou esta semana as chancelarias e embaixadas em sentido depois de uma conversa telefónica com George W. Bush em que lhe terá chamado "arrogante e insuportavelmente unilateral". Bush ficou surpreendido, mas José Barroso não lhe deu tréguas, demoliu a intervenção no Iraque, desancou a incompetência da luta contra o terrorismo e aconselhou-o a não falar de improviso, porque, "muito francamente, fazes sempre figura de urso, George" (NR: "dumb bear look alike, no original). Meia hora depois, José Barroso ainda enviou uma SMS ao presidente americano dizendo que o achara "totalitário, tirânico e texano" desde sempre e que não mudava de opinião do dia para a noite.»
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(169) Sofá & Cine

 
    Logo à noite passa na 2: o filme "The Big Lebowski", uma (outra) comédia dos irmãos Cohen.  Deles já vi Fargo, O Brother, Where Art Thou e o recém-estreado Ladykillers (** estrelitas). Se o estilo se mantiver como no resto da sua obra, espera-se humor negro e idiotice bizarra aos rodos. Para os interessados, é às 23.25.

(168) Eu quero um!


Mini Ipod da Apple, à venda a partir de hoje na Apple Store de Portugal ao preço de 265.70€.

 
(mas não tenho dinheiro...)

(167) Destesto Pêssegos, But I Like Peaches

     
    Entrevista da Peaches à Playboy (excertos):

If you could be a guy for a day, what -- or who -- would you do?
P: I don't understand the question. I am a guy.
What's the best country to get laid in?
P: The best "cuntry" is Portugal because there are so many beaches.
Is there a celebrity whose sex appeal, in your opinion, is underrated?
P: Moe from The Simpsons.
8. How often do you masturbate?
P: I'm masturbating right now.

   Não fico extasiado com a música desta trashy mensageira do electropop, mas aprecio-lhe a postura (mesmo que seja um bocadinho fabricada e encenada) e...a (a)moralidade. Afinal de contas, ela tenta aplicar um "choque moral" às restrições sexuais.  E a música é mesmo boa para a festa :P

I don't have to make a choice, I like girls and I like boys. (Peaches - "I U She")




(166) Sob Escuta

 

     O novo álbum dos veteranos Tears for Fears (aqueles que originalmente gravaram "Mad World"), Everybody Loves a Happy Ending, é uma agradável surpresa. Não há aqui regresso (ou continuação) do passado, mas sim um som revigorado e ajustado à evolução da banda e da própria música. A banda não quis manter a sonoridade do passado e os sintetizadores foram substituidos pelos samples. As músicas são simples e directas, num pop-rock de qualidade, com a marca de quem já sabe o que faz. Não será um grande álbum, mas nota-se que foi feito com prazer. É ideal para descontrair e apreciar letras e músicas que não exigem muita atenção, mas que têm qualidade acima da média.

   Para descobrir, recomendo "Who Killed Tangerine".




(165) Eu vou estar ali

 
....toda a tardinha a apanhar com a brisa do mar. Onda de calor, "get ready, FIGHT!"



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